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Suor, Grama e o Brilho nos Olhos
O sol de sábado à tarde caía sobre o campo de grama sintética privada nos fundos da propriedade de Emanuel. O espaço, cercado por uma estrutura metálica moderna e redes de proteção, era o refúgio onde o empresário despejava o estresse acumulado de gerenciar estúdios em três continentes diferentes. Para Emanuel, o futebol não era apenas um esporte; era o momento em que ele deixava de ser o estrategista frio para ser o homem de ação, o atleta que confiava nos próprios instintos e na força física.
Na lateral do campo, a arquibancada improvisada de madeira nobre estava ocupada. Eduarda estava sentada com Maya no colo, ambas protegidas por chapéus de aba larga. Eduarda usava um vestido de algodão leve, segurando uma garrafa de água gelada e uma toalha limpa, observando Emanuel com uma intensidade que ela raramente demonstrava em público.
— Olha o papai, Maya! Olha como ele corre rápido — sussurrou Eduarda, sentindo o coração acelerar cada vez que Emanuel passava por perto, a camiseta de treino já colada ao corpo pelo suor.
Ao lado delas, Sara era a personificação do glamour esportivo. Usava um conjunto de academia de grife, justo o suficiente para destacar cada curva de seu corpo siliconado, e óculos escuros que escondiam seu olhar analítico. Ágata estava sentada ao seu lado, ignorando a bola e concentrada em pintar as unhas de uma boneca com um esmalte infantil que Sara trouxera.
— Ele está se exibindo — comentou Sara, cruzando as pernas longas. — Sabe que estamos olhando. O Emanuel adora ser o centro das atenções, especialmente quando sabe que tem uma plateia feminina.
— Ele está apenas jogando, Sara — rebateu Eduarda, sem desviar os olhos do namorado. — Ele gosta de se exercitar. Faz bem para o estresse dele.
— Faz bem para o ego dele, querida. Olhe para aquela panturrilha. Ele treinou perna ontem só para hoje as veias saltarem no campo. Eu conheço a peça.
Emanuel parou a bola, ofegante. O suor escorria por sua testa, limpando o caminho entre as pequenas tatuagens perto da têmpora e descendo pelo pescoço forte. Ele levantou a camisa para limpar o rosto, revelando o abdômen definido e as tatuagens complexas que cobriam suas costelas.
Eduarda sentiu o rosto esquentar. Havia algo terrivelmente atraente na crueza daquele momento. Ela amava o Emanuel de terno, o Emanuel curador de arte e o Emanuel pai carinhoso, mas o Emanuel suado, exalando testosterona e esforço físico, despertava nela uma admiração quase primitiva.
— Ele é tão... forte — deixou escapar Eduarda, em um sussurro quase inaudível.
Sara soltou uma gargalhada, atraindo a atenção de Ágata.
— Viu só, Ágata? A tia Duda está babando pelo papai. Cuidado para não desidratar, Eduarda! Se quiser, eu chamo ele aqui para você passar a mão nesse suor todo.
— Sara, por favor! — Eduarda se encolheu, envergonhada, enquanto Maya ria, sem entender a piada, mas achando graça da reação da mãe.
Emanuel chutou a bola com força, marcando um gol no ângulo do goleiro — um de seus seguranças que aceitara o desafio. Ele comemorou com um grito curto, socando o ar, e então se virou para a lateral, caminhando em direção a elas.
Cada passo dele parecia ecoar no peito de Eduarda. O cheiro de grama úmida e esforço físico o precedia.
— Água — pediu ele, a voz mais grossa devido ao cansaço.
Eduarda levantou-se rapidamente, entregando a garrafa. Quando as mãos deles se tocaram, ela sentiu o calor da pele dele, úmida e vibrante. Emanuel bebeu metade da garrafa de uma vez, a maçã de adão movendo-se ritmicamente, enquanto a água que escapava pelo canto da boca se misturava ao suor de seu peito.
— Você foi muito bem, Manu — disse Eduarda, aproximando-se para passar a toalha no rosto dele com um cuidado quase maternal, mas com os olhos brilhando de desejo contido.
Emanuel fechou os olhos, aproveitando o toque macio de Eduarda.
— O campo está rápido hoje. Cansa o dobro.
— Papai! Você é o campeão? — Maya esticou os bracinhos, querendo colo.
Emanuel hesitou, olhando para o próprio corpo sujo.
— O papai está muito suado, pequena. Vou sujar seu vestido.
— Eu não ligo! — exclamou a menina.
Ele a pegou no colo, fazendo-a rir alto enquanto a encostava em seu peito úmido. Ágata se aproximou, olhando para a cena com uma sobrancelha arqueada.
— Papai, você cheira a cachorro molhado — sentenciou a loirinha, tapando o nariz. — Mamãe Sara disse que homem suado é falta de higiene.
Sara, que se aproximara para dar um beijo rápido no rosto de Emanuel — sem se importar com o suor, já que estava habituada àquela rotina —, deu um tapinha no ombro dele.
— Eu disse que homem suado no campo é sexy, Ágata. Homem suado no sofá é falta de higiene. Aprenda a diferença.
— Vocês duas são impossíveis — riu Emanuel, colocando Maya no chão. — Duda, você está muito quieta. Gostou do jogo ou estava entediada com a minha falta de técnica?
Eduarda sentiu o olhar de Emanuel queimando sobre ela. Ele sabia exatamente o efeito que causava nela naquele estado.
— Eu gostei... de tudo — respondeu ela, a voz falhando levemente. — Você parece muito em paz quando joga.
— Eu fico em paz quando vejo vocês aqui — ele disse, baixando a voz para que apenas ela ouvisse, aproximando-se o suficiente para que Eduarda sentisse o calor irradiando de seu corpo. — Ver você me olhando desse jeito, Duda... me dá vontade de terminar o jogo agora e te levar para o chuveiro comigo.
Eduarda arregalou os olhos, o rubor espalhando-se por seu pescoço. Ela olhou rapidamente para o lado, vendo Sara distraída com as crianças.
— Emanuel... as meninas estão aqui.
— Eu sei. Por isso eu vou jogar mais dez minutos — ele deu um sorriso de lado, predatório e charmoso. — Me espera com a toalha pronta.
Ele voltou para o campo com uma energia renovada. Sara sentou-se novamente ao lado de Eduarda, observando a expressão atordoada da outra.
— Ele usou a voz de "dono do mundo" com você, não foi? — perguntou Sara, rindo. — Não se sinta especial, ele faz isso para conseguir o que quer. Mas confesso, ele está em boa forma. O treino de pernas realmente valeu a pena.
— Eu não sei como você consegue ser tão... prática — comentou Eduarda, tentando recuperar a compostura.
— Anos de convivência, querida. O Emanuel é um homem de necessidades simples, apesar do dinheiro. Ele quer ser admirado, quer ser o provedor e quer que a gente esteja exatamente onde ele possa nos ver. O futebol é só o teatro dele.
O jogo continuou por mais alguns minutos, mas o clima mudara. Eduarda não via mais apenas um esporte; ela via a força que sustentava sua vida. Quando Emanuel finalmente encerrou a partida, ele estava exausto, mas com um olhar de triunfo.
— Chega por hoje — anunciou ele, dispensando os funcionários. — Vamos entrar. As meninas precisam de banho e eu preciso de um descanso de verdade.
Enquanto caminhavam de volta para a mansão, Ágata e Maya corriam na frente, disputando quem chegaria primeiro à porta de vidro. Sara caminhava com sua elegância habitual, já checando mensagens no celular sobre a administração de Tóquio.
Emanuel, no entanto, diminuiu o passo para ficar ao lado de Eduarda. Ele passou o braço pesado e suado pelos ombros dela, puxando-a para perto. Eduarda não reclamou de sujar seu vestido de linho; ela apenas se aninhou na lateral dele, sentindo o compasso forte do coração de Emanuel voltando ao normal.
— Você está suja de grama — comentou ela, sorrindo.
— E você está com cheiro de baunilha — rebateu ele, beijando o topo da cabeça dela. — É um contraste interessante.
Ao entrarem na sala climatizada, o choque térmico trouxe um alívio imediato. Sara já estava dando ordens para as babás.
— Maya para o banho de espuma, Ágata para o chuveiro rápido porque vamos sair para jantar — comandou Sara. — Manu, você tem vinte minutos. Se demorar mais que isso, eu escolho o vinho mais caro da adega e bebo sozinha enquanto espero.
— Eu nunca demoro, Sara. Você sabe disso — respondeu Emanuel, subindo as escadas.
Ele parou no primeiro degrau e olhou para Eduarda, que ainda estava na sala, observando as crianças.
— Duda?
— Sim?
— Me ajuda a tirar essas chuteiras? Estão apertadas demais.
Eduarda hesitou, vendo o brilho malicioso nos olhos dele. Sara, que passava em direção à cozinha, apenas revirou os olhos.
— Vai logo, Eduarda. Ele é manhoso quando está cansado. Se você não for, ele vai ficar reclamando a noite toda que a panturrilha está com cãibra.
Eduarda subiu as escadas, o coração batendo na garganta. Ao entrar no quarto vasto e luxuoso de Emanuel, ela o encontrou sentado na borda da cama, já sem a camiseta, jogando as meias no chão. O quarto tinha o cheiro dele — uma mistura de perfume amadeirado e o frescor do banho que ele ainda não tomara.
— Senta aqui — pediu ele, indicando o espaço entre suas pernas.
Eduarda ajoelhou-se no tapete felpudo e começou a desamarrar os cadarços das chuteiras. Emanuel colocou as mãos sobre os ombros dela, os dedos massageando a nuca de Eduarda.
— Você fica tão linda quando está cuidando de mim — sussurrou ele.
— Eu gosto de cuidar de você, Manu. Mas você sabe que a Sara tem razão... você se exibe um pouco.
Emanuel soltou uma risada curta, inclinando-se para frente até que seu rosto ficasse a poucos centímetros do dela.
— Eu me exibo para você, pequena. Eu quero que você veja que, por trás de todos esses estúdios e do dinheiro, eu ainda sou o homem que pode te carregar no colo e te proteger de qualquer coisa. Eu quero que você deseje o que é seu.
Eduarda terminou de tirar o segundo calçado e olhou para cima. O suor de Emanuel agora brilhava sob a luz âmbar do quarto. Ela estendeu a mão e tocou o peito dele, sentindo a textura das tatuagens sob a pele quente.
— Eu desejo — confessou ela, a voz quase sumindo. — Às vezes eu tenho medo do quanto eu desejo você.
Emanuel a puxou para cima, fazendo-a sentar em seu colo. O contraste entre a delicadeza de Eduarda e a crueza dele naquele momento era a imagem perfeita da relação deles.
— Não tenha medo — ele disse, selando os lábios nos dela em um beijo que misturava a urgência do desejo com a ternura da posse.
Lá embaixo, o som das meninas brincando e a voz autoritária de Sara ecoavam pela casa, lembrando-os de que a paz era um conceito relativo. Mas ali, naquele quarto, entre o cheiro de grama e a suavidade da seda, Emanuel e Eduarda encontravam o equilíbrio que o mundo lá fora tentava lhes tirar.
— Agora — disse Emanuel, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dela —, você vai entrar naquele chuveiro comigo. E a Sara que se vire com o vinho, porque eu vou demorar muito mais do que vinte minutos.
Eduarda sorriu, entregando-se ao abraço dele. Ela finalmente entendera que ser "manhosa" não era uma fraqueza, mas a chave que abria as portas da fortaleza que Emanuel construíra ao redor de si mesmo. E naquele sábado de sol, entre suor e silêncio, o império de Emanuel parecia mais sólido do que nunca.