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O Despertar das Sombras e do Desejo
O relógio de pêndulo na sala de estar de Dona Heloísa batia as onze da noite, um som melancólico que parecia marcar o ritmo da impaciência de Emanuel. Fazia quatro meses desde a viagem à serra, quatro meses desde que ele prometera ser mais paciente, mas o controle que ele tanto prezava estava se esfarelando. Eduarda ainda morava com os pais. Ela ainda resistia à ideia de se mudar para a cobertura, mesmo que passasse quase todos os fins de semana lá, sob o olhar atento de Sara e a proteção possessiva dele.
O jantar de aniversário de Dona Heloísa estava chegando ao fim. A casa estava cheia de parentes, o cheiro de comida caseira e vinho pairava no ar, e o barulho das risadas dos irmãos de Eduarda vindo da varanda ecoava pelos corredores. Emanuel, no entanto, não estava rindo. Ele estava encostado no batente da porta da cozinha, observando Eduarda ajudar a mãe dele com as louças. Ela usava um vestido de seda azul-claro, com alças finas que revelavam a delicadeza de seus ombros e a curva suave de seu pescoço. Ela parecia uma miragem de pureza em meio ao caos da família.
Sara, que estava sentada na sala conversando com os primos de Emanuel, lançou-lhe um olhar cúmplice por cima da taça de vinho. Ela sabia. Ela sempre sabia quando a tensão de Emanuel atingia o ponto de ruptura. Ela deu um sorriso de lado, quase imperceptível, como se o incentivasse a tomar o que era dele.
— Duda, querida, você pode pegar aquela travessa de cristal que deixei no buffet do corredor lateral? — pediu Heloísa, secando as mãos no avental.
— Claro, tia Helô — respondeu Eduarda com sua voz doce e manhosa.
Ela saiu da cozinha, passando por Emanuel sem olhar diretamente para ele, mas o roçar suave de seu braço contra o dele foi o suficiente para incendiar o que restava da racionalidade do homem. Emanuel esperou alguns segundos e a seguiu.
O corredor lateral da casa era estreito e pouco iluminado, decorado com fotos antigas e papel de parede clássico. Eduarda estava na ponta dos pés, tentando alcançar a travessa na prateleira superior do buffet, quando sentiu a presença esmagadora de Emanuel atrás dela. O calor do corpo dele era como uma fornalha.
— Deixe que eu pego — sussurrou ele, a voz rouca, esticando o braço por cima da cabeça dela.
Ele não pegou a travessa. Em vez disso, apoiou as duas mãos no móvel, cercando-a. Eduarda estremeceu, sentindo a respiração dele em sua nuca.
— Emanuel... aqui não. Minha mãe, seus irmãos... estão todos na sala ao lado — ela murmurou, mas seu corpo não recuou. Pelo contrário, ela se apoiou levemente contra o peito dele.
— Eu não aguento mais, Eduarda — disse ele, virando-a de frente para ele com uma urgência que a assustou e a excitou ao mesmo tempo. — Quatro meses. Eu te dei tempo, eu te dei espaço, eu lidei com a sua timidez. Mas eu quero você. Agora.
— Emanuel, por favor... — Ela tentou protestar, mas o beijo dele interrompeu qualquer palavra.
Foi um beijo faminto, carregado de toda a frustração e desejo acumulados. Emanuel a pressionou contra a parede fria do corredor, suas mãos grandes descendo pelas costas dela, apertando a cintura fina e subindo para emoldurar o rosto dela. Eduarda soltou um gemido baixo, uma mistura de medo e entrega. Ela sempre sonhara com sua primeira vez em uma cama coberta de pétalas, com música suave e promessas eternas, mas a realidade do desejo de Emanuel era bruta e imediata.
Ele levantou a barra do vestido de seda dela com uma agilidade prática. Eduarda sentiu o ar frio do corredor em suas coxas antes que as mãos quentes dele encontrassem sua pele.
— Envolve a perna em mim, Duda — ordenou ele, a voz autoritária, mas carregada de uma súplica sombria.
Trêmula, ela obedeceu. Emanuel a ergueu levemente, fazendo com que uma de suas pernas se envolvesse na cintura dele, enquanto a outra permanecia apoiada no chão para dar estabilidade. O contraste era gritante: o homem rico, poderoso e tatuado, dominando a menina sensível e estudiosa em um corredor apinhado de memórias de infância.
— Você tem certeza? — ele perguntou, parando por um segundo, os olhos escuros fixos nos dela, buscando qualquer sinal de recusa real.
— Eu sou sua, Emanuel — sussurrou ela, as lágrimas de emoção brilhando nos olhos. — Sempre fui.
Emanuel não foi gentil como nos livros de romance que ela lia. Ele foi intenso. A dor inicial da virgindade sendo rompida fez Eduarda morder o lábro inferior para não gritar, enquanto suas unhas cravavam nos ombros fortes dele. Emanuel parou, encostando a testa na dela, respirando fundo.
— Calma... respira — ele murmurou, o instinto protetor lutando contra o desejo de posse.
— Não para — pediu ela, a voz manhosa voltando, agora carregada de uma nova urgência.
Ali, no corredor da casa da mãe dele, com o som abafado da conversa da família a poucos metros de distância, Emanuel a tomou por completo. Não foi o sonho de contos de fadas de Eduarda, mas foi a marca definitiva de que ela não pertencia mais ao mundo de seus pais ou de seus irmãos. Ela pertencia a ele.
Alguns minutos depois, o silêncio retornou ao corredor, quebrado apenas pela respiração pesada de ambos. Emanuel a colocou no chão com cuidado, ajeitando o vestido dela com mãos que ainda tremiam levemente.
— Você está bem? — perguntou ele, limpando uma lágrima que escorria pelo rosto dela.
— Sim — ela respondeu, embora sentisse um latejo desconhecido e incômodo lá embaixo. — Mas acho que não consigo voltar para a sala agora.
— Você não vai voltar — afirmou ele, o tom controlador retornando. — Vou dizer que você se sentiu mal e que vou te levar para casa. Na verdade, você vai para a minha casa. Hoje você não dorme com seus pais.
Eduarda não protestou. Ela estava exausta e sobrecarregada emocionalmente. Emanuel a guiou pela porta lateral, evitando a sala principal. Sara, como se estivesse esperando por aquele momento, apareceu na varanda lateral com as chaves do carro na mão e um sorriso enigmático.
— Eu cuido das desculpas para a Heloísa — disse Sara, entregando as chaves a Emanuel. Ela olhou para Eduarda, notando o cabelo levemente bagunçado e o olhar perdido da menina. — Bem-vinda ao mundo real, pequena. Vejo vocês na cobertura.
O trajeto até o apartamento de Emanuel foi um borrão para Eduarda. Ela sentia um desconforto crescente, uma ardência que a fazia se remexer no banco de couro do carro. Emanuel percebeu, mas manteve o silêncio, sua mão repousando firmemente sobre a coxa dela durante todo o caminho.
Quando chegaram à cobertura, o luxo do lugar parecia mais acolhedor do que o normal. Emanuel a levou direto para o quarto principal.
— Vá tomar um banho — disse ele. — Vou pegar algo para você vestir.
Eduarda entrou no banheiro de mármore e, ao se limpar, percebeu que estava um pouco machucada. A intensidade de Emanuel e a falta de jeito da primeira vez em um lugar tão improvisado haviam deixado marcas. Ela sentia sua intimidade sensível, um pouco inchada, e a água morna trazia um alívio misturado com uma leve ardência.
Ela saiu do banheiro enrolada em uma toalha felpuda, encontrando Emanuel sentado na beira da cama grande. Ele havia deixado uma de suas camisas pretas de algodão sobre o lençol.
— Veste isso — ele disse.
Eduarda soltou a toalha e vestiu a camisa. O tecido era macio e cheirava a ele — aquele cheiro de perfume caro e masculinidade que a entorpecia. A camisa ficava enorme nela, batendo no meio de suas coxas, deixando suas pernas brancas e finas à mostra. Ela estava apenas de calcinha por baixo, sentindo-se vulnerável e, ao mesmo tempo, estranhamente segura.
Emanuel a observou. Ela parecia tão pequena em suas roupas, uma imagem de fragilidade que despertava nele um desejo de trancá-la ali e nunca mais deixar o mundo tocá-la.
— Vem cá — chamou ele.
Eduarda caminhou até ele e sentou-se em seu colo, escondendo o rosto em seu pescoço.
— Está doendo — confessou ela, a voz sumindo. — Acho que... acho que você me machucou um pouquinho.
Emanuel sentiu uma pontada de culpa, mas também uma satisfação sombria. Ele a havia marcado. Ela era dele agora, de uma forma que nenhum irmão ou pai poderia contestar.
— Eu sei, meu anjo. A primeira vez é sempre difícil, e eu... eu perdi o controle — ele admitiu, acariciando o cabelo castanho dela. — Amanhã você vai estar melhor. Vou pedir para a Sara comprar alguma pomada ou algo que ajude.
— Não! Que vergonha, Emanuel — ela protestou, corando instantaneamente.
— A Sara não se importa com isso, Eduarda. Ela quer que você esteja bem.
Emanuel a deitou na cama e cobriu-a com o edredom de seda. Ele se deitou ao lado dela, ainda vestido, apenas observando-a adormecer. Ele sabia que o dia seguinte traria conflitos. Os irmãos de Eduarda iriam ligar, os pais dela ficariam preocupados, e a pressão para que ela voltasse para a "normalidade" seria imensa.
Mas, enquanto olhava para ela, vestida com sua camisa, ocupando o espaço que ele reservara para ela em sua vida, Emanuel decidiu que a fase das concessões havia terminado.
— Você não volta mais para aquela casa — sussurrou ele, embora ela já estivesse dormindo.
Horas mais tarde, Sara entrou no quarto em silêncio. Ela já havia trocado de roupa e usava um robe de seda. Ela parou aos pés da cama e observou a cena: o homem poderoso e a menina frágil, unidos por um ato que mudara tudo.
— Ela finalmente é nossa, não é? — perguntou Sara em um sussurro, os olhos brilhando na penumbra.
Emanuel olhou para sua rainha e depois para a sua protegida.
— Sim. Ela é nossa.
— Ela está machucada? — Sara perguntou, notando o jeito que Eduarda se encolhia durante o sono.
— Um pouco. Eu não fui... delicado.
Sara deu um sorriso irônico e caminhou até o lado da cama de Eduarda, passando a mão suavemente pelo rosto da menina.
— Amanhã eu cuido dela. Vou ensiná-la que a dor faz parte do prazer de pertencer a você, Emanuel. E vou garantir que ela entenda que este é o único lugar onde ela deve estar.
Eduarda se mexeu no sono, sentindo o desconforto em sua "bucetinha" machucada, mas o calor da camisa de Emanuel e a presença dos dois ao seu redor criavam uma barreira contra o mundo exterior. Ela era a peça que faltava no quebra-cabeça de Emanuel e Sara. A timidez e a doçura que agora seriam moldadas pela força e pela vulgaridade sofisticada daquele casal.
O sol começaria a nascer em poucas horas, e com ele, uma nova vida para Eduarda. Uma vida onde ela não era mais a filha protegida dos Oliveira, mas a joia preciosa e marcada de um império construído sobre tinta, poder e um amor que não conhecia limites ou normas. Ela estava cercada, e pela primeira vez, a ideia de não ter para onde fugir não a apavorava. Na verdade, a fazia sentir que, finalmente, tinha encontrado o seu lugar. Mesmo que esse lugar doesse um pouco.