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Burn it

Substituição e Ruína

O rugido gutural do motor V8 biturbo ecoou pelo subsolo do instituto quando Park Jimin pisou fundo no acelerador. O esportivo de fibra de carbono e três milhões de reais cortou a rampa de saída como um míssil negro, ganhando o asfalto cinzento da avenida principal sob a névoa fria de Seul.

Jimin não tinha a menor intenção de voltar para o campus universitário. Com a carta de indicação assinada e a vaga assegurada naquele laboratório de ponta, as aulas teóricas da grade curricular tornavam-se um detalhe risível, uma perda de tempo intolerável. Tudo havia corrido exatamente de acordo com seus cálculos milimétricos. Ele havia vencido a queda de braço. Havia forçado a caneta vermelha a desenhar a perfeição.

Então, por que a porra da sua mente parecia em chamas?

O loiro apertou as duas mãos contra o volante de couro alcântara com tanta força que os nós dos seus dedos empalideceram. Os dentes trincados desenhavam uma linha rígida em sua mandíbula perfeita. Ele estava furioso. Puto de uma maneira que raramente se permitia ficar.

E a culpa tinha nome, sobrenome e um maldito cheiro de cedro com tabaco amadeirado.

Jeon Jungkook havia quebrado sua barreira. Aquele professor desgraçado tivera a ousadia de prensá-lo, de roçar os quadris contra as suas costas sob a farsa de uma supervisão técnica, soprando aquele hálito quente e arrogante contra a sua nuca. O calor do corpo daquele homem ainda parecia impregnado no tecido de suas roupas, rastejando sobre a pele de Jimin como um veneno de ação lenta. Jungkook sabia exatamente o que estava fazendo. Não era apenas provocação acadêmica; era um jogo de sedução imundo, sujo, disputado entre dois predadores que se recusavam a recuar.

E o pior de tudo: o corpo de Jimin havia reagido.

A frieza que todos na faculdade chamavam de psicopatia não significava ausência de impulsos carnais. Pelo contrário. Sob a fachada aristocrática, impassível e metódica do herdeiro Park, existia um apetite voraz, quase autodestrutivo. Jimin não gostava de mulheres — nunca gostou, nunca teria paciência para as sutilezas femininas. Seu interesse sempre foi exclusivamente voltado para homens. Ele gostava da densidade muscular, da força bruta, da resistência física que permitia excessos sem quebras frágeis. E quando se tratava de sexo, Jimin não buscava afeto; buscava expurgo.

Foder era a sua única válvula de escape para descarregar o excesso de pressão gerado pelo seu cérebro que nunca descansava. Ele gostava de dominar, de possuir, de fazer o outro entender a quem pertencia durante a duração de uma noite. Já tivera dezenas de garotos sob seu controle. Mas havia uma regra inegociável em sua vida: no instante em que qualquer um deles começava a projetar jantares românticos, pedidos de namoro ou a ilusão patética de um futuro a dois, Jimin cortava os laços com a precisão de uma guilhotina. Não havia espaço para ninguém no seu amanhã. Seu futuro pertencia às sombras, ao ajuste de contas, à destruição dos inimigos de sua linhagem.

Mas agora, o que seu corpo exigia não era paciência. Era alívio imediato e violento. A lembrança das imagens que hackeara na noite anterior — Jungkook suado, arqueando a coluna musculosa e tatuada enquanto se masturbava no escuro — estava corroendo o pouco de autocontrole que lhe restava.

Com um movimento brusco, Jimin tocou a tela integrada do painel multimídia do carro, selecionando um contato na discagem rápida.

A chamada em viva-voz chamou duas vezes antes de ser atendida.

— Jimin? — A voz do outro lado soou surpresa, entrecortada por uma respiração ofegante de quem acabara de sair de um treino.

— Onde você está, James? — Jimin disparou, sem preâmbulos, a voz grave e cortante cortando o silêncio do esportivo.

— Acabei de chegar no meu apartamento... Por que essa pressa? Você sumiu há duas semanas, achei que tinha me bloqueado de vez.

James era um rapaz de vinte e um anos, modelo em ascensão, dono de lábios cheios, ombros largos e um corpo delineado que sabia exatamente como se mover. Fora o último a passar pela cama de Jimin antes de ser descartado por começar a fazer perguntas demais sobre a vida privada do loiro. Ele era um novinho mimado, um filho da puta atrevido que fodia excepcionalmente bem, mas que cometera o erro imperdoável de se apaixonar pelo homem errado.

— Esteja na suíte executiva do Signiel em quarenta minutos — Jimin ordenou, a voz saindo em um tom imperativo que não admitia réplicas. — Vou deixar seu nome na portaria do hotel.

— Jimin, espera aí, a gente precisa conversar sobre o que você falou da última vez... Você não pode simplesmente me ligar quando quiser gozar e fingir que eu não existo depois!

Jimin soltou um riso seco, anasalado e desprovido de qualquer calor.

— Você tem trinta e cinco minutos agora, James. Se não estiver lá quando eu subir o elevador, nunca mais atendo a porra de uma ligação sua.

Desligou antes que o outro pudesse protestar.

Jimin nunca levava ninguém para a sua cobertura. Seu apartamento era um santuário fortificado, onde o escritório secreto guardava os segredos que poderiam desmantelar meio país. Nenhum foda passageira jamais pisaria naquele chão de concreto queimado. Hotéis de luxo existiam exatamente para isso: para serem palcos de depravações convenientes que poderiam ser abandonadas com uma simples gorjeta na recepção.

O esportivo cortou o tráfego pesado de Gangnam, costurando entre os sedãs de luxo com uma agressividade precisa. Vinte minutos depois, Jimin entregava a chave presencial ao manobrista do hotel, ignorando os olhares curiosos voltados para sua figura imponente vestida de preto e cinza.

Ele subiu direto pelo elevador de alta velocidade. A suíte privativa no septuagésimo andar oferecia uma vista vertiginosa da cidade envolta em névoa, mas Jimin mal olhou para a parede de vidro. Ele tirou o casaco longo de lã, jogando-o sobre a poltrona de veludo, e desabotoou os dois primeiros botões de sua camisa social.

A campainha tocou exatamente dez minutos depois.

Jimin abriu a porta com uma lentidão calculada. James estava ali, vestindo uma jaqueta de couro ajustada e calça jeans escura, o cabelo castanho levemente despenteado. O garoto abriu a boca para dizer algo, um misto de mágoa e desejo estampado em suas feições jovens, mas Jimin não deu espaço.

Ele avançou a mão com firmeza, cravando os dedos no colarinho da jaqueta de James e puxando-o para dentro da suíte de uma vez só. O som da porta batendo e da tranca eletrônica ecoou no mármore do hall.

— Ji-Jimin... — James tentou erguer os braços para envolver o pescoço do loiro, buscando um beijo que pudesse validar a loucura daquele reencontro. — Porra, senti sua falta...

— Cala a boca — Jimin rosnou, o tom descendo a uma aspereza quase animalesca.

Com um empurrão firme, Jimin forçou o garoto a recuar até que as pernas de James batessem contra a borda da cama king size. Jimin não tirou os sapatos, não tirou a camisa. Apenas levou as mãos à fivela prateada de seu cinto de grife, abrindo-o com um estalo metálico seco.

— De joelhos — ordenou o loiro, os olhos escuros ardendo com uma fixação doentia que James nunca havia visto antes.

— O quê? A gente nem conversou ainda, Jimin, eu quero que você me olhe...

Jimin deu um passo à frente, segurando um punhado dos cabelos de James com uma força que arrancou um arquejo surpreso do rapaz, obrigando-o a dobrar os joelhos até que eles tocassem o carpete felpudo.

— Eu mandei você calar a porra da boca — Jimin sussurrou entre os dentes, a respiração pesada contra o topo da cabeça de James. — Você veio aqui para fazer um trabalho. Então faça direito.

Ele desceu o zíper da calça de alfaiataria. Seu pau já estava duro como ferro, pulsando contra a cueca preta com uma urgência febril que parecia prestes a rasgar o tecido. Quando o libertou, a grossura e o comprimento da ereção fizeram os olhos de James vacilarem entre o medo e uma atração cega.

Jimin não perdeu tempo com preliminares. Ele empurrou os quadris para a frente, invadindo a boca entreaberta de James sem a menor gentileza.

O garoto engasgou de imediato com a invasão súbita, os dedos tentando se apoiar nas coxas firmes de Jimin para controlar o ritmo, mas o loiro não permitiu concessões. Jimin manteve o punho cerrado nos fios de cabelo castanho, usando a própria força muscular para ditar cada investida.

— Isso... chupa, caralho — Jimin murmurava em um transe sombrio, os olhos semicerrados fixos no teto rebaixado da suíte.

Mas a imagem que se formava em sua retina não era a de James.

Em sua mente diabólica, as feições delicadas do modelo se dissolviam para dar lugar a traços muito mais angulosos, mais rudes e morenos. Jimin enxergava o maxilar marcado de Jeon Jungkook. Enxergava os olhos negros e insolentes do professor encarando-o de baixo para cima, engolindo seu pau com aquela mesma boca que costumava ditar fórmulas e destilar arrogância sobre as bancadas do laboratório.

A ilusão era tão perversamente vívida que o sangue de Jimin ferveu como ácido.

Ele acelerou o movimento, fuzilando a garganta do garoto com estocadas fundas, impiedosas e ritmadas. Cada som abafado de asfixia que escapava dos lábios de James era processado no cérebro de Jimin como se fosse o gemido subjugado de Jungkook. A sensação de poder era avassaladora, doentia, corrosiva.

*Você queria o controle, não queria, professor?*, os pensamentos de Jimin gritavam em silêncio enquanto ele puxava os cabelos daquele que estava aos seus pés, enfiando até o limite da garganta, sentindo a saliva escorrer quente pela sua haste. *Tenta falar agora. Tenta me dar uma lição de moral com essa sua boca imunda cheia da minha porra.*

A ereção de Jimin atingiu um nível de sensibilidade excruciante. A mistura de ódio, vingança e tesão bruto estourou em sua espinha dorsal como uma descarga de alta voltagem. Com um rosnado grave, cru e animalesco que rasgou sua garganta, ele segurou a cabeça do rapaz com as duas mãos, enterrando o quadril uma última vez até o fundo.

Jimin gozou com violência. Jatos espessos e quentes inundaram a cavidade oral de James, que foi forçado a engolir tudo em espasmos desesperados para não sufocar. O corpo de Jimin estremeceu da cabeça aos pés, uma onda de alívio químico e dopamina pura lavando seus músculos em uma combustão catártica.

Foram precisos vários segundos para que sua respiração voltasse a encontrar um padrão reconhecível.

Lentamente, Jimin deu dois passos para trás, desvencilhando-se da boca alheia. Ele puxou o ar gelado do quarto de hotel para dentro dos pulmões, piscando as pálpebras pesadas.

A névoa da ilusão se dissipou em um instante.

Não havia tatuagens nos braços de quem estava no chão. Não havia o aroma de cedro e tabaco. Não era o professor Jeon.

Era apenas James, tossindo com as mãos apoiadas no chão, os olhos vermelhos e cheios de lágrimas de reflexo, a boca brilhante e manchada pelo excesso de sêmen que não conseguira conter.

O estalo da realidade atingiu Jimin como um balde de água congelada. Uma onda instantânea de indiferença gélida e desprezo substituiu o fogo que o consumia minutos antes. Ele olhou para o rapaz ajoelhado com a mesma frieza com que olhava para uma placa de Petri contaminada que precisava ser descartada no lixo biológico.

Sem dizer uma única palavra, Jimin puxou a cueca, fechou o zíper e afivelou o cinto de couro com movimentos mecânicos e perfeitamente alinhados.

— Jimin... — James balbuciou, limpando a boca com as costas da mão, a voz rouca e trêmula pelo esforço na garganta. Ele tentou se erguer, apoiando-se na beirada do colchão, os olhos buscando desesperadamente qualquer vestígio de calor no rosto pálido do loiro. — Por que você faz isso comigo? Você vem, me usa desse jeito e parece que nem está aqui... A gente podia tentar de novo. Eu juro que não vou cobrar nada, mas me deixa ficar com você. Me deixa fazer parte da sua vida.

Jimin nem sequer olhou nos olhos dele enquanto ajeitava os punhos de sua camisa social.

— Não existe vida para você fazer parte, James — Jimin respondeu, o tom de voz assustadoramente plano, desprovido de raiva, desprovido de pena. Era apenas o vazio absoluto.

— Eu não me importo com o seu dinheiro, caramba! Eu só quero você!

— Então você quer uma ilusão — Jimin pegou seu casaco de lã da poltrona, vestindo-o com a elegância aristocrática que lhe era inata. — Limpe essa cara e saia daqui antes do meio-dia. A diária já está paga.

— Jimin, espera! Não vai embora assim!

O loiro não hesitou. Ele sequer diminuiu o passo ao alcançar a porta da suíte. Abriu-a, saiu para o corredor acarpetado e puxou a maçaneta atrás de si, deixando para trás os apelos patéticos de um garoto que nunca compreenderia o abismo que existia dentro de seu peito.

James não importava. Ninguém importava.

Durante o trajeto de volta para a sua cobertura, o trânsito parecia distante, como se o mundo lá fora fosse apenas um cenário mudo. A adrenalina do orgasmo havia dissipado a tensão física, mas a mente de Jimin continuava girando em torno do mesmo epicentro obsessivo. A constatação de que precisara usar o corpo de outro homem para aliviar o desejo que Jeon Jungkook despertara nele era humilhante. Era uma falha em seu sistema operacional perfeito.

Ele não aceitava perder o controle. Ele não aceitava que alguém pudesse desestabilizá-lo daquela forma.

Ao chegar em sua cobertura, Jimin trancou as portas principais, atravessou a sala escura e seguiu diretamente para o quarto. Com um toque biométrico no painel embutido e a digitação do código de doze dígitos, a parede falsa deslizou em silêncio.

O escritório secreto o engoliu novamente na penumbra iluminada apenas pelos feixes brancos dos LEDs cirúrgicos.

Jimin não ligou as luzes principais. Sentou-se diante do painel de controle e reativou os monitores centrais.

As telas ganharam vida instantaneamente. Lá estava Jeon Jungkook.

Havia gravações do homem no estacionamento da universidade, fotos tiradas à distância em frente à residência em Mapo-gu, cópias de relatórios financeiros que ligavam o pai de Jungkook — o respeitado magistrado Jeon — às contas secretas em paraísos fiscais que haviam financiado a armadilha contra o império farmacêutico da família Park.

Jungkook era o herdeiro de um dos arquitetos da ruína de Jimin. Ele era o sangue daquele que forçara seus pais a abandonarem suas identidades para viverem como fantasmas criminosos em algum canto esquecido do planeta. A missão de Jimin era clara, cirúrgica e irrevogável: ele iria coletar cada prova, desviar cada fundo, expor cada crime e, no final, destruir os Jeon até que não restasse pedra sobre pedra.

Ele pretendia ver aquele professor arrogante de joelhos, sem carreira, sem honra, implorando por misericórdia antes de receber o golpe final.

Jimin aproximou-se da tela principal, onde uma imagem de Jungkook em alta definição mostrava o homem com a camisa entreaberta, o pescoço tatuado à mostra e aquele sorriso cínico que parecia zombar da existência de qualquer lei moral.

O loiro ergueu a mão direita, tocando a superfície fria do vidro exatamente onde os lábios de Jungkook estavam projetados.

Seu coração não batia com raiva cega. Batia com uma luxúria sombria, venenosa e irremediável.

— Você acha que vai me desestabilizar impunemente, não acha? — Jimin sussurrou na escuridão do escritório, a voz grave vibrando como uma promessa irrevogável.

Seus olhos castanhos, quase negros sob a luz pálida do monitor, faiscaram com uma insanidade lúcida. Ele não apenas mataria Jungkook. Ele não apenas destruiria a linhagem daquele homem.

Ele o consumiria primeiro.

— Antes de eu enterrar a sua família inteira, professor... — Jimin deslizou os dedos pela imagem do peito tatuado de Jungkook, os lábios se curvando em um sorriso sádico e faminto. — Eu vou ter você debaixo de mim. Vou quebrar essa sua arrogância na cama até você esquecer o próprio nome. E só depois que eu arrancar cada gota do seu orgulho... eu vou puxar o gatilho.

A promessa estava selada no silêncio daquele santuário profano. E nada no inferno seria capaz de impedir Park Jimin de cumpri-la.

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