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Burn it

A Mecânica da Perversão

A noite de Seul engolia o horizonte através das imensas paredes de vidro duplo da cobertura. O espaço era um monumento ao minimalismo sombrio: pisos de concreto queimado em tom grafite escuro, mármore nero marquina nas bancadas e uma iluminação indireta que projetava sombras angulares por onde quer que Jimin passasse. Não havia calor ali, nem retratos de família, nem lembranças afetivas. Apenas a imponência estéril de quem possuía mais dinheiro do que gerações inteiras poderiam gastar.

Jimin jogou as chaves do carro esportivo sobre a ilha da cozinha e despiu o casaco pesado. Caminhou em passos ritmados pelo corredor principal até o quarto principal. No canto mais escuro do cômodo, onde a penumbra parecia se solidificar, ele deslizou os dedos longos sob o painel de mogno embutido na parede. O leitor biométrico zumbiu com um bipe quase inaudível. Ele digitou uma sequência alfanumérica de doze dígitos no teclado tátil invisível a olho nu.

Com um estalo pneumático suave, a parede falsa recuou cinco centímetros e correu para o lado, revelando o acesso a um escritório subterrâneo particular.

O ambiente secreto ganhava vida automaticamente. Lâmpadas de LED frias acenderam-se sob o teto rebaixado, banhando a sala em uma claridade quase cirúrgica. E lá estava ela: a parede frontal inteira coberta por painéis de acrílico magnético, fios vermelhos digitais, plantas arquitetônicas, extratos bancários internacionais e centenas de fotografias em alta resolução.

Todas as imagens orbitavam em torno de um único rosto.

Jeon Jungkook.

Jimin não era um tolo iludido pelo romance. Ele não colecionava fotos do professor por paixão clandestina ou devoção infantil. Havia uma razão muito mais podre, complexa e calculada para manter Jungkook sob aquela mira obsessiva. Jimin desconfiava — com a frieza analítica de quem costurava pistas havia meses — de que os pais de Jeon Jungkook estavam diretamente envolvidos na suposta "morte" e no desaparecimento de seus próprios pais. O patriarca da família Jeon era um figurão influente do judiciário, um homem cujas mãos sujas operavam na mesma engrenagem corrupta que forçara o império Park a evaporar no oceano para renascer do outro lado do globo com novas identidades.

Jimin estava decidido a destruir a linhagem dos Jeon. Começando pelo elo que julgava ser o mais vulnerável: o professor rebelde e instável.

No entanto, enquanto Jimin puxava a cadeira de couro ergonômica em frente ao terminal de múltiplos monitores, algo dissonante estalou em sua mente. Um desvio de foco que o irritou profundamente.

Ele fechou os olhos por um segundo e, em vez de visualizar as transações bancárias e as conexões criminosas da família Jeon, sua memória sensorial foi tomada pelo calor da pele do professor. A pulsação descompassada da artéria carótida contra seus lábios. O cheiro denso e masculino de tabaco amadeirado misturado ao toque adstringente de reagentes químicos. A forma como os olhos escuros de Jungkook o encararam de volta, desprovidos de medo, cheios de uma insolência crua que fazia os músculos da mandíbula de Jimin arderem.

Aquele filho da puta era perigosamente atraente.

— Ridículo — Jimin sibilou para si mesmo no silêncio do escritório, abrindo os olhos com uma frieza renovada. — Apenas uma distração fisiológica irrelevante.

Ele estalou os dedos sobre o teclado mecânico. Suas mãos ágeis começaram a digitar comandos com a rapidez de um pianista experiente. Seus dedos não titubeavam. Em menos de cinco minutos, Jimin burlou as fracas camadas de segurança do servidor da universidade e ganhou acesso irrestrito aos circuitos internos de monitoramento do prédio de ciências biológicas.

Ele queria checar uma teoria. Precisava confirmar se a sua dedução sobre Lisa era tão literal quanto supusera.

O loiro filtrou as gravações das câmeras instaladas na antessala e na entrada do gabinete de Jungkook nos últimos dois meses. Encontrou dezenas de arquivos com carimbos de data do fim da tarde. Clicou em um deles.

A imagem em preto e branco de alta definição mostrou Lisa entrando na sala, o jaleco aberto sobre uma blusa justa, os cabelos impecáveis. Jimin acelerou o vídeo até o ponto em que Jungkook fechava a porta. Através de um ângulo oblíquo capturado por uma câmera de segurança do laboratório adjacente, que tinha visibilidade para a vidraça translúcida com persianas entreabertas, o cenário ficou nítido.

Eles não haviam transado. Nem uma única vez.

Lisa se jogava sobre o professor como uma cadela desesperada por validação, agarrando-o pelo pescoço, pressionando seu corpo contra o dele. Jungkook, com sua postura cínica e relaxada, correspondia aos beijos com uma volúpia displicente. Ele a encostava na mesa, trocava carícias pesadas e lascivas, enfiava as mãos sob o tecido fino para apertar a carne de suas coxas, mas sempre parava exatamente ali. Ele sussurrava algo ao pé do ouvido da garota, dava um tapinha desdenhoso em sua cintura e a afastava com um sorriso torto, mandando-a embora antes que passasse da linha.

— Um canalha sádico — Jimin murmurou, apoiando o queixo na mão enquanto assistia à cena sem piscar. — Ele só gosta do controle. Só gosta de ver os outros implorando por migalhas.

Jimin estava prestes a fechar a aba de arquivos da universidade para voltar ao rastreamento financeiro quando o registro de uma terça-feira, três semanas atrás, chamou sua atenção. O horário marcava quase onze da noite. O campus estava completamente deserto.

Jimin deu o play.

A luz do gabinete estava apagada, exceto pelo brilho pálido da tela do computador de Jungkook. O professor estava sentado em sua cadeira giratória de costas para a mesa, a camisa preta desabotoada até a altura do abdômen, revelando a densidade dos músculos e os arabescos de tinta escura cobrindo sua pele. As pernas de Jungkook estavam abertas, a calça social descida até os joelhos.

Jimin congelou na cadeira.

Jungkook estava com a mão fechada ao redor do próprio pau, punhetando com uma lentidão violenta e compassada. A respiração do homem fazia o peitoral tatuado subir e descer de maneira pesada. Ele jogava a cabeça para trás, a mandíbula tensa, mordendo os lábios enquanto se masturbava sozinho no silêncio claustrofóbico de sua sala de aula vazia. Não havia pornografia na tela à sua frente. Havia apenas a escuridão do vidro da janela refletindo sua própria imagem e o vazio daquele ambiente acadêmico corrompido.

— Que porra é essa? — Jimin sussurrou, a voz falhando ligeiramente na garganta ressecada. — Esse desgraçado tem algum tipo de fetiche exibicionista?

O olhar de Jimin permaneceu cravado na tela. Ele observou o momento exato em que Jungkook arqueou as costas, o maxilar travando em um espasmo mudo antes de gozar com violência em um punhado de lenços descartáveis que em seguida atirou na lixeira metálica. A brutalidade do ato, crua e desprovida de qualquer afeto, causou uma pontada estranha no baixo-ventre de Jimin.

Um arrepio frio desceu por sua coluna. Em vez de sentir o nojo característico que a intimidade alheia costumava lhe despertar, uma curiosidade doentia e voraz tomou conta de suas engrenagens mentais.

Ele precisava ir mais fundo.

Jimin abandonou a rede da universidade e lançou seus scripts de invasão no endereço IP residencial que havia rastreado semanas antes. O apartamento de Jungkook ficava em Mapo-gu, um loft moderno em um prédio com segurança digital mediana. Demorou exatos sete minutos para que Jimin infectasse a smart TV da sala de Jungkook, o assistente virtual e as câmeras do sistema de segurança interna que o próprio professor havia instalado.

As telas secundárias de Jimin se acenderam simultaneamente, exibindo múltiplos ângulos da residência particular de Jeon.

A vida de Jungkook fora da universidade era um espetáculo de devassidão pura e anárquica. Jimin navegou pelos backups em nuvem dos últimos trinta dias e encontrou exatamente o que não esperava: Jungkook não tinha um padrão. Havia vídeos do professor com mulheres diferentes, puxando seus cabelos e as prensando contra a bancada da cozinha. E havia vídeos de Jungkook com homens — caras mais jovens, corpos definidos, sendo dominados no sofá de couro com a mesma intensidade bestial e predatória.

Jungkook era voraz, insaciável e completamente indiferente a convenções sociais. Ele fodia como vivia: desafiando qualquer um que tentasse domesticá-lo.

Para Jimin, aquilo era, antes de tudo, ouro puro. No jogo da destruição de reputações, aquele tipo de gravação poderia aniquilar a carreira acadêmica de Jeon em um segundo. Poderia ser a alavanca definitiva para encurralar a família dele, manchar o sobrenome que os juízes e promotores da linhagem Jeon tanto tentavam blindar. Jimin finalmente tinha em mãos o veneno exato para colocar Jeon Jungkook de joelhos no tabuleiro de seu plano de vingança.

Por princípios operacionais, Jimin detestava invasões daquela natureza. Ele era um herdeiro metódico, um estrategista corporativo e químico que lidava com venenos, desvios fiscais, fórmulas e contratos clandestinos. Ele não era um voyeur patético. Não era a porra de um tarado de esquina que se masturbava olhando pela fechadura dos outros. Aquele tipo de baixeza sempre lhe parecera desprezível, coisa de criminosos medíocres e sem refinamento.

No entanto, o tempo parecia ter se dissolvido na sala fria.

Jimin não conseguia desviar os olhos. Seus dedos não fechavam as abas. Ele assistia a cada gravação com uma atenção febril, quase microscópica. Observava o movimento dos músculos das costas de Jungkook, a forma como os tendões de seus braços tatuados saltavam sob o esforço, os lábios cheios entreabertos soltando suspiros que o áudio comprimido mal conseguia captar.

O cheiro de Jungkook parecia ter impregnado a sala. O eco daquela voz grossa sussurrando ameaças na sala de aula parecia vibrar diretamente nos tímpanos de Jimin.

— Você me dá nojo, Jeon — murmurou Jimin, tentando forçar uma autoridade que soou vazia para si mesmo.

Foi quando um desconforto físico incontestável o puxou de volta para a realidade.

Jimin olhou para baixo.

O tecido grosso da calça escura estava esticado, rígido. Uma ereção pulsante e pesada pressionava o zíper, exigindo espaço. Seu coração batia em um ritmo anormalmente acelerado, o sangue fervendo sob a pele pálida com uma urgência que ele nunca, em toda a sua vida rigorosamente controlada, havia experimentado.

Ele estava duro. Duro assistindo ao seu maior inimigo foder desconhecidos na tela de um computador.

— Não... — Jimin soltou um riso curto, um som que beirava o delírio no silêncio do laboratório particular.

Ele levou a mão à calça, sentindo a dureza entre as pernas através do tecido, o choque térmico de seus próprios dedos frios fazendo seu corpo estremecer em uma onda de prazer perverso e proibido. Ele se sentia um maluco maníaco. Um monstro que perdera a bússola de sua própria sanidade.

Jimin se curvou ligeiramente sobre a mesa, os olhos fixos na imagem congelada de Jungkook na tela central. O rosto do homem tatuado estava manchado de suor, os olhos negros semicerrados em puro êxtase predatório.

— Você acha que é o único predador nesta história, Jungkook? — Jimin murmurou, apertando a própria ereção com força quase dolorosa, deixando a dor se misturar à excitação doentia que dominava seu ser.

Ele não era apenas o aluno com o teste corrigido. Ele não era apenas o herdeiro que vingaria a queda de sua família.

Park Jimin acabara de cruzar o limiar de sua própria obsessão. E quando o dia seguinte amanhecesse no laboratório da universidade, Jeon Jungkook não estaria lidando apenas com uma mente brilhante. Estaria dividindo o mesmo teto com um maníaco faminto, pronto para arrastá-lo diretamente para o inferno.

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