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O Rugido do Leão e a Calmaria do Ventre
O dia amanheceu com uma energia pesada na mansão, como se o ar estivesse carregado de eletricidade antes de uma tempestade devastadora. Emanuel não havia dormido bem. Problemas com a alfândega em Berlim e uma quebra de contrato em Nova York o mantiveram grudado ao telefone até as quatro da manhã. Quando ele finalmente fechou os olhos, o sol já ameaçava surgir, e com ele, o despertar de Maya.
Maya, geralmente a doçura em forma de criança, parecia ter sido possuída por um espírito de rebeldia absoluta naquela terça-feira. Aos dois anos e meio, ela descobrira o poder da palavra "não" e a eficácia de se jogar no chão quando contrariada.
— Eu não quero esse pijama! — gritou a pequena, arremessando o conjunto de algodão orgânico que Eduarda havia escolhido com tanto carinho.
— Mas meu amor, é o seu favorito, tem os anjinhos que você gosta — tentou Eduarda, com sua voz mansa e paciente, embora as olheiras denunciassem seu próprio cansaço.
— Não! Quero o da Ágata! — Maya apontou para o pijama de seda rosa choque que Sara havia dado para a irmã, um número menor que claramente não caberia nela.
Emanuel, que tentava ler um relatório no tablet enquanto tomava um café preto amargo, sentiu a primeira veia saltar em sua têmpora.
— Eduarda, coloque qualquer coisa nela e vamos descer. Eu preciso de silêncio para terminar isso aqui.
— Eu estou tentando, Manu... — sussurrou Eduarda, sentindo a pressão aumentar.
O café da manhã foi um campo de batalha. Maya decidiu que não queria comer frutas. Ela queria chocolate. Quando Emanuel negou, a menina soltou um grito agudo que pareceu vibrar nos cristais da cristaleira.
— Maya, chega! — Emanuel bateu a mão na mesa, não com força, mas com uma autoridade que fez os talheres tilintarem. — Coma o que foi servido ou saia da mesa.
Maya olhou para o pai, os olhos castanhos desafiadores, e lentamente empurrou a tigela de cerâmica para a bordada mesa, deixando-a cair e se estilhaçar no chão de mármore.
O silêncio que se seguiu foi aterrorizante. Sara, que acabara de entrar na sala com Ágata, parou no lugar, avaliando a cena com um olhar cínico.
— Uau. O clima está ótimo. Ágata, querida, coma seu iogurte bem longe do seu pai hoje. Ele está com cara de quem vai morder o pescoço de alguém.
— Sara, não ajude — rosnou Emanuel, levantando-se. Ele estava no seu modo mais bruto. A barba por fazer, os olhos injetados e a postura rígida de quem estava a um passo de explodir.
— Eu só estou constatando o óbvio, baby. Você está uma pilha e a menina sabe disso. Ela está testando quem manda aqui — Sara deu de ombros, sentando-se e começando a lixar uma unha.
Emanuel não respondeu. Ele saiu da sala a passos largos, indo para o escritório. Eduarda limpou a bagunça com a ajuda de uma das funcionárias, sentindo o peito apertado. Ela conhecia aquele Emanuel. Quando ele ficava assim, o "macho alfa" assumia o controle, e sua paciência se tornava inexistente. Ele era um homem rico, poderoso e acostumado a ser obedecido; a desobediência de uma criança de dois anos era a gota d'água para o estresse acumulado.
Ao longo da tarde, a situação só piorou. Maya teve outra crise de birra porque não podia brincar com as tintas de tatuagem do pai. Ela chorou por uma hora seguida, um som que ecoava por toda a casa. Emanuel saiu do escritório três vezes, cada vez mais sombrio, com os punhos cerrados.
— Eduarda, se essa criança não calar a boca nos próximos cinco minutos, eu vou perder a cabeça! — ele gritou do topo da escada. — Eu tenho uma conferência em dez minutos e não consigo ouvir minha própria voz!
Eduarda pegou Maya no colo, que chutava e gritava, e a levou para o quarto, sentindo as lágrimas subirem aos seus próprios olhos. Ela amava Emanuel, mas sabia que, quando ele chegava naquele nível de irritação, ele se tornava bruto, frio e imperioso. Ele precisava de uma válvula de escape, ou a noite seria um desastre para todos.
Perto das seis da tarde, a casa finalmente silenciou. Maya, exausta de sua própria rebeldia, caiu em um sono profundo. Sara saíra com Ágata para um evento de moda, deixando Eduarda e Emanuel sozinhos na imensidão da mansão.
Eduarda entrou no quarto deles e viu Emanuel parado na varanda, de costas, fumando um charuto — algo que ele só fazia quando estava no limite extremo do estresse. Suas costas largas, cobertas por tatuagens que contavam a história de sua ascensão, subiam e desciam com uma respiração pesada.
Ela sabia o que precisava fazer. Como curadora de sua arte e de sua alma, ela entendia que o corpo dele era um templo de tensão que precisava ser profanado para ser limpo.
Ela foi até o banheiro e trancou a porta. O espelho refletia sua imagem delicada, o contraste perfeito para a brutalidade dele. Eduarda despiu-se lentamente. Ela olhou para baixo, para a sua própria intimidade, e sentiu um frio na barriga. Ela sabia que Emanuel não seria gentil hoje. Ele não teria paciência para preliminares longas ou carinhos suaves. Ele queria usar, possuir, dominar.
Ela sentou-se na borda da banheira e começou a se preparar. Passou um óleo perfumado de jasmim entre as coxas, massageando a própria carne com dedos trêmulos.
— Você vai ter que ser forte hoje — sussurrou ela para si mesma, ou talvez para aquela parte de seu corpo que estava prestes a receber toda a fúria e o desejo de um homem sobrecarregado. — Ele está bravo, ele está bruto. Mas ele precisa de você. Ele precisa se perder aqui dentro para não se perder lá fora.
Ela se tocou devagar, preparando o caminho, sentindo a umidade natural surgir como uma oferenda. Ela sabia que Emanuel gostava da sua submissão, do seu jeito manhoso, mas hoje ela seria algo mais: ela seria o seu sacrifício.
Eduarda saiu do banheiro usando apenas um robe de seda branca, quase transparente. Ela caminhou até a varanda. O cheiro do charuto era forte.
— Emanuel? — chamou ela, a voz suave, quase um sussurro.
Ele não se virou de imediato.
— A Maya dormiu? — a voz dele saiu rouca, carregada de uma irritação que ainda não havia dissipado.
— Sim. Ela está em paz agora.
— Ótimo. Porque eu não estou. Eu sinto que vou quebrar algo se não sair de dentro da minha própria pele.
Eduarda aproximou-se por trás e abraçou sua cintura larga, encostando o rosto em suas costas quentes.
— Não quebre nada, Manu. Use a mim.
Emanuel travou. Ele virou-se lentamente, o olhar escuro e predatório descendo pelo corpo dela, notando a transparência do robe e a ausência de qualquer coisa por baixo. A irritação em seus olhos começou a se transformar em algo muito mais perigoso: desejo bruto.
— Você não sabe o que está pedindo, Eduarda. Eu não estou com paciência para ser o namorado carinhoso hoje. Eu estou com raiva. Eu estou com sede.
— Eu sei — disse ela, olhando-o nos olhos, a timidez dando lugar a uma determinação afetuosa. — Eu me preparei para você. Eu sou sua, Emanuel. Faça o que você precisar para se sentir no controle de novo. Desconte em mim, não no mundo.
Emanuel soltou o charuto no cinzeiro de cristal e, com um movimento rápido e brusco, agarrou a nuca de Eduarda, puxando-a para um beijo que não tinha nada de romântico. Era uma invasão. Ele a prensou contra a mureta da varanda, o corpo forte esmagando a delicadeza dela.
— Você é muito atrevida para alguém tão pequena — rosnou ele contra os lábios dela.
Ele a pegou no colo sem esforço, as pernas dela enlaçando sua cintura, e a levou para a cama, jogando-a sobre os lençóis escuros. Emanuel não se despiu com calma; ele arrancou a camisa e desfez o cinto com uma urgência agressiva.
— Você disse que se preparou? — ele perguntou, a voz vibrando de poder.
Eduarda apenas assentiu, puxando o robe para os ombros, expondo-se totalmente sob a luz fraca do abajur. Emanuel ajoelhou-se entre as pernas dela, abrindo-as com força, sem pedir licença. Ele viu o brilho do óleo que ela passara, sentiu o perfume de jasmim misturado ao aroma natural dela.
— Está molhada — constatou ele, um sorriso cruel e satisfeito surgindo em seu rosto. — Minha garota manhosa estava me esperando enquanto eu queria matar um.
Ele não usou os dedos. Ele não usou a língua. Ele queria a conexão total, o impacto. Emanuel posicionou-se e entrou nela com uma estocada profunda e possessiva, arrancando um grito agudo de Eduarda que foi imediatamente abafado pela mão dele sobre a boca dela.
— Silêncio — ordenou ele, os olhos fixos nos dela. — Eu quero ouvir apenas o som do seu prazer e da minha força.
Emanuel começou a se mover com uma cadência bruta, rítmica e implacável. Cada movimento era uma descarga de todo o estresse do dia. A birra de Maya, os problemas de Berlim, a insolência de Sara... tudo estava sendo canalizado para aquele ato de posse absoluta.
Eduarda sentia cada centímetro dele. Era forte, era intenso, beirava a dor, mas era exatamente o que ela queria dar a ele. Ela apertava os lençóis, as unhas cravando-se no tecido, enquanto o corpo de Emanuel, suado e pesado, a dominava completamente.
— Você é minha, Eduarda — ele dizia entre dentes, o ritmo aumentando, a cama rangendo sob o peso de sua autoridade. — Só minha. Entendeu?
— Sim... Manu... sim — ela gemia, a voz entrecortada, entregando-se totalmente ao modo alfa dele.
Ele a virou de costas com um movimento brusco, puxando-a pelos quadris, obrigando-a a se ajoelhar. Emanuel a possuía agora com uma visão clara de suas costas arqueadas, de sua fragilidade diante de sua força. Ele não tinha pressa de terminar; ele queria exaurir cada gota de tensão.
A cada estocada, Emanuel sentia o peso do mundo diminuir. A maciez de Eduarda era o único lugar onde sua brutalidade encontrava acolhimento sem julgamento. Ela era seu porto seguro, não porque era passiva, mas porque era forte o suficiente para aguentar o seu pior lado.
Quando o ápice finalmente os atingiu, foi como uma explosão de silêncio após um dia de ruído constante. Emanuel desabou sobre ela, o peito arfando contra as costas dela, o suor de ambos colando seus corpos.
O silêncio na sala agora era real. A paz finalmente havia retornado.
Minutos depois, Emanuel rolou para o lado, puxando Eduarda para o seu peito. Ele ainda estava ofegante, mas a rigidez de seus ombros sumira. Seus dedos, antes fechados em punhos, agora acariciavam o cabelo castanho dela com uma delicadeza quase inacreditável.
— Me desculpa — sussurrou ele, a voz agora suave, o Emanuel protetor retornando. — Eu fui bruto demais.
Eduarda sorriu, encostando a bochecha no peito dele, ouvindo o coração que agora batia em um ritmo calmo.
— Você precisava disso, Manu. Eu estou bem. Eu gosto quando você me usa assim... quando você mostra que precisa de mim para se acalmar.
Emanuel suspirou, fechando os olhos.
— Eu não sei o que eu faria sem você, Duda. A Sara me desafia, a Maya me testa... mas você... você me cura.
— Amanhã será um dia melhor — disse ela, fechando os olhos também. — A Maya vai acordar de bom humor, e você vai resolver os problemas de Berlim.
— Talvez — respondeu ele, apertando-a mais forte. — Mas se ela fizer birra de novo, eu já sei qual é o melhor remédio.
Eduarda riu baixinho, sentindo o cansaço do prazer e da entrega. Naquela noite, na mansão do tatuador mais poderoso do mundo, não houve gritos, nem birras, nem relatórios. Houve apenas o sono pesado de um leão que encontrara sua paz no ventre de sua amada, e a certeza de que, entre tintas e tensões, o amor deles era a única marca que nunca desbotaria.