Voltar ao resumo

D

O Preço da Normalidade

O plano de Sara era uma obra de arte da crueldade corporativa. Emanuel o admirou como um mestre armeiro admira uma adaga perfeitamente equilibrada: era elegante, letal e completamente desprovido de alma. Ele não ligaria implorando. Ele não apareceria na porta dela como um amante rejeitado. Ele se manifestaria como um deus ex machina, um benfeitor anônimo, o arquiteto de um destino que ela nem sabia que desejava.

A execução foi impecável. Uma semana depois da conversa com Sara, um envelope timbrado com o selo de uma discreta fundação de artes — uma das muitas entidades que Emanuel usava para manobras fiscais e filantropia estratégica — chegou ao apartamento da família de Eduarda. O envelope não continha uma carta, mas um convite. Um convite para uma reunião.

Dois dias depois, uma mulher chamada Dr. Alana Vianna, com um terninho de linho bege e um ar de competência acadêmica que só muito dinheiro pode comprar, sentou-se na sala de estar dos pais de Eduarda. O contraste entre a elegância fria da mulher e os porta-retratos de família e o sofá ligeiramente afundado era gritante. Eduarda, forçada pelos pais a participar daquela misteriosa reunião, sentou-se na beirada de uma poltrona, as mãos cruzadas no colo, o coração martelando um ritmo de pânico.

Dr. Vianna falou com uma clareza polida, explicando que a fundação, dedicada a identificar e nutrir jovens talentos nas artes, havia recebido uma “indicação anônima” sobre uma promissora estudante de História da Arte. Após uma “análise discreta” de seu histórico acadêmico, a fundação tinha o prazer de oferecer a Eduarda a bolsa “Renascença Jovem”.

A oferta era vertiginosa. Um ano em Florença. Um curso intensivo de especialização em técnicas de restauração de afrescos no prestigiado Istituto per l’Arte e il Restauro. Todas as despesas de viagem e moradia pagas. Um estipêndio mensal que era mais do que o salário de seu pai. Era um sonho. Era o tipo de oportunidade que mudava uma vida, que só acontecia em filmes.

Os pais de Eduarda estavam em êxtase. A mãe chorava silenciosamente, apertando a mão do marido. O pai, com o rosto vermelho de orgulho, não parava de agradecer à Dr. Vianna, que aceitava os agradecimentos com sorrisos medidos.

Apenas Eduarda permanecia em silêncio.

Ela olhava para a pasta de couro que a mulher lhe entregara, para os papéis que detalhavam seu futuro dourado, e sentia um frio no estômago. A indicação anônima. A análise discreta. O nome da fundação, “Phoenix Arts Foundation”, soava vagamente familiar, como algo que ela poderia ter ouvido nos círculos de Emanuel. E o nome da bolsa, “Renascença Jovem”… era poético demais, dramático demais. Era o estilo dele.

Ela sentiu o cheiro da armadilha. Uma armadilha linda, forrada de veludo e perfumada com promessas, mas ainda assim uma armadilha. Ele não a estava comprando com um anel de diamantes; estava comprando-a com seus próprios sonhos. Era mais inteligente, mais sutil e infinitamente mais cruel. Ele não estava dizendo “seja minha”. Estava dizendo “seja grata”.

— Então, Srta. Ferraz? — A voz da Dr. Vianna a trouxe de volta à realidade. — Podemos contar com a sua aceitação? As vagas são limitadíssimas e precisamos de uma resposta em breve.

Eduarda ergueu a cabeça. Olhou para os rostos esperançosos de seus pais, para a expressão profissional e impaciente da mulher à sua frente. Sentiu o peso do mundo em seus ombros. O mundo que Emanuel estava lhe oferecendo.

— Eu… eu preciso de um tempo para pensar — disse ela, a voz um fio.

A decepção no rosto de seus pais foi palpável. Dr. Vianna ergueu uma sobrancelha perfeitamente arqueada.

— Pensar? Minha querida, não há o que pensar. É a oportunidade de uma vida.

— Mesmo assim. Eu preciso de um tempo. — Ela se levantou, o movimento brusco. — Com licença.

Ela fugiu para seu quarto, fechando a porta e se encostando nela, o coração batendo descontroladamente. Na sala, ouvia os pedidos de desculpas de seus pais, a voz da mulher se tornando mais fria.

Ela pegou o celular. A foto dele, que ela tirara na casa de campo, ainda estava lá. Ele estava rindo de algo que uma de suas primas dissera, uma risada genuína, despreocupada. Um vislumbre do homem por trás do monstro. Era por aquele homem que ela havia se apaixonado. Não pelo benfeitor todo-poderoso que enviava emissários para rearranjar sua vida.

Ela sabia o que tinha que fazer. Não ia se esconder. Não ia mais ser um peão no jogo dele. Respirando fundo, ela discou o número que ele lhe dera, o número privado que só ela tinha.

Ele atendeu no primeiro toque, como se estivesse esperando.

— Sim? — A voz dele era contida, mas ela podia sentir a expectativa, o triunfo.

— Sou eu. Eduarda.

— Eu sei quem é. — Uma pausa. — Recebeu a minha… a visita?

— Recebi a sua oferta, Emanuel. Florença, a bolsa, tudo. É muito generoso.

— É o que você merece. Você tem talento. Eu apenas abri uma porta.

— Não. — A voz dela era calma, firme. A calma que precede a tempestade. — Você não abriu uma porta. Você construiu uma jaula dourada e está me convidando para entrar, esperando que eu agradeça.

O silêncio do outro lado da linha foi denso.

— Não sei do que você está falando.

— Sabe, sim. Você acha que eu sou estúpida? “Indicação anônima”? Você acha que eu não vejo a sua mão por trás de tudo? Você não conseguiu me comprar com um encontro, então tentou me comprar com o meu futuro.

— Eu estou te dando uma oportunidade incrível! Qualquer outra pessoa estaria de joelhos, agradecendo!

— Mas eu não sou qualquer outra pessoa! — A voz dela se elevou, a emoção finalmente transbordando. — Eu não quero a sua caridade! Eu não quero ser sua protegida! Eu não quero te dever nada!

— Você está sendo infantil e ingrata!

— Não! Eu estou sendo clara! Pela primeira vez, talvez! Eu não quero Florença, Emanuel! Eu não quero um ano na Itália financiado por você, onde eu teria que me sentir em dívida cada vez que olhasse para o Duomo!

— Então o que diabos você quer, Eduarda?! — ele rosnou, a frustração explodindo em sua voz. — Eu te ofereci o mundo!

Ela respirou fundo, as lágrimas de raiva e mágoa picando seus olhos. E então, ela disse as palavras que destruiriam o mundo dele.

— Eu não quero o mundo. Eu só queria ser sua namorada. Uma namorada normal.

E com isso, ela desligou. Jogou o celular na cama e se encolheu, finalmente deixando as lágrimas caírem. Lágrimas de perda, não pela bolsa de estudos, mas pelo que eles poderiam ter sido.

***

Emanuel encarou o celular mudo em sua mão, a frase dela ecoando em sua mente. *“Eu só queria ser sua namorada. Uma namorada normal.”*

Normal. A palavra o atingiu como um insulto. Normal era medíocre. Normal era comum. Normal era tudo o que ele passara a vida inteira evitando. E era tudo o que ela queria.

Ele sentiu a fúria subir, uma onda vermelha e quente. Ingratidão. Teimosia. Como ela ousava? Ele havia mobilizado seus recursos, seus contatos, havia criado um plano brilhante com Sara, e tudo para quê? Para ser rejeitado em favor de uma fantasia suburbana de “normalidade”?

Ele pegou a jaqueta e as chaves do carro. Sara, que estava lendo em um sofá no outro canto da sala, ergueu o olhar.

— Onde você vai?

— Resolver um problema de ingratidão — disse ele, a voz cortante.

— Ela rejeitou? — Havia um brilhe de divertimento nos olhos de Sara.

— Ela quer ser “normal”.

Sara soltou uma gargalhada genuína.

— Oh, céus. Ela é mais burra do que eu pensava. Boa sorte com isso. A normalidade não está no seu repertório, querido.

Ele bateu a porta atrás de si. Dirigiu como um louco pelas ruas de São Paulo, o motor do carro um eco de sua própria raiva. O plano de Sara havia falhado. A lógica havia falhado. A manipulação havia falhado. Restava apenas a força bruta. A confrontação.

Ele parou em frente ao prédio dela e ligou para o seu celular. Ela não atendeu. Ele ligou de novo. E de novo. Na quinta vez, ela atendeu, a voz embargada pelo choro.

— O que você quer?

— Desça. Estou aqui embaixo.

— Eu não vou descer. Vá embora.

— Eduarda, se você não descer em cinco minutos, eu vou subir. E não me importo se seus pais estiverem na sala. Eu vou arrastar você para fora de lá nem que seja pelos cabelos. Você decide como quer que isso aconteça.

O silêncio do outro lado foi sua resposta. Cinco minutos depois, a porta da portaria se abriu e ela saiu, encolhida em um casaco de moletom grande demais, o rosto inchado e vermelho. Ela parecia uma criança perdida. E ele a odiou e a amou por isso em igual medida.

Ela caminhou até o carro e entrou, sem olhá-lo. Ele arrancou, dirigindo para um lugar qualquer, um lugar escuro e anônimo. Parou em uma rua sem saída, com vista para um parque fechado. Desligou o motor. O silêncio no carro era sufocante.

— Explique — disse ele, a voz perigosamente calma.

Ela continuou olhando para a frente.

— Eu já expliquei. Eu não quero a sua bolsa.

— Não é sobre a bolsa e você sabe disso. É sobre você me desafiar. É sobre você achar que pode simplesmente me desligar da sua vida.

— Eu não te desliguei. Você nunca esteve realmente na minha vida. Eu era um projeto, um segredo, um capricho. Eu nunca fui real.

— Você era a coisa mais real que eu tinha! — ele explodiu, a calma se quebrando. Ele se virou para ela, o corpo tenso. — Você não entende, não é? Eu não consigo trabalhar. Eu não consigo dormir. Eu não consigo pensar em mais nada a não ser em você! Eu ofereci o seu sonho numa bandeja de prata e você cuspiu nele!

— Não era o meu sonho! — ela gritou de volta, finalmente olhando para ele, os olhos faiscando com uma fúria que o surpreendeu. — Era o *seu* sonho para mim! Um sonho onde eu seria sua para sempre, amarrada pela gratidão! Você não me perguntou o que eu queria! Você presumiu!

— Então me diga! — ele gritou, a voz ecoando no espaço confinado. — Me diga, porra! O que você quer, Eduarda? Quer dinheiro? Quer um apartamento? Um carro? Diga o preço! Qual é o preço para eu ter você de volta na minha vida?

A pergunta ficou suspensa no ar, crua e vulgar. Ela o encarou, a fúria em seus olhos se dissolvendo em uma tristeza profunda. As lágrimas voltaram, mas desta vez, não eram de raiva. Eram de pena. Pena dele.

— Você realmente não entende nada, não é? — sussurrou ela. — Não há preço. Não do jeito que você pensa.

Ela respirou fundo, enxugando as lágrimas com as costas da mão, como uma criança. Ela parecia estar reunindo todas as suas forças para a próxima parte.

— Você quer saber o que eu quero, Emanuel? Você quer saber o que uma “namorada normal” quer?

Ele não respondeu. Apenas a encarou, o coração batendo forte, sentindo que estava prestes a ouvir a sentença de sua vida.

— Eu quero ir ao cinema numa sexta à noite e discutir se o final foi bom ou ruim enquanto comemos uma pizza gordurosa depois. — A voz dela era baixa, quase um monólogo. — Eu quero andar de mãos dadas no parque no domingo, reclamando do calor e tomando sorvete que escorre pela minha mão. Eu quero que você me apresente aos seus amigos — se é que você tem amigos de verdade — e não ter que me preocupar com o título que você vai me dar. Eu quero te ligar no meio do dia só para contar uma bobagem e ouvir a sua voz. Eu quero poder ficar doente e ter você me trazendo uma sopa, mesmo que seja de latinha. Eu quero brigar por coisas estúpidas, como quem vai lavar a louça, e depois fazer as pazes cinco minutos depois.

Ela o olhava, os olhos grandes e sérios, desvendando o mistério da normalidade para aquele alienígena sentado ao seu lado.

— Eu não quero um benfeitor. Eu não quero um mestre. Eu não quero um dono. Eu quero um namorado. Um que esteja presente. Um que não me esconda. Um que não me diminua. Um que não tenha medo de ser visto comigo em um shopping no sábado à tarde.

Ela terminou, o peito arfando, como se tivesse corrido uma maratona.

Emanuel ficou em silêncio por um longo tempo, processando. Cinema. Pizza. Sorvete. Sopa de latinha. Era a lista de desejos mais patética e, ao mesmo tempo, mais inatingível que ele já ouvira. Cada item era uma facada em seu estilo de vida, em seu controle, em seu acordo com Sara. Era um pedido de tempo, de atenção, de vulnerabilidade. Coisas que ele não tinha e não sabia como dar.

— Isso é impossível — disse ele, a voz rouca. — Eu tenho uma vida. Negócios. Eu tenho a Sara.

— Eu sei. — Ela assentiu, uma resignação triste em seu rosto. — É por isso que eu desliguei. Porque eu sei que o que eu quero, você não pode me dar. E eu não posso mais viver de migalhas, Emanuel. Dói demais.

Ela estendeu a mão para a maçaneta da porta.

— Acho que é melhor você me levar para casa. Acabou. De verdade, agora.

A palavra “acabou” o atingiu com força física. Ele agarrou o braço dela, o toque não era mais furioso, mas desesperado.

— Não.

— Emanuel, por favor…

— Não. — Ele a puxou para mais perto, forçando-a a olhá-lo. A arrogância se fora. A raiva se fora. Em seu lugar, havia um desespero cru que a assustou e, em algum lugar profundo, a satisfez. Ele havia perdido o controle. Completamente. E agora, ela o tinha. — Não acabou.

Ele passou a mão livre pelo cabelo, um gesto de pura frustração.

— Tudo bem. Tudo bem, porra. Você venceu. — A admissão lhe custou caro; as palavras saíram como se fossem vidro moído. — Vamos fazer um acordo. O seu acordo. Com as suas regras.

Ela o olhou, desconfiada.

— Que acordo?

— Diga-me. Como isso funciona? Essa sua… normalidade. Quais são os termos?

Ela piscou, surpresa por ele estar sequer considerando. Ela havia dito aquelas coisas como um adeus, não como uma proposta. Mas agora… agora o jogo havia virado. Ele estava pedindo que ela ditasse as regras.

— Eu… eu não sei — gaguejou ela.

— Pense! — ele ordenou, a impaciência voltando. — Você queria isso. Agora me diga como funciona!

Ela respirou fundo, a mente girando. Ela tinha o poder. O que ela faria com ele? Não podia pedir que ele largasse Sara. Não podia pedir que ele abandonasse sua vida. Isso seria irrealista, seria pedir para ele ser outra pessoa. Mas ela podia pedir um pedaço dele. Um pedaço real.

— Tudo bem. — A voz dela estava mais firme agora. Ela estava se tornando uma negociadora. — Aqui estão os meus termos.

Ele se inclinou, ouvindo com a intensidade de quem ouve os termos de uma rendição.

— Uma noite por semana. — ela começou. — Apenas uma. Mas essa noite é nossa. Intocável. Sem desculpas de trabalho, sem emergências, sem interrupções. Das sete da noite até a manhã seguinte, você é meu.

Ele franziu a testa. Uma noite? Era pouco. Era um insulto. Mas era um começo.

— Continue.

— Nessa noite, fazemos algo normal. Algo da minha lista. Um filme. Um jantar em uma cantina barulhenta. Um passeio. Nada de galerias de arte chiques, nada de eventos com seus contatos. Normal.

— Entendido.

— Durante essa noite, eu não sou “uma amiga querida”. Eu não sou “uma protegida”. Se alguém perguntar, eu sou sua namorada. Você não precisa gritar para o mundo, mas também não vai me esconder.

Ele engoliu em seco. Isso era perigoso. Isso era uma violação direta do tratado com Sara. Mas ele assentiu.

— E a regra mais importante, Emanuel. — Ela se aproximou, e pela primeira vez, ela o tocou, a mão pequena e macia em seu braço tenso. — Durante essa noite, não existe Sara. Você não fala dela, não pensa nela. Ela não está no carro, não está na mesa, não está na cama. Nessa noite, eu sou a única. A sua única namorada. Você consegue fazer isso? Você consegue me dar uma noite de exclusividade?

Ele a encarou. O que ela estava pedindo era, ao mesmo tempo, muito pouco e tudo. Ela não estava pedindo a vida dele. Estava pedindo um hiato da vida dele. Um santuário de normalidade no meio de seu caos controlado.

Era um acordo onde ele perdia. Perdia o controle total. Perdia a posse 24/7. Era forçado a operar dentro de limites estritos, ditados por ela. Ele seria um amante de tempo parcial, com hora marcada.

E, no entanto, era a única maneira de tê-la. Era isso ou o silêncio ensurdecedor.

— Sim — disse ele, a voz rouca. — Eu consigo fazer isso.

Um sorriso, o primeiro sorriso genuíno que ele via nela em um mês, iluminou o rosto dela. Foi como ver o sol nascer.

— Acordo fechado, então — sussurrou ela.

Ele a puxou para um beijo, mas não era um beijo de posse. Era um beijo de alívio. Um beijo de rendição. Ele a estava beijando nos termos dela. E era o beijo mais doce que ele já provara.

Quando se afastaram, ela estava corada e feliz. A paz havia retornado aos seus olhos.

— Quando começamos? — perguntou ela, a voz manhosa e animada.

— Sexta-feira. Esteja pronta às oito. E use sapatos confortáveis. Nós vamos andar.

— Para onde?

— Você disse que queria um parque. Eu conheço um.

Ele a levou para casa. O silêncio na volta não era mais tenso, mas preenchido com uma nova e frágil esperança. Quando ela saiu do carro, ela se inclinou e lhe deu um beijo rápido na bochecha.

— Até sexta, meu namorado normal.

A palavra soou estranha e certa ao mesmo tempo.

Emanuel a observou entrar no prédio, um sorriso bobo no rosto. Ele se sentia derrotado e vitorioso. Havia cedido o controle, concordado com termos ridículos. Havia sido completamente dominado pela teimosia suave de uma garota que queria sorvete e pizza.

Ele ligou o carro e começou a dirigir para casa, para o seu outro mundo, para a sua outra rainha. Sara iria odiar isso. A “noite intocável” era uma declaração de guerra. A normalidade de Eduarda seria uma bomba atômica em seu universo cuidadosamente estruturado.

Ele não se importava.

Pela primeira vez, ele não estava pensando três passos à frente. Não estava planejando, manipulando, controlando. Estava apenas… antecipando a sexta-feira.

Ele havia oferecido a ela o mundo, e ela o rejeitara. Em troca, ela lhe oferecera uma noite de normalidade. E ele, Emanuel, o homem que tinha tudo, percebeu que estava pagando um preço altíssimo por aquilo que o dinheiro não podia comprar. E, por alguma razão perversa, sentia que estava fazendo o melhor negócio de sua vida. Ele havia perdido a guerra pelo controle total, mas talvez, apenas talvez, tivesse ganhado uma chance de encontrar a paz. O preço da normalidade era a sua rendição. E ele estava disposto a pagar. Por enquanto.