Bellingham
O Sangue no Ouro e a Fúria dos Deuses
A manhã em Madri tinha um ar pesado, como se a própria cidade estivesse prendendo a respiração. Jude Bellingham caminhava em direção ao seu carro após um treino individual leve, tentando ignorar a dor latente que ainda sentia. Ele acreditava que o pesadelo com Harry Kane havia terminado naquela villa, mas o que ele não percebia era que a obsessão, quando ferida, torna-se letal.
Ao se aproximar de seu veículo no estacionamento deserto, uma figura emergiu das sombras entre duas colunas de concreto. Harry Kane não parecia mais o capitão polido da seleção inglesa. Seus olhos estavam injetados, o cabelo desgrenhado e as roupas amassadas.
— Jude. Precisamos terminar nossa conversa — disse Harry, a voz rouca e instável.
— Harry? O que você está fazendo aqui? — Jude recuou, o coração disparando. — Vá embora. Os outros... se eles te virem aqui, eles vão te matar.
— Os outros não estão aqui agora, estão? — Harry avançou rapidamente, agarrando o braço de Jude com uma força que fez o jovem soltar um grito abafado. — Você acha que pode me descartar depois de tudo o que eu tentei fazer por você? Você escolheu aqueles monstros? Você prefere ser o brinquedo deles?
— Me solta! — Jude lutou, mas Harry o empurrou contra a lateral do carro, atingindo-o com um soco seco no estômago que o deixou sem ar.
Antes que Jude pudesse se recuperar, Harry o arrastou para dentro de uma van escura estacionada logo atrás. O sequestro foi rápido, violento e silencioso.
Horas depois, em um galpão abandonado nos arredores industrializados da cidade, a máscara de "bom moço" de Kane caiu completamente. Ele jogou Jude no chão sujo, chutando o lado de suas costelas.
— Você queria ser tratado como um animal, não é? Foi isso que o Mbappé te ensinou? — Harry gritou, desabotoando o cinto. — Eu tentei te salvar, Jude! Eu te ofereci uma saída! Mas você se rastejou de volta para eles!
— Harry, por favor... você está doente — soluçou Jude, o nariz sangrando após um golpe no rosto.
— Eu vou te mostrar o que é dor de verdade. Sem carinho, sem "proteção". Apenas a realidade.
O que se seguiu foi um ato de posse doentia. Harry Kane, consumido pelo ciúme e pela humilhação que sofreu nas mãos dos jogadores do Real Madrid, despejou toda a sua frustração em Jude. Não houve a "intensidade de reis" que Mbappé e os outros pregavam; houve apenas violência crua. Harry o usou com uma brutalidade que visava apenas destruir, ignorando os gritos e as súplicas de Jude. Quando terminou, ele deixou o jovem jogado entre caixotes velhos, sangrando e quebrado.
— Agora volte para os seus donos — cuspiu Harry, limpando o rosto suado. — Conte a eles que o seu precioso capitão te marcou de um jeito que eles nunca vão conseguir apagar.
Jude, em estado de choque, conseguiu de alguma forma chegar a um táxi. Ele estava envolto em seu próprio casaco, o capuz cobrindo o rosto desfigurado. Quando chegou ao complexo onde os jogadores viviam, ele não chamou ninguém. Ele se arrastou até seu quarto, trancou a porta e desabou no chão do banheiro.
No dia seguinte, o vestiário do Real Madrid estava em polvorosa. Jude não aparecera para o café da manhã e não atendia o telefone.
— Ele não está no quarto — disse Mbappé, entrando no vestiário com uma expressão de pura ansiedade. — Eu bati, chamei, mas ele não responde.
— Talvez ele esteja apenas cansado — sugeriu Lewandowski, embora sua própria testa estivesse franzida em preocupação.
— Jude não falta a treinos sem avisar — retrucou Modric, já pegando as chaves da reserva da suíte. — Algo está errado. Eu sinto.
Eles caminharam em grupo até o quarto de Jude. Quando Modric abriu a porta, o silêncio era sinistro. Eles o encontraram na cama, enrolado em três edredons, mesmo no calor de Madri.
— Jude? — chamou Kylian, aproximando-se e puxando levemente a coberta.
O que eles viram os fez congelar. O rosto de Jude estava inchado, o nariz claramente quebrado e marcas de dedos arroxeados circulavam seu pescoço. O jovem abriu os olhos, mas não havia o brilho de antes; apenas um vazio aterrorizante.
— O que aconteceu? — a voz de Erling Haaland saiu como um rosnado baixo, a fúria vibrando em cada músculo de seu corpo de quase dois metros. — Quem fez isso com você, Jude?
Jude desviou o olhar, puxando o cobertor para cobrir o rosto.
— Eu caí — sussurrou ele, a voz falha. — Foi um acidente. Eu bati no móvel.
— Não minta para nós! — Mbappé explodiu, ajoelhando-se ao lado da cama. — Isso não foi um móvel, Jude! Alguém tocou em você! Alguém quebrou o nosso bebê! Diga o nome!
— Ninguém... por favor, me deixem sozinho — Jude começou a soluçar, encolhendo-se em posição fetal.
Zlatan Ibrahimovic, que estava parado à porta, observava tudo com olhos de águia. Ele não disse nada, apenas saiu do quarto. Dez minutos depois, ele voltou com um tablet nas mãos.
— O pequeno pônei não quer falar — disse Zlatan, sua voz tão fria que parecia congelar o ar. — Mas as câmeras de segurança do estacionamento e os paparazzi que vivem na nossa cola não mentem.
Ele colocou o tablet sobre a cama para que todos vissem. Era um vídeo granulado, gravado por um fã que estava escondido atrás das grades do CT. No vídeo, Harry Kane aparecia segurando o braço de Jude com violência, arrastando-o para a van. A imagem seguinte era de uma câmera de trânsito, mostrando a van de Kane saindo da cidade em alta velocidade.
O silêncio que se seguiu no quarto foi o mais perigoso que Jude já ouvira na vida. Não era o silêncio da surpresa, mas o silêncio da morte iminente.
— Harry Kane — pronunciou Cristiano Ronaldo, cada sílaba soando como uma sentença.
— Ele ousou — murmurou Messi, seus olhos calmos agora transformados em fendas de puro ódio. — Ele tocou no que é nosso depois de ter sido avisado.
Mbappé estava tremendo, mas não de medo. Era uma fúria tão concentrada que ele parecia prestes a entrar em combustão. Ele se inclinou sobre Jude, beijando suavemente o nariz sangrando do jovem.
— Shhh... desculpe por não termos chegado a tempo, mon ange — sussurrou Kylian. — Mas eu prometo a você... o sol não vai se pôr hoje sem que o mundo saiba o erro que esse homem cometeu.
— Kylian, não... — Jude tentou segurar a mão dele. — Deixa pra lá, eu só quero esquecer...
— Nós não esquecemos — disse Modric, levantando-se e olhando para os outros. — Erling, Zlatan, Cristiano. Vocês sabem o que fazer.
— O jato está pronto em trinta minutos — disse Cristiano, já ao telefone. — Ele voltou para Londres hoje de manhã. Ele acha que está seguro em casa.
— Ele vai descobrir que não existe lugar seguro no mundo para quem mexe com um de nós — declarou Haaland, estalando os nós dos dedos com um som que parecia um tiro.
Eles deixaram Jude sob os cuidados de Xavi e Suárez, que permaneceram no quarto para garantir que o jovem fosse medicado e alimentado. O restante do grupo — a elite, os deuses de Madri — partiu em uma missão que não tinha nada a ver com futebol.
Harry Kane estava em sua casa em Londres, tentando convencer a si mesmo de que o que fizera fora um ato de "justiça". Ele ouviu o som de um motor potente parando em frente ao seu portão, mas antes que pudesse se levantar, a porta de sua mansão foi arrombada.
Não houve conversa. Não houve pedidos de explicação.
Zlatan entrou primeiro, pegando Kane pelo pescoço e levantando-o do chão como se ele não pesasse nada.
— Você achou que era um rei, Harry? — perguntou Zlatan, o rosto a centímetros do dele. — Você não passa de um verme que tentou morder um diamante.
Haaland e Mbappé surgiram logo atrás. A surra que se seguiu foi metódica e impiedosa. Eles não usaram armas; usaram as mãos que os tornaram lendas, os pés que valiam centenas de milhões. Cada golpe era uma resposta a um hematoma no corpo de Jude.
— Isso é pelo nariz dele! — gritou Mbappé, atingindo o rosto de Kane com um soco que quebrou o osso instantaneamente.
— Isso é pelas lágrimas dele! — Haaland desferiu um golpe nas costelas de Kane, ouvindo o estalo seco do osso partindo.
Quando Kane estava caído no chão, mal conseguindo respirar, Cristiano Ronaldo aproximou-se. Ele não se sujou na luta, mas sua presença era a mais aterrorizante. Ele se agachou ao lado do homem caído.
— Você nunca mais vai jogar pela seleção — disse Cristiano, a voz calma e gélida. — Você nunca mais vai assinar um contrato de patrocínio. Você vai se aposentar por "motivos de saúde" amanhã. E se você ousar dizer o nome de Jude Bellingham novamente, nós não viremos apenas bater em você. Nós viremos para terminar o serviço.
— Por favor... — Kane tentou balbuciar através do sangue.
— O "por favor" dele você não ouviu — retrucou Mbappé, dando um último chute no estômago de Kane. — Agora você vai viver com o medo constante de que, a qualquer momento, em qualquer lugar do mundo, nós possamos voltar.
Eles deixaram a mansão tão rápido quanto entraram. No voo de volta para Madri, o clima era de uma satisfação sombria. Quando retornaram ao quarto de Jude, encontraram-no dormindo sob a vigilância de Modric.
Mbappé sentou-se ao lado dele, observando o rosto agora limpo e tratado. Jude acordou com o toque, seus olhos buscando os de Kylian.
— Acabou? — perguntou Jude.
— Acabou, bebê — disse Kylian, puxando-o para o peito. — Ele nunca mais vai te tocar. Ele nunca mais vai tocar em ninguém.
— Vocês fizeram isso por mim? — Jude perguntou, sentindo uma onda de calor e pertencimento que superava qualquer dor.
— Nós faríamos o mundo queimar por você — respondeu Haaland, sentando-se aos pés da cama. — Você é o nosso coração, Jude. E ninguém mexe no coração sem perder a própria vida.
Jude fechou os olhos, sentindo-se finalmente seguro. Ele sabia que o amor daqueles homens era perigoso, possessivo e muitas vezes violento. Mas, naquele momento, era a única coisa que o mantinha inteiro. Ele era o protegido dos deuses, o pequeno príncipe de Madri, e o mundo agora sabia que mexer com Jude Bellingham era convidar a fúria do próprio destino.
— Eu amo vocês — sussurrou Jude, antes de cair em um sono profundo e, pela primeira vez em dias, sem pesadelos.
Kylian olhou para os outros jogadores e todos assentiram em silêncio. A lição fora dada. O trono de Jude estava garantido, e o sangue de quem ousou desafiá-los ainda manchava suas mãos, um lembrete eterno de que o ouro de Madri era forjado na lealdade absoluta.