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Casal improvável mas provavelmente

O Despertar do Aço e do Dendê

A manhã na Torre dos Vingadores tinha um cheiro peculiar de tecnologia limpa, café forte e, desde que Maria Eduarda chegara, um toque persistente de canela e frutas tropicais. O sol de Nova York entrava pelas janelas panorâmicas, iluminando a mesa de café da manhã onde a equipe se reunia como uma família disfuncional, mas estranhamente coordenada.

Tony Stark estava em seu habitat natural: o topo da mesa, escondido atrás de um tablet holográfico e de uma caneca de café que dizia "Gênio por Opção, Bilionário por Destino". Ele parecia mais inquieto do que o normal, seus olhos castanhos disparando para a entrada da cozinha a cada cinco segundos.

— Alguém viu a Madu hoje? — perguntou Tony, tentando soar casual, mas falhando miseravelmente. — J.A.R.V.I.S. disse que ela não dormiu no quarto dela. Ou melhor, que ela saiu e não voltou.

— Ela deve estar explorando a torre, Stark — disse Steve Rogers, cortando uma fatia de melão com uma precisão que beirava o irritante. — É uma menina curiosa.

— Curiosa é uma coisa, sumir durante a própria festa de boas-vindas é outra — rebateu Tony, batucando os dedos na mesa. — Eu gastei uma fortuna naquele DJ. Pepper disse que eu devia relaxar, mas como eu vou relaxar se a minha herdeira genética desaparece no triângulo das bermudas que é este prédio?

Natasha Romanoff, que bebia seu chá em silêncio, trocou um olhar divertido com Clint Barton. Eles sabiam. Espiões sempre sabem.

— Talvez ela estivesse bem acompanhada, Tony — comentou Natasha, sua voz carregada de um sarcasmo suave.

Foi nesse momento que o elevador soltou um "plim" metálico.

O silêncio caiu sobre a cozinha como um manto. Maria Eduarda entrou primeiro. Seus cachos estavam propositalmente bagunçados, mas havia um brilho em seus olhos que não era apenas o reflexo das luzes da torre. Ela usava um moletom de Bucky que ficava enorme nela, as mangas dobradas várias vezes, e um par de meias coloridas.

Logo atrás dela, tentando — e falhando — parecer invisível, estava Bucky Barnes. O Soldado Invernal, o homem que enfrentou exércitos e sobreviveu a décadas de congelamento, parecia estar prestes a enfrentar seu maior medo: o olhar de um pai superprotetor com acesso a armas de destruição em massa.

Bucky estava com a mesma camiseta preta da noite anterior, agora amassada, e seu braço de metal brilhava sob a luz da manhã. Ele não olhou para ninguém, focando intensamente em uma mancha inexistente no chão.

Sam Wilson, que estava prestes a morder uma torrada, congelou no ar. Um sorriso lento e malicioso começou a se formar em seu rosto.

— Olha só quem apareceu — disse Sam, sua voz cheia de deboche. — O casal do ano resolveu emergir das profundezas.

Duda tentou manter a pose de futura psicóloga centrada.

— Bom dia, pessoal. Dormiram bem? O café cheira ótimo.

— "Dormiram" é uma palavra forte, não é, Duda? — provocou Sam, rindo abertamente. — Porque a gente procurou vocês dois por toda a festa ontem. Sumiram depois da terceira música. Onde vocês estavam? No laboratório de criogenia? No telhado contando as estrelas? Ou será que estavam revisando o manual do braço de metal?

Bucky finalmente levantou o olhar, lançando um raio de puro gelo em direção a Sam.

— Cala a boca, Wilson.

— Ah, não! — Tony Stark levantou-se da cadeira como se tivesse sido impulsionado por um de seus repulsores. Ele apontou o dedo trêmulo para Bucky e depois para a filha. — O que é isso? O que está acontecendo aqui? Por que ela está usando o seu moletom, Barnes? Por que você está com essa cara de quem acabou de ganhar na loteria e ela está com essa cara de... de... dopamina alta?

Duda suspirou, caminhando até a mesa e pegando uma xícara.

— Pai, menos drama. Mais café.

— Menos drama? — Tony gritou, fazendo Peter Parker pular de susto na outra ponta da mesa. — Eu sou o Homem de Ferro! Eu criei uma inteligência artificial que gerencia o planeta! Eu não sou cego! Você e o... o Picolé de Metal? O Vovô do Braço de Prata? O homem que o Steve trouxe da Segunda Guerra para me dar dor de cabeça?

— Tony, acalme-se — interveio Steve, embora estivesse segurando o riso. — Eles são adultos.

— Ele tem cem anos, Steve! — Tony gesticulava freneticamente. — Ele é um clássico! Ela é uma estudante de psicologia! Isso é... isso é um estudo de caso? Você está estagiando com ele, Duda? É isso?

Duda colocou a xícara na mesa com um estalo firme e olhou nos olhos de Tony.

— Não é um estudo de caso, pai. É uma conexão. Algo que eu acho que você deveria entender, já que vive falando que somos parecidos. Eu sigo meu instinto. E meu instinto me diz que o James é a melhor pessoa que eu conheci desde que cheguei aqui.

Bucky deu um passo à frente, colocando a mão humana no ombro de Duda. Foi um gesto possessivo, mas gentil.

— Stark — disse Bucky, sua voz baixa e firme —, eu não planejei isso. Mas eu não vou me desculpar por gostar dela. Ela é a única coisa que faz sentido nessa torre barulhenta.

Tony abriu a boca para retrucar, mas as palavras pareceram falhar. Ele olhou para a filha, viu a determinação de Stark em seu rosto, e depois olhou para Bucky, vendo a vulnerabilidade que o soldado raramente mostrava.

— Eu vou colocar câmeras novas — resmungou Tony, sentando-se pesadamente. — Câmeras térmicas. Com sensores de movimento. E se eu ouvir um barulho de metal batendo na parede do quarto ao lado...

— Tony! — Pepper Potts entrou na cozinha, vindo do escritório, e deu um tapa leve no braço do noivo. — Deixe os dois em paz. Bom dia, Duda. Bom dia, Bucky.

— Bom dia, Pepper — respondeu Duda, aliviada pela chegada da voz da razão.

Sam Wilson, porém, não estava disposto a deixar o assunto morrer.

— Então, Barnes... — Sam se inclinou para frente, ignorando o olhar assassino de Bucky. — Como é namorar a filha do chefe? O seguro de vida é bom? Ou você está com medo de que o próximo upgrade do seu braço venha com um dispositivo de autodestruição controlado pelo controle remoto do Tony?

— Eu posso te jogar pela janela, Sam — murmurou Bucky, mas havia um leve sorriso de canto em seus lábios. — E você sabe que eu sou mais rápido que suas asas.

— Oh, o amor é lindo! — exclamou Thor, entrando na cozinha com sua capa balançando. — Uma união entre a beleza das terras tropicais e o guerreiro de aço! Devemos celebrar com hidromel!

— São nove da manhã, Thor — disse Bruce Banner, sem tirar os olhos do jornal, mas sorrindo por trás das páginas.

Duda serviu um prato com um pouco de tudo e entregou a Bucky, que aceitou com um aceno de cabeça. Ela se sentou ao lado dele, e Tony ficou observando os dois como um falcão.

— Eu ainda não aprovo — declarou Tony, apontando sua colher para Bucky. — Eu vou investigar seu passado, Barnes. Mais do que eu já investiguei. Vou falar com o fantasma do Roosevelt se for preciso.

— Boa sorte com isso, Stark — respondeu Bucky, dando uma mordida em uma torrada. — Mas acho que a Duda já fez o perfil psicológico completo. Ela diz que eu sou um "caso de sucesso".

Duda riu, encostando a cabeça no ombro de Bucky por um breve segundo antes de olhar para o pai.

— Ele é um homem bom, pai. E ele me faz dançar, mesmo sem música.

Tony fez uma careta, mas o brilho de proteção em seus olhos suavizou.

— Se ele te fizer chorar, eu uso o satélite de defesa para desenhar um alvo na testa dele.

— Justo — concordou Bucky.

A mesa voltou ao caos normal. Peter começou a perguntar para Duda sobre as praias de Pernambuco, Sam continuou fazendo piadas de duplo sentido que faziam Bucky ficar vermelho, e Natasha apenas observava, satisfeita por ver que a Torre dos Vingadores finalmente tinha ganhado um pouco de vida real.

Duda olhou para o homem ao seu lado, sentindo o calor de seu corpo e a força de seu braço de metal. Ela sabia que os desafios estavam apenas começando — a Hydra ainda estava lá fora, e ser uma Stark nunca era simples — mas, com o tempero de Olinda e a lealdade do Soldado Invernal, ela sentia que podia enfrentar qualquer guerra. Especialmente se houvesse café, cuscuz e um certo picolé de metal para protegê-la.