Casal improvável mas provavelmente
O Brilho de Stark e o Silêncio de Barnes
A Torre dos Vingadores nunca esteve tão barulhenta, e olha que Loki já havia tentado invadir Nova York a partir dali. Tony Stark, em seu auge de "pai orgulhoso e exagerado", decidiu que o mundo — ou pelo menos a elite dos heróis e aliados — precisava saber que o DNA Stark havia produzido uma obra-prima nos trópicos.
Luzes neon, os melhores DJs, um buffet que misturava caviar com mini coxinhas (um pedido especial de Duda que Tony fez questão de atender) e o andar de festas transformado em uma mistura de boate de luxo e salão de gala.
Duda estava parada diante do espelho em seu quarto, tentando domar os cachos que pareciam ter vida própria naquela noite. Ela usava um vestido verde-esmeralda que realçava seu tom de pele e tinha um corte que permitia que ela se movesse com a liberdade de uma dançarina.
— J.A.R.V.I.S., você acha que meu pai exagerou? — perguntou ela, ajustando uma pulseira de ouro.
— Senhorita, se tratando do Sr. Stark, a palavra "exagero" é apenas o ponto de partida — respondeu a voz eletrônica. — Mas devo dizer que a recepção está impecável. E a Senhorita Potts acaba de chegar.
Duda sentiu um frio na barriga. Ela já tinha lidado com deuses, espiões e soldados invernais, mas conhecer a mulher que mantinha Tony Stark nos trilhos parecia um desafio de outro nível.
Ao descer para o salão, o brilho das luzes quase a cegou. Tony a viu imediatamente e abriu um sorriso que ia de orelha a orelha, caminhando em sua direção com uma mulher elegante, de cabelos loiros morangos e um sorriso acolhedor.
— Aí está ela! A dona do meu cartão de crédito e do meu coração — exclamou Tony, passando o braço pelos ombros de Duda. — Pepper, querida, esta é a Maria Eduarda. Duda, esta é a Pepper Potts. A pessoa que realmente manda em tudo isso aqui.
Pepper estendeu a mão, mas logo mudou para um abraço caloroso ao ver o brilho nos olhos da jovem.
— É um prazer imenso finalmente te conhecer, Duda — disse Pepper, afastando-se para olhá-la. — Tony não para de falar de você. Ele está insuportável, para ser honesta. Já me mostrou todos os seus vídeos de dança três vezes.
— Só três? — Duda riu, sentindo a tensão se dissipar. — Achei que ele já tinha projetado em holograma na fachada da torre. Prazer, Pepper. Obrigada por cuidar desse homem, eu sei que não é um trabalho fácil.
— Você não faz ideia — Pepper piscou, divertida. — Mas agora que você está aqui, podemos dividir o fardo.
Enquanto Tony arrastava Pepper para mostrar alguma nova modificação na armadura (ou apenas para se gabar mais um pouco), Duda começou a circular. Ela viu Peter tentando impressionar algumas convidadas com truques de cartas, Thor contando histórias de batalhas que faziam as janelas vibrarem, e Natasha e Clint observando tudo de um canto, como se estivessem analisando as saídas de emergência.
Mas seus olhos procuravam apenas uma pessoa. E ela o encontrou perto da varanda, longe do centro da pista de dança.
Bucky Barnes parecia um príncipe de um filme antigo. Ele usava um terno preto sob medida que escondia perfeitamente o braço de metal, mas não conseguia esconder o desconforto em seus olhos azuis. Ele não gostava de multidões, e certamente não gostava de festas onde ele se sentia um espécime de museu.
Duda caminhou até ele, ignorando os olhares curiosos de alguns investidores da Stark Industries.
— Você está parecendo um modelo de revista, James — disse ela, parando ao lado dele e olhando para a vista de Manhattan. — Mas parece que prefere estar em uma trincheira do que aqui.
Bucky soltou um suspiro de alívio ao ouvir a voz dela.
— Muita gente. Muitos cheiros. Muitos batimentos cardíacos — murmurou ele, olhando para ela com uma intensidade que fez as pernas de Duda fraquejarem. — Você está linda, Duda. Esse verde... combina com você.
— Obrigada. Mas eu também já tive minha cota de "socialite" por uma noite — ela se aproximou mais, diminuindo a distância. — Quer fugir?
Bucky arqueou uma sobrancelha.
— Fugir? Seu pai colocou segurança em todos os andares.
— Eu sou uma Stark, esqueceu? — Ela sorriu travessa. — Eu conheço os pontos cegos das câmeras e o J.A.R.V.I.S. é meu cúmplice.
Sem esperar resposta, ela segurou a mão humana de Bucky e o guiou silenciosamente pelos corredores laterais. Eles pegaram o elevador privativo e, em poucos segundos, o barulho da música alta foi substituído pelo silêncio abafado dos andares residenciais.
Duda o levou até o quarto dele. Era um ambiente austero, com pouca decoração, refletindo a mente de alguém que ainda estava aprendendo a pertencer ao presente.
Ao entrarem, a atmosfera mudou. Não havia mais a pressão da festa, nem os olhos de Tony, nem o peso do mundo. Era apenas a garota de Olinda e o soldado que estava tentando se lembrar de como ser homem.
— Bem melhor aqui — disse Bucky, retirando o paletó do terno e jogando-o sobre uma poltrona. Ele começou a afrouxar a gravata com a mão de metal, um contraste de força e delicadeza que sempre fascinava Duda.
— Você ainda fica tenso quando as pessoas te olham, não é? — perguntou ela, sentando-se na beirada da cama dele.
— Eu passei décadas sendo uma arma, Duda. Armas não vão a festas. Elas ficam guardadas em caixas até serem usadas.
Duda levantou-se e caminhou até ele. Ela colocou as mãos sobre as dele, parando o movimento da gravata.
— Você não é uma arma, James. Você é o homem que me ensinou que cuscuz fica melhor com manteiga. Você é o homem que me protegeu na base da Hydra.
Bucky olhou para baixo, encontrando o olhar firme e doce dela. Ele sentiu aquela barreira de gelo ao redor de seu coração rachar um pouco mais.
— Às vezes eu sinto que não mereço isso — sussurrou ele. — Essa paz. Você.
— Shh... — Duda colocou um dedo sobre os lábios dele. — Como sua psicóloga particular, eu te ordeno a parar de pensar no passado por cinco minutos. E como a garota que está completamente apaixonada por você... eu te peço para apenas estar aqui. Comigo.
Bucky sentiu o fôlego escapar. "Apaixonada". A palavra ecoou em sua mente como uma melodia antiga. Ele envolveu a cintura dela com os braços, puxando-a para perto. O braço de metal envolvia as costas dela com uma firmeza protetora, enquanto a mão humana acariciava o rosto de Duda, os dedos perdendo-se nos cachos escuros.
— Eu não sei como fazer isso direito — confessou ele, a voz rouca, o rosto a centímetros do dela.
— Você está indo muito bem — respondeu ela, fechando os olhos.
Bucky inclinou-se e a beijou. Foi um beijo lento, carregado de uma saudade que parecia atravessar décadas. Não havia nada do Soldado Invernal ali; era apenas James Buchanan Barnes, encontrando redenção nos lábios de uma menina que trazia o sol do Brasil em cada gesto.
Duda suspirou contra a boca dele, as mãos subindo pelos ombros largos de Bucky, sentindo a musculatura firme sob a camisa social. O beijo se tornou mais profundo, mais intenso. Havia uma urgência silenciosa, um desejo de esquecer a dor e abraçar a vida que pulsava entre eles.
Bucky a conduziu suavemente para trás, até que ela se sentasse novamente na cama, e ele se ajoelhou entre as pernas dela, sem nunca quebrar o contato visual.
— Você tem certeza? — perguntou ele, a respiração curta. — Se o seu pai descobrir, ele vai me mandar para Marte em um foguete sem volta.
Duda soltou uma risadinha baixa, puxando-o pela gola da camisa.
— Deixe o Tony com as armaduras dele. Esta noite, o Homem de Ferro não tem jurisdição aqui.
Bucky sorriu, um sorriso verdadeiro e brilhante que iluminou seu rosto de uma maneira que nenhuma luz de festa conseguiria. Ele a beijou novamente, desta vez com uma promessa silenciosa de que, não importa o que a Hydra ou o destino planejassem, ele seria o escudo dela.
Ali, naquele quarto silencioso, enquanto a festa continuava andares abaixo, Maria Eduarda Stark Siqueira e Bucky Barnes criaram seu próprio mundo. Um mundo onde o metal era quente, onde o trauma era curado com toques suaves e onde o ritmo de Olinda encontrava a paz que o Soldado Invernal tanto buscava.
A madrugada avançou e, entre sussurros e carícias, Duda percebeu que a psicologia não explicava tudo. Algumas conexões eram simplesmente escritas nas estrelas — ou talvez, no caso deles, forjadas no aço e no sangue.
— James? — murmurou ela, horas depois, com a cabeça repousada no peito dele, ouvindo o batimento calmo de seu coração.
— Hum?
— Se o meu pai bater na porta agora, você pula a janela?
Bucky soltou uma risada vibrante, apertando-a mais contra si.
— Eu sou um supersoldado, querida. Eu enfrento alienígenas, robôs e deuses. Mas enfrentar o Tony Stark de pijama e enfurecido? É, talvez eu pule a janela.
Duda riu e se aninhou mais nele, sentindo-se, pela primeira vez em muito tempo, completamente em casa. O caos de sua nova vida estava apenas começando, mas com Bucky ao seu lado, ela sabia que qualquer batalha valeria a pena.