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Caos nas aulas

O Lamento do Rei Slime e a Sombra da Guerra

A penumbra do quarto real era apenas quebrada pelo brilho fraco das pedras mágicas de iluminação, que Shuna havia ajustado para um tom suave, tentando não agredir os olhos de Rimuru. O silêncio era interrompido apenas pela respiração curta e superficial do Lorde Demônio, que parecia minguar a cada hora. Ele estava tão pálido que sua pele quase se confundia com os lençóis de seda branca, e a vitalidade que costumava transbordar de seus olhos dourados agora parecia uma chama fustigada por um vendaval.

— Mamãe... — a voz de Alice era um fio de esperança partido.

Rimuru abriu os olhos com um esforço hercúleo. Ele viu as cinco crianças amontoadas ao pé da cama, os rostos marcados por uma tristeza que nenhuma criança deveria carregar. Com um tremor nas mãos, ele estendeu os dedos finos, fazendo um sinal para que se aproximassem.

— Venham aqui... — sussurrou Rimuru, sua voz falhando. — Fiquem calmos. Eu só estou um pouco cansado. Por que não se deitam um pouco comigo?

As crianças hesitaram, olhando para Guy e Diablo, que montavam guarda como estátuas de mármore e fúria. Com um aceno relutante de Guy, elas subiram na cama imensa, acomodando-se ao redor de Rimuru com uma delicadeza extrema, como se temessem que ele fosse se desfazer em partículas de luz a qualquer toque mais brusco.

Rimuru sentiu o calor dos pequenos e, por um breve momento, a dor lancinante em seu ventre pareceu recuar para um segundo plano. Ele começou a acariciar os cabelos de Kenya e Chloe, seus movimentos lentos e pesados.

— Shion... — chamou ele, olhando para a Kijin que soluçava silenciosamente ao lado da porta.

— Sim, Rimuru-sama! — ela se aproximou rapidamente, caindo de joelhos ao lado da cama.

— Se... se eu piorar — a voz dele falhou, e um espasmo de dor cruzou seu rosto —, prometa que cuidará deles. Mantenha-os felizes. Não deixe que a sombra do que está acontecendo comigo apague o sorriso deles. Eles são o futuro de Tempest.

— Não diga isso! O senhor vai melhorar! — Shion exclamou, as lágrimas banhando seu rosto enquanto ela segurava a mão livre de Rimuru. — Eu cuidarei deles com minha vida, mas o senhor estará lá para me dar ordens!

Veldora, sentado no canto, tentava desesperadamente manter o clima leve, embora sua própria aura de Dragão Verdadeiro estivesse instável de preocupação.

— KUAHAHAHA! Rimuru, você está apenas fazendo drama para ganhar mais doces da Shuna, não é? — Veldora forçou uma risada que soou mais como um trovão triste. — Olhe, eu trouxe este mangá raro! Se você acordar bem amanhã, eu leio para você e fazemos as vozes dos personagens!

Rimuru soltou uma risada fraca, que logo se transformou em um gemido abafado. Milim estava abraçada a uma das pernas de Rimuru, chorando sem parar, enquanto tentava, de seu jeito atrapalhado, fazer caretas para animá-lo. Ramiris voava em círculos sobre a cabeça dele, gritando e chorando de forma tão desesperada que Diablo teve que segurá-la no ar para que ela não batesse nas paredes.

— Ramiris, acalme-se! — ordenou Diablo, embora seus próprios olhos brilhassem com uma intenção assassina direcionada a qualquer coisa que não fosse seu mestre. — Rimuru-sama precisa de paz, não de seus gritos.

— Mas ele está sofrendo! — Ramiris gritou, as pequenas mãos cobrindo o rosto. — Meu melhor amigo está sofrendo e eu não posso fazer nada!

No meio dessa cena de desespero e amor, a porta do quarto se abriu. Rigurd entrou, segurando um pergaminho com o selo oficial do Reino de Ingrassia. O clima na sala mudou instantaneamente. A pressão mágica de Guy Crimson subiu tanto que as pedras de iluminação trincaram.

— O que é isso? — perguntou Guy, sua voz sendo um sussurro de morte.

— Uma mensagem de Ingrassia, Lorde Crimson — respondeu Rigurd, tremendo. — Eles dizem que as ações recentes de Tempest, especialmente as ameaças feitas por nossos generais na academia, são "inaceitáveis e uma violação dos tratados diplomáticos". Eles exigem uma retratação e... compensações.

Rimuru, que estava ouvindo tudo em seu estado semiconsciente, sentiu um peso esmagador em seu peito. Ele tentou se levantar, mas a dor em sua barriga tornou-se uma explosão de agonia.

— Inaceitáveis? — Rimuru sussurrou, uma lágrima solitária escorrendo por seu rosto pálido. — Eu dei tudo de mim para aqueles alunos... Eu quase morri tentando ensiná-los... e eles enviam isso?

A devastação emocional foi o golpe final. Rimuru sentiu seu coração vacilar e, antes que pudesse dizer outra palavra, seus olhos reviraram e ele perdeu a consciência mais uma vez, seu corpo relaxando de forma alarmante nos braços de Guy.

— RIMURU! — o grito de Milim ecoou pelo palácio.

— Diablo. — A voz de Guy era fria, desprovida de qualquer humanidade. — Assuma o controle da cidade. Garanta que nada pare. Eu não sairei do lado dele.

— Com prazer, Guy-sama — respondeu o demônio, seus olhos brilhando em vermelho. — Eu manterei Tempest funcionando como um relógio, enquanto preparo o terreno para a colheita de almas que virá.

A partir daquele momento, o palácio de Tempest tornou-se um quartel-general de crise. Shuna assumiu a gestão total da saúde de Rimuru, recusando-se a dormir enquanto estudava cada flutuação de sua mana. Shion, cumprindo a promessa feita minutos antes, levou as crianças para uma ala segura, tentando mantê-las distraídas com histórias e treinamentos leves, embora seu próprio coração estivesse em frangalhos.

Souei, percebendo que Shion não estava em condições mentais de lidar com tudo sozinha, permaneceu nas sombras ao lado dela, oferecendo um suporte silencioso e garantindo que nenhuma ameaça externa ou interna chegasse perto dos pequenos protegidos de Rimuru.

Benimaru, por outro lado, trancou-se na sala de guerra. Ele não estava mais focado em defesa. Seus mapas estavam todos centrados em Ingrassia. Ele traçava rotas de invasão, pontos de bombardeio mágico e estratégias de aniquilação total. A carta de Ingrassia tinha sido o estopim; para o Comandante de Tempest, o tempo da diplomacia havia acabado no momento em que Rimuru chorou.

Dois dias se passaram no que parecia um pesadelo eterno, até que um clarão de luz sagrada anunciou a chegada de reforços. Luminous Valentine, a Imperatriz de Lubelius, e Hinata Sakaguchi entraram no palácio com a urgência de quem sabe que o equilíbrio do mundo depende do ser que está naquela cama.

— Onde ele está? — perguntou Luminous, sua expressão severa escondendo a preocupação profunda.

— No quarto principal — respondeu Diablo, conduzindo-as rapidamente. — Ele não acorda há quarenta e oito horas. A mana está estagnada e o corpo está rejeitando qualquer nutrição.

Ao entrarem no quarto, Hinata parou por um momento, chocada ao ver o estado de Rimuru. O ser que ela uma vez enfrentou como um igual agora parecia uma boneca de porcelana quebrada.

— Luminous, olhe a estrutura da alma — disse Hinata, aproximando-se da cama. — Há uma interferência. Não é apenas cansaço. O bebê é um ser de altíssima densidade mágica, quase como um Dragão Verdadeiro, e ele está sugando a força vital de Rimuru para compensar o estresse emocional que o pai sofreu.

Luminous invocou sua magia sagrada suprema, suas mãos brilhando com uma luz prateada enquanto ela escaneava o corpo de Rimuru.

— É uma gravidez divina — diagnosticou Luminous, franzindo a testa. — Rimuru é um slime, uma forma de vida espiritual, mas ele está em um corpo humano para gerar essa criança. O conflito entre as naturezas mágicas está matando-o. E essa carta de Ingrassia... o choque emocional causou uma ruptura na barreira de proteção do feto.

— O que podemos fazer? — perguntou Guy, levantando-se da cadeira ao lado da cama, sua presença fazendo Hinata recuar um passo por instinto.

— Precisamos estabilizar a alma de Rimuru e, ao mesmo tempo, alimentar o bebê com uma fonte externa de mana pura, para que ele pare de drenar o Rimuru — explicou Luminous. — Hinata e eu vamos realizar um ritual de purificação e suporte. Mas aviso: se ele sofrer outro choque emocional como esse, nem mesmo nós poderemos salvá-lo.

Enquanto Luminous e Hinata começavam os preparativos, espalhando runas de proteção e incensos sagrados pelo quarto, o restante dos guardiões de Rimuru observava em um silêncio tenso.

Diablo saiu do quarto por um momento, encontrando Benimaru no corredor.

— Como estão os planos? — perguntou o demônio.

— Prontos — respondeu Benimaru, seus olhos refletindo o fogo de sua fúria. — No momento em que Rimuru-sama acordar e estiver seguro, Ingrassia deixará de existir. Eles acham que podem enviar cartas de exigência enquanto nosso mestre morre por causa da insolência deles? Eles aprenderão o que significa a ira de um monstro.

— Não os mate rápido demais — pediu Diablo com um sorriso gélido. — Eu gostaria de participar da "negociação" final.

Dentro do quarto, o ritual começou. Luminous cantava orações em uma língua antiga, enquanto Hinata usava suas habilidades de manipulação espiritual para tecer uma rede de proteção ao redor do ventre de Rimuru.

Rimuru soltou um suspiro longo, e pela primeira vez em dias, uma leve cor rosada voltou às suas bochechas. Ele não acordou, mas o semblante de dor extrema suavizou-se para algo parecido com um sono profundo e restaurador.

Guy voltou a sentar-se e pegou a mão de Rimuru, levando-a aos lábios.

— Descanse, meu pequeno slime — sussurrou Guy. — Quando você acordar, o mundo será um lugar muito mais silencioso. Eu garantirei que ninguém mais ouse levantar a voz contra você.

Longe dali, no Reino de Ingrassia, os nobres ainda discutiam sobre como poderiam lucrar com a "fraqueza" de Tempest, sem saber que o relógio de sua existência estava contando os últimos segundos, e que o rugido do dragão e o riso do demônio estavam prestes a cair sobre eles como um eclipse final. Tempest estava em silêncio, mas era o silêncio que precede a aniquilação. E no centro de tudo, o coração de Rimuru Tempest voltava a bater com força, impulsionado pelo amor de seus súditos e pela fúria de seus protetores.