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Bloom x Jim

A Coroa de Ferro e Sal

O céu da Terra do Nunca parecia rasgar-se em fitas de éter e fuligem.

No centro da esplanada de carvalho negro, Matt Barrie erguia a espada que pertencera a seu pai. Não havia mais o rapaz assustado das oficinas de Londres; o sangue de Peter Pan ardia em suas veias como uma labareda dourada e pura. Quando a lâmina celestial cravou-se no coração da Rainha corrompida, um estalo ensurdecedor reverberou por todas as dimensões da ilha.

A tirana desfez-se em névoa escarlate. As correntes espectrais que aprisionavam os talentos sequestrados quebraram-se em cascata de luz cristalina, e as Winx, em suas formas radiantes de batalha, avançaram para conter o refluxo mágico que ameaçava desabar as muralhas da fortaleza.

A vitória estava consumada. A Terra do Nunca estava livre.

Ou assim Bloom acreditava, até o som trovejante dos canhões navais disparar a partir dos penhascos da enseada.

Não contra os monstros da Rainha, mas contra as próprias linhas de defesa dos Guardiões e a retaguarda das fadas.

Bloom girou sobre os calcanhares no ar, as asas Dreamix reluzindo com violência, apenas para ver a bandeira negra de um galeão lendário erguer-se contra as brumas do mar interior. Os marinheiros sombrios, que deveriam depor as armas, assumiam posições estratégicas ao redor do coração da ilha, cercando os depósitos de pó de fada e as fontes primordiais de energia.

E na proa do navio, com o sobretudo escuro fustigado pelo vento e um sorriso frio que gelava o sangue, estava Jim.

O Capitão Gancho.

Ele não era um aliado arrependido. Nunca fora. Ele usara a força das fadas, a dor de Bloom e o sangue do filho de Peter Pan para eliminar a única rival que disputava com ele o domínio daquele reino esquecido. O veneno da ambição, cultivado por séculos de ressentimento no fundo de garrafas de rum e calabouços úmidos, falara mais alto do que qualquer honra que ele fingira possuir.

— Jim! — gritou Stella, tentando avançar com um feixe solar, mas as barreiras encantadas do navio repeliram o golpe com violência.

— Deixem-no — cortou a voz de Bloom.

A líder ruiva pousou no chão de pedra partida. O ar ao seu redor não brilhava com a luz acolhedora da Chama da Vida; estalava com uma raiva silenciosa, perigosa e incandescente. Havia uma traição queimando em suas entranhas que doía muito mais fundo do que qualquer agulha mecânica da Rainha.

— Bloom, é uma armadilha! — alertou Aisha, segurando o braço da amiga. — Ele tomou o controle do galeão e fechou a enseada. Se você for lá...

— Eu disse para deixarem comigo — repetiu Bloom, desvencilhando-se com firmeza inabalável. Os olhos azuis reluziam com a frieza de quem marcha para a forca ou para o trono. — Cuidem de Matt e dos talentos. Esse acerto de contas é meu.

Sem esperar resposta, ela disparou pelos céus, um cometa escarlate cruzando a tempestade em direção ao navio negro.

***

A cabine do capitão cheirava a maresia, pólvora, cera de vela e mogno envelhecido.

Mapas astrais estavam espalhados sobre a grande mesa central, manchados por círculos de vinho tinto. Jim estava de pé diante da grande janela de popa, servindo-se de uma taça de cristal com as mãos calmas, desprovidas de qualquer tremor. O metal do gancho que ele mantinha oculto sob as mangas descansava sobre o aparador como um troféu silencioso de sua verdadeira natureza.

As portas duplas da cabine explodiram para dentro em um turbilhão de estilhaços em chamas.

Bloom atravessou a fumaça. As asas haviam se recolhido, mas a energia que emanava de seu corpo fazia o ar vibrar como uma corda prestes a arrebentar. Ela vestia as calças de couro e o corpete rasgado da batalha, coberta pela fuligem da guerra, o peito arfando enquanto seus olhos procuravam os dele.

Jim nem sequer se virou de imediato. Apenas levou a taça aos lábios, saboreando o líquido escuro antes de pousá-la com um estalo seco sobre a madeira.

— Você demorou menos do que eu imaginava, ruiva — disse ele, a voz rouca e aveludada cortando a tensão do quarto.

— Você é um desgraçado mentiroso — sibilou Bloom, dando passos lentos e predatórios na direção dele. Cada passo deixava uma marca chamuscada no tapete persa. — Nós confiamos em você. Eu sangrei ao seu lado. Eu deixei você tocar a minha mente, o meu passado... e você cospe em tudo por uma coroa de sombras?

Jim virou-se devagar. Os cabelos azul-violetas caíam rebeldes sobre a testa, e seus olhos faiscavam com uma mistura tóxica de triunfo e desprezo.

— Eu sou um corsário, Bloom. O que diabos você esperava? Que eu me ajoelhasse perante o filho covarde de Peter Pan e batesse palmas para o seu teatrinho de luz e virtude? — Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância sem o menor medo das chamas dela. — Esta ilha é minha por direito de sobrevivência! Eu vivi séculos neste inferno enquanto vocês brincavam de heroínas em Magix. Eu sangrei por cada polegada desse mar antes mesmo de o seu dragão acordar!

— Você é fraco, Jim! — gritou ela, a voz embargada pela fúria crua, parando a centímetros do peito dele. — Você se esconde atrás de canhões e traições porque não tem coragem de viver em um mundo onde não possa mandar em ninguém! Você tem medo de ser homem!

Jim avançou com a rapidez de uma víbora.

Sua mão calejada agarrou a garganta de Bloom, empurrando-a com violência contra a parede de mogno. A madeira rangeu sob o impacto. Mas Bloom não recuou; em vez de conjurar um escudo, ela ergueu a mão envolta em fogo vivo e pressionou a palma incandescente contra a clavícula exposta dele, queimando o linho e a carne em um chiado pungente de fumaça.

Nenhum dos dois se moveu.

Jim rosnou de dor, os dentes trincados, mas manteve os dedos apertados ao redor do pescoço dela, sentindo a pulsação frenética da fada. Bloom sentia a queimação da carne dele sob a sua mão, o cheiro de suor e sangue misturando-se à maresia, mas recusava-se a desviar o olhar.

Eles estavam arruinados.

Ali, na penumbra da cabine, as máscaras de ambos haviam sido estilhaçadas. Ele não era um cavaleiro arrependido; era um traidor egoísta, devorado pela ambição. E ela não era a santa salvadora da dimensão; era uma mulher teimosa, arrogante, que se deixara seduzir pelo perigo e que sentia um ódio tão doentio quanto o desejo que a consumia.

— Você acha que é perfeita, não é? — sibilou ele contra os lábios dela, o hálito quente de vinho e veneno queimando a pele de Bloom. — A princesinha impecável que julga os mortais. Mas você veio até este navio sozinha. Você não trouxe as suas irmãs. Você queria isso aqui. Queria me olhar nos olhos e ver o monstro que não conseguiu consertar.

— Eu vim para queimar você até as cinzas — murmurou ela, as lágrimas de pura frustração escorrendo por suas bochechas sujas de fuligem.

— Então queime, porra — desafiou Jim, os olhos azul-violetas dilatados pela loucura e pela luxúria. — Mas queime comigo.

O beijo que se seguiu não foi uma carícia; foi uma declaração de guerra.

Jim soltou a garganta dela apenas para puxar os cabelos ruivos com força bruta, forçando a boca de Bloom contra a sua. Ela respondeu mordendo o lábio inferior dele até sentir o gosto ferroso do sangue inundar suas línguas. Suas unhas rasgaram o linho da camisa dele, cravando-se nas cicatrizes de suas costas, enquanto as mãos de Jim arrancavam o corpete dela com um puxão selvagem que espalhou botões e tecido pelo chão.

O ódio alimentava cada movimento.

Eles caíram sobre a mesa de mapas em um baque surdo, derrubando pergaminhos, tinteiros e a garrafa de cristal, que se despedaçou no assoalho. Jim a prensou contra as tábuas pesadas, seu corpo esmagando o dela sem qualquer traço de gentileza. A respiração de Bloom vinha em arquejos curtos, a pele arfando sob as mãos ásperas que desciam impiedosas pelas suas coxas, rasgando o couro de suas calças até deixá-la completamente despida da cintura para baixo.

— Você é minha, ruiva — rosnou o capitão contra o ouvido dela, desfazendo a própria calça com pressa desesperada, a ereção rígida pulsando contra a pele macia da fada. — Não do seu príncipe dourado. Não daquela corte medíocre. Minha.

— Eu não pertenço a ninguém, seu maldito... — gemeu Bloom, cravando as mãos no peito nu dele, mas suas pernas se abriram involuntariamente, envolvendo a cintura de Jim com uma urgência febril que traía cada palavra de repúdio.

Jim empurrou os quadris para a frente sem aviso prévio.

A penetração foi profunda, implacável e crua. Bloom soltou um grito rouco que ecoou pelas vigas da cabine, as costas arqueando-se na madeira dura enquanto ele a preenchia por inteiro. A queimação da invasão misturou-se à umidade escorregadia do desejo contido de dias, criando um atrito sufocante que roubou o ar de ambos.

Ele não esperou que ela se acostumasse. Jim começou a estocar com uma cadência violenta, o corpo musculoso movendo-se em um ritmo impiedoso que fazia a mesa ranger a cada estocada. Suas mãos seguravam os quadris de Bloom com uma possessividade brutal, os dedos afundando na carne macia, marcando-a para que ela jamais se esquecesse a quem seu corpo respondera com tanta devassidão.

— Diga... — exigiu ele, arfando pesadamente, as veias de seu pescoço saltadas enquanto ele descia a boca para morder o colo e os seios de Bloom, deixando vergões vermelhos onde seus dentes encontravam a pele suave. — Diga que você me odeia, centelha.

— Eu odeio você... — choramingou ela, as mãos puxando os cabelos azulados dele, a cabeça tombando para trás enquanto as sensações avassaladoras destruíam qualquer resquício de racionalidade. — Eu odeio... ah, Jim!

O prazer era cortante, nascido do rancor mútuo e da impossibilidade de estarem juntos. Bloom encontrava o ritmo dele, erguendo os quadris para receber cada golpe mais fundo, as unhas desenhando trilhas de sangue nas costas do pirata. O Fogo do Dragão crepitava sob sua pele, aquecendo a cabine a uma temperatura febril, mas Jim não recuou; ele absorvia o calor como um condenado que abraça a fogueira.

A fricção atingiu um limiar insuportável. Os espasmos do orgasmo de Bloom vieram como uma torrente elétrica, apertando as paredes internas ao redor dele com tanta força que arrancaram um rugido gutural do peito de Jim.

O capitão segurou os ombros dela contra a mesa, empurrando uma última vez até o limite de suas forças, e despejou a primeira onda densa e quente de sua semente no fundo do ventre da fada.

Bloom estremeceu inteira, as pernas travando ao redor dele, o ventre inundado pelo calor dele enquanto a exaustão tentava arrastá-la para o abismo.

Mas Jim não parou.

A obsessão do pirata não era saciada por uma única conquista. Ele a queria exaurida, marcada, completamente impregnada de sua presença antes que a realidade os separasse.

Sem se retirar, sentindo a própria rigidez recusar-se a morrer, Jim puxou o corpo dela para cima, virando-a de bruços sobre a mesa manchada de tinta. Bloom mal teve tempo de apoiar as palmas das mãos na madeira antes que ele a penetrasse novamente por trás, com um golpe seco que arrancou um soluço ardente de seus lábios inchados.

— Você não vai esquecer este convés, Bloom — sussurrou ele com crueldade lasciva contra a nuca suada da ruiva, puxando-lhe os cabelos para erguer seu queixo enquanto seus quadris batiam sem descanso contra as nádegas dela. — Você pode voar de volta para o seu mundo perfeito, mas cada vez que fechar os olhos... vai sentir o meu peso sobre você.

Ele a tomou de novo e de novo, transformando a cabine em um santuário de pecado e fúria. A cada clímax que arrancava da fada em meio a lamentos e gemidos desesperados, Jim a preenchia repetidamente, derramando sua essência vezes sem conta dentro dela, obcecado pela necessidade quase animalesca de reivindicar a mulher inalcançável que o derrotara e o salvara ao mesmo tempo.

Quando o último tremor finalmente cessou, o silêncio caiu pesado sobre o galeão, quebrado apenas pela respiração entrecortada dos dois e pelo bater suave das ondas contra o casco negro.

***

O suor esfriava na pele exposta.

Jim estava encostado na beirada da mesa, o peito nu coberto de arranhões vermelhos e marcas de unhas. Ele segurava a jaqueta de couro vermelho de Bloom nas mãos, encarando a fada que, de costas para ele, vestia-se lentamente com as roupas rasgadas que restavam.

Bloom não chorava mais. Seu rosto reassumira a postura régia e fria de uma rainha de guerra, embora os lábios inchados e os cabelos desalinhados denunciassem o massacre íntimo que acabara de ocorrer. O calor dentro de seu baixo-ventre ainda pulsava, pesado e indiscutível, lembrando-a a cada movimento do que permitira acontecer.

Ela recolocou as botas e virou-se para encará-lo.

Seus olhos azuis encontraram os olhos azul-violetas do homem que a traíra. Não havia mais perdão entre eles, mas havia algo muito mais indestrutível: uma marca gravada a ferro e fogo em suas almas.

— Acabou, Jones — disse ela, a voz fria, cortando o ar como uma lâmina embainhada. — A Terra do Nunca é sua por enquanto. Mas você nunca terá paz.

Jim não sorriu com arrogância desta vez. Ele apenas a fitou com uma gravidade silenciosa, guardando na memória cada detalhe daquela mulher deslumbrante e feroz que ele talvez nunca mais pudesse tocar. Ele sabia o que era: um pirata condenado a reinar sobre fantasmas. Mas no fundo de seu peito sombrio, uma promessa teimosa ardia contra o tempo.

Ele deu um passo à frente, entregando a jaqueta a ela, os nós dos dedos roçando os dela por uma fração de segundo.

— Nós não terminamos aqui, ruiva — murmurou ele, a voz rouca carregada de um juramento silencioso. — Construa o seu mundo de mentiras. Seja a fada heroica que eles querem que você seja. Mas eu vou construir a minha frota... e quando eu navegar além dessas brumas, eu vou buscar o que deixei para trás.

Bloom pegou a jaqueta com um puxão ríspido, vestindo-a sem hesitar. Ela sustentou o olhar dele, a Chama do Dragão despertando em suas costas, desdobrando as asas de luz em uma explosão silenciosa que iluminou toda a cabine.

— Se você cruzar o meu caminho de novo, capitão... — disse ela, a voz vibrando com um poder imenso antes de recuar em direção à varanda quebrada —, eu não vou usar beijos para parar você. Eu vou afundar o seu navio com você dentro.

— Eu não esperaria nada menos de você, centelha — respondeu ele, curvando a cabeça em uma reverência zombeteira e elegante de corsário.

Com um último estalo de asas incandescentes, Bloom lançou-se na névoa da Terra do Nunca, cortando os céus em direção às suas irmãs e ao portal que a levaria para longe daquele inferno.

Jim caminhou até a popa aberta. Ele apoiou as mãos nas balaustradas destruídas, o vento salgado chicoteando seu peito marcado pelas unhas dela, observando o rastro de fogo dourado sumir no horizonte cinzento.

Ele levou os dedos aos lábios, ainda sentindo o gosto dela.

Ele tinha a sua ilha. Tinha a sua coroa de ferro e sal. Mas enquanto observava o vazio do céu, o Capitão Gancho soube que nenhum saque em toda a eternidade pagaria o preço de ter deixado a sua fada escapar — e que ele reviraria cada dimensão daquele universo até tê-la de joelhos sob ele novamente.

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