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Instinto e Rendição
O sol da manhã filtrava-se pelas cortinas de linho pesado, banhando o quarto principal em tons de âmbar e ouro. Emanuel ainda estava submerso em um sono profundo, o tipo de descanso pesado que só vinha após semanas de estresse acumulado e noites mal dormidas gerenciando crises em seus estúdios de Londres e Tóquio. O peito largo subia e descia em um ritmo constante, as tatuagens em seus braços parecendo ganhar vida sob a luz matinal.
Contudo, o despertar de Emanuel não veio pelo som do despertador ou pela luz do sol, mas por um peso suave e um calor insistente que se acomodava sobre ele.
Eduarda estava em seu período fértil, e a mudança em sua química corporal era palpável. A timidez que geralmente a definia parecia ter sido temporariamente substituída por um instinto primitivo, uma urgência que ela mal conseguia explicar, mas que a guiava com uma precisão hipnótica. Ela já havia acordado há algum tempo, sentindo o corpo vibrar, uma necessidade de proximidade física que ia além do carinho habitual.
Ela subiu sobre ele com movimentos lentos e fluidos, as pernas esguias abraçando os quadris de Emanuel. O pijama de seda clara que ela usava estava desalinhado, e a pele de Eduarda parecia emanar um perfume mais doce e intenso do que o normal. Ela se deitou sobre o peito dele, mas não para dormir. Ela começou a se esfregar, movendo o quadril de forma rítmica e manhosa contra a ereção matinal de Emanuel, que reagia involuntariamente ao calor dela.
Emanuel soltou um gemido baixo, os olhos ainda fechados, a mente tentando processar a transição entre o sonho e a realidade. Ele sentiu as mãos pequenas de Eduarda acariciando seu rosto, os dedos dela traçando a linha de sua mandíbula antes de se enterrarem em seu cabelo curto.
— Manu... acorda — sussurrou ela, a voz carregada de uma sensualidade inocente que era, paradoxalmente, a coisa mais excitante que ele já ouvira.
Ele abriu os olhos lentamente, encontrando o olhar de Eduarda. As pupilas dela estavam dilatadas, e a expressão doce que ele tanto amava estava misturada a uma fome latente. Ela parecia uma fêmea no cio, movida por uma biologia que clamava por ele.
— Duda? — Emanuel murmurou, a voz rouca de sono. — O que você está fazendo, pequena?
— Eu quero você — disse ela, simplesmente, voltando a se esfregar contra ele com uma urgência que fez o sangue de Emanuel ferver instantaneamente. — Eu preciso de você agora.
Emanuel sentiu o controle que tanto prezava começar a ruir. Ele a segurou pela cintura, as mãos grandes cobrindo quase toda a extensão dos quadris dela. Ele pretendia ser gentil, talvez até brincar com a situação, mas o jeito como ela se pressionava contra ele, buscando o contato direto, despertou o seu lado mais protetor e possessivo.
— Você está impossível hoje — disse ele, um sorriso de lado surgindo em seu rosto enquanto ele a puxava para um beijo profundo.
A porta do quarto se abriu sem cerimônias. Sara entrou, já impecavelmente arrumada em um conjunto de academia justo que realçava seus seios siliconados e a cintura fina. Ela segurava um iPad e uma xícara de café, mas parou no meio do caminho ao ver a cena na cama.
— Ora, ora... parece que o passarinho acordou com fome hoje — comentou Sara, a voz carregada de ironia, mas sem qualquer sinal de choque. Ela caminhou até a beira da cama, observando o casal com um olhar clínico e divertido. — Emanuel, você tem uma reunião com o pessoal de marketing em quarenta minutos. Mas, pelo visto, a sua "esposinha" tem outros planos para a sua manhã.
Eduarda não se afastou. Pelo contrário, ela se aninhou ainda mais em Emanuel, escondendo o rosto no pescoço dele, mas sem parar o movimento sutil de seus quadris.
— Deixa a gente, Sara — murmurou Eduarda, a voz abafada, mas com uma nota de afirmação que raramente usava.
Sara soltou uma risada curta, sentando-se na poltrona próxima à cama e cruzando as pernas.
— Ah, eu não vou a lugar nenhum. Gosto de ver quando você fica assim, Duda. Fica muito mais interessante do que quando está choramingando pelos cantos. Emanuel, você vai mesmo deixar o trabalho de lado para atender aos caprichos hormonais dela?
Emanuel olhou para Sara, depois para Eduarda. O conflito interno era evidente em seus olhos observadores. Ele amava a competência de Sara, a forma como ela o desafiava e como ela lidava com a parte prática de sua vida. Mas o que Eduarda estava oferecendo naquele momento era algo que ele não conseguia ignorar. Era a entrega total, a vulnerabilidade transformada em desejo.
— Sara, remarque a reunião — ordenou Emanuel, a voz agora firme, assumindo o comando da situação. — Diga que tive um imprevisto doméstico.
— Imprevisto doméstico... entendi — Sara sorriu, levantando-se e caminhando até Emanuel. Ela se inclinou e depositou um beijo possessivo nos lábios dele, ignorando Eduarda por um segundo. — Vou dar esse tempo para vocês. Mas não se esqueça, querido, que depois dessa calmaria, você ainda tem que lidar com o fogo. E eu não tenho a paciência da Eduarda para esperar.
— Eu sei, Sara. Agora saia — disse ele, embora o tom não fosse agressivo. Era apenas o reconhecimento de que, naquele momento, o mundo pertencia a Eduarda.
Sara piscou para os dois e saiu do quarto, fechando a porta com um clique suave.
Emanuel voltou sua atenção total para a mulher sobre ele. Eduarda parecia aliviada com a partida de Sara, mas seu foco principal ainda era o corpo dele. Ela começou a distribuir beijos pelo peito tatuado de Emanuel, as mãos pequenas explorando cada músculo, cada traço de tinta.
— Você é meu — sussurrou ela, os olhos brilhando com uma intensidade que beirava o emocional. — Só meu agora.
— Eu sou seu, Duda — Emanuel respondeu, virando-a com facilidade e ficando por cima dela. — Sempre fui, de um jeito que você nem imagina.
Ele a despiu com uma urgência controlada, admirando a delicadeza do corpo dela. Eduarda era esguia, leve, um contraste absoluto com a presença marcante e curvilínea de Sara. Para Emanuel, tocar Eduarda era como tocar algo sagrado que ele tinha o dever de proteger, mas que, naquele momento, pedia para ser desvendado.
— Você está tão sensível... — ele comentou, sentindo a pele dela arrepiar-se sob seus dedos.
— É você — disse ela, puxando-o para perto, as pernas se entrelaçando nas dele. — É o jeito que você olha para mim. Eu sinto que posso desaparecer se você não me segurar com força.
Emanuel não precisou de mais incentivo. Ele a possuiu com uma mistura de cuidado e paixão avassaladora. Eduarda reagia a cada toque com gemidos manhosos, buscando a proximidade física como se sua vida dependesse disso. Ela era intuitiva, sentindo cada mudança no ritmo de Emanuel, acompanhando-o com uma entrega que o deixava sem fôlego.
No auge da intimidade, Eduarda chorou. Não eram lágrimas de tristeza, mas de uma sobrecarga emocional que ela só conseguia liberar nos braços dele. Emanuel a segurou com força, beijando suas lágrimas, sentindo uma onda de proteção que quase o sufocava.
— Eu te amo, Manu — ela soluçava contra o ombro dele. — Eu te amo tanto que dói.
— Eu estou aqui, pequena. Eu nunca vou te deixar — ele prometeu, e no fundo de sua mente racional, ele sabia que aquela promessa era a âncora que o mantinha são.
Depois, enquanto o quarto mergulhava em um silêncio pós-coito, Emanuel permaneceu abraçado a ela. Eduarda estava exausta, a urgência biológica finalmente saciada, dando lugar a uma calmaria doce. Ela se apoiou no peito dele, ouvindo o bater do coração de Emanuel.
— Você vai sair com a Sara hoje? — perguntou ela, a voz voltando ao tom baixo e tímido de sempre.
Emanuel suspirou, acariciando o cabelo castanho dela.
— Tenho trabalho, Duda. Sara e eu precisamos resolver a logística dos estúdios. O sucesso não vem de graça.
— Eu sei — disse ela, fechando os olhos. — Eu só queria que o tempo parasse aqui. Só nós dois. Sem contratos, sem estúdios, sem... ela.
— O mundo não funciona assim, pequena. Mas você sabe que este lugar, este momento... é só nosso. Ninguém entra aqui.
A porta abriu-se novamente. Sara entrou, desta vez sem o iPad, apenas com uma expressão impaciente.
— Já deu o tempo de vocês. Emanuel, o carro está esperando. E Eduarda, sua professora de História da Arte ligou. Você perdeu a aula das nove.
Eduarda se encolheu sob o lençol, a realidade voltando a bater à porta. Sara caminhou até o armário de Emanuel e tirou uma camisa limpa, jogando-a para ele.
— Vamos, Emanuel. O mundo não para porque a princesinha está no período fértil. Temos dinheiro para ganhar e um império para manter.
Emanuel levantou-se, a transição do amante protetor para o empresário prático acontecendo em segundos. Ele vestiu a camisa enquanto olhava para Eduarda, que permanecia na cama, observando-os com aquele olhar sensível que sempre o atingia.
— Vá para a faculdade, Duda — disse ele, inclinando-se para dar um beijo de despedida nela. — Peça para o motorista te levar. E não se esqueça de comer alguma coisa.
— Eu vou — murmurou ela, forçando um sorriso.
Sara parou ao lado de Emanuel, passando o braço pelo dele de forma possessiva.
— Ela vai ficar bem, Manu. Eu cuido para que ela não se perca no caminho entre o quarto e o ateliê — Sara ironizou, lançando um olhar de superioridade para Eduarda. — Vamos? Temos muito o que fazer.
Ao saírem do quarto, Emanuel sentiu o perfume forte de Sara misturar-se ao cheiro suave de Eduarda que ainda estava em suas mãos. Era uma dualidade que o definia. Ele caminhava em direção ao caos, ao poder e à agressividade de Sara, mas seu coração permanecia para trás, naquela cama, com a fragilidade e a doçura de Eduarda.
No carro, enquanto Sara falava sem parar sobre margens de lucro e expansão de mercado, Emanuel olhava pela janela. Ele era o mestre de sua vida, o homem que todos temiam e respeitavam. Mas ele sabia que, na verdade, era um prisioneiro de luxo. Prisioneiro da força de Sara, que o impulsionava a ser o melhor, e prisioneiro da necessidade de Eduarda, que o lembrava de que ele ainda tinha uma alma.
— Você está muito quieto hoje — comentou Sara, tocando o joelho dele. — A menina te esgotou?
— Só estou pensando, Sara — respondeu ele, cobrindo a mão dela com a sua.
— Pensando em quê?
— Em como a vida é irônica. Eu passei anos lutando contra esse casamento, contra a ideia de ser amarrado a alguém que eu não escolhi. E agora...
— E agora você tem duas — Sara completou, rindo. — E o pior de tudo, Emanuel, é que você gosta. Você adora ser o centro de tudo isso.
Emanuel não negou. Ele olhou para as próprias mãos, as mãos que haviam segurado Eduarda com tanta ternura e que agora apertavam a mão de Sara com tanta firmeza.
— Eu não escolheria de outro jeito — admitiu ele, a voz firme.
Sara inclinou-se e beijou seu pescoço, exatamente sobre uma de suas tatuagens favoritas.
— Eu sei que não. Por isso eu ainda estou aqui. Porque você é o único homem que tem estômago para suportar a mim e paciência para carregar ela.
Enquanto o carro se afastava da mansão, Emanuel sentiu a tensão do dia começar a pesar. Mas, no fundo, ele estava satisfeito. O ciclo recomeçava. A paixão, o trabalho, o conflito e a paz. Ele tinha tudo o que um homem poderia desejar, e embora o preço fosse o estresse constante e a corda bamba emocional, ele não trocaria seu reino por nada no mundo.
Lá na mansão, Eduarda levantou-se e caminhou até a janela. Ela viu o carro sumir de vista. Ela sentia o corpo ainda quente, a marca de Emanuel nela. Ela sabia que Sara estaria com ele o dia todo, decidindo, comandando, brilhando. Mas Eduarda também sabia que, quando a noite caísse e as luzes se apagassem, Emanuel buscaria a calmaria. E a calmaria tinha o nome dela.
Ela sorriu, um toque de astúcia brilhando em seus olhos expressivos. Ela podia ser manhosa, podia ser dependente, mas ela sabia exatamente como manter o homem mais poderoso que já conhecera preso em sua teia de doçura. O período fértil passaria, mas a marca que ela deixava na alma de Emanuel era permanente. E isso, para Eduarda, era a maior vitória de todas.