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O Fascínio do Traço e a Curva do Desejo

A luz da tarde infiltrava-se pelas persianas do ateliê de Eduarda na cobertura, criando um jogo de luz e sombra que Emanuel achava hipnótico. Ele estava encostado no batente da porta, os braços cruzados sobre o peito tatuado, observando a namorada trabalhar em uma nova tela. Eduarda, mergulhada em seu mundo de História da Arte e pigmentos, usava um de seus figurinos favoritos: um corset de seda crua, com amarrações finas nas costas, que ela combinava com uma saia longa e fluida.

O corset não era apenas uma peça de roupa; era uma moldura. Ele comprimia levemente sua cintura esguia e elevava seus seios de uma forma que fazia a garganta de Emanuel secar. Eles não eram exagerados como os de Sara, mas possuíam uma proporção que Emanuel considerava divina. Eram macios, pesados na medida certa e pareciam ter sido esculpidos para se encaixarem perfeitamente na palma de suas mãos de tatuador.

Ele percebeu que estava encarando há tempo demais. Seus olhos estavam fixos no vale suave que se formava entre o tecido do corset, seguindo o ritmo da respiração dela. Eduarda, sentindo o peso do olhar, virou-se lentamente, um pincel sujo de azul cobalto na mão e aquela manha natural que sempre o desarmava.

— Manu? Por que você está me olhando assim? — Ela inclinou a cabeça, e o movimento fez o decote do corset oscilar, capturando ainda mais a atenção dele. — Eu estou suja de tinta de novo?

Emanuel deu um passo à frente, entrando no ateliê. Ele não conseguia desviar o olhar. Era uma obsessão silenciosa, quase clínica em sua precisão, mas profundamente carnal em sua origem.

— Você está perfeita, pequena — disse ele, a voz saindo mais rouca do que pretendia. — Só estava admirando... o conjunto da obra.

Ele se aproximou por trás dela, envolvendo sua cintura e sentindo a rigidez do corset sob seus dedos. Ele inclinou o rosto, aspirando o perfume de baunilha e terebintina que emanava da pele dela, mas seus olhos continuavam baixos, focados na curva superior dos seios que o corset empurrava para cima. Ele estendeu a mão, o polegar roçando levemente a borda do tecido, e Eduarda soltou um suspiro trêmulo, encostando a cabeça no ombro dele.

— Você sempre fica assim quando eu uso essa peça — sussurrou ela, fechando os olhos. — Parece que você entra em transe.

— É difícil não entrar — Emanuel admitiu, a mão agora espalmada sobre o peito dela, sentindo o coração de Eduarda batendo rápido sob a pele alva. — Você tem as formas mais bonitas que eu já tive o privilégio de tocar, Duda.

O momento de intimidade foi interrompido pelo som de saltos altos batendo com violência no corredor de mármore. Era um som que Emanuel reconhecia como o prelúdio de uma tempestade. Sara entrou no ateliê sem bater, seguida por Rebeca e outra amiga, ambas segurando sacolas de compras e exibindo sorrisos carregados de veneno.

— Ah, vejam só! O casalzinho no ninho de amor intelectual — ironizou Sara, parando no meio do quarto. Ela usava um vestido justo de oncinha e carregava uma bolsa que custava mais do que o carro de muita gente. — Emanuel, as meninas vieram ver a cobertura. Você se importa?

Emanuel soltou Eduarda lentamente, mas seus olhos levaram um segundo a mais para deixar o decote da namorada e subir para o rosto de Sara. Foi um atraso fatal. Rebeca, que era observadora e tão maliciosa quanto a amiga, soltou uma risadinha abafada atrás da mão.

— Nossa, Emanuel... — disse Rebeca, arqueando uma sobrancelha perfeitamente desenhada. — Pela forma como você estava olhando, achei que estivesse conferindo se a Eduarda ainda estava respirando dentro desse colete apertado. Ou será que você estava apenas... hipnotizado?

Sara congelou. Ela olhou para Emanuel, depois para Eduarda, e finalmente para o peito da rival, que ainda subia e descia rapidamente pela excitação do momento anterior. O contraste era evidente: Sara tinha o volume do silicone, o impacto visual imediato; Eduarda tinha a delicadeza orgânica, realçada por uma peça que Emanuel claramente adorava.

— O que foi, Rebeca? — Sara perguntou, a voz subindo um tom, o sinal de perigo que Emanuel conhecia bem.

— Nada, amiga — respondeu a outra, aproveitando para destilar o veneno. — É que o Emanuel nem piscou quando a gente entrou. Ele estava... compenetrado. Parece que ele tem uma fixação por certas curvas naturais, não é?

Sara sentiu o sangue ferver. Ela se aproximou de Emanuel, ignorando Eduarda como se ela fosse um móvel.

— Você está encarando ela de novo, Emanuel? — Sara perguntou, os olhos faiscando de uma fúria possessiva. — Eu passo horas na academia, gasto fortunas em procedimentos para ser perfeita para você, e você fica aí, babando nessa... nessa tábua que precisa de um corset para aparecer?

— Sara, não comece — Emanuel disse, recuperando sua máscara de frieza, embora o desejo por Eduarda ainda pulsasse em suas veias. — Eu não estava babando em ninguém.

— Estava sim! — gritou Sara, apontando para Eduarda. — Eu vi! Todo mundo viu! Você olha para ela como se ela fosse uma deusa e para mim você olha como se eu fosse um acessório!

Eduarda encolheu-se, a timidez voltando com força total. Ela cruzou os braços sobre o peito, tentando esconder o decote que causara a discórdia, o que só serviu para enfatizar ainda mais a forma como o corset moldava seu corpo.

— Eu... eu vou trocar de roupa — murmurou Eduarda, os olhos baixos.

— Não — Emanuel disse, segurando o pulso dela com firmeza, mas sem agressividade. — Você não vai trocar nada. Você está na sua casa, no seu ateliê.

Ele se voltou para Sara, sua presença tornando-se imponente, o olhar de quem comandava estúdios de tatuagem ao redor do mundo voltado agora para a namorada furiosa.

— Sara, suas amigas estão aqui como convidadas. Se elas não sabem se comportar sem criar intrigas, a porta está aberta. E quanto a você... pare de competir com o que não é uma competição.

— Não é uma competição? — Sara riu, uma risada histérica que ecoou pelas paredes cheias de quadros. — Você é obcecado por ela, Emanuel! Você acha que eu não percebo? No bar, no futebol, em casa... você fica encarando o peito dela como se fosse a oitava maravilha do mundo! O que ela tem que eu não tenho? Eu sou maior, eu sou mais firme, eu sou...

— Você é barulhenta — Emanuel cortou, a voz gélida. — A Eduarda tem uma suavidade que você nunca vai entender. E sim, eu gosto de olhar para ela. Eu sou um artista, Sara. Eu vivo de formas e proporções. E o que a Eduarda tem... é arte pura.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Rebeca e a outra amiga trocaram olhares desconfortáveis; elas queriam causar um drama, mas o tom de Emanuel indicava que a brincadeira havia passado do ponto. Sara parecia ter levado um tapa físico. Ela olhou para Eduarda com um ódio tão profundo que a morena estremeceu.

— Arte? — sibilou Sara. — Pois fique com a sua "arte" de museu. Vamos embora, meninas. O ar aqui está ficando muito... poético para o meu gosto.

Sara saiu do ateliê em uma nuvem de perfume caro e indignação, seguida pelas amigas que agora caminhavam em silêncio, percebendo que tinham cutucado um nervo exposto na relação do trio.

Emanuel soltou um suspiro longo, fechando os olhos por um momento para dissipar a irritação. Ele sentiu o toque tímido de Eduarda em seu braço.

— Manu... ela tem razão, não tem? Você fica me encarando de um jeito... estranho às vezes.

Emanuel abriu os olhos e olhou para ela. Novamente, seu olhar desceu involuntariamente para o corset, para a pele alva que parecia brilhar sob a luz da tarde. Ele não conseguia evitar. Era uma atração gravitacional.

— Não é estranho, pequena — disse ele, puxando-a para perto novamente. — É admiração. Eu passo o dia desenhando na pele das pessoas, tentando criar a perfeição. Mas quando eu chego em casa e vejo você... eu percebo que a perfeição já existe.

— Mas a Sara fica tão brava... — Eduarda fez um biquinho manhoso, encostando a testa no peito dele. — Eu me sinto mal.

— A Sara precisa aprender que o meu desejo por ela não anula o meu fascínio por você — Emanuel explicou, passando as mãos pelas costas dela, sentindo as amarrações do corset. — Ela quer ser a única, mas no meu mundo, há espaço para o fogo e para a paz.

Ele a ergueu, sentando-a na mesa de madeira onde ela misturava suas tintas. Os frascos de pigmento tilintaram, mas nenhum dos dois se importou. Emanuel se posicionou entre as pernas dela, as mãos subindo para a base do corset. Ele encarava os seios dela agora com uma intensidade que fazia Eduarda perder o fôlego.

— Às vezes eu acho que você prefere eles do que a mim — brincou ela, tentando aliviar a tensão, mas a voz saiu carregada de desejo.

— Eles fazem parte de você — respondeu Emanuel, a voz baixa e rouca. — E sim, eu sou obcecado. Gosto de como eles se movem quando você respira, gosto de como o corset os deixa prontos para mim... e gosto ainda mais de quando eu tiro tudo isso e percebo que eles são reais. Macios. Perfeitos.

Ele se inclinou e beijou o colo dela, subindo lentamente até o pescoço. Eduarda soltou um gemido manhoso, enterrando os dedos nos cabelos dele. Ela sabia que, lá fora, Sara provavelmente estaria quebrando algo ou gastando fortunas em compras para se vingar, mas ali, dentro daquela bolha de tinta e seda, ela era a única rainha de Emanuel.

— Tira... — sussurrou Eduarda, puxando-o para um beijo profundo. — Tira o corset, Manu. Quero que você pare de encarar e comece a tocar.

Emanuel não precisou de outro convite. Com a habilidade de quem lidava com detalhes minuciosos todos os dias, ele começou a desamarrar os cordões de seda. Cada centímetro de pele que era revelado parecia inflamar ainda mais sua obsessão. Quando o tecido finalmente cedeu e os seios de Eduarda ficaram livres, Emanuel parou por um segundo, apenas admirando.

Eram lindos. A auréola rosada, a firmeza natural, a brancura que contrastava com as mãos grandes e calejadas dele.

— Você é uma covardia, Eduarda — murmurou ele, antes de envolver um deles com a palma da mão, fechando os dedos com uma posse que a fez arquear as costas. — Cabem perfeitamente aqui. Como se tivessem sido feitos sob medida para mim.

Enquanto Emanuel se perdia na exploração daquela parte do corpo de Eduarda que tanto o fascinava, o resto do mundo — inclusive a fúria de Sara — parecia desaparecer. Para o tatuador, a vida era feita de marcas permanentes, e a marca que Eduarda deixava nele era feita de suavidade, manha e uma beleza que nenhum silicone no mundo poderia replicar.

Lá fora, a noite começava a cair sobre a cidade, mas no ateliê, o tempo havia parado. Emanuel continuava sua jornada de adoração silenciosa, provando para si mesmo e para Eduarda que, embora Sara pudesse ter o barulho e a atenção das multidões, era ali, naquelas curvas delicadas e reais, que sua alma — e seu desejo mais profundo — encontrava descanso.

— Você é minha — ele rosnou contra a pele dela, as mãos apertando-a com uma urgência renovada.

— Sempre, Manu... — respondeu ela, em meio a suspiros. — Contanto que você continue me olhando desse jeito.

E ele continuaria. Porque para Emanuel, Eduarda não era apenas uma namorada; ela era a obra-prima que ele nunca teria a audácia de tentar tatuar, pois nada que sua agulha fizesse seria tão perfeito quanto o que a natureza já havia entregue às suas mãos.

A guerra entre a loira e a morena estava longe de terminar, e Emanuel sabia que teria que lidar com as consequências da fúria de Sara mais tarde. Mas, naquele momento, observando os seios de Eduarda subirem e descerem em resposta ao seu toque, ele sentia que qualquer preço valia a pena para manter aquele privilégio exclusivo. O privilégio de possuir a arte em sua forma mais pura e desejável.