Ciúmes
Soberania
O aroma intenso de café fresco recém-passado invadiu o quarto antes mesmo que os primeiros raios de sol rompessem as cortinas pesadas da cobertura no Leblon. Jorge abriu os olhos lentamente, piscando contra a claridade difusa, e deparou-se com a imagem que fazia qualquer resquício de cansaço evaporar: Erick estava de pé ao lado da cama, vestindo apenas uma calça de linho preta, com o peito largo e os braços maciços completamente cobertos por tinta negra à mostra. Em uma das mãos calejadas, o chileno equilibrava uma bandeja de prata com café puro, frutas tropicais cortadas e torradas douradas.
— O seu café na cama — disse Erick, a voz rouca pelo sono recente, mas carregada daquela autoridade natural que parecia vibrar no assoalho. — Eu cumpro o que prometo.
Jorge abriu um sorriso preguiçoso, bronzeado e irresistível, espreguiçando-se sobre os lençóis de cetim escuro até se sentar, exibindo as marcas roxas que as investidas vorazes da noite anterior haviam deixado em suas clavículas.
— Um pitbull domesticado é a coisa mais linda deste mundo — provocou o colombiano, esticando os braços para receber a xícara fumegante.
Erick pousou a bandeja sobre a mesa de cabeceira, sentou-se na beirada do colchão e segurou a nuca de Jorge com uma firmeza possessiva, puxando-o para um beijo lento e profundo que tinha gosto de café e desejo não saciado.
— Não se acostume, Carrascal — murmurou o chileno contra os lábios dele, com os olhos negros faiscando. — Eu ainda mando nesta casa.
— Manda quando eu deixo, amor — retrucou Jorge, rindo baixo antes de beber um gole da bebida amarga.
A paz doméstica, no entanto, durou exatamente até o momento em que Jorge reparou em um envelope pesado, lacrado com cera vermelha, deixado sobre a cômoda de mogno. O brasão em relevo trazia as iniciais da família Pulgar.
— O que é aquilo? — perguntou Jorge, o tom descontraído perdendo força.
Erick não se virou para olhar. Ele já sabia exatamente do que se tratava.
— O meu pai desembarcou ontem à noite no Rio — respondeu o chileno, a mandíbula travando sutilmente. — É o baile comemorativo de cinquenta anos do grupo petrolífero da família, no Copacabana Palace. Ele exige a minha presença.
— A sua presença — pontuou Jorge, pousando a xícara na bandeja. O colombiano ergueu uma sobrancelha, o olhar perspicaz captando a hesitação nas entranhas do marido. — E a minha? Ou o grande patriarca ainda finge que o filho dele não é casado com um colombiano que não tem sangue azul nas veias?
— O convite é para nós dois — retrucou Erick, a voz endurecendo diante do orgulho ferido que já começava a transparecer no rosto de Jorge. — Eu deixei bem claro para Pablo que se o seu nome não estivesse no protocolo, eu nem me daria ao trabalho de queimar a carta. Nós vamos juntos.
— Eu não quero ir, Erick — disparou Jorge, afastando o lençol e levantando-se da cama, a pele bronzeada contrastando com a luz matinal. — Eu não tenho nada para fazer naquele ninho de cobras. Aquela gente olha para mim como se eu fosse um bandido que roubou as joias da família.
Erick levantou-se em um único movimento fluído, a imponência física cobrindo o espaço entre eles até encurralar Jorge a poucos centímetros do armário espelhado.
— Você vai — ordenou o chileno, com o tom de quem não aceitava réplica. — Você é o meu marido. Eu não me escondo nas sombras e não permito que ninguém pense que você é menos do que o dono de tudo o que eu construí. Nós vamos entrar pela porta da frente daquele salão, de cabeça erguida.
— Você não manda em mim dessa forma, Erick! — rebateu Jorge, encarando as íris escuras do marido com a ousadia que só ele possuía.
— Não é uma imposição para te humilhar, Jorge — sussurrou Erick, a mão pesada subindo para a cintura do colombiano, apertando a carne com uma urgência quase dolorosa. — É uma ordem para que o mundo inteiro veja que você é intocável. Vista o seu melhor terno. Às oito da noite o carro estará nos esperando.
O olhar de desafio entre eles sustentou-se por longos segundos, faiscando tensão e magnetismo, até que Jorge desviou o rosto com um estalo de língua, aceitando a batalha, mas deixando claro que cobraria o preço daquela audácia.
À noite, o salão nobre do Copacabana Palace resplandecia sob lustres colossais de cristal da Boêmia. Homens em smokings impecáveis de corte sob medida conversavam em sussurros sobre ações da bolsa, barris de petróleo e concessões governamentais, enquanto mulheres exibiam colares de diamantes que custavam fortunas inteiras. Era um ecossistema de aparências congeladas e julgamentos velados.
Quando as portas duplas se abriram para anunciar a chegada de Erick Pulgar e Jorge Carrascal, o murmúrio nas mesas cessou quase que por completo.
Erick usava um smoking preto de veludo italiano, perfeitamente ajustado às suas costas largas. A gola alta e as mangas cobriam quase tudo, mas as runas e sombras desenhadas em tinta negra subiam impiedosas pelo seu pescoço e contornavam sua mandíbula, conferindo-lhe uma aura letal de predador entre presas engravatadas. Ao seu lado, Jorge era a pura definição de magnetismo latino: vestia um traje bordô escuro, com os dois primeiros botões da camisa de seda entreabertos, revelando a pele dourada e o início das tatuagens no peito. Seu caminhar era ritmado, fluido como uma dança, sustentando um sorriso zombeteiro nos lábios enquanto seus olhos castanhos varriam os convidados.
— Pare de sorrir como se quisesse colocar fogo no tapete — murmurou Erick rente ao ouvido do marido, a mão pousada com autoridade na lombar de Jorge.
— Se eu não sorrir, meu amor, eu dou um soco no primeiro herdeiro engomadinho que me olhar de cima a baixo — devolveu Jorge, mantendo o tom aveludado e cínico.
A recepção durou pouco antes de o patriarca da família se manifestar. Hernán Pulgar, um homem de cabelos brancos aristocráticos e feições duras como granito, aproximou-se acompanhado por Pablo, o primogênito que havia assumido as rédeas dos negócios corporativos.
— Erick — saudou o velho chileno, a voz seca dispensando qualquer demonstração de afeto paternal. — Vejo que você ainda insiste em carregar a sua rebeldia estampada na pele para todo evento público.
— A minha pele conta o dinheiro que eu ganho com as minhas próprias mãos, Hernán — devolveu Erick, os olhos gélidos. — Diferente do senhor, eu não preciso de concessões do Estado para ser respeitado.
O patriarca mal franziu o cenho, transferindo o olhar gélido para o homem ao lado do filho.
— E você deve ser o senhor Carrascal — disse Hernán, o tom carregado de uma cortesia venenosa. — O ex-garçom que conseguiu se formar em economia. Uma trajetória bastante... conveniente.
Jorge deu um passo à frente, o sangue colombiano fervendo instantaneamente, mas antes que pudesse abrir a boca, os dedos de ferro de Erick se fecharam em torno do seu pulso, puxando-o sutilmente para trás.
— Meça as palavras ao se dirigir ao meu marido, pai — sibilou Erick, a voz tão baixa e carregada de violência contida que Pablo deu um passo involuntário para trás. — O sobrenome dele hoje é Pulgar. E ele tem mais honra nesta cidade do que qualquer um que carrega o seu sangue.
— Chega de escândalos — cortou Hernán com desdém. — Venha até a biblioteca, Erick. Precisamos assinar os documentos de dissolução da holding chilena. Pablo preparou tudo.
Erick hesitou, o olhar pousando em Jorge. Ele odiava deixar o colombiano desacompanhado naquele covil, mas precisava assinar a renúncia definitiva dos negócios da família para enterrar de vez qualquer vínculo financeiro que seu pai tentasse usar como chantagem.
— Fique perto do bar — instruiu Erick, inclinando-se para o ouvido de Jorge. — Eu volto em dez minutos. Não arranje confusão.
— Vá logo assinar a porra dos seus papéis — murmurou Jorge entre dentes, ainda fervendo pela provocação do velho.
Assim que a figura imponente de Erick desapareceu pelo corredor privativo, Jorge caminhou até o balcão de mármore e pediu uma dose dupla de tequila. Ele não precisava da aprovação de nenhum daqueles almofadinhas, mas a sensação de ser tratado como um oportunista ainda arranhava seu orgulho de maneira insuportável.
— Ora, ora... Parece que o cachorro grande deixou o brinquedo sem coleira.
A voz arrastada e cheia de escárnio veio de trás. Jorge virou-se devagar, apoiando o cotovelo no balcão. À sua frente estava Rodrigo Valenzuela, herdeiro de uma das maiores mineradoras do Chile, um homem arrogante que costumava frequentar o mesmo círculo de Gabriela e dos irmãos Pulgar.
— Perdeu alguma coisa aqui, engomadinho? — perguntou Jorge com um sorriso cortante.
Rodrigo deu um passo à frente, diminuindo a distância de forma invasiva, os olhos cheios de malícia enquanto examinava o peito tatuado do colombiano.
— Gabriela me contou que você é bastante temperamental — disse o herdeiro, inclinando-se com audácia e deslizando os dedos insolentes pela lapela de veludo de Jorge. — Mas convenhamos, Carrascal... Todo mundo sabe que o Erick só te mantém por perto como uma provocação à família. Quando o tesão pela novidade passar, você vai voltar para o mesmo lugar miserável de onde ele te tirou. A não ser que você queira garantir um futuro melhor... Eu pago muito mais para ter um corpo desses na minha cama por um final de semana.
O insulto ecoou na mente de Jorge como pólvora em chamas.
O colombiano não pestanejou. Ele não pediu licença, não mediu consequências e não chamou segurança algum. Em um movimento rápido e letal, Jorge ergueu a taça de cristal que segurava e esmagou o líquido com violência diretamente nos olhos de Rodrigo, usando a base pesada do copo para desferir um golpe seco no nariz do chileno.
O som do osso quebrando ecoou pelo bar. Rodrigo soltou um uivo de dor, caindo de joelhos com as mãos no rosto ensanguentado, enquanto o vinho espalhado manchava sua camisa de linho branco.
— Da próxima vez que encostar um dedo em mim, eu arranco a sua mão — rosnou Jorge, a respiração ofegante, os punhos cerrados e o peito subindo e descendo com fúria cega.
Mulheres gritaram, copos se quebraram no chão e o salão inteiro entrou em alvoroço. Em menos de cinco segundos, as portas da biblioteca se abriram e Erick surgiu no mezanino, atraído pelo barulho. Quando seus olhos encontraram a cena — Rodrigo sangrando no chão e Jorge com a respiração descompassada e os nós dos dedos avermelhados —, o chileno desceu as escadas como um furacão sombrio.
— O que você fez? — trovejou Hernán, que vinha logo atrás do filho, o rosto lívido de vergonha. — Você trouxe um animal selvagem para dentro do meu evento! Você agrediu o herdeiro dos Valenzuela!
Erick não respondeu ao pai. Ele avançou no meio da multidão, a postura de pitbull dominando todo o salão com um magnetismo aterrador. Ele agarrou Jorge pelo braço com firmeza bruta e o puxou para longe do tumulto, ignorando os protestos dos convidados e a segurança do hotel que tentava intervir.
— Para a suíte. Agora — rosnou Erick, empurrando a porta corta-fogo e arrastando Jorge escada acima até a suíte presidencial que o casal havia reservado no hotel para passar a noite.
Assim que a porta da suíte bateu com um estrondo ensurdecedor, Jorge desvencilhou-se do aperto com um solavanco violento.
— Me solta, caralho! — gritou Jorge, arrancando o paletó bordô e jogando-o contra o sofá de veludo. — Não encosta a mão em mim como se eu fosse um moleque que você precisa recolher da rua!
— Você perdeu a porra do juízo? — vociferou Erick, as veias do pescoço saltadas contra a tinta negra, os olhos cuspindo chamas enquanto invadia o espaço de Jorge. — Eu te pedi dez minutos! Dez minutos para não criar um inferno naquele salão! E você quebra a cara de um dos maiores financiadores da cidade na frente do meu pai?
— Ah, então a sua preocupação é o seu pai? — rebateu Jorge aos berros, apontando o dedo trêmulo de raiva para o peito de Erick. — O seu problema é a vergonha que eu te fiz passar na frente da sua elite patética? Aquele desgraçado me tocou, Erick! Ele colocou a mão no meu corpo e disse que pagaria para me ter na cama porque você ia se cansar de mim! Ele me chamou de prostituto bem na minha cara!
O silêncio que caiu sobre a suíte foi instantâneo e gélido.
O ar pareceu ser sugado para fora do cômodo. As pupilas de Erick dilataram-se em uma fúria tão animalesca e crua que até mesmo a sua respiração pesada cessou por um instante. A expressão do chileno não era mais de aborrecimento; era a máscara de um homem disposto a assassinar.
— Ele tocou em você? — murmurou Erick, a voz descendo para um registro tão cavernoso e ameaçador que fez a espinha de Jorge gelar.
— Ele encostou em mim — repetiu Jorge, a mágoa misturando-se à adrenalina, as lágrimas de humilhação começando a marejar seus olhos castanhos. — E você... em vez de querer saber o que aconteceu, me arrastou para cá como se eu fosse a porra do culpado! Como se eu fosse a vergonha que você tenta esconder dos seus amigos ricos! Se você tem tanta vergonha das minhas origens, Erick, por que caralhos você se casou comigo?
Erick não respondeu com palavras. Ele deu dois passos largos, agarrou Jorge pela nuca com uma força avassaladora e colou suas testas com violência, o hálito quente e furioso batendo nos lábios entreabertos do marido.
— Nunca mais repita essa merda — rosnou Erick, as mãos calejadas tremendo de pura cólera reprimida. — Nunca mais ouse pensar que eu tenho vergonha do homem que eu venero de joelhos nesta cama. Eu não fiquei puto porque você quebrou o nariz dele, Jorge. Eu fiquei possesso porque você não esperou eu descer para eu arrancar a cabeça daquele verme do corpo com as minhas próprias mãos!
Jorge piscou, desarmado pela intensidade desmedida daquelas palavras.
— Você acha que eu me importo com a opinião do meu pai? — continuou Erick, os olhos escuros fitando a alma de Jorge com uma devoção que beirava a insanidade. — Eu cuspi na herança dele há dez minutos na biblioteca. Eu assinei a renúncia de cada centavo daquela família podre porque o único império que me interessa é o que nós construímos juntos. Ninguém toca no que é meu. Ninguém respira o seu ar sem a minha permissão.
Antes que Jorge pudesse articular qualquer resposta, Erick soltou-o abruptamente, girou nos calcanhares e caminhou em passos decididos em direção à saída da suíte.
— Onde você vai? — perguntou Jorge, o coração disparando em alerta.
— Vou terminar o que você começou — sentenciou o chileno, a voz mortal enquanto abria a porta.
Jorge correu, interceptando Erick no corredor, segurando-o pelas lapelas do smoking e prensando suas costas largas contra a parede do hall privativo.
— Você não vai descer lá para se sujar de sangue por causa daquele lixo — disse Jorge com firmeza, recuperando o fôlego e encarando o marido nos olhos. — Eu já quebrei o nariz dele. O recado foi dado. Se você descer, a polícia vai se meter e isso vai arruinar o seu estúdio, vai arruinar tudo o que você ergueu com a sua arte. Olha para mim, Erick!
Erick respirava com dificuldade, os músculos retesados como cordas prontas para arrebentar, o pitbull lutando para se soltar da corrente. No entanto, o toque das mãos de Jorge em seu peito era a única coisa no mundo capaz de amansar sua fúria homicida.
— Aquele filho da puta tocou em você... — rosnou o chileno, a mandíbula estalando de tensão.
— E eu já fiz ele sangrar como o covarde que é — retrucou Jorge, deslizando as mãos pelo pescoço tatuado de Erick até emoldurar o rosto do marido, puxando-o para perto com uma ternura desesperada. — Eu não preciso que você mate ninguém por mim, amor. Eu só preciso saber que eu sou a única coisa que importa para você.
— Você é a única coisa que existe no meu mundo, Jorge — sussurrou Erick, a voz quebrando ligeiramente, a vulnerabilidade nua finalmente vencendo a casca de ferro. — Não há ouro, família ou poder que chegue aos seus pés. O meu corpo, a minha alma e cada gota do meu sangue pertencem a você.
O beijo que se seguiu não teve nada de calmo. Foi uma colisão faminta e desesperada de lábios, línguas e dentes, selada pelo alívio da verdade e pelo fogo acumulado da raiva. Erick ergueu Jorge pela cintura com uma facilidade absurda, prensando o colombiano contra a porta da suíte enquanto a abria com um chute, entrando novamente no quarto às cegas.
As roupas foram arrancadas com uma urgência brutal. O smoking fino rasgou-se pelas costuras sob a força impaciente das mãos de Erick, e a camisa de seda de Jorge foi jogada ao chão sem qualquer cuidado. Em segundos, os dois corpos nus e ricamente ornamentados por tatuagens colidiram no centro da cama gigantesca.
A pele bronzeada de Jorge parecia queimar sob as carícias ásperas e possessivas do marido. Erick beijou cada centímetro do torso do colombiano, mordendo o peito, a linha da cintura e as coxas musculosas com um fervor ritualístico, reivindicando cada pedaço de território que qualquer outro homem ousara cobiçar.
— Você é meu — sussurrava Erick em espanhol, a voz gutural vibrando contra o pescoço suado de Jorge. — Ninguém toca. Ninguém olha. Você é meu rei.
— Prove, Erick... — suplicava Jorge com a voz embargada, cravando as unhas nas costas largas e tatuadas do chileno, arqueando o quadril em busca do contato pleno. — Me fode e faz eu esquecer todo o resto.
Erick tomou o marido com uma intensidade avassaladora e profunda, arrancando um grito rouco da garganta de Jorge que se perdeu nos lençóis macios. Cada investida era medida na medida exata da paixão e do domínio compartilhado; não havia pressa, mas havia uma força devastadora que fazia a cabeceira de madeira estalar contra a parede. Jorge balançava o quadril com a sua fluidez natural, respondendo ao ritmo violento do chileno com gemidos altos e desavergonhados, envolvendo as pernas firmes ao redor da cintura tatuada de Erick para mantê-lo o mais fundo possível dentro de si.
O suor escorria pelas tintas pretas que cobriam quase noventa por cento do corpo de Erick, misturando-se ao brilho dourado da pele de Carrascal. Era um confronto de almas brutas e apaixonadas, onde a entrega era absoluta e nenhuma dúvida sobre lealdade sobrevivia.
Quando o ápice os alcançou, vieram juntos em um espasmo demorado e estrondoso; Erick enterrou a cabeça na curva do ombro de Jorge, rugindo de prazer e derramando toda a sua força dentro dele, enquanto Jorge contraía os dedos nos cabelos escuros do marido, mordendo o lábio até quase sangrar para conter as lágrimas de êxtase que escorriam pelo seu rosto bronzeado.
Horas depois, o silêncio da madrugada reinava absoluto sobre o oceano de Copacabana. A brisa marítima entrava pela varanda entreaberta, refrescando o calor que ainda emanava dos corpos entrelaçados sob o lençol.
Jorge estava deitado de lado, com a cabeça repousada no braço maciço de Erick, observando os desenhos tribais que desciam até o pulso do chileno. A respiração de ambos era calma, ritmada, em perfeita sincronia.
— Amanhã eu vou emitir um comunicado oficial à imprensa — disse Erick em tom sereno, mas irredutível, quebrando o silêncio enquanto acariciava as mechas pretas do cabelo de Jorge. — Vou anunciar que não tenho qualquer vínculo com o grupo Pulgar e que cinquenta por cento das cotas do meu estúdio e dos imóveis estão oficialmente no seu nome.
Jorge ergueu o rosto, com um sorriso sonolento, mas zombeteiro, nos lábios beijados.
— Não precisa de tudo isso, amor. Eu sei me defender.
Erick segurou o queixo do marido com dois dedos, inclinando-se para dar um beijo estalado em seus lábios.
— Não é para você se defender, Jorge. É para que todos saibam quem manda aqui. O meu pedido é uma ordem.
Jorge soltou uma risada baixa e rouca, aninhando-se ainda mais contra o peito tatuado do homem que o amava com a fúria de uma tempestade e a devoção de um fiel.
— Tudo bem, meu mafioso — murmurou o colombiano, fechando os olhos em completa rendição. — Apenas certifique-se de que o café de amanhã venha tão quente quanto esta noite.
Erick sorriu na escuridão, puxando o corpo de Jorge para mais perto de si.
— O que você quiser, Jorge. Sempre o que você quiser.