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Ciúmes dos membros

A Dança das Sombras e das Luzes

O apartamento de S/N estava mergulhado em uma penumbra suave, quebrada apenas pelo brilho azulado da TV em volume baixo. Jungkook estava sentado no sofá, as pernas inquietas balançando ritmicamente. No colo, ele segurava o celular com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. Ele não queria abrir o aplicativo. Ele havia prometido a Namjoon, a Yoongi e, principalmente, a S/N que pararia de buscar motivos para se torturar. Mas o silêncio daquela noite, enquanto ela estava em um jantar de encerramento de projeto com a equipe da Big Hit, era um solo fértil para suas paranoias.

— Só uma olhada — sussurrou para as paredes vazias.

Ele desbloqueou a tela. O feed do Instagram foi inundado por fotos marcadas. Lá estava ela. S/N sorrindo, segurando uma taça de champanhe, ladeada por Jimin e dois produtores juniores que Jungkook mal conhecia. Em uma das fotos, Jimin sussurrava algo no ouvido dela, e ela ria, jogando a cabeça para trás. O estômago de Jungkook deu um nó. A lógica dizia que Jimin era seu irmão, seu hyung, alguém que daria a vida por ele. Mas o ciúme não falava a língua da lógica; ele falava a língua da posse e do medo.

O som da chave girando na fechadura fez Jungkook pular. Ele jogou o celular no sofá como se o aparelho estivesse em brasas. S/N entrou, chutando os saltos altos para o lado com um suspiro de alívio. Ela parecia exausta, mas havia um brilho de satisfação em seus olhos.

— Finalmente em casa! — disse ela, caminhando em direção a ele com os braços abertos. — Você não imagina como foi cansativo, Kook. Meus pés estão me matando.

Jungkook não se levantou. Ele permaneceu sentado, o corpo rígido, os olhos fixos em um ponto qualquer na parede atrás dela. S/N parou a meio caminho, o sorriso vacilando. Ela conhecia aquela postura. Era a armadura que ele vestia antes de um ataque.

— O que foi agora, Jungkook? — perguntou ela, a voz carregada de um cansaço que ia além do físico.

— O jantar parece ter sido muito divertido — respondeu ele, a voz gélida. — Especialmente a parte em que o Jimin decidiu que o seu ouvido era o lugar mais interessante da sala.

S/N fechou os olhos por um segundo, respirando fundo para não explodir. Ela jogou a bolsa no balcão da cozinha e se virou para ele, cruzando os braços.

— Você estava monitorando as redes sociais de novo, não estava? — Ela deu um passo à frente, a voz subindo de tom. — Nós conversamos sobre isso, Jungkook! Você prometeu que ia parar de caçar fantasmas. O Jimin estava me contando uma piada sobre o Jin, pelo amor de Deus!

— Uma piada que exigia que ele ficasse a dois centímetros do seu rosto? — Jungkook se levantou, a altura dele subitamente parecendo opressora no espaço pequeno da sala. — Eu vejo como eles olham para você, S/N. Todos eles. E eu vejo como você dá liberdade. Você sorri, você toca no braço deles, você age como se não houvesse limites!

— Não existem limites entre amigos, Jungkook! — gritou ela, a paciência finalmente se esgotando. — Eles são sua família! Eles me protegem, eles me apoiam quando você está ocupado demais sendo um namorado ditatorial! Você acha que eu sou o quê? Um troféu que você guarda em uma caixa e só tira para olhar quando ninguém está por perto?

— Eu só quero ser a sua prioridade! — Ele deu um passo em direção a ela, os olhos brilhando com uma mistura de raiva e desespero. — Eu quero que, quando você estiver em uma sala cheia de gente, as pessoas saibam que você é minha. Que não há espaço para mais ninguém.

— Eu não sou sua propriedade! — S/N rebateu, o dedo apontado para o peito dele. — Eu estou com você porque eu quero, não porque eu te pertenço. E se você não consegue confiar em mim, ou nos seus próprios irmãos, então o que estamos fazendo aqui? Toda vez que eu saio, eu tenho que me preocupar se um sorriso meu vai causar uma guerra mundial quando eu voltar para casa. Eu estou exausta, Jungkook. Exausta de pisar em ovos!

— Talvez você devesse sair menos, então! — As palavras saíram da boca de Jungkook antes que ele pudesse filtrá-las. O silêncio que se seguiu foi cortante, pesado como chumbo.

S/N recuou, os olhos arregalados, a mágoa substituindo a raiva em um instante.

— O que você disse? — perguntou ela, a voz trêmula.

— Eu... eu não quis dizer isso — gaguejou Jungkook, percebendo o abismo que acabara de abrir. — S/N, eu só...

— Não, você quis dizer exatamente isso. — Uma lágrima solitária escorreu pelo rosto dela. — Você quer me isolar. Você quer que o meu mundo se reduza a você, para que você possa se sentir seguro. Mas isso não é amor, Jungkook. Isso é controle. E eu não vou viver em uma gaiola, por mais dourada que ela seja.

Ela se virou e caminhou em direção ao quarto, mas Jungkook a segurou pelo pulso. Não foi um toque agressivo, mas era desesperado.

— Me solta — disse ela, sem olhar para trás.

— Por favor, não vai — implorou ele, a voz quebrada. — Eu sinto muito. Eu sou um idiota, eu sei. É que dói aqui dentro, S/N. Eu olho para você e vejo o mundo inteiro, e tenho tanto medo de que você perceba que eu sou o elo mais fraco. Que qualquer um deles seria melhor para você do que eu.

S/N soltou o pulso com um puxão ríspido e se virou para encará-lo.

— Você realmente acha tão pouco de mim? — perguntou ela. — Você acha que eu sou tão superficial a ponto de te trocar pelo primeiro que me contar uma piada? O seu problema não é o Jimin, nem o Taehyung, nem o mundo. O seu problema é que você se odeia tanto que não consegue acreditar que alguém possa escolher você de verdade.

Jungkook baixou a cabeça, as lágrimas começando a cair livremente no chão de madeira. Ele parecia subitamente pequeno, despojado da aura de ídolo mundial, restando apenas um garoto assustado.

— Eu vou para a casa da minha irmã — disse S/N, pegando a bolsa novamente. — Eu preciso de espaço. E você precisa decidir se quer uma namorada ou uma prisioneira.

— S/N, por favor... está chovendo, está tarde — ele tentou argumentar, dando um passo em direção à porta para bloqueá-la.

— Sai da frente, Jungkook — ela disse, a voz fria como gelo. — Não me obrigue a sentir medo de você.

Aquelas palavras foram como um soco no estômago de Jungkook. Ele se afastou imediatamente, o rosto pálido. Medo. A última coisa que ele queria no mundo era que a mulher que ele amava sentisse medo dele. Ele encostou-se na parede, derrotado, enquanto ouvia o som da porta batendo. O eco do impacto pareceu ressoar em sua alma.

Ele desabou no chão, escondendo o rosto nas mãos. O silêncio do apartamento agora era ensurdecedor. Cada objeto ali lembrava ela: a caneca favorita na pia, o casaco jogado na poltrona, o cheiro de baunilha que ainda pairava no ar. Ele pegou o celular novamente, mas desta vez não foi para olhar as redes sociais. Ele discou o número de Namjoon.

— Hyung... — soluçou Jungkook assim que o líder atendeu. — Eu estraguei tudo. Ela foi embora.

Do outro lado da linha, Namjoon suspirou. Não era um suspiro de raiva, mas de alguém que já esperava por aquilo.

— Onde você está, Jungkook? — perguntou Namjoon com a voz calma.

— No apartamento dela. Eu disse coisas horríveis. Eu... eu agi como um monstro de novo.

— Escute bem — disse Namjoon —, você não é um monstro. Você é alguém que está doente de insegurança. Mas você não pode continuar arrastando a S/N para o seu inferno pessoal. Deixe-a respirar. Se você for atrás dela agora, só vai piorar as coisas. Venha para o dormitório. Vamos conversar.

Jungkook desligou o telefone, mas não se moveu. Ele ficou ali, sentado no escuro, por horas. Ele pensou em cada briga, em cada crise de ciúmes, em cada vez que S/N teve que reafirmar seu amor para acalmar os demônios dele. Ele percebeu que ela estava certa. Ele estava tentando possuí-la para preencher um vazio que só ele mesmo poderia fechar.

Na manhã seguinte, o sol nasceu preguiçoso sobre Seul, mas para Jungkook, o mundo ainda estava envolto em cinzas. Ele lavou o rosto, tentou organizar o apartamento dela como um pedido silencioso de desculpas e saiu. Antes de fechar a porta, ele deixou um bilhete em cima da mesa: "Eu vou me curar. Por mim, e se você ainda me quiser, por nós. Me desculpe por ser a sombra no seu brilho."

Ele passou os dias seguintes em um transe de trabalho e terapia. Namjoon o obrigara a procurar ajuda profissional de forma séria, e Yoongi o acompanhava em caminhadas noturnas onde falavam sobre tudo, menos sobre o grupo. Jungkook evitava as redes sociais. Ele evitava perguntar por S/N aos outros membros, embora soubesse que Jimin e Taehyung falavam com ela constantemente.

Uma semana depois, ele estava no estúdio da HYBE, tentando compor uma melodia que capturasse a dor da perda, quando a porta se abriu. Ele não se virou, achando que era um dos produtores.

— A melodia é triste demais, mesmo para os seus padrões — disse uma voz suave.

Jungkook congelou. Ele se virou lentamente, o coração martelando contra as costelas. S/N estava parada ali, usando um dos moletons dele que ela havia levado na noite da briga. Ela parecia ter dormido tão pouco quanto ele.

— S/N... — sussurrou ele, levantando-se da cadeira. — O que você está fazendo aqui?

— Eu vim ver se o bilhete era verdade — disse ela, dando alguns passos hesitantes para dentro da sala. — Eu falei com o Namjoon. Ele me disse que você está se esforçando.

— Eu estou tentando — disse Jungkook, mantendo uma distância respeitosa. — Eu descobri que o meu ciúme não tem nada a ver com você ou com os meninos. É sobre o meu medo de não ser bom o suficiente para nada disso. Eu sinto muito por ter projetado isso em você.

S/N suspirou, sentando-se no sofá de couro do estúdio.

— Eu senti sua falta, Jungkook. Muita falta. Mas eu não senti falta das brigas. Eu não senti falta de me sentir culpada por ser feliz com meus amigos.

— Eu sei — ele se aproximou e se ajoelhou no chão à frente dela, sem tocá-la. — Eu não espero que você volte para mim agora. Eu só queria que você soubesse que eu entendi. Eu não quero ser o seu dono. Eu quero ser o seu porto seguro. E eu sei que ainda não sou esse homem, mas eu vou ser.

S/N olhou para as mãos de Jungkook, que tremiam levemente. Ela viu a sinceridade nos olhos dele, a mesma vulnerabilidade que a fizera se apaixonar pelo "Golden Maknae" anos atrás.

— Vai ser um caminho longo, Kook — disse ela, esticando a mão para tocar o cabelo dele. — Eu não vou parar de sair com os meninos. Eu não vou parar de abraçar o Jimin ou de rir com o Tae. Você consegue lidar com isso?

Jungkook fechou os olhos, sentindo o toque dela. O "monstro" dentro dele tentou rosnar, mas ele o silenciou com a imagem da solidão da última semana.

— Eu vou aprender a lidar — prometeu ele. — Toda vez que eu sentir o ciúme queimar, eu vou me lembrar de como é o silêncio deste quarto sem você. E eu vou escolher você, em vez do meu medo.

S/N inclinou-se para frente e encostou a testa na dele.

— Então, vamos tentar de novo. Mas desta vez, sem gaiolas.

— Sem gaiolas — repetiu ele, finalmente envolvendo-a em um abraço.

Naquela noite, eles não voltaram para o apartamento. Eles caminharam pelas ruas de Seul, cobertos por bonés e máscaras, sendo apenas dois jovens comuns. Quando passaram por um telão gigante que exibia uma propaganda do BTS, Jungkook olhou para a imagem de si mesmo e depois para S/N.

— Sabe — disse ele, segurando a mão dela com firmeza —, as pessoas olham para aquele telão e acham que eu tenho tudo.

— E você não tem? — perguntou ela com um sorriso brincalhão.

Jungkook parou de caminhar e a puxou para perto, olhando-a nos olhos com uma intensidade que a fez perder o fôlego.

— Eu tenho o mundo no telão — disse ele —, mas eu só tenho a vida quando estou segurando a sua mão. E eu finalmente entendi que, para te ter de verdade, eu preciso te deixar livre para brilhar onde quer que você queira.

S/N o beijou ali mesmo, sob as luzes de neon de uma cidade que nunca dorme. A briga havia deixado cicatrizes, sim. O vidro havia sido quebrado e colado novamente. Mas, enquanto caminhavam de volta para casa, Jungkook percebeu que as rachaduras no vidro permitiam que a luz passasse de uma forma que ele nunca tinha visto antes. O ciúme ainda era uma sombra, mas agora, ele sabia exatamente como acender a luz.