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O Lobo e a Caçadora de Sonhos
A densa floresta de pinheiros e carvalhos que cercava a propriedade de montanha de Emanuel parecia sussurrar segredos antigos conforme a luz do entardecer morria. O ar era fresco, carregado com o cheiro de terra úmida, resina de madeira e o presságio de algo selvagem. Para Emanuel, aquele cenário era o estúdio perfeito, uma tela viva onde ele não usaria agulhas ou tinta, mas sim o próprio ambiente para marcar sua posse.
— Emanuel, por que estamos indo tão longe? — a voz de Eduarda saiu pequena, quase um sussurro que se perdia no estalar dos galhos secos sob seus pés. — As crianças já estão com a minha mãe na casa principal, e a Sara disse que ia terminar de organizar os documentos em Londres por vídeo-chamada... não precisamos estar aqui fora no escuro.
Emanuel não respondeu de imediato. Ele caminhava à frente dela, uma silhueta imponente vestindo uma jaqueta de couro preta e botas pesadas. Ele parou sob a sombra de um carvalho colossal e virou-se lentamente. Seus olhos escuros brilhavam com uma intensidade predatória que fez o estômago de Eduarda dar um solavanco de antecipação e medo.
— Você se lembra do nosso acordo, Duda? — ele perguntou, a voz baixa e vibrante como o rosnado de um animal grande. — Trinta dias. E hoje é uma noite especial. Onde você vê escuridão, eu vejo oportunidade.
Ele abriu a mochila que carregava e retirou uma peça de roupa que parecia deslocada naquele cenário rústico. Era uma capa curta, de um veludo vermelho tão profundo que parecia sangue sob a luz da lua nascente.
— Coloque — comandou ele.
Eduarda aproximou-se, as mãos trêmulas enquanto pegava o tecido macio. Ela retirou o casaco leve que usava e vestiu a capa. O capuz caía sobre seus cabelos castanhos, emoldurando seu rosto pálido e doce. Sob a capa, ela usava apenas um vestido de seda branca, curto e fluido, que Emanuel a obrigara a vestir antes de saírem.
— Você parece a Chapeuzinho Vermelho — Emanuel murmurou, aproximando-se e puxando o capuz para cobrir parte dos olhos dela. — Tão inocente, tão perdida na floresta... e tão deliciosa para um lobo faminto.
— E você é o lobo? — ela perguntou, tentando manter a voz firme, embora seu corpo já estivesse reagindo à proximidade dele.
— Eu sou o lobo que vai te caçar, Duda — ele disse, a mão subindo para o pescoço dela, os dedos calejados traçando a linha de sua mandíbula. — Eu quero que você corra.
— Correr? Para onde?
— Para dentro da floresta. Eu vou te dar um minuto de vantagem. Se eu te pegar — e eu vou te pegar —, você será minha de uma forma que nunca foi antes. Nenhuma regra da cidade se aplica aqui. Nenhuma civilidade. Apenas nós e o instinto.
— Emanuel, isso é loucura... — ela começou a protestar, mas ele a interrompeu com um beijo rápido e voraz que tinha gosto de urgência.
— Um minuto, Duda. Comece agora.
Eduarda não pensou mais. O medo e a excitação se fundiram, impulsionando suas pernas. Ela segurou as bordas da capa vermelha e começou a correr entre as árvores. O vestido branco subia em suas coxas, e o ar gelado batia em sua pele, mas ela não parou. Ela ouvia o som de sua própria respiração, o bater do seu coração como um tambor frenético. Ela era o coelhinho assustado, a menina perdida, e a floresta parecia se fechar ao seu redor.
Ela correu até chegar a uma pequena clareira coberta por um tapete de musgo verde e flores silvestres que se fechavam para a noite. O silêncio ali era absoluto, quebrado apenas pelo som do vento nas copas das árvores. Ela parou, ofegante, olhando para trás.
— Emanuel? — ela chamou, a voz falhando.
Nenhuma resposta. Apenas o estalar de um galho à sua direita. Ela girou o corpo, mas não viu nada. O pânico começou a subir por sua garganta.
— Emanuel, por favor, não tem graça!
De repente, um vulto saltou das sombras. Antes que ela pudesse gritar, braços fortes a envolveram pela cintura, derrubando-a gentilmente sobre o musgo macio. Emanuel estava sobre ela, o peso de seu corpo prendendo-a contra o chão. Ele havia retirado a jaqueta, e sua camiseta preta estava colada ao peito suado.
— Peguei você — ele rosnou no ouvido dela. — O que o lobo faz com a Chapeuzinho Vermelho quando a encontra sozinha no meio do nada?
— Ele... ele a devora — sussurrou Eduarda, o corpo arqueando-se sob o dele, sentindo a ereção rígida de Emanuel pressionando contra sua coxa.
— Exatamente.
Emanuel não perdeu tempo. Suas mãos, acostumadas à precisão das tatuagens, agora agiam com uma urgência selvagem. Ele puxou a seda branca do vestido dela, rasgando-a sem hesitação. O som do tecido se partindo no silêncio da noite foi como um tiro. Eduarda soltou um gemido, metade choque, metade desejo.
— Emanuel, meu vestido...
— Eu compro cem outros para você amanhã — ele disse, a voz abafada enquanto enterrava o rosto entre os seios dela. — Agora, eu só quero a sua pele.
Ele a despiu completamente, deixando apenas a capa vermelha sob o corpo dela, servindo de forro contra a umidade do musgo. A pele de Eduarda brilhava como porcelana sob o luar, um contraste gritante com o verde escuro da floresta e o vermelho do veludo. Emanuel a olhava com uma adoração que beirava a obsessão.
— Você é a coisa mais linda que eu já vi — ele murmurou, as mãos percorrendo cada curva de seu corpo. — E aqui, ninguém pode te tirar de mim. Nem a Sara, nem o trabalho, nem as responsabilidades. Aqui, você é apenas a minha fêmea.
Ele a beijou com uma ferocidade que a deixou sem fôlego. Suas mãos exploravam as coxas dela, abrindo-as para o frio da noite, apenas para aquecê-las com o calor de seu próprio corpo. Eduarda sentia-se vulnerável, exposta aos elementos, mas sob o toque de Emanuel, ela sentia-se poderosa. Ela era a presa que dominava o caçador pelo simples fato de existir.
— Por favor, Emanuel... agora — ela implorou, as unhas cravando-se nos ombros tatuados dele.
Emanuel se posicionou. Ele olhou nos olhos dela, querendo ver cada nuance de sua reação. Quando ele entrou nela, foi de forma profunda e possessiva, um golpe que fez Eduarda jogar a cabeça para trás e soltar um grito que se perdeu na imensidão da mata.
O ritmo era selvagem, ditado pela natureza ao redor. Não havia a delicadeza dos lençóis de cetim da mansão. Havia o cheiro de terra, o frio da noite contra suas costas e o calor abrasador de Emanuel dentro dela. Cada movimento dele era uma afirmação de domínio, e cada resposta dela, um gemido de submissão e prazer.
— Diga que você é minha — Emanuel exigiu, o suor pingando de seu rosto para o dela. — Diga que não existe mais nada além de mim.
— Eu sou sua... — ela ofegou, as pernas envolvendo a cintura dele, puxando-o para ainda mais fundo. — Sempre sua, meu lobo.
Eles se moviam em uma dança primitiva. Emanuel sentia que estava fundindo sua alma à dela naquele momento. A floresta era sua testemunha. Ele a possuía como se fosse a primeira vez, como se precisasse marcar aquele território para que o mundo inteiro soubesse que Eduarda pertencia ao seu reino de sombras e paixão.
O ápice veio como uma tempestade. Emanuel sentiu o corpo de Eduarda estremecer sob o seu, os espasmos de prazer dela envolvendo-o e arrastando-o para o abismo. Ele soltou um rugido baixo, enterrando o rosto no pescoço dela enquanto se derramava completamente.
Eles ficaram ali por um longo tempo, abraçados sobre o veludo vermelho, as respirações voltando ao normal enquanto o suor esfriava em suas peles. Emanuel a envolveu com a capa, protegendo-a do frio, e a puxou para o seu peito.
— Você está bem? — ele perguntou, a voz voltando à sua calmaria protetora de sempre.
— Eu estou... maravilhosa — ela respondeu, aninhando-se nele. — Foi assustador e perfeito ao mesmo tempo.
Emanuel beijou o topo da cabeça dela.
— Eu precisava disso, Duda. Precisava tirar você daquela redoma de vidro da cidade e te trazer para o meu mundo. Para onde as coisas são reais.
— Eu sei — ela sussurrou. — Mas acho que o lobo vai ter que me carregar de volta. Minhas pernas parecem gelatina.
Emanuel sorriu, um sorriso genuíno e relaxado. Ele se levantou e a pegou no colo, enrolando-a cuidadosamente na capa vermelha como se ela fosse o tesouro mais precioso do mundo.
— Eu carrego você para qualquer lugar, pequena.
Enquanto caminhavam de volta para a luz distante da casa de montanha, Eduarda olhou para a lua. Ela sabia que, ao cruzar aquela porta, voltaria a ser a namorada tímida, a mãe zelosa, a mulher que lidava com a língua afiada de Sara e a esnobice de Valentina. Mas ali, sob a capa vermelha e nos braços do homem que a caçara, ela sabia que guardaria para sempre a memória da noite em que fora a presa favorita do lobo mau.
— Emanuel? — ela chamou baixinho.
— Sim?
— Amanhã... o gatinho Cinza pode dormir na nossa cama?
Emanuel soltou uma risada ruidosa que espantou os pássaros noturnos.
— Depois de hoje? Duda, você pode colocar um zoológico inteiro naquela cama e eu não vou reclamar.
Ela sorriu, fechando os olhos e deixando-se levar pelo passo firme do homem que, apesar de todo o seu controle e escuridão, era o único que sabia como fazê-la sentir-se verdadeiramente viva. O acordo de trinta dias estava longe de terminar, e Eduarda mal podia esperar para ver qual seria o próximo cenário que seu lobo escolheria para sua próxima caçada.