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O Eco dos Desejos Ocultos
A atmosfera na casa de campo após o beijo na ruína do moinho tornou-se eletrizante, quase irrespirável. Para Eduarda, cada centímetro de sua pele parecia carregar o peso da mão de Emanuel. Assim que cruzaram o limiar da porta lateral, a realidade a atingiu como um balde de água gelada. O medo da presença de Sara, a culpa por trair a hospitalidade de sua própria família e a intensidade avassaladora daquele homem a fizeram entrar em pânico. Sem olhar para trás, ela subiu as escadas, ignorando a dor no tornozelo, e se trancou em seu quarto, girando a chave com as mãos trêmulas.
Emanuel ficou no corredor, observando a madeira da porta de Eduarda como se pudesse atravessá-la com o olhar. Ele sentia o sangue pulsar forte nas têmporas. A racionalidade que o tornava um empresário de sucesso estava em guerra direta com o instinto possessivo que o definia como homem. Ele voltou para o quarto que dividia com Sara, onde ela já dormia novamente, mas o sono não veio para ele. Ele se sentou na poltrona, os sentidos aguçados, ouvindo cada ranger da casa antiga.
No quarto de Eduarda, a jovem estava em um estado de agitação febril. Ela se sentia suja pela chuva e confusa pelo beijo. Ela tentou focar na prova de História da Arte de segunda-feira, mas os livros sobre o Renascimento pareciam borrões sem sentido. Ela precisava de algo que a tirasse daquele estado de transe, algo que dissipasse a tensão que Emanuel havia plantado em seu corpo.
Foi então que ela se lembrou do presente que sua prima Bia lhe dera semanas atrás, escondido no fundo de sua nécessaire. Era um pequeno objeto de silicone macio, em um tom de rosa vibrante, com o formato delicado de uma flor. Bia, sempre a mais ousada, dissera rindo que "toda estudante de arte precisava de um momento de inspiração solitária". Eduarda, tímida e recatada, nunca tivera coragem de usá-lo. Até aquela noite.
Ela tomou um banho rápido, deixando a água quente relaxar seus músculos tensos. Ao voltar para a cama, envolta apenas em sua camisola de seda leve, o silêncio da madrugada parecia amplificar seus batimentos cardíacos. Ela pegou o pequeno objeto rosa. A textura era aveludada, lembrando-lhe, de forma perturbadora, a maciez que Emanuel elogiara nela.
Com as luzes apagadas e apenas a luz da lua filtrando-se pelas nuvens, Eduarda começou a explorar sensações que nunca se permitira sentir. O aparelho emitia um zumbido quase imperceptível, mas em seus ouvidos, soava como um trovão. Ela fechou os olhos e, inevitavelmente, a imagem de Emanuel surgiu. Ela imaginou as mãos grandes e tatuadas dele em vez do silicone. Imaginou o olhar sombrio dele observando sua entrega.
Os gemidos começaram baixos, abafados pelo travesseiro. Eram sons manhosos, carregados de uma frustração emocional e um despertar físico que ela não conseguia mais conter.
— Ah... Emanuel... — ela sussurrou, sem perceber que o nome dele escapava de seus lábios como uma prece proibida.
No corredor, Emanuel não estava mais sentado. Ele estava em pé, encostado na parede ao lado da porta de Eduarda. Ele saíra do quarto de Sara minutos antes, impulsionado por uma inquietação que não o deixava em paz. E agora, ele ouvia. O som da respiração dela, os pequenos arquejos de prazer, o ritmo frenético de algo que ele não esperava encontrar naquela garota tão pura.
O som o atingiu como um soco. A ideia de Eduarda se tocando, buscando alívio para a tensão que *ele* criara, fez sua sanidade evaporar. Sem pensar na lógica, sem pensar em Sara dormindo a poucos metros dali, ele testou a maçaneta. Trancada.
Ele pegou um pequeno canivete suíço que sempre carregava no bolso e, com a habilidade de quem lida com ferramentas de precisão, destravou a fechadura antiga em segundos. Ele entrou no quarto e fechou a porta atrás de si, mergulhando na penumbra perfumada de lavanda e desejo.
Eduarda deu um grito abafado, escondendo o objeto sob o lençol, os olhos arregalados de terror e vergonha.
— Emanuel! O que... você não pode estar aqui! — Ela tentou se cobrir, o rosto queimando em um vermelho profundo que a escuridão não conseguia ocultar totalmente.
Emanuel não disse nada de imediato. Ele caminhou até a beira da cama, sua silhueta imponente bloqueando a pouca luz que vinha da janela. Ele exalava uma energia predatória, mas seus olhos mostravam uma vulnerabilidade nova.
— Eu ouvi você — disse ele, a voz tão baixa que era quase um rosnado. — Eu ouvi você chamando meu nome, Eduarda.
— Eu não... eu só estava... — Ela começou a chorar, uma reação típica de sua insegurança. — Por favor, vá embora. Se a Sara acordar...
— Sara está dormindo o sono dos justos — Emanuel sentou-se na beira do colchão, o peso dele fazendo o corpo de Eduarda inclinar-se em sua direção. — E eu não vou a lugar nenhum até terminar o que começamos naquela ruína.
Ele estendeu a mão e, com uma delicadeza que contrastava com sua fúria interna, afastou o lençol. Eduarda tentou resistir, mas a força magnética dele a vencia. Ele viu o pequeno objeto rosa ainda vibrando fracamente sobre o lençol. Um sorriso sombrio curvou os lábios do tatuador.
— Então a minha pequena estudiosa de arte gosta de experiências sensoriais? — Ele pegou o objeto, desligando-o e jogando-o na mesa de cabeceira. — Deixe que eu te mostro algo mais real.
— Emanuel, não... nós não podemos — ela implorou, mas seu corpo a traía, arqueando-se involuntariamente quando ele tocou seu ombro.
— Não vamos fazer o que você está pensando — disse ele, aproximando o rosto do dela. — Ainda não. Eu quero que você saiba exatamente de quem você é. Eu quero que, quando você fechar os olhos, não seja em uma máquina que você pense.
Ele deslizou as mãos para dentro da camisola dela. Eduarda soltou um suspiro trêmulo. As mãos de Emanuel eram quentes, calejadas e firmes. Ele começou a massagear os seios dela com uma técnica que misturava a precisão de um artista com a fome de um amante.
— Eles são tão macios... — ele murmurou, a voz rouca contra o pescoço dela. — Como seda. Eu poderia passar a vida inteira desenhando neles.
Eduarda sentia que ia derreter. A vergonha estava sendo substituída por uma onda de prazer que ela nunca experimentara. Ela se apoiou nos braços dele, buscando a proximidade física que sua personalidade manhosa tanto ansiava.
— Emanuel... por favor — ela pediu, sem saber exatamente o que estava pedindo.
— Shh... apenas sinta — ele ordenou.
A mão dele desceu lentamente pelo ventre dela, encontrando o caminho por baixo da seda da camisola até chegar à sua intimidade. Eduarda tentou fechar as pernas, mas ele as afastou com uma pressão firme, porém gentil.
— Deixe-me ver você — ele sussurrou.
Quando os dedos dele a tocaram, Eduarda soltou um gemido que ecoou pelo quarto. Não era o zumbido mecânico do brinquedo, era o toque humano, carregado de intenção e de uma possessividade que a fazia sentir-se o centro do universo de Emanuel. Ele a massageava com movimentos circulares, lentos, explorando cada dobra, cada sensibilidade, com a paciência de quem está gravando uma obra-prima na pele.
— Você é tão doce, Eduarda — disse ele, observando as reações dela, o modo como ela jogava a cabeça para trás e como seus dedos se enterravam nos braços dele. — Tão diferente de tudo o que eu já tive.
— E a Sara? — ela conseguiu perguntar, em um último lampejo de consciência.
Emanuel parou por um segundo, os traços do rosto endurecendo.
— Sara tem o meu respeito e a minha história. Ela é a mulher que me ajuda a governar o que eu construí. Mas ela não tem isso — ele intensificou o toque, fazendo Eduarda perder o fôlego. — Ela não tem essa sua entrega inocente. Ela não me faz querer destruir o mundo só para te manter em segurança.
Ele continuou a estimulá-la, levando-a a um ápice de sensações. Eduarda estava em um estado de êxtase puro, as lágrimas agora de prazer escorrendo por suas bochechas. Ela se sentia protegida e profanada ao mesmo tempo, e a dualidade disso a viciava.
— Emanuel, eu vou... — ela começou, a voz falhando.
— Vá — ele disse, beijando-a com força enquanto seus dedos trabalhavam com mais urgência. — Pense em mim. Sinta o meu peso. Saiba que você é minha.
Quando o orgasmo a atingiu, foi como uma explosão de cores atrás de suas pálpebras, muito mais intensa do que qualquer coisa que o objeto rosa pudesse proporcionar. Ela se agarrou a ele, soluçando baixo, enquanto Emanuel a segurava com força, protegendo-a do próprio tremor de seu corpo.
Ele não foi além disso. Ele não tirou as próprias roupas, nem permitiu que a situação escalasse para o ato final. Ele queria que aquele momento fosse sobre a marca que ele deixava nela, sobre a submissão emocional que ele estava cultivando.
— Agora durma — disse ele, algum tempo depois, quando a respiração dela começou a se acalmar. Ele a ajeitou nos travesseiros e a cobriu com o lençol, como se nada tivesse acontecido.
— Você vai voltar para ela? — perguntou Eduarda, a voz pequena e vulnerável.
Emanuel parou na porta, olhando para a garota que ele acabara de reivindicar de uma forma tão íntima.
— Eu preciso voltar, Eduarda. Por enquanto. Mas não se engane: o que aconteceu aqui esta noite mudou tudo. Você não é mais apenas a neta dos donos da casa. Você é o meu segredo. E eu cuido muito bem dos meus segredos.
Ele saiu do quarto e trancou a porta por fora com a mesma perícia de antes. No corredor, ele respirou fundo, tentando controlar a própria excitação. Ele caminhou de volta para o quarto de hóspedes e deitou-se ao lado de Sara.
Ela se mexeu durante o sono, abraçando-o e murmurando seu nome.
— Onde você estava? — perguntou ela, meio sonâmbula, sentindo o frio que vinha das roupas dele.
— Fui beber água, Sara. Volte a dormir — ele respondeu, beijando a testa dela.
Sara se aconchegou nele, satisfeita. Ela era a namorada principal, a administradora, a mulher que o mundo via ao lado de Emanuel. Ela não tinha motivos para suspeitar daquela garota tímida e "sem sal" no andar de cima. Na cabeça de Sara, ela tinha o controle total.
Mas, na escuridão do quarto, Emanuel mantinha os olhos abertos. Ele sentia o perfume de Eduarda em suas mãos e o calor da pele dela ainda gravado em seus dedos. Ele sabia que estava jogando um jogo perigoso, um jogo que poderia custar seu império e sua estabilidade com Sara.
Mas, ao ouvir o silêncio da casa, ele percebeu que não se importava. Ele teria a força de Sara para enfrentar o mundo e a doçura de Eduarda para suportar a si mesmo. Ele era o tatuador, o mestre das marcas permanentes, e naquela noite, ele havia começado a desenhar o seu destino mais complexo: um mapa onde dois corações batiam sob o seu comando, cada um preenchendo um vazio que ele nem sabia que existia.
A chuva lá fora continuava a cair, lavando a terra, mas nada poderia lavar a marca que Emanuel havia deixado em Eduarda. O isolamento na casa de campo estava longe de terminar, e o desejo, agora que fora libertado, não aceitaria mais as amarras da lógica ou da lealdade.