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Máscaras, Mentiras e o Peso da Autoridade

O jato particular de Emanuel cortava os céus em direção a Tóquio, mas sua mente estava a milhares de quilômetros de distância, ancorada na mansão onde deixara suas duas maiores fraquezas. Ele odiava viajar a negócios, especialmente quando os negócios envolviam a expansão de seus estúdios na Ásia, o que o obrigava a ficar longe do controle direto sobre Eduarda e Sara. Para um homem que construiu sua vida sobre a precisão de cada traço de agulha e a logística impecável de seus empreendimentos, a distância era um vírus que alimentava sua paranoia.

Emanuel estava sentado na poltrona de couro cinza, revisando contratos no tablet, quando seu telefone pessoal vibrou sobre a mesa de carvalho. O nome "Sara" brilhou na tela. Um pressentimento sombrio percorreu sua espinha. Sara raramente ligava para dizer "saudades"; ela ligava para semear o caos ou para colher os frutos de uma discórdia que ela mesma plantara.

— O que foi agora, Sara? — Emanuel atendeu, sua voz grave e impaciente ecoando na cabine luxuosa e silenciosa.

— Nossa, que mau humor, querido — a voz de Sara veio carregada de um sarcasmo deleitoso. — O fuso horário já está te deixando ranzinza ou é só a falta dos meus carinhos?

— Vá direto ao ponto. Eu tenho uma reunião com investidores em trinta minutos.

— Ah, claro, o grande empresário... — Sara fez uma pausa dramática, e Emanuel pôde quase ouvi-la sorrindo do outro lado da linha. — Eu só liguei para saber se você deu permissão para a sua "bonequinha de porcelana" sair de casa parecendo uma profissional do entretenimento adulto.

Emanuel fechou os olhos, apertando a ponte do nariz.

— A Eduarda me pediu para ir a uma festa a fantasia de uma amiga da faculdade. Eu disse que tudo bem. É uma festa temática, Sara. Nada demais.

— "Nada demais", Emanuel? — Sara soltou uma risada ruidosa. — Eu acabei de vê-la sair daqui. A "festa temática" deve ser sobre a história da libertinagem, porque a fantasia dela consiste em três tiras de couro, uma máscara de gatinha que mal esconde o rosto e uma saia que, se ela espirrar, mostra o que ela jantou ontem. Ela está parecendo... bom, ela está parecendo eu, mas com aquela carinha de quem pede desculpas por existir. É um perigo, querido.

O sangue de Emanuel gelou para logo em seguida ferver. A imagem de Eduarda — sua doce, tímida e protegida Eduarda — saindo para uma festa cheia de universitários bêbados vestida de forma provocante acionou todos os seus gatilhos de posse.

— Onde ela está agora? — a voz dele baixou um tom, tornando-se perigosamente calma.

— No Uber, a caminho da festa. Ela estava toda saltitante, dizendo que queria "experimentar novas facetas da feminilidade". Eu achei que você soubesse... mas pelo visto, a santinha resolveu aproveitar que o gato viaja para os ratos fazerem strip-tease.

— Desliga, Sara. Agora.

Emanuel não esperou resposta. Ele discou o número de Eduarda imediatamente. O telefone chamou três vezes antes de ela atender. O barulho de música alta e vozes ao fundo já era audível, indicando que ela acabara de chegar ao local.

— Emanuel! — a voz de Eduarda veio aguda, com um toque de nervosismo que ela não conseguiu disfarçar. — Oi, meu amor! Como está a viagem?

— Eduarda, saia desse lugar agora — Emanuel não saudou, não perguntou como ela estava. Ele deu uma ordem direta, fria como o aço de suas agulhas.

Houve um silêncio do outro lado, apenas quebrado pela batida abafada do som da festa.

— O quê? Mas eu acabei de chegar, Emanuel... É a festa da Bia, eu te falei...

— Eu não me importo de quem é a festa — ele a interrompeu, a voz vibrando de uma fúria contida que fez a comissária de bordo, ao fundo, recuar dois passos. — Me conte sobre a sua fantasia. Agora.

Eduarda soltou um pequeno arquejo. Ela sabia. Sabia que Sara abrira a boca.

— É só uma fantasia de gatinha, Emanuel... É fofa, eu juro! É que o tema é "Heróis e Vilões", e eu... eu quis ir de Mulher-Gato. Mas é uma versão artística!

— Artística? — Emanuel soltou uma risada seca e sem humor. — A Sara me descreveu a sua "arte", Eduarda. Ela me disse que você está vestida como alguém que quer ser devorada por cada homem naquele lugar. Você me pediu permissão para ir a uma festa, não para se exibir como um troféu para estranhos enquanto eu estou do outro lado do mundo.

— Não é assim! — Eduarda começou a chorar, sua voz tornando-se manhosa e embargada. — Você está sendo injusto! Você deixa a Sara usar coisas muito piores o tempo todo! Eu só queria me sentir poderosa por uma noite... eu sinto que você sempre me vê como uma criancinha!

— E você está agindo como uma criancinha agora, fazendo birra — Emanuel rebateu, implacável. — Escute bem, porque eu não vou repetir. Você vai chamar um carro e vai voltar para casa neste exato segundo. Se eu descobrir que você ficou nesse lugar mais cinco minutos, o castigo que eu vou te dar quando eu voltar vai ser astronômico. Você não vai conseguir sentar por uma semana, e eu vou trancar você naquele quarto até você esquecer como se soletra a palavra "festa". Você entendeu?

— Você é um monstro! — ela soluçou, o choro tornando-se mais pesado. — Eu odeio quando você fica assim sombrio! Eu só queria me divertir... por favor, Emanuel, deixa eu ficar só um pouquinho? Eu prometo que não falo com ninguém!

— Não me peça "por favor" enquanto está vestida dessa forma em um lugar público, Eduarda. Isso só me deixa com mais raiva — ele disse, e o tom de sua voz era tão sombrio que Eduarda sentiu um calafrio de excitação misturado ao medo. — Vá para casa. Agora. Eu vou monitorar o seu GPS. Se você não estiver dentro da mansão em vinte minutos, as consequências serão permanentes.

Emanuel desligou o telefone sem esperar pelo adeus. Ele se recostou na poltrona, o peito subindo e descendo com força. Ele chamou a comissária.

— Cancele a minha agenda em Tóquio para amanhã — ordenou ele. — Mande o piloto preparar o retorno assim que aterrissarmos para reabastecer. Eu vou voltar para casa.

Vinte minutos depois, o celular de Emanuel apitou. O ponto de Eduarda estava de volta à mansão. Ele discou para o vídeo-chamada da casa. A tela brilhou e mostrou Eduarda sentada na cama do casal, ainda usando a máscara de couro preta com orelhas pontudas, as bochechas manchadas de rímel e lágrimas. O biquíni de couro por baixo da máscara era, de fato, ultrajante.

— Eu cheguei — ela disse, a voz pequena, abraçando os próprios joelhos. — Você está feliz agora? Você estragou a minha noite.

Emanuel observou-a através da tela. A visão dela naquela fantasia, vulnerável e chorosa, despertou nele uma mistura possessiva de fúria e desejo que ele mal conseguia conter.

— Tire a máscara, Eduarda — ele comandou.

Ela obedeceu, revelando o rosto doce e os olhos expressivos, vermelhos de tanto chorar. Ela parecia uma boneca quebrada.

— Você não tem ideia do que eu vou fazer com você quando eu chegar — ele disse, sua voz agora baixa, carregada de uma promessa perigosa. — Você acha que o castigo é só eu te proibir de sair? Não. Eu vou te mostrar exatamente o que acontece com gatinhas que tentam fugir do dono. Você vai ficar nesse quarto, exatamente como você está agora, me esperando. Não ouse se cobrir. Não ouse dormir.

— Emanuel, por favor... — ela choramingou, fazendo manha, esfregando o rosto no travesseiro dele. — Eu estou com frio... e eu estou com medo de você. Você está falando de um jeito estranho.

— Você deveria estar com medo — ele respondeu, o olhar fixo nela. — Você quis brincar de ser provocante, agora vai lidar com o homem que você provocou. Eu estou voltando, Eduarda. E eu não vou ser gentil.

Do outro lado da porta do quarto, Sara ouvia tudo, encostada na parede com um sorriso vitorioso. Ela sabia que, para Emanuel, a desobediência de Eduarda era o combustível para uma chama que ele normalmente tentava abafar com proteção.

— Coitadinha da santinha — Sara sussurrou para si mesma, ajeitando o cabelo loiro. — Mal sabe ela que o "castigo astronômico" do Emanuel é a única coisa que realmente a faz sentir viva.

Dentro do quarto, Eduarda soluçava, mas havia uma parte dela, escondida sob a timidez e a manha, que ansiava pela chegada do seu mestre sombrio. Ela sabia que Emanuel a amava com uma intensidade que beirava a loucura, e que aquela noite, marcada pela rebeldia e pelo ciúme, terminaria em uma entrega que nenhuma festa a fantasia jamais poderia proporcionar.

Emanuel, no jato, olhava para as nuvens escuras lá fora, sentindo o peso do controle que ele tanto prezava. Ele era o mestre das agulhas, o dono do império, mas ali, naquele momento, ele era apenas um homem possessivo correndo de volta para reivindicar o que era seu por direito, com a promessa de que, após aquela noite, Eduarda nunca mais pensaria em usar uma máscara que não fosse para ele.