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Fome de Pele e o Eco do Desejo
O silêncio na cobertura de Emanuel era uma mercadoria rara e cara, muito mais do que os diamantes que ele costumava dar às suas mulheres. Naquela tarde de terça-feira, o ar estava carregado com o cheiro de café fresco e o aroma adocicado dos produtos de bebê, mas, por baixo dessa domesticidade forçada, corria uma corrente elétrica de frustração.
Emanuel estava sentado em seu escritório, tentando se concentrar no design de uma manga completa para um cliente de Hong Kong. No entanto, seus olhos não focavam no papel. Eles vagavam para a porta entreaberta, ouvindo os sons que vinham do corredor. A voz de Sara ecoava da sala, discutindo ao telefone com algum organizador de eventos sobre o primeiro aniversário de Valentina, exigindo que as flores fossem importadas e que o buffet fosse impecável.
Mas não era a voz de Sara que fazia o sangue de Emanuel ferver. Era o silêncio de Eduarda.
Ele estava com fome. Uma fome visceral, física, que não era aplacada por jantares caros ou pelo sucesso de seus estúdios. Ele sentia falta de Eduarda. Não da Eduarda mãe, que passava o dia com o cabelo preso em um coque frouxo e manchas de leite no ombro, mas da Eduarda que ele conheceu naquela noite fatídica. A menina manhosa, de pele macia e gemidos baixos, que se entregava a ele com uma devoção que beirava o sagrado.
Desde que Arthur nascera, os momentos de intimidade haviam se tornado raros e, quando aconteciam, eram interrompidos. Arthur parecia ter um radar para o desejo dos pais. Sempre que Emanuel puxava Eduarda para perto, sempre que suas mãos tatuadas começavam a explorar as curvas agora mais generosas da esposa, o choro do "pequeno trovão" rompia o clima.
Emanuel largou a caneta digital e levantou-se. Ele precisava dela. Agora.
Caminhou pelo corredor e encontrou Eduarda saindo do quarto do bebê. Ela usava um vestido de seda leve, de um azul pálido que realçava sua pele clara. Ao ver o marido, ela sorriu, aquele sorriso doce e tímido que ainda fazia o coração de Emanuel dar um solavanco.
— Ele finalmente dormiu, Manu — ela sussurrou, aproximando-se e colocando as mãos no peito dele. — Acho que teremos uns trinta minutos de paz antes que a Sara decida que precisamos discutir o cardápio da festa de novo.
Emanuel não disse nada. Ele apenas a envolveu pela cintura, puxando-a para o seu corpo com uma força que a fez soltar um pequeno suspiro de surpresa.
— Eu não quero saber da Sara — ele disse, a voz rouca, vibrando contra o topo da cabeça dela. — E eu não quero saber de cardápios. Eu quero você, Duda.
Ele enterrou o rosto no pescoço dela, aspirando o perfume de lavanda e o cheiro natural da pele dela. Seus lábios encontraram o ponto sensível logo abaixo da orelha, e Eduarda estremeceu, suas mãos apertando o tecido da camiseta dele.
— Manu... aqui? — ela perguntou, a voz falhando. — A Sara está na sala... o Arthur pode acordar...
— Eu não me importo — ele rosnou, as mãos descendo pelas costas dela, apertando suas nádegas e pressionando-a contra o volume evidente em sua calça. — Estou há semanas querendo te sentir. De verdade. Sem interrupções, sem pressa.
Ele a beijou com uma urgência predatória. Não era um beijo de carinho; era um beijo de posse, de necessidade acumulada. Eduarda correspondeu, sua timidez derretendo sob o calor de Emanuel. Ela sentia falta daquilo também. Sentia falta de ser apenas a mulher dele, e não apenas a cuidadora de um bebê exigente.
Emanuel começou a andar, empurrando-a contra a parede lateral do corredor, longe da vista da sala, mas ainda perigosamente perto do perigo de serem descobertos. Ele a prensou contra o papel de parede texturizado e caro, suas mãos subindo para levantar a saia do vestido dela.
— Emanuel, alguém pode ver... — ela tentou protestar, mas o protesto morreu quando ele mordeu seu lábio inferior.
— Deixe que vejam — ele murmurou entre os beijos. — Deixe que a Sara saiba que você é minha. Que eu não consigo parar de pensar em como você fica quando eu estou dentro de você.
Suas mãos encontraram a calcinha de renda dela e a rasgaram sem hesitação. O som do tecido se partindo pareceu um gatilho para ambos. Eduarda soltou um gemido abafado, envolvendo o pescoço de Emanuel com os braços, as pernas trêmulas.
Nesse exato momento, um choro agudo e potente vindo do quarto ao lado cortou o ar.
Arthur acordara. E ele não estava feliz.
Eduarda congelou. O instinto materno, sempre alerta, disparou em seu peito. Ela tentou se afastar, os olhos arregalados de preocupação.
— Manu, o Arthur... ele acordou. Eu preciso ir...
Emanuel, no entanto, não a soltou. Pelo contrário, sua pegada tornou-se ainda mais firme. A impaciência que ele vinha acumulando explodiu.
— Não — ele disse, a voz firme, quase um comando. — Ele está seguro. Ele está no berço. A babá ou a Sara podem olhar se for urgente. Mas agora, você é minha.
— Mas ele está chorando, Emanuel! — Eduarda disse, as lágrimas de frustração e preocupação começando a surgir. — Eu sinto que ele precisa de mim...
— Eu também preciso de você, Eduarda — ele retrucou, olhando-a fixamente nos olhos. — Eu estou morrendo de fome de você. Você não vai a lugar nenhum.
Ele a ergueu do chão com uma facilidade impressionante. Eduarda, por instinto, entrelaçou uma das pernas em volta da cintura dele para não cair, enquanto a outra permanecia esticada, buscando apoio na parede. Emanuel abriu o próprio cinto com uma das mãos, sem nunca desviar o olhar do dela.
— Emanuel, por favor... — ela implorou, mas não era mais um pedido para parar. Era um pedido por alívio.
O choro de Arthur aumentou de volume, ecoando pelo corredor. Era um som que normalmente faria Eduarda correr, mas Emanuel a mantinha presa ali, entre seu corpo e a parede fria. Ele entrou nela com um impulso único e profundo, preenchendo-a de uma forma que a fez arquear as costas e soltar um grito que foi abafado pela boca dele.
— Você é minha — ele repetiu contra os lábios dela, começando um movimento rítmico e forte. — Só minha.
Eduarda fechou os olhos. O som do choro do filho ainda estava lá, uma pontada de culpa em seu coração de mãe, mas a sensação de Emanuel dentro dela era avassaladora. O contraste entre a frieza da parede em suas costas e o calor escaldante dele era demais para suportar. Ela apertou os ombros tatuados dele, suas unhas cravando-se na pele firme.
— Não para... — ela sussurrou, rendendo-se. — Por favor, Manu, não para.
Emanuel não parou. Ele a fodia com uma intensidade que beirava o desespero, cada estocada ecoando o desejo acumulado de meses de noites mal dormidas e atenções divididas. Ele queria marcar Eduarda, queria que ela sentisse que, apesar de todo o caos daquela casa, apesar da presença constante e barulhenta de Sara e da autoridade silenciosa de Valentina, ela era o seu centro.
No corredor, a luz era suave, mas a cena era crua. O tatuador rico e poderoso, que controlava um império, estava ali, reduzido aos seus instintos mais básicos, possuindo a mulher que trouxera paz ao seu caos sob o som do protesto do próprio herdeiro.
— Emanuel! O que está acontecendo aí? O Arthur está berrando! — a voz de Sara veio da sala, aproximando-se.
Eduarda entrou em pânico, o corpo tencionando.
— Ela está vindo... Manu, ela vai nos ver!
— Deixe que venha — ele respondeu, sem diminuir o ritmo, sua respiração pesada e sonora. — Deixe que ela veja quem eu realmente desejo.
Sara apareceu na curva do corredor, parando bruscamente. Ela segurava Valentina no colo, e a visão que encontrou a fez perder a cor. Emanuel estava de costas para ela, mas a posição de Eduarda, com a perna erguida e o rosto transfigurado de prazer e medo, não deixava dúvidas sobre o que estava acontecendo.
— Mas que porra é essa? — Sara sibilou, a voz tremendo de fúria. — No corredor? Com o filho de vocês chorando a dois metros de distância? Vocês enlouqueceram?
Emanuel virou o rosto levemente, apenas o suficiente para que Sara visse o brilho frio e possessivo em seus olhos.
— Vá cuidar do Arthur, Sara — ele ordenou, a voz cortante como uma lâmina. — Ou chame a babá. Agora não é o momento.
— Você está me mandando cuidar do filho dela enquanto você a fode na parede? — Sara gritou, a voz subindo de tom, fazendo Valentina começar a chorar também. — Eu não sou sua empregada, Emanuel!
— Você é o que eu disser que você é nesta casa — ele respondeu, voltando sua atenção total para Eduarda, que estava escondendo o rosto no pescoço dele, morta de vergonha, mas incapaz de se soltar do prazer que ele a proporcionava.
Sara soltou uma risada histérica, as lágrimas de raiva borrando sua maquiagem cara.
— Você é um monstro, Emanuel. E você, Eduarda... você é uma vadiazinha disfarçada de santa. Aproveitem o show!
Ela deu meia-volta, batendo os saltos com força no chão, e entrou no quarto de Arthur. O som da porta batendo foi seguido pelo silêncio súbito da voz de Sara, embora os bebês continuassem seu dueto de choro.
Eduarda soluçou, o corpo tremendo sob o de Emanuel.
— Manu... ela viu... ela nunca vai me perdoar...
— Shhh... — ele a calou com um beijo terno, embora seus movimentos ainda fossem vigorosos. — Eu cuido da Sara depois. Agora, olhe para mim.
Ela abriu os olhos, encontrando a escuridão intensa das pupilas dele.
— Eu amo você — ele confessou, algo que raramente dizia com tantas letras. — Eu amo esse seu jeito manhoso, amo como você me recebe, amo como você é minha. Nada vai mudar isso. Nem a Sara, nem o choro, nem o mundo lá fora.
Ele acelerou o ritmo, levando-a ao limite. Eduarda sentiu o ápice chegando, uma onda de calor que começou na base de sua coluna e se espalhou por cada fibra de seu ser. Ela não conseguia mais ouvir o choro de Arthur, não conseguia mais pensar na fúria de Sara. Havia apenas Emanuel.
Quando o orgasmo os atingiu, foi explosivo. Emanuel soltou um rosnado baixo, enterrando-se nela uma última vez, enquanto Eduarda gritava o nome dele, o som perdendo-se no corredor luxuoso.
Por alguns minutos, eles permaneceram ali, abraçados, o único som sendo a respiração ofegante de ambos. Emanuel a desceu gentilmente, ajudando-a a arrumar o vestido, embora a calcinha rasgada no chão fosse um lembrete vívido da selvageria de poucos instantes atrás.
Ele se ajoelhou e pegou o pedaço de renda, guardando-o no bolso da calça.
— Vou comprar outras dez para você amanhã — ele disse, dando um beijo na testa dela. — De seda.
Eduarda limpou as lágrimas, tentando recuperar a compostura. Ela se sentia exausta, marcada e estranhamente completa.
— Eu preciso ir ver o Arthur — ela disse, a voz ainda trêmula.
— Vá — ele permitiu. — Eu vou falar com a Sara.
Eduarda caminhou até o quarto do filho. Ao entrar, encontrou Sara sentada na poltrona de amamentação, balançando Arthur com uma expressão de puro ódio, enquanto Valentina chorava em seu berço portátil ao lado.
— Ele parou de chorar porque eu dei a chupeta — Sara disse, sem olhar para Eduarda. — Mas não pense que isso muda alguma coisa. Você pode ter o corpo dele no corredor, Eduarda, mas eu sou a única que consegue lidar com o monstro que ele é.
Eduarda não respondeu. Ela simplesmente se aproximou, pegou Arthur dos braços de Sara e o apertou contra o peito. O bebê, sentindo o cheiro da mãe e o calor de seu corpo, finalmente relaxou e fechou os olhos.
— Eu não quero o monstro, Sara — Eduarda disse baixinho, enquanto caminhava para o trocador. — Eu quero o homem que ele é comigo. E esse homem... ele não pertence a ninguém além de si mesmo.
Sara levantou-se, ajeitando o vestido com arrogância.
— Veremos quanto tempo essa sua "paz" dura quando ele se cansar da sua doçura e precisar de um pouco de veneno de novo.
Ela saiu do quarto, deixando Eduarda sozinha com o filho.
Pouco depois, Emanuel entrou. Ele não parecia mais o homem impaciente e faminto de minutos atrás. Ele parecia o protetor, o pilar daquela casa. Ele se aproximou de Eduarda e a abraçou por trás, observando Arthur dormir.
— Ela foi para o quarto de hóspedes — Emanuel informou. — Vai ficar emburrada por alguns dias, mas logo ela aparece querendo um carro novo ou uma viagem para Paris. Eu conheço a Sara.
— E nós? — Eduarda perguntou, virando-se nos braços dele.
Emanuel sorriu, um sorriso raro e verdadeiro.
— Nós estamos exatamente onde deveríamos estar.
Ele a beijou novamente, um beijo calmo, que prometia noites mais longas e dias de uma proteção absoluta. Eduarda sabia que a convivência com Sara seria um inferno eterno, uma disputa de territórios e egos. Mas, enquanto Emanuel a olhasse com aquela fome, enquanto ele a arrastasse pelos corredores para lembrá-la de quem ela era, ela suportaria qualquer tempestade.
Porque, naquela cobertura de luxo, entre o choro das crianças e os gritos de fúria de uma mulher traída em seu orgulho, Eduarda havia aprendido que o amor de Emanuel não era algo que se dividia de forma igualitária. Era algo que se conquistava na pele, no silêncio e na entrega total. E ela, com sua timidez e seu jeito manhoso, havia se tornado a dona da parte que Emanuel mais guardava: a sua alma cansada, que só encontrava descanso no calor do corpo dela.