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Bellingham

O Batismo do Afeto e a Redenção da Dor

A luz da manhã seguinte não era agressiva como as outras. O sol de Madri filtrava-se pelas cortinas de seda da suíte principal, banhando o quarto com um tom dourado e suave. No centro da imensa cama, Jude Bellingham despertou lentamente. O silêncio era profundo, mas não era o silêncio frio do abandono; era uma quietude preenchida por presenças.

Ao tentar se mexer, Jude sentiu o corpo pesado, mas a dor aguda da noite anterior havia sido substituída por um latejar morno e uma sensação de limpeza. Ele percebeu que o vibrador havia sido removido enquanto ele dormia em um estado de exaustão profunda. Sua pele estava hidratada com óleos caros e ele vestia uma camisa de seda que não era sua.

— Finalmente você acordou — a voz de Kylian Mbappé veio da poltrona ao lado da cama. Ele não usava a expressão predatória de antes. Seus olhos estavam calmos, quase ternos.

Jude encolheu-se instintivamente, as lembranças da villa e de Harry Kane inundando sua mente como um pesadelo vívido.

— Por favor... — sussurrou Jude, a voz ainda rouca. — Eu não vou mais fugir. Eu juro.

Kylian levantou-se e sentou-se na beira da cama. Para a surpresa de Jude, o francês não o puxou pelo cabelo nem o insultou. Em vez disso, ele levou a mão ao rosto do inglês, acariciando a bochecha com o polegar.

— Shhh. Esqueça o que aconteceu ontem, Jude — disse Kylian, a voz suave como veludo. — Aquilo foi a correção necessária. O mundo lá fora é cruel e o Kane não sabia como cuidar de algo tão precioso quanto você. Ele teria deixado você murchar.

A porta do quarto se abriu e Luka Modric entrou carregando uma bandeja com café da manhã, seguido por Erling Haaland. O norueguês, que horas antes parecia um monstro de fúria, agora carregava um olhar quase tímido.

— Trouxemos o que você gosta — disse Modric, colocando a bandeja sobre o colo de Jude com cuidado maternal. — Você precisa recuperar as forças, pequeno.

Jude olhava de um para o outro, confuso. A dissonância entre a violência da noite e o carinho da manhã o deixava tonto.

— Eu não entendo — confessou Jude, as lágrimas começando a brotar. — Vocês me quebraram. Vocês me usaram na frente dele... me chamaram de animal.

Erling aproximou-se, sentando-se do outro lado da cama. Ele pegou a mão de Jude, suas mãos imensas envolvendo os dedos finos do inglês.

— Jude, olhe para mim — pediu o norueguês. — Aquelas palavras... os tapas... o cinto... aquilo faz parte do que somos. No campo, somos guerreiros. No quarto, somos intensos. Mas você nunca foi um brinquedo para nós. Um brinquedo a gente descarta quando quebra. Você... você é o nosso centro.

— Você é o nosso bebê, Jude — completou Modric, sentando-se aos pés da cama e massageando os tornozelos do jovem. — A disciplina é o reflexo da nossa obsessão. Nós te amamos tanto que a ideia de perder você para alguém comum como o Kane nos enlouquece.

Jude soluçou, escondendo o rosto nas mãos.

— Amor não deveria doer assim — balbuciou ele.

— O amor entre reis é diferente, Jude — Kylian disse, inclinando-se para beijar a testa do inglês. — Nós não somos pessoas normais. Nós somos os melhores do mundo. E o melhor do mundo merece um amor que seja tão avassalador quanto o seu talento. Aqueles tapas? Foram apenas a nossa forma de dizer que você é nosso. No sexo, a dor é o tempero da nossa entrega. Mas agora, olhe ao seu redor.

Nesse momento, a porta abriu-se novamente. Zlatan Ibrahimovic entrou, seguido por Cristiano Ronaldo e Messi. O ambiente, que antes parecia uma cela de luxo, transformou-se em um santuário.

Zlatan caminhou até a cama e, com sua presença imponente, apenas observou Jude por um momento antes de colocar uma mão pesada, mas gentil, no topo de sua cabeça.

— O pequeno pônei sobreviveu à tempestade — disse Ibra, e havia um orgulho genuíno em sua voz. — Você provou que é forte o suficiente para carregar o peso do nosso afeto. Nunca mais duvide do seu lugar aqui. Você não está abaixo de nós, Jude. Você está no meio de nós. Protegido por nós.

Cristiano Ronaldo, sempre impecável, cruzou os braços e deu um passo à frente.

— Eu vi muitos talentos passarem por este clube, Jude. Mas nunca vi ninguém unir este grupo de forma tão... visceral. Ontem foi sobre limites. Hoje é sobre compromisso. Nós cuidamos do que é nosso. E você é o nosso investimento mais sagrado.

Messi, com sua calma característica, aproximou-se e entregou a Jude um pequeno pingente de ouro com o número 5, o número que Jude usava no Real Madrid.

— Para que você se lembre de que, mesmo quando estiver sozinho em campo, nós estamos com você — disse o argentino. — Nós te amamos, Jude. Do nosso jeito distorcido, talvez. Mas é o amor mais puro que você encontrará neste mundo de egos.

Jude sentiu o impacto daquelas palavras. Ele olhou para cada um deles. Eram os homens que o haviam humilhado, sim, mas eram também os únicos que pareciam compreender a magnitude da pressão que ele sentia. Eles eram os únicos que falavam a mesma língua de glória e sacrifício.

— Vocês... vocês realmente me amam? — perguntou Jude, a voz trêmula.

— Mais do que a própria vida — respondeu Kylian, puxando-o para um abraço apertado. — Ontem o Kylian "Dono" estava no comando. Mas hoje, é apenas o Kylian que não consegue dormir se não ouvir a sua respiração ao lado da dele.

Jude permitiu-se relaxar no abraço. O medo começou a se dissipar, substituído por uma estranha sensação de segurança. Ele percebeu que, naquele mundo de gigantes, ser o "bebê" do grupo não era uma humilhação, mas um privilégio supremo. Eles o haviam batizado na dor para que ele pudesse renascer no afeto absoluto deles.

— Eu quero ficar — sussurrou Jude no ombro de Kylian. — Eu não quero mais o Harry. Eu não quero mais a Inglaterra. Eu quero vocês.

Um suspiro coletivo de satisfação percorreu o quarto.

— Então está decidido — anunciou Modric, sorrindo. — Hoje não há treino para você. Hoje é dia de cuidados.

As horas seguintes foram um borrão de mimos e declarações. Eles o banharam novamente, desta vez com água morna e sais perfumados, cada um deles participando do processo com uma reverência quase religiosa. Haaland lavou seu cabelo, Modric ensaboou suas costas com cuidado para não irritar as marcas avermelhadas que ainda restavam, e Zlatan o secou com as toalhas mais macias da suíte.

Eles o alimentaram na boca, dividindo histórias de suas próprias carreiras, fazendo-o rir e esquecer a angústia que o corroía. Não havia menção a contratos, a Kane ou a punições. Havia apenas Jude no centro de tudo.

À tarde, deitaram-se todos na imensa cama ou nos sofás ao redor, assistindo a vídeos de jogadas antigas, discutindo táticas enquanto Jude descansava a cabeça no colo de Messi.

— Sabe, Jude — disse Haaland, enquanto trançava distraidamente uma mecha do cabelo do inglês —, os tapas de ontem... eu senti cada um deles em mim também. Mas eu precisava que você entendesse que o mundo lá fora não tem o que nós temos.

— Eu entendi, Erling — respondeu Jude, fechando os olhos, sentindo-se finalmente em paz. — Eu entendi que a dor é só o começo do prazer que vocês me dão depois.

Ao cair da noite, Kylian ficou a sós com ele. O francês apagou as luzes e deitou-se ao lado de Jude, puxando o edredom sobre ambos.

— Você está bem, mon ange? — perguntou Kylian, beijando o ombro de Jude.

— Estou — respondeu Jude, virando-se para encarar os olhos escuros do francês. — Eu me sinto... completo.

— Ótimo. Porque amanhã o mundo verá o Bellingham que nós criamos. O Bellingham que caminha com a cabeça erguida porque sabe que tem os deuses do futebol guardando as suas costas.

Kylian abraçou Jude por trás, sua mão descansando protetoramente sobre o ventre do inglês.

— Durma agora, nosso bebê — sussurrou Kylian. — Amanhã o reino é seu. Mas esta noite, e todas as outras, o seu coração é nosso.

Jude adormeceu com um sorriso nos lábios. O zumbido do vibrador havia sido substituído pelo batimento constante e forte do coração de Kylian contra suas costas. Ele sabia que as marcas em seu corpo sumiriam, mas a marca em sua alma — a marca de pertencer àquela elite de homens que o amavam com uma fúria divina — essa seria eterna. E, pela primeira vez em muito tempo, Jude Bellingham não queria estar em nenhum outro lugar do mundo.