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O Labirinto de Vidro e a Rebeldia da Seda

O silêncio na mansão após o fim da chamada de vídeo era sufocante. Eduarda permanecia sentada na beira da cama, os dedos trêmulos ainda segurando a máscara de couro que Emanuel a obrigara a tirar. O rosto dela estava quente, uma mistura de humilhação e uma raiva surda que começava a borbulhar sob sua superfície habitualmente plácida. Pela primeira vez em dois anos de relacionamento, a proteção dele não parecia um abraço, mas uma algema.

— Ele não pode fazer isso — sussurrou ela para as paredes vazias do quarto. — Ele não está aqui.

— Mas ele age como se estivesse, não é? — A voz de Sara veio da porta, carregada de um deboche açucarado.

Sara estava encostada no batente, observando a cena com um prazer mal disfarçado. Ela ainda segurava uma taça de vinho, e o brilho em seus olhos loiros era de pura antecipação.

— Ele te colocou de castigo antes mesmo de pousar o avião — continuou Sara, entrando no quarto com passadas lentas e predatórias. — Que fofo. A gatinha foi colocada na gaiola e agora vai ficar aqui, chorando e esperando o dono chegar para levar umas palmadas.

Eduarda levantou os olhos, e o que Sara viu não foi a habitual submissão. Havia um brilho metálico nas pupilas da estudante de arte.

— Você contou para ele — disse Eduarda, a voz firme apesar do rastro de lágrimas. — Você ligou para ele só para estragar a minha noite.

— Eu liguei para protegê-lo de ser feito de bobo, querida — Sara deu um gole no vinho, dando de ombros. — Você não tem estrutura para esse tipo de roupa, Duda. Você é... delicada demais. Vai acabar se machucando ou, pior, manchando a reputação de homem sério do Emanuel.

Eduarda levantou-se lentamente. O biquíni de couro e as tiras que envolviam suas coxas pareciam subitamente mais pesados, mas não de um jeito ruim. Ela caminhou até o espelho de corpo inteiro e encarou a própria imagem. A Mulher-Gato que olhava de volta não parecia a menina tímida da faculdade de História da Arte. Parecia alguém que poderia arranhar.

— Ele disse que se eu ficasse na festa, as consequências seriam permanentes — murmurou Eduarda, mais para si mesma do que para Sara.

— E elas serão — Sara riu, aproximando-se e ajeitando uma das tiras no ombro de Eduarda com uma agressividade fingida de carinho. — Ele vai te quebrar no meio, Duda. Ele vai tirar cada grama dessa sua rebeldia com aquela frieza que só ele tem. Você tem medo dele, eu sei que tem.

Eduarda fechou os olhos por um segundo. Sim, ela tinha medo. Mas havia algo mais forte crescendo em seu peito: a necessidade de ser vista como uma mulher adulta, capaz de tomar suas próprias decisões, mesmo que fossem decisões perigosas. Ela se lembrou das palavras de Emanuel no avião, da forma possessiva e autoritária como ele a tratara, como se ela fosse um objeto de sua coleção particular de arte.

— Ele está a horas de distância — disse Eduarda, abrindo os olhos e encarando Sara pelo reflexo. — Ele cancelou a agenda, mas o voo de volta leva tempo.

Sara arqueou uma sobrancelha, o interesse despertado.

— E o que você sugere, santinha? Que vá dormir para estar descansada para o seu carrasco?

— Eu vou voltar para a festa — afirmou Eduarda.

O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo som da taça de Sara batendo na mesa de cabeceira.

— Você o quê? — Sara soltou uma gargalhada genuína. — Você enlouqueceu? Ele está monitorando o seu GPS, sua tonta! Ele vai ver você saindo no mapa antes mesmo de você chegar ao portão.

Eduarda deu um sorriso pequeno e enigmático, o tipo de sorriso que ela costumava reservar para quando descobria um detalhe oculto em uma pintura renascentista.

— Ele está monitorando o meu celular, Sara. Não a mim.

Eduarda caminhou até a bolsa, pegou o aparelho e o estendeu para a loira.

— Fique com ele. Se ele ligar, não atenda. Se ele mandar mensagem, deixe no vácuo. Se ele checar a localização, vai ver que o celular não saiu do meu quarto.

Sara pegou o telefone, olhando para o aparelho como se fosse uma granada sem pino. Pela primeira vez, ela sentiu uma ponta de respeito pela audácia da rival.

— Você vai se ferrar tanto, Duda... — Sara sussurrou, mas havia um brilho de excitação em seu rosto. — Ele vai descobrir. Ele sempre descobre.

— Então que ele descubra quando eu já tiver me divertido — Eduarda pegou a máscara de gatinha e a colocou de volta, ajustando os elásticos com determinação. — Você quer o caos, Sara? Pois aqui está ele.

— Eu adoro um bom desastre — Sara sentou-se na cama de Emanuel, cruzando as pernas e desbloqueando o próprio celular. — Vá. Eu vou ficar aqui curtindo o show de longe. Mas não diga que eu não avisei: o Emanuel furioso não é um homem de perdoar fácil.

Eduarda não respondeu. Ela pegou uma capa de seda preta para cobrir o corpo até chegar ao portão, calçou seus saltos mais altos e saiu do quarto sem olhar para trás.

A festa da faculdade estava no auge quando Eduarda entrou novamente no galpão industrial alugado. O cheiro de cerveja, fumaça e suor era inebriante. A música eletrônica pulsava no chão, fazendo seu coração vibrar em sincronia. Ela tirou a capa na chapelaria, revelando o traje de couro que esculpia suas curvas de forma agressiva e elegante.

— Duda! Você voltou! — Bia, sua amiga, apareceu fantasiada de Mulher-Maravilha, segurando um copo de plástico vermelho. — O que aconteceu? Você saiu correndo como se o mundo fosse acabar!

— O mundo pode esperar — disse Eduarda, pegando o copo da mão da amiga e virando o líquido de uma vez. Era uma mistura forte de vodka e energético que queimou sua garganta, mas lhe deu a coragem de que precisava. — Eu só precisei resolver um problema de... autoridade.

— Uau — Bia a olhou de cima a baixo. — Você está incrível. Tem um cara ali no bar, fantasiado de Batman, que não parou de perguntar por você desde que você saiu.

Eduarda olhou para a direção indicada. O rapaz era alto, jovem e tinha um sorriso confiante. Em qualquer outra noite, ela teria desviado o olhar, envergonhada. Mas hoje, a adrenalina da desobediência corria em suas veias.

— Deixe que ele pergunte — disse Eduarda, caminhando em direção à pista de dança.

Ela começou a dançar. No início, seus movimentos eram contidos, mas à medida que a música a envolvia, ela se soltou. Ela fechou os olhos e imaginou Emanuel assistindo, imaginou a fúria dele se transformando em impotência por não poder alcançá-la naquele momento. Cada movimento de seu quadril era um protesto; cada vez que suas mãos subiam pelo próprio corpo, era um lembrete de que ela pertencia a si mesma antes de pertencer a ele.

Enquanto isso, a trinta mil pés de altitude, Emanuel não conseguia pregar o olho. Ele olhava fixamente para o monitor do seu laptop, onde o ponto vermelho do GPS de Eduarda permanecia estático na mansão.

— Algo está errado — murmurou ele para o vazio da cabine.

Ele conhecia Eduarda. Ela era manhosa, era doce, mas quando era pressionada, ela tendia a se retrair ou a chorar. O fato de ela não ter enviado uma única mensagem de desculpas, nenhum "por favor, me perdoa", era um sinal de alerta maior do que qualquer movimento no mapa.

Ele pegou o telefone e discou para Sara.

— O que ela está fazendo? — Emanuel perguntou assim que ela atendeu, sem preâmbulos.

— Quem? A santinha? — Sara bocejou de forma audível. — Está no quarto, eu acho. A porta está trancada. Ela deve estar chorando até dormir, coitada. Você foi bem duro com ela, Emanuel.

— Vá até lá. Bata na porta. Eu quero falar com ela agora.

— Ah, não, querido... eu já estou deitada. Deixe a menina em paz. Amanhã você resolve isso pessoalmente.

— Sara — a voz de Emanuel subiu um tom, carregada de uma autoridade que não admitia réplicas —, vá até o quarto dela agora ou eu juro que o seu próximo cartão de crédito vai ser um pedaço de plástico derretido.

Do outro lado, Sara bufou, levantando-se da cama com um sorriso de satisfação. Ela caminhou até o quarto de Eduarda e girou a maçaneta. Estava trancada, como Eduarda fizera por segurança.

— Está trancada, Emanuel. E eu não vou arrombar a porta.

— Use a chave mestra que fica no meu escritório. Agora!

Sara obedeceu, sentindo o coração acelerar. Ela adorava o perigo. Ela pegou a chave, voltou ao corredor e abriu a porta. O quarto estava na penumbra, iluminado apenas pela luz do corredor.

— Duda? — Sara chamou, fingindo preocupação.

Ela caminhou até a cama. Debaixo do edredom, havia uma pilha de travesseiros arrumados para simular um corpo. Sara puxou a coberta e soltou uma gargalhada que ecoou pelo telefone de Emanuel.

— Emanuel... você não vai acreditar.

— O que foi? — O tom dele era de puro gelo.

— Sua gatinha fugiu da gaiola. Ela deixou o celular aqui em cima da cama e foi embora. Os travesseiros estão dormindo no lugar dela.

Houve um silêncio mortal na linha. Sara podia quase ouvir as engrenagens da mente de Emanuel girando, a fúria se transformando em algo frio, calculado e absoluto.

— Ela voltou para a festa — disse ele, a voz tão baixa que era quase um sussurro.

— Parece que a sua "bonequinha" tem garras, afinal — provocou Sara. — O que você vai fazer, patrão?

— Avise aos seguranças da mansão para prepararem o carro — Emanuel ordenou. — Eu vou pousar em duas horas. E diga a eles para descobrirem exatamente onde é essa festa. Se um único homem tocar nela antes de eu chegar... eu vou queimar aquele lugar com todos dentro.

Na festa, Eduarda sentia-se invencível. O rapaz fantasiado de Batman, cujo nome era Ricardo, havia se aproximado. Eles estavam conversando perto de uma das colunas de som. Ele era gentil, engraçado e, claramente, estava interessado.

— Você parece uma pessoa que gosta de correr riscos — disse Ricardo, aproximando-se para ser ouvido acima da música.

— Mais do que você imagina — respondeu Eduarda, sentindo o efeito do álcool deixá-la leve. — Eu passei muito tempo sendo a "garota comportada". Hoje eu só quero ser eu mesma.

— E quem é você, Mulher-Gato?

Eduarda olhou para ele, e por um momento, a imagem de Emanuel surgiu em sua mente. O rosto sério, as mãos fortes que a seguravam com tanta posse, o cheiro de tinta de tatuagem e perfume caro. Comparado a Emanuel, Ricardo era apenas um menino brincando de herói. Mas era um menino que não a controlava.

— Eu sou alguém que está prestes a entrar em muitos problemas — ela sorriu, desafiadora.

— Problemas podem ser divertidos — Ricardo levou a mão à cintura dela, puxando-a para mais perto.

Eduarda não o afastou. Ela queria sentir algo diferente. Queria provar para si mesma que o mundo não acabaria se outro homem a tocasse. Mas, no momento em que a mão de Ricardo encostou no couro de sua fantasia, uma sensação estranha de repulsa a atingiu. Não era o que ela queria. Ela queria a rebeldia, mas seu corpo, traidor, ainda clamava pelo toque firme e proprietário de Emanuel.

Ela se afastou gentilmente.

— Eu preciso de um ar — disse ela, sentindo o galpão ficar pequeno demais.

Eduarda caminhou em direção à saída de emergência que dava para um beco lateral. O ar frio da noite bateu em seu rosto, trazendo um pouco de clareza. Ela olhou para as estrelas, sentindo a adrenalina começar a baixar e o medo começar a ocupar o espaço vazio.

— O que eu fiz? — sussurrou, encostando-se na parede de tijolos.

— Você fez exatamente o que eu esperava que fizesse, Eduarda.

A voz veio das sombras do beco, fria e cortante como uma navalha. Eduarda congelou. O som dos passos sobre o asfalto úmido era lento, deliberado.

Emanuel emergiu da escuridão. Ele ainda usava o terno da viagem, mas a gravata estava solta e a camisa levemente desabotoada no pescoço. Seus olhos não brilhavam de raiva; eles eram opacos, sem emoção, o que era infinitamente mais aterrorizante.

— Emanuel... — o nome dela saiu como um suspiro de pavor. — Como... como você chegou aqui tão rápido?

— Eu não fui para Tóquio, Eduarda — disse ele, parando a poucos centímetros dela, sua presença esmagando qualquer resquício de coragem que ela tivera. — Eu tive um mau pressentimento antes mesmo de decolar. Fiz o piloto dar meia-volta no meio do caminho. Eu estava no aeroporto privado quando a Sara me ligou.

Ele estendeu a mão e tocou a máscara de couro no rosto dela. Seus dedos eram gélidos.

— Você mentiu para mim. Você usou a Sara para me enganar. Você desobedeceu uma ordem direta e veio para este lugar, vestida assim, para se oferecer ao olhar de qualquer um.

— Eu não me ofereci para ninguém! — ela tentou dizer, mas a voz falhou.

— Eu vi você com aquele sujeito lá dentro — Emanuel continuou, a voz subindo de tom pela primeira vez, revelando a fúria que fervia por baixo da superfície. — Eu vi ele tocar em você. Eu vi você sorrir para ele.

Ele a prensou contra a parede, suas mãos prendendo os pulsos dela acima da cabeça. O corpo dele era uma muralha de calor e fúria.

— Você achou que era livre, Duda? Achou que podia brincar de ser rebelde e que eu ia ficar assistindo?

— Você me sufoca, Emanuel! — ela gritou, as lágrimas voltando a cair. — Você me trata como se eu fosse sua propriedade, não sua namorada!

— Porque você É minha propriedade — ele rugiu, o rosto a milímetros do dela. — Eu te dei tudo. Eu te protegi do mundo. Eu te ensinei o que é prazer. E você me retribui com traição?

— Não foi traição! Foi... foi um grito de liberdade!

— Pois o seu grito vai ser abafado agora — Emanuel a soltou bruscamente e apontou para o carro preto que aguardava no fim do beco, com dois seguranças de braços cruzados ao lado. — Entre no carro. Agora.

— Não! Eu não vou!

Emanuel não discutiu. Ele a pegou pelo meio do corpo, jogando-a sobre o ombro como se ela fosse um fardo de seda e couro. Eduarda bateu em suas costas, gritou e esperneou, mas ele não vacilou. Ele a jogou no banco de trás do carro e entrou logo em seguida, trancando as portas.

O trajeto de volta para a mansão foi um pesadelo de silêncio. Emanuel não olhou para ela uma única vez. Ele apenas olhava para a frente, as mãos cerradas em punhos sobre os joelhos.

Quando chegaram, ele a arrastou para dentro. Sara estava na sala, esperando com um sorriso de "eu te avisei".

— Ora, ora... a gatinha voltou com o rabo entre as pernas — provocou Sara.

— Quarto. Agora — Emanuel ordenou para Sara.

— Mas eu quero ver o...

— AGORA, SARA! — O grito dele fez a loira pular de susto. Ela percebeu que, desta vez, a brincadeira tinha ido longe demais. Ela subiu as escadas sem dizer mais nada.

Emanuel voltou-se para Eduarda. Ele a levou para o escritório, não para o quarto. O escritório era o lugar onde ele tomava as decisões difíceis, onde ele exercia seu poder.

Ele trancou a porta e sentou-se em sua cadeira de couro, apontando para o centro da sala.

— Tire essa fantasia — disse ele.

— O quê? — Eduarda soluçou.

— Você ouviu. Cada peça. Cada tira de couro que você achou que te dava o direito de me desafiar. Tire tudo e fique aí, no meio da sala, para que eu possa ver exatamente o que você tentou vender para aqueles idiotas na festa.

Eduarda chorava convulsivamente agora. Ela começou a desamarrar as tiras, as mãos tremendo tanto que ela mal conseguia soltar os nós. Uma a uma, as peças caíram no chão. O frio do ar-condicionado batia em sua pele nua, mas o calor do olhar de Emanuel era o que realmente a queimava.

Quando ela terminou, estava completamente nua, parada sobre o tapete persa, os ombros caídos e o rosto escondido pelos cabelos castanhos.

Emanuel levantou-se e caminhou até ela. Ele circulou seu corpo lentamente, como um comprador avaliando uma estátua.

— Você é linda, Eduarda. E você é minha. Mas você quebrou a regra principal: você quebrou a minha confiança.

Ele parou na frente dela e levantou seu queixo.

— Você queria ser tratada como mulher, não como criança? Pois bem. A partir de amanhã, você não vai à faculdade. Você não vai a lugar nenhum sem um dos meus seguranças ao seu lado. Seus cartões estão cancelados. Seu celular será confiscado permanentemente.

— Você não pode fazer isso... — ela sussurrou.

— Eu posso fazer o que eu quiser com o que me pertence — ele rebateu. — E quanto a hoje... você vai passar o resto da noite aqui, neste escritório. Eu vou trabalhar, e você vai ficar exatamente assim, nua e em silêncio, aos meus pés. Para se lembrar de que, não importa para onde você fuja, o seu lugar é aqui, sob a minha sombra.

Eduarda caiu de joelhos, abraçando as pernas dele, soluçando e pedindo perdão. Era a sua natureza manhosa voltando, a necessidade de proteção vencendo o desejo de liberdade.

— Por favor, Emanuel... me perdoa... eu não queria...

Emanuel passou a mão pelo cabelo dela, um gesto que era ao mesmo tempo um carinho e uma afirmação de posse.

— Eu te perdoo, Duda. Mas eu nunca esqueço.

No andar de cima, Sara ouvia o choro baixo vindo do escritório e sentia uma pontada de inveja. Ela sabia que, por trás daquela punição severa, havia uma obsessão que ela nunca conseguiria despertar em Emanuel. Ele amava Eduarda com uma fúria que exigia total submissão, e Eduarda, em sua fragilidade, era a única capaz de suportar o peso daquele amor sombrio.

A noite continuou longa e silenciosa. Emanuel trabalhava em seus esboços, o som da caneta no papel sendo a única música, enquanto Eduarda permanecia aos seus pés, uma obra de arte viva, marcada não por tinta, mas pelo domínio absoluto do homem que a possuía. A rebeldia da seda havia sido esmagada pelo peso do chumbo, e no labirinto de vidro daquela mansão, a ordem fora finalmente restaurada.