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Labirinto de Seda e Tinta

A noite em São Paulo tinha um brilho úmido sob a garoa fina que refletia as luzes da cidade nas janelas da cobertura. No interior do apartamento, o silêncio era interrompido apenas pelo som suave de um jazz que Emanuel deixara tocando ao fundo, uma tentativa consciente de criar o ambiente perfeito. Ele estava sentado no sofá de couro, observando Eduarda, que folheava um livro de gravuras renascentistas que ele trouxera de sua última viagem a Florença.

Ela parecia uma pintura de Botticelli sob a luz âmbar da sala. O vestido de seda champanhe, que ela ainda usava desde o evento na galeria, escorregava levemente pelo ombro, revelando a pele alva e delicada. Emanuel sentia o sangue pulsar mais forte. A tensão acumulada da semana, as brigas por causa de Rodrigo e o estresse dos seus estúdios pareciam evaporar sempre que ele focava na doçura dela.

— Manu? — ela chamou, a voz saindo como um sussurro manhoso. — Por que você está me olhando assim?

Emanuel se levantou e caminhou até ela, sentando-se ao seu lado. Ele tirou o livro das mãos dela com delicadeza e o colocou sobre a mesa de centro.

— Porque eu ainda não consigo acreditar que você está aqui — disse ele, passando os dedos tatuados pelo contorno do rosto dela. — E porque você é a mulher mais linda que eu já vi, Duda.

Eduarda sorriu, aquele sorriso tímido que sempre o desarmava, e se inclinou para buscar o peito dele, aninhando-se ali como se fosse o único lugar seguro no mundo. Emanuel envolveu-a em seus braços, sentindo o perfume de baunilha que emanava de seus cabelos. Ele a beijou no topo da cabeça, descendo para a têmpora e, finalmente, encontrando seus lábios em um beijo que começou lento, mas que rapidamente ganhou profundidade e urgência.

As mãos de Emanuel, acostumadas à precisão das agulhas, moviam-se com uma fome contida pelo corpo dela. Ele sentiu a maciez da seda e, por baixo dela, a fragilidade que tanto o encantava. Ele a puxou para o seu colo, e Eduarda soltou um suspiro baixo, envolvendo o pescoço dele com os braços, entregando-se ao momento com uma entrega que Emanuel raramente presenciava nela.

Eles se moveram para o quarto principal, um santuário de tons escuros e tecidos luxuosos. Emanuel a deitou na cama imensa, cobrindo seu corpo com o dele. Sob a luz fraca dos abajures, os olhos de Eduarda brilhavam com uma mistura de desejo e uma ansiedade que ele conhecia bem.

— Você está bem? — ele perguntou, a voz rouca, parando por um segundo para olhar nos olhos dela.

— Sim... — ela sussurrou, puxando-o para mais perto. — Eu quero você, Manu.

Incentivado pelas palavras dela, Emanuel deixou que seus instintos assumissem o controle. Ele beijou seu pescoço, descendo para a clavícula, enquanto suas mãos subiam pela lateral do corpo dela. Ele alcançou os seios médios e macios, sentindo a firmeza sob o tecido fino. Com um movimento ágil, ele abriu o fecho do vestido.

Quando a seda caiu, revelando a pele nívea de Eduarda, Emanuel sentiu o ar faltar. Ele a amava de uma forma possessiva e protetora, e tê-la ali, vulnerável e sua, era o ápice de tudo o que ele buscava. Ele começou a chupar seus seios com uma avidez controlada, ouvindo os gemidos baixos e manhosos que ela soltava. Suas mãos desceram, apertando a bunda firme dela, puxando-a contra seu corpo, querendo sentir cada centímetro de sua namorada.

A temperatura no quarto subia. Emanuel sentia que, desta vez, seria diferente. Ele sentia a resposta do corpo dela, o jeito como ela arqueava as costas e buscava sua boca. Ele desceu os beijos pelo ventre dela, as mãos explorando, acariciando, preparando o caminho para o que ele esperava há quatro meses.

No entanto, no momento em que ele começou a se livrar da própria roupa, sentiu a mão de Eduarda pousar sobre seu pulso. O movimento foi leve, mas o efeito foi imediato. Emanuel parou, o coração batendo contra as costelas como um animal enjaulado.

— Manu... espera — ela disse, a voz trêmula, carregada de uma emoção que não era mais desejo.

Emanuel congelou. Ele olhou para ela e viu o que mais temia: aquela nuvem de insegurança voltando a nublar os olhos castanhos. Ela estava encolhida, puxando o lençol para cobrir o corpo, a timidez voltando com uma força esmagadora.

— O que foi, Duda? — ele perguntou, tentando manter a voz calma, embora a frustração já estivesse começando a queimar em seu estômago.

— Eu... eu não consigo — ela sussurrou, as lágrimas começando a se formar. — Eu achei que estava pronta, eu queria estar... mas eu não estou. Me desculpa. Por favor, não fica bravo.

Emanuel sentou-se na beira da cama, passando as mãos pelo rosto e soltando um suspiro longo e pesado. Ele sentia o corpo vibrando de necessidade, uma dor física de desejo interrompido. A irritação borbulhou por um segundo — ele era um homem prático, um homem que conseguia o que queria, e a constante hesitação de Eduarda começava a parecer um labirinto sem saída.

— É a terceira vez esta semana, Eduarda — ele disse, sem olhar para ela, a voz saindo mais dura do que pretendia.

— Eu sei! — ela se sentou, aproximando-se dele com aquele jeito manhoso, tentando tocar seu ombro. — Eu sinto muito, Manu. É que... é tudo tão novo para mim. Eu nunca fiz isso com ninguém. Eu tenho medo de não ser o que você espera, ou de estragar o que a gente tem.

Emanuel fechou os olhos, lutando contra o impulso de se levantar e sair do quarto. Ele amava Eduarda justamente por essa pureza, por essa sensibilidade que o diferenciava do mundo vulgar e agressivo em que ele vivia. Mas ele também era um homem de vinte e cinco anos, com necessidades e uma paciência que estava sendo testada além do limite.

— Não é sobre ser o que eu espero, Duda. É sobre confiança — ele disse, finalmente virando-se para ela. Ao ver o rosto dela banhado em lágrimas e a expressão de desamparo, sua rigidez começou a ruir. — Eu não vou te forçar a nada. Você sabe disso. Mas é difícil, entende? Eu te quero o tempo todo.

— Eu sei — ela soluçou, escondendo o rosto no peito dele. — Obrigada por ter paciência. Eu prometo que vou tentar... eu só preciso de um pouco mais de tempo.

Emanuel a abraçou, sentindo a fragilidade dela contra seus músculos tensos. Ele a apertou com força, um gesto que era tanto de proteção quanto de uma frustração silenciosa. Ele sabia que, para Eduarda, a entrega física estava ligada a uma segurança emocional que ela ainda estava construindo, longe da casa dos pais e dentro daquele relacionamento complexo que dividiam com Sara.

Nesse momento, a porta do quarto se abriu levemente. Sara entrou, usando um pijama de seda curta que não deixava nada para a imaginação. Ela olhou para a cena — Emanuel sentado com os ombros caídos e Eduarda chorando em seu peito — e soltou um suspiro de tédio.

— De novo? — Sara perguntou, caminhando até o frigobar do quarto e pegando uma garrafa de água. — Emanuel, você vai acabar tendo um colapso se continuar nesse ritmo de "quase lá".

— Sara, agora não é a hora — rosnou Emanuel, embora não houvesse real agressividade em sua voz, apenas exaustão.

— É sempre a hora da verdade, Manu — Sara disse, encostando-se na cômoda e observando Eduarda com um olhar que misturava simpatia e impaciência. — Duda, querida, o Emanuel não é um monstro. Ele te ama. Mas ele é homem. Se você continuar dando corda e depois cortando, ele vai acabar procurando uma válvula de escape, e eu não estou falando de mim, porque eu já estou aqui. Estou falando de estresse puro.

Eduarda olhou para Sara, os olhos inchados.

— Eu não faço por mal, Sara. Eu só... eu fico nervosa.

— Eu sei que fica — Sara caminhou até a cama e, surpreendentemente, sentou-se do outro lado de Eduarda, dando um tapinha em sua perna. — Você é uma bonequinha de porcelana. Mas porcelana também pode ser resistente, sabia? Pare de pensar tanto. O Emanuel é louco por você. Ele não vai te quebrar.

Emanuel observou as duas. Era uma dinâmica bizarra, mas que funcionava de alguma forma. Sara, com sua vulgaridade e praticidade, conseguia dizer as coisas que ele, em sua posição de namorado protetor, não podia.

— Deitem-se as duas — disse Emanuel, finalmente, sentindo que a noite de luxúria havia se transformado em uma noite de mediação emocional.

Ele se deitou no meio, com Eduarda se aninhando em seu braço esquerdo, ainda tremendo um pouco, e Sara se acomodando no lado direito, com a perna jogada sobre as dele de forma possessiva.

— Você está frustrado, não está? — sussurrou Sara no ouvido dele, a voz carregada de uma malícia compreensiva.

— Um pouco — admitiu Emanuel, olhando para o teto. — Mas eu escolhi isso. Eu escolhi as duas.

Eduarda beijou o ombro dele, um gesto de agradecimento silencioso pela paciência.

— Eu te amo, Manu — ela disse, a voz já ficando pesada pelo sono.

— Eu também te amo, pequena — ele respondeu, fechando os olhos.

O silêncio voltou a reinar na cobertura. Emanuel sentia o calor das duas mulheres ao seu lado. De um lado, a paixão vulcânica e a cumplicidade de Sara; do outro, a doçura e o mistério de Eduarda. Ele sabia que a estrada com Eduarda seria longa e cheia de paradas inesperadas, mas, ao sentir o aperto suave da mão dela na sua, ele soube que esperaria.

A frustração ainda estava lá, um peso surdo em seu corpo, mas o amor e a necessidade de proteção falavam mais alto. Ele era o porto seguro delas, o homem que mantinha aquele universo peculiar em equilíbrio. E se o preço para ter a pureza de Eduarda era a espera, ele pagaria.

Afinal, Emanuel não construíra um império global da noite para o dia. Ele sabia que as melhores artes levavam tempo para serem finalizadas, e que cada traço, cada sombra, valia a pena no final. Com Eduarda, a obra de arte estava apenas começando a ser esboçada, e ele seria o artista mais paciente do mundo para vê-la completa.

— Durmam — ele ordenou suavemente.

E, naquela noite, entre o perfume de Sara e a inocência de Eduarda, Emanuel encontrou uma paz que a lógica não conseguia explicar, mas que seu coração, finalmente, começava a aceitar como sua nova realidade.