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Caos nas aulas

O Eclipse de Ouro e a Fúria dos Deuses

A atmosfera em Tempest não era mais de celebração ou progresso; era de um luto antecipado e uma fúria contida que ameaçava transbordar e consumir o mundo. No palácio central, o silêncio era interrompido apenas pelos gemidos baixos de Rimuru, que ecoavam como facas nos corações de seus subordinados. O estresse acumulado durante o mês de abusos na academia, somado à energia colossal que a criança em seu ventre exigia, havia levado o corpo do Lorde Demônio ao colapso.

Rimuru estava pálido, seus cabelos azul-prateados espalhados pelo travesseiro como fios de seda sem vida. Shuna, com as mãos trêmulas pela primeira vez em séculos, trocava as compressas de água fria na testa de seu mestre, enquanto Shion permanecia imóvel em um canto, as lágrimas escorrendo silenciosamente por seu rosto, sua aura de força bruta agora reduzida a uma tristeza esmagadora.

— Ele não está estabilizando — murmurou Shuna, sua voz falhando. — A densidade mágica está oscilando muito. O bebê está tentando proteger o Rimuru-sama, mas o corpo dele está exausto demais para processar a conexão.

Enquanto isso, no Reino de Ingrassia, um evento de gala ocorria no grande salão da Academia Real. Nobres de diversas nações, embaixadores e os pais dos estudantes de intercâmbio estavam reunidos para celebrar o "sucesso" do curso. O clima de ostentação, porém, foi estraçalhado quando as portas duplas de carvalho maciço foram arrancadas de suas dobradiças por uma força invisível.

O ar no salão tornou-se subitamente pesado, como se a própria gravidade tivesse decidido esmagar todos os presentes. Cinco figuras caminharam pelo tapete vermelho. À frente, Guy Crimson, cujos olhos vermelhos brilhavam com uma promessa de extinção. Ao seu lado, Diablo, com um sorriso que faria um demônio comum cometer suicídio por medo. Logo atrás, Benimaru e Souei, envoltos em chamas negras e sombras cortantes, e Veldora, cuja presença física fazia as paredes do castelo racharem.

— Onde eles estão? — a voz de Guy não foi alta, mas cada pessoa no salão sentiu como se uma lâmina tivesse sido encostada em sua garganta.

O Rei de Ingrassia deu um passo à frente, trêmulo.

— Lorde Crimson... Lorde Veldora... O que significa esta intrusão? Estamos no meio de uma cerimônia...

— Uma cerimônia para celebrar lixo? — Benimaru deu um passo à frente, e o calor emanando dele começou a derreter os talheres de prata nas mesas próximas. — Seus filhos. Seus "tesouros". Eles quebraram o nosso Deus.

Os alunos que estavam presentes, os mesmos que haviam zombado de Rimuru, tentaram se esconder atrás de seus pais. Alistair, pálido, tremia tanto que não conseguia ficar de pé.

— Rimuru-sama está de cama — disse Diablo, sua voz suave e aterrorizante, enquanto ele caminhava lentamente em direção ao grupo de estudantes. — Ele está sofrendo. Ele grita de dor enquanto sua vida se esvai porque seres insignificantes como vocês decidiram que era divertido humilhar a bondade encarnada.

— Ele é a nossa razão de viver — rugiu Veldora, e um trovão sacudiu o reino inteiro, escurecendo o céu. — Eu o chamo de irmão! Eu protejo o seu sono! E vocês... vocês jogaram coisas nele? Vocês zombaram do milagre que ele carrega?

Guy caminhou até o centro do salão e cravou seu olhar no Rei.

— Escute bem, mortal. Rimuru é minha felicidade. Ele é a única coisa que me faz querer manter este mundo intacto. Neste exato momento, ele está desmaiando repetidamente, perdendo as forças a cada suspiro. Se o coração dele parar... — Guy fez uma pausa, e a realidade ao redor dele pareceu trincar. — Eu não vou apenas matar vocês. Eu vou apagar este reino da história. Vou garantir que cada alma vinculada a linhagem de vocês sofra em um ciclo eterno de agonia nas minhas prisões de gelo.

— Nós não sabíamos! — gritou um dos pais, um marquês influente. — Eles são apenas crianças!

Souei apareceu atrás do marquês em um borrão de movimento, encostando um fio de aço em seu pescoço.

— "Crianças" que torturaram psicologicamente um governante que só queria ajudá-los — sibilou Souei. — Rimuru-sama ofereceu doces e abraços. Vocês ofereceram veneno.

— Se Rimuru-sama não melhorar — continuou Benimaru, o ódio transbordando em suas palavras —, eu pessoalmente transformarei este continente em um deserto de cinzas. Não sobrará nem a memória de que Ingrassia existiu.

Enquanto a ameaça pairava sobre os nobres aterrorizados, em Tempest, a situação atingia um ponto crítico. Milim Nava entrou no quarto de Rimuru, seus olhos cor-de-rosa inundados de lágrimas. Ela se jogou ao lado da cama, segurando a mão de Rimuru, que estava fria.

— Rimuru! Rimuru, acorda! — ela soluçava, sem se importar com sua dignidade como Lorde Demônio. — Eu trouxe mel! Eu prometo que não vou brigar com ninguém! Só abre os olhos, por favor!

Rimuru soltou um grito agudo, arqueando as costas enquanto uma aura dourada e instável explodia de seu corpo. Era a dor da alma tentando manter a forma física.

— Dói... — sussurrou Rimuru, entre dentes, as lágrimas escorrendo por suas têmporas. — Guy... Diablo... dói tanto...

Ele desmaiou novamente, seu corpo relaxando de forma alarmante. Shuna sentiu o pulso dele fraquejar.

— O poder dele está vazando! — gritou Shuna. — Ele está desistindo de manter a forma para proteger o bebê!

De volta ao salão em Ingrassia, Diablo parou bruscamente. Ele levou a mão ao peito, sentindo a conexão de alma com seu mestre vacilar. Seus olhos se tornaram fendas de puro vazio.

— Ele desmaiou de novo — disse Diablo, e o chão abaixo dele simplesmente desapareceu, transformado em pó. — A dor dele... eu posso senti-la.

Guy Crimson fechou os punhos. Ele não disse mais nada aos nobres. Ele simplesmente olhou para Alistair e os outros estudantes.

— Rezem — disse Guy, com uma voz que soava como o fim dos tempos. — Rezem para que ele acorde. Porque se o sol de Tempest se apagar, eu trarei a noite eterna para todos vocês.

Com um estalar de dedos, Guy, Diablo, Benimaru, Souei e Veldora desapareceram, deixando para trás um salão cheio de pessoas que agora sabiam que suas vidas dependiam da sobrevivência de um único ser de cabelos azulados.

Ao retornarem a Tempest, o cenário era de desespero. Guy correu para o quarto de Rimuru, afastando todos para se sentar ao lado dele. Ele pegou Rimuru nos braços, ignorando a pressão mágica errática que poderia ferir qualquer outro ser.

— Rimuru, olhe para mim — pediu Guy, sua voz tremendo de uma forma que ninguém jamais imaginou possível para o Lorde Demônio mais antigo. — Eu estou aqui. O seu Guy está aqui. Não nos deixe... não me deixe.

Rimuru abriu os olhos minimamente, o dourado agora opaco.

— Guy... — ele sussurrou, sua mão subindo fracamente para tocar o rosto do companheiro. — As crianças... os alunos... eu falhei com eles?

— Não, meu amor — disse Guy, beijando sua testa enquanto as lágrimas de Rimuru molhavam sua camisa. — Você foi perfeito. O mundo é que é cruel demais para a sua bondade.

Veldora, parado na porta, soltou um rugido de dor e frustração, socando a parede de pedra.

— EU VOU MATAR TODOS ELES! — ele gritou, mas parou quando viu Rimuru estremecer.

Diablo ajoelhou-se aos pés da cama, encostando a testa no estrado de madeira.

— Rimuru-sama... por favor... use a minha vida. Pegue a minha essência, pegue tudo o que sou, mas continue brilhando. Sem você, este mundo é apenas um túmulo vazio.

O silêncio voltou a reinar no quarto, apenas com o som da respiração curta de Rimuru. Cada segundo era uma batalha. Cada suspiro era uma vitória incerta. Tempest inteira estava de joelhos, do menor dos goblins ao mais poderoso dos generais, todos enviando suas preces e suas energias para o centro da cidade, esperando que seu Deus, seu amigo e seu líder decidisse que ainda valia a pena lutar pela vida.

— Eu não vou deixar você ir — sussurrou Guy, abraçando Rimuru com força contra seu peito, enquanto o poder carmesim e o dourado começavam a se misturar em uma dança desesperada para salvar o que restava da alegria daquele mundo.