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O Banquete da Cobiça e o Brilho da Posse

A mansão dos Albuquerque, no interior de São Paulo, era um monumento à ostentação e à tradição cafeeira que agora se convertia em agronegócio de elite. Para Sara, aquele era o seu palco de origem; para Emanuel, um sacrifício social necessário; e para Eduarda, uma prova de fogo. O jantar de aniversário do patriarca da família de Sara exigia gala, e Emanuel fizera questão de que todos fossem. Ele queria mostrar ao mundo, ou pelo menos àquela parte dele, que sua estrutura familiar não era um erro, mas uma conquista.

Sara estava em seu elemento. Usava um vestido dourado metalizado, tão justo que parecia uma segunda pele, com fendas que desafiavam a gravidade e o bom senso. Ela desfilava pelos salões cumprimentando tios e primos com uma ironia afiada, administrando as gêmeas com a ajuda de duas babás uniformizadas que a seguiam como sombras. Ágata, no colo da mãe, usava um vestido miniatura idêntico ao de Sara, olhando para os convidados com o mesmo ar de tédio aristocrático.

Eduarda, por outro lado, sentia-se como uma intrusa em um ninho de serpentes. Ela escolhera um vestido de seda verde-esmeralda, de alças finas e decote em V discreto, mas que, devido à sua amamentação recente, realçava suas curvas de uma maneira que ela mesma não percebia ser provocante. Maya estava grudada em seu pescoço, escondendo o rosto dos flashes das câmeras fotográficas que registravam o evento social.

— Mantenha a cabeça erguida, Duda — sussurrou Emanuel, aproximando-se dela com uma taça de champanhe. Ele estava impecável em um terno sob medida, embora a expressão em seu rosto fosse a de quem preferiria estar sendo tatuado por horas a fio do que estar ali. — Você é a mulher mais bonita desta sala.

— Eu me sinto observada, Emanuel — murmurou ela, apertando Maya contra o peito. — O jeito que as pessoas olham... parece que sabem.

— Deixe que olhem — respondeu ele, a voz grave e possessiva. — Eles têm inveja porque eu tenho o que nenhum deles jamais terá coragem de buscar.

O jantar foi servido em uma mesa de mogno monumental. Emanuel sentou-se entre Sara e Eduarda, uma posição que deixava claro para qualquer observador atento quem eram as prioridades daquele homem. No entanto, o problema surgiu do outro lado da mesa.

Gustavo, o sobrinho de 19 anos de Sara, um universitário que exalava uma mistura de arrogância e hormônios à flor da pele, não conseguia desviar o olhar. Ele ignorava a conversa sobre ações e gado, mantendo os olhos fixos na região do decote de Eduarda. Para um rapaz daquela idade, a aura de fertilidade e doçura que emanava da bailarina era um convite silencioso, e ele não tinha a sutileza necessária para disfarçar.

— Então, Eduarda... — começou Gustavo, inclinando-se para frente, a voz carregada de uma audácia que fez Emanuel retesar os ombros imediatamente. — Minha tia disse que você é bailarina. Deve ter uma flexibilidade incrível, não?

Eduarda corou instantaneamente, desviando os olhos para o prato.

— Sim, eu dou aulas de ballet — respondeu ela, a voz quase um sussurro.

— Interessante — continuou o rapaz, os olhos descendo descaradamente para os seios de Eduarda, que subiam e desciam com a respiração nervosa dela. — E esse brilho na sua pele? É algum segredo de beleza ou é apenas... natural?

Sara, percebendo a tensão que começava a emanar de Emanuel, soltou uma risada curta, mas seus olhos brilharam com um aviso perigoso.

— Cuidado com a língua, Gustavo — disse Sara, girando o anel de diamante no dedo. — A Eduarda é sensível, mas o Emanuel tem o hábito de quebrar coisas bonitas quando fica irritado.

Emanuel não disse nada. Ele apenas pousou os talheres com um clique metálico que ecoou na mesa. Seu olhar fixou-se no de Gustavo, uma promessa silenciosa de violência que fez o rapaz engolir em seco por um segundo, antes de sua audácia juvenil falar mais alto.

— Só estou admirando a vista, tio — provocou Gustavo, usando o título de "tio" com um sarcasmo evidente. — Afinal, você sempre teve bom gosto. Mas essa aqui... ela parece tão macia.

Emanuel sentiu o sangue ferver. A possessividade que ele sentia por Eduarda era diferente da que sentia por Sara. Com Sara, era uma disputa de poder, uma admiração mútua por força e controle. Com Eduarda, era algo visceral, protetor, quase animal. Ver aquele moleque cobiçando abertamente o que era dele, especialmente a parte de Eduarda que ele considerava mais sagrada e íntima, era um insulto que ele não toleraria.

— O jantar foi excelente, mas acho que precisamos de um pouco de ar — disse Emanuel, levantando-se e segurando o braço de Eduarda com firmeza. — Duda, a Maya parece cansada. Vamos levá-la para o quarto de hóspedes.

— Mas Emanuel, nós acabamos de começar o prato principal... — tentou dizer Eduarda, mas o olhar dele a silenciou.

— Agora, Eduarda.

Sara observou os dois saírem, um sorriso de satisfação nos lábios. Ela se virou para o sobrinho, que ainda olhava para a porta por onde Eduarda passara.

— Você é um idiota, Gustavo — comentou Sara, voltando a comer sua lagosta com elegância. — Você acabou de garantir que ele passe o resto da noite provando para si mesmo que ela pertence só a ele. E, honestamente? Eu faria o mesmo.

No andar de cima, Emanuel entrou no quarto de hóspedes e trancou a porta com um estalo seco. Ele pegou Maya do colo de Eduarda e a colocou no berço portátil que as babás haviam montado. A bebê, exausta pelo barulho lá embaixo, resmungou um pouco e logo se entregou ao sono.

Eduarda estava parada perto da janela, as mãos entrelaçadas, o peito subindo e descendo com força.

— Emanuel, você foi rude com a família da Sara... — começou ela, mas foi interrompida quando ele a prensou contra a parede, as mãos grandes segurando sua cintura.

— Aquele moleque não parava de olhar para você — rosnou ele, a voz rouca, o rosto a centímetros do dela. — Ele estava tocando você com os olhos. Ele estava imaginando o que só eu tenho o direito de conhecer.

— Eu não tive culpa, Emanuel... — ela murmurou, os olhos úmidos e manhosos, aquela vulnerabilidade que sempre o levava ao limite. — Eu só queria que o jantar acabasse.

— Eu sei que não teve culpa — ele disse, diminuindo a pressão, mas não a intensidade. — Mas ele me lembrou que o mundo inteiro quer o que eu tenho. E eu precisava tirar você de lá antes que eu enfiasse o rosto dele naquele prato de porcelana.

Emanuel desceu as mãos para as alças do vestido de seda de Eduarda. Ele as empurrou lentamente, revelando a pele branca e macia. Quando o decote cedeu, revelando a plenitude de seus seios, Emanuel soltou um suspiro pesado. Ali, longe dos olhos cobiçosos do sobrinho de Sara, longe do julgamento da sociedade e do barulho da festa, ele finalmente tinha o seu refúgio.

Ele se inclinou, enterrando o rosto entre os seios dela, aspirando o cheiro de leite e lavanda. Eduarda soltou um gemido baixo, as mãos perdidas nos cabelos curtos de Emanuel, sentindo a barba por fazer dele roçar sua pele sensível.

— Eles são meus, Duda — murmurou ele, a voz vibrando contra o corpo dela. — Só meus. A Maya pode ter o dia, mas a noite... a noite é minha.

Ele a levou para a cama de dossel, despindo-a com uma urgência que beirava o desespero. Não era apenas desejo; era uma reafirmação de posse. Emanuel precisava marcar seu território, precisava sentir que, apesar de Sara ser sua parceira de vida e de negócios, Eduarda era o seu santuário privado.

Eduarda entregou-se com a manha que lhe era característica. Ela buscava o peso dele, a força dele, sentindo-se protegida pela própria intensidade daquela possessividade. Quando Emanuel a possuiu, foi de uma forma lenta e profunda, seus olhos fixos nos dela, garantindo que ela soubesse exatamente a quem pertencia.

— Diga — ordenou ele, o ritmo aumentando. — Diga de quem você é.

— Sua... — ela arquejou, as unhas cravando-se nos ombros tatuados dele. — Eu sou sua, Emanuel. Sempre.

O clímax foi uma explosão de silêncio e suor. Eles ficaram abraçados por um longo tempo, o único som sendo a respiração pesada de ambos e o leve ressonar de Maya no berço ao lado. Emanuel sentia-se calmo novamente, a fúria que o dominara na mesa de jantar agora substituída por uma satisfação sombria.

Algum tempo depois, a porta do quarto foi aberta por uma chave mestra. Sara entrou, ainda com sua taça de champanhe na mão, observando a cena com um desdém divertido.

— Estão vivos? — perguntou ela, caminhando até a beira da cama e olhando para o emaranhado de lençóis e corpos. — O jantar acabou. Meus pais acham que vocês dois tiveram uma "indisposição súbita". O Gustavo está no bar, tentando afogar a frustração em uísque barato.

Emanuel sentou-se na cama, sem se preocupar em se cobrir totalmente, enquanto Eduarda puxava o lençol até o queixo, envergonhada.

— Ele teve sorte — disse Emanuel, olhando para Sara. — Se ele tivesse dito mais uma palavra, eu o teria jogado na piscina.

— Oh, eu sei — Sara sorriu, sentando-se na ponta da cama e acariciando a perna de Emanuel com o pé calçado no salto dourado. — Mas agora que você já marcou seu território com a "bonequinha", acho que é a minha vez de ter um pouco de atenção. Afinal, eu tive que aturar minha tia falando sobre menopausa por duas horas sozinha.

Emanuel olhou de Sara para Eduarda. A loira exalava poder e desejo, um desafio constante que o mantinha alerta. A morena exalava paz e entrega, o bálsamo que curava suas feridas.

— Venha aqui, Sara — disse ele, estendendo a mão para a namorada.

Sara não esperou um segundo convite. Ela deixou o vestido cair no chão, revelando a lingerie de renda preta e o corpo esculpido, e subiu na cama, acomodando-se do outro lado de Emanuel. Eduarda, em sua doçura, abriu espaço, sentindo a presença vibrante de Sara como um complemento necessário àquele arranjo.

Emanuel deitou-se de costas, uma mão repousando no seio de Eduarda e a outra na cintura de Sara. Ele era o centro daquele pequeno universo, um homem que desafiara as regras para ter o que ninguém mais ousava imaginar.

— Vocês são loucos — murmurou Eduarda, fechando os olhos e encostando a cabeça no ombro de Emanuel.

— Somos — concordou Sara, inclinando-se por cima de Emanuel para dar um selinho rápido em Eduarda, um gesto raro de carinho entre as duas. — Mas somos os loucos mais ricos e felizes desta fazenda. Agora, Emanuel, apague a luz. Eu quero que você me mostre que ainda tem energia depois de ter sido "expulso" pela Maya mais cedo.

Emanuel sorriu, a escuridão do quarto acolhendo o trio. Ele tinha a fúria e a fragilidade, o pecado e a inocência. E enquanto o mundo lá fora continuava a julgar e a cobiçar, ali, entre aquelas quatro paredes, ele era o dono absoluto de tudo o que importava. A cobiça do sobrinho de Sara fora apenas o combustível para que ele reafirmasse o que já era fato: no império de Emanuel, ele era o único rei, e suas rainhas, embora diferentes como o sol e a lua, eram as únicas que realmente possuíam sua alma.