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Ciúmes dos membros

O Peso do Arrependimento

O dormitório do BTS nunca pareceu tão vasto e, ao mesmo tempo, tão claustrofóbico. Após a saída de S/N da cafeteria, Jungkook sentiu como se o oxigênio tivesse sido drenado de seus pulmões. Ele dirigiu de volta para a HYBE no piloto automático, as mãos apertando o volante com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. A promessa de S/N de que "dependia dele" ecoava em sua mente como um ultimato, uma sentença que ele temia não ser capaz de cumprir.

Ao cruzar a porta da sala de ensaio, ele encontrou os seis membros sentados em círculo no chão de madeira. Não havia música, não havia risadas. Apenas o zumbido baixo do ar-condicionado e o peso da expectativa. Namjoon foi o primeiro a se levantar, cruzando os braços com uma expressão que misturava autoridade e compaixão.

— Você veio — disse o líder, sua voz ressoando no silêncio.

— Eu não tinha para onde ir — respondeu Jungkook, parando a alguns metros de distância, mantendo a cabeça baixa. — Eu estraguei tudo. De novo.

— Você não apenas estragou tudo com ela, Jungkook — Taehyung interveio, levantando-se também. Seus olhos, geralmente calorosos, estavam frios. — Você nos desrespeitou. Você olhou para nós, as pessoas que cuidaram de você desde os quinze anos, e viu rivais. Você viu algo sujo onde só existe carinho.

— Eu sei, Tae... eu sei — Jungkook soluçou, a primeira lágrima caindo no chão polido. — Eu não sei o que acontece comigo. Quando vejo ela rindo com vocês, sinto como se estivesse perdendo o meu lugar. Como se, a qualquer momento, ela fosse perceber que vocês são melhores, mais maduros... mais dignos dela.

Hoseok, que estava em silêncio até então, soltou um suspiro pesado e caminhou até o caçula, colocando uma mão firme em seu ombro.

— Jungkook-ah, o amor não é uma competição de talentos. Ela não está conosco porque somos "melhores". Ela está conosco porque somos sua família agora. Mas ela te ama de um jeito que nunca vai nos amar. Por que você não consegue ver isso?

— Porque eu sou um covarde — Jungkook confessou, a voz falhando. — Eu tenho tanto medo de ser abandonado que acabo empurrando ela para longe antes que ela possa me deixar.

— E você quase conseguiu — Jimin disse, aproximando-se. — Ela está na casa da prima. Ela precisa de espaço, mas você precisa de ajuda. Nós conversamos enquanto você não chegava.

Jungkook olhou para os hyungs, confuso.

— Ajuda?

— Sim — Namjoon tomou a palavra. — Você vai tirar alguns dias de licença das atividades não essenciais. O Bang PD já foi avisado de que você está passando por um momento pessoal difícil. Você vai começar a terapia de verdade, Jungkook. Não apenas uma sessão por mês para dizer que foi, mas um compromisso sério para tratar essa insegurança.

— E quanto a ela? — Jungkook perguntou, o desespero brilhando em seus olhos. — Eu não posso ficar longe dela. Eu vou enlouquecer.

— Você já está enlouquecendo, Kook — Yoongi disse, falando pela primeira vez do canto da sala, onde estava encostado na parede. — E está levando ela junto. Se você a ama, vai dar a ela o silêncio que ela pediu. Se você invadir o espaço dela agora, vai provar que nada mudou. Que você ainda é o ditador que ela descreveu.

A palavra "ditador" atingiu Jungkook como uma descarga elétrica. Ele se lembrou do rosto de S/N, banhado em lágrimas, chamando-o daquela forma. Ele se sentiu pequeno, mesquinho.

— O que eu faço agora? — ele perguntou, sentindo-se como a criança que estreou anos atrás, perdida e dependente.

— Agora, você vai para o seu quarto, vai tomar um banho e vai dormir — Jin ordenou, com o tom de irmão mais velho que não aceita discussões. — E amanhã, você vai acordar e vai começar a trabalhar no homem que quer ser. Não pelo BTS, não pelas fãs, mas por você. E talvez, se você tiver sorte, por ela.

Os dias que se seguiram foram os mais difíceis da vida de Jungkook. O dormitório parecia assombrado pela ausência de S/N. Cada vez que ele passava pela cozinha, esperava vê-la preparando um chá; cada vez que entrava no quarto, o cheiro do perfume dela nos travesseiros o torturava. Ele cumpriu a promessa: não ligou, não mandou mensagens, embora seu dedo pairasse sobre o nome dela no KakaoTalk dezenas de vezes por dia.

Ele começou as sessões de terapia. No início, foi doloroso. Admitir em voz alta que sentia ciúmes até da sombra de S/N era humilhante. Ele falou sobre sua infância, sobre a pressão de crescer sob os holofotes e sobre como o medo de falhar em sua carreira havia se transformado em um medo doentio de falhar em seus relacionamentos.

Uma semana se passou. No oitavo dia, Jungkook estava sentado no estúdio, tentando compor algo, quando seu celular vibrou. Seu coração deu um salto mortal.

S/N: "Podemos conversar? Estarei no parque perto do rio Han às 19h."

Jungkook chegou ao local com trinta minutos de antecedência. O vento de Seul estava gelado, mas ele não sentia. Ele só conseguia focar na figura que se aproximava, vestindo um casaco longo e um cachecol que escondia metade de seu rosto. Ela parecia cansada, mas havia uma clareza em seu olhar que ele não via há muito tempo.

— Oi — ela disse, parando a uma distância segura.

— Oi — ele respondeu, as mãos escondidas nos bolsos da jaqueta para esconder o tremor. — Obrigado por vir.

— Eu precisava de tempo, Jungkook. Para pensar se eu estava sentindo falta de você ou apenas falta da rotina que tínhamos.

O coração de Jungkook apertou.

— E o que você descobriu?

S/N olhou para as águas escuras do rio Han por um longo momento antes de voltar a encará-lo.

— Descobri que sinto falta de você. Do Jungkook que me faz rir, do Jungkook que se preocupa com as pequenas coisas. Mas eu não sinto falta do Jungkook que me vigia, que desconfia dos meus amigos e que me faz sentir culpada por ser quem eu sou.

— Eu estou mudando, S/N — ele disse, dando um passo cauteloso à frente. — Estou indo à terapia. Conversei com os hyungs... eu pedi desculpas a eles. Eu entendi que o problema nunca foi você, nem eles. O problema sou eu e esse buraco negro que eu tenho no peito.

— Fico feliz por você, Kook. De verdade — ela deu um sorriso triste. — Mas mudanças não acontecem em uma semana. Eu não quero voltar para o que tínhamos. Aquele relacionamento estava nos matando.

— Então o que você quer? — ele perguntou, a voz embargada. — Você quer terminar de vez?

— Eu quero recomeçar. Mas do zero. Sem cobranças, sem possessividade. Eu quero que você me conquiste de novo, mas dessa vez, sem as correntes. Eu quero poder sair com o Jimin ou com o Tae sem receber dez mensagens de texto perguntando onde eu estou. Você consegue fazer isso?

Jungkook sentiu uma onda de esperança, mas também o peso da responsabilidade. Ele sabia que um deslize, um único comentário maldoso ou um olhar de reprovação, e ela desapareceria para sempre.

— Eu vou tentar — ele disse com sinceridade. — Não posso prometer que nunca mais vou sentir ciúmes, porque isso seria mentira. Mas prometo que nunca mais vou deixar que o meu ciúme seja maior do que o meu respeito por você. Eu vou lutar contra isso todos os dias.

S/N deu um passo à frente, diminuindo o espaço entre eles. Ela estendeu a mão e tocou o rosto dele, sentindo a pele fria.

— É um começo — ela sussurrou.

Jungkook fechou os olhos, aproveitando o toque que tanto desejara. Ele não a puxou para um beijo desesperado, como teria feito antes. Em vez disso, ele cobriu a mão dela com a sua e apenas respirou, saboreando a paz daquele momento.

— Você quer... quer ir comer alguma coisa? — ele perguntou, timidamente. — Como amigos? Ou como duas pessoas que estão se conhecendo agora?

S/N soltou uma risadinha leve, a primeira que ele ouvia em dias.

— Como duas pessoas que estão tentando não estragar tudo.

— Eu gosto disso — Jungkook sorriu, um sorriso verdadeiro que alcançou seus olhos.

Enquanto caminhavam lado a lado pelo parque, Jungkook sentiu a tentação de entrelaçar seus dedos nos dela, mas se conteve. Ele estava aprendendo a apreciar o ritmo dela, o tempo dela. Ele olhou para o céu estrelado e fez uma promessa silenciosa a si mesmo: ele não seria mais o ditador de sua própria felicidade.

A briga havia deixado cicatrizes, sim. O vidro havia sido quebrado, e as marcas da cola ainda eram visíveis. Mas, enquanto caminhavam no frio de Seul, Jungkook percebeu que um vaso colado com cuidado pode ser mais forte do que um que nunca caiu. Ele ainda tinha um longo caminho pela frente, sessões de terapia para enfrentar e demônios para silenciar, mas, pela primeira vez, ele não estava correndo. Ele estava apenas caminhando, ao lado da mulher que o ensinou que o amor, para ser real, precisa ser livre.

— Kook? — ela chamou, tirando-o de seus pensamentos.

— Sim?

— O Jin me mandou uma mensagem hoje cedo. Ele disse que, se você se comportasse, eu poderia ir jantar no dormitório no domingo.

Jungkook riu, sentindo o calor retornar ao seu peito.

— Ele não perde uma oportunidade, não é?

— Não — ela sorriu, encostando o ombro no dele por um breve segundo. — E eu disse a ele que pensaria no assunto.

— Por favor, pense com carinho — ele pediu, os olhos brilhando. — Eu prometo que não vou reclamar se você chamar ele de "oppa".

S/N parou e o encarou, arqueando uma sobrancelha.

— Sério? Nem um pouquinho?

Jungkook fez uma careta cômica, lutando contra seus instintos.

— Talvez eu faça um biquinho no canto da sala, mas eu juro que vou ficar calado.

Ela gargalhou, um som que preencheu o vazio que ele sentia. E naquele momento, Jungkook soube: a batalha contra o ciúme seria constante, mas enquanto ele tivesse aquela risada para guiar seu caminho, ele nunca mais se perderia na escuridão. Eles tinham um novo capítulo começando, e desta vez, ele seria escrito com confiança, paciência e, acima de tudo, liberdade.