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Sussurros e Sombras no Vale do Silêncio

A Fazenda Vale do Silêncio nunca pareceu tão barulhenta. O casarão colonial, com suas paredes grossas de pedra e assoalhos de madeira que rangiam sob o peso da história, estava repleto de vozes, risadas e o tilintar de talheres. A família de Emanuel era vasta e barulhenta, um contraste absoluto com a aura reservada e controladora que ele exibia no dia a dia. Primas de segundo grau, tias curiosas e as três irmãs de Emanuel — mulheres fortes, decididas e tão intensas quanto ele — ocupavam cada canto da propriedade.

Emanuel estava encostado no batente da porta da varanda, observando o movimento. Ele já havia passado boa parte da manhã com Sara. A loira, em sua habitual falta de filtros, não se importava com a presença da família dele; na verdade, ela parecia se deliciar em chocar as tias mais conservadoras com seus decotes profundos e risadas altas. Eles haviam se trancado no celeiro climatizado horas antes, um encontro rápido, físico e carregado daquela energia agressiva que definia a relação deles. Sara agora estava na piscina, sendo o centro das atenções de alguns primos distantes, bebendo caipirinha e exalando confiança.

Mas o olhar de Emanuel não estava na piscina. Estava na sala de estar.

Eduarda estava sentada no centro de um grande sofá de veludo verde musgo, cercada pelas irmãs de Emanuel — Letícia, Camila e Beatriz — e por duas primas adolescentes que a olhavam como se ela fosse uma criatura de outro mundo. Duda usava um vestido de algodão branco, leve e casto, com pequenos bordados de flores. Ela parecia uma boneca de porcelana perdida em um ninho de hienas.

— Mas diga, Duda, como você aguenta o gênio do meu irmão? — Letícia perguntou, inclinando-se para frente com um sorriso malicioso. — O Emanuel sempre foi um trator. Ele não pede, ele ordena.

Eduarda sentiu as bochechas esquentarem, um rubor que Emanuel, de longe, achou hipnotizante.

— Ele... ele é protetor — Eduarda murmurou, segurando uma xícara de chá com as mãos levemente trêmulas. — Ele tem um jeito firme, mas é muito carinhoso quando estamos sozinhos.

Um coro de risadinhas irrompeu entre as mulheres. Emanuel sentiu uma onda de possessividade subir por sua espinha. Ele a queria. E a queria agora. A visão de Sara mais cedo tinha sido apenas um aperitivo; o que ele realmente desejava era a reação doce, contida e manhosa de Eduarda. Ele queria ver aquela fachada de "boa menina" ruir sob o seu toque, especialmente ali, sob o nariz de toda a sua linhagem.

Ele caminhou em direção ao grupo. Seus passos eram pesados, decididos. As conversas diminuíram um pouco quando ele se aproximou, sua presença emanando uma autoridade natural que sempre silenciava os ambientes.

— Licença, meninas — disse ele, a voz rouca e profunda. — Preciso de um lugar para sentar. Minhas pernas estão cobrando o preço do treino de ontem.

Sem esperar por um convite, Emanuel se acomodou exatamente onde Eduarda estava. Ele não sentou ao lado dela; ele se sentou e, com um movimento fluido e inquestionável, puxou a jovem para o seu colo.

Eduarda soltou um pequeno arquejo de surpresa, as mãos voando para os ombros dele para se equilibrar.

— Manu! — ela sussurrou, os olhos arregalados, buscando os dele. — Tem muita gente aqui...

— Relaxe, pequena — ele murmurou perto do ouvido dela, sua mão grande espalmando-se nas costas dela, descendo lentamente até a curva do quadril. — Você é minha namorada. Minha família adora ver que somos próximos.

Camila, a irmã mais velha, arqueou uma sobrancelha.

— Olha só, o ogro tem sentimentos. Cuidado, Duda, ele vai acabar te sufocando de tanto ciúme.

Emanuel deu um sorriso de canto, um gesto que não chegava aos olhos. Por baixo do vestido largo de Eduarda, a mão dele começou a trabalhar. Ele deslizou os dedos pela coxa dela, sentindo a pele macia e o calor que emanava dali. Eduarda tentou manter a compostura, voltando a atenção para Beatriz, que falava sobre um projeto de arquitetura.

— Então, Beatriz... — Eduarda começou, a voz um pouco mais aguda que o normal. — Você disse que a reforma do museu vai focar na iluminação zenital?

Emanuel não parou. Ele sentiu a umidade e o calor de Eduarda através da calcinha de renda fina que ela usava. Com uma destreza praticada, ele moveu o tecido para o lado. Seus dedos encontraram o centro da sensibilidade dela com uma precisão cirúrgica.

Eduarda deu um solavanco imperceptível para quem olhava de fora, mas Emanuel sentiu cada músculo dela se contrair. Ela apertou os dedos nos ombros dele, as unhas cravando levemente no tecido de sua camisa polo.

— Sim, Duda — respondeu Beatriz, sem perceber o drama que ocorria a centímetros de seus olhos. — A ideia é valorizar as esculturas renascentistas com a luz natural. Você, como historiadora da arte, deve entender a importância disso.

— Sim... claro — Eduarda respirou fundo, tentando focar na conversa enquanto o dedo de Emanuel iniciava um movimento rítmico e implacável. — A luz... a luz muda tudo. Ela dá profundidade... ah... à obra.

O pequeno "ah" saiu como um suspiro, quase um sussurro de dor ou prazer. Letícia estreitou os olhos, desconfiada.

— Você está bem, Duda? Está ficando vermelha. O calor da fazenda está te afetando?

Emanuel interveio, a voz calma como um lago profundo.

— Ela é sensível ao calor, Letícia. Eu já disse que ela precisa se hidratar mais.

Dizendo isso, ele pegou o copo de água que estava na mesa de centro e levou aos lábios de Eduarda. Enquanto ela bebia, os olhos fixos nos dele em um pedido mudo de socorro, Emanuel usou a outra mão para abrir sorrateiramente o zíper de sua própria calça, oculto pela saia volumosa do vestido dela.

Ele a ajeitou sobre seu colo, mudando o ângulo. Eduarda entendeu o que estava prestes a acontecer e o pânico brilhou em seus olhos castanhos. Ela tentou se levantar, mas o braço de Emanuel ao redor de sua cintura era uma algema de carne.

— Fique quieta, Duda — ele sussurrou, tão baixo que apenas ela ouviu, enquanto as primas discutiam agora sobre o cardápio do jantar. — Continue conversando.

Com um impulso lento e controlado, ele a guiou para baixo. O encaixe foi súbito e profundo. Eduarda enterrou o rosto no pescoço de Emanuel para abafar um grito, o corpo todo tremendo.

— E as aulas, Duda? — perguntou uma das primas adolescentes, alheia ao fato de que a prima "por consideração" estava sendo possuída ali mesmo. — É verdade que você estuda sobre corpos nus nas pinturas? Não é vergonhoso?

Eduarda levou alguns segundos para conseguir processar a pergunta. Emanuel começou a se mover, pequenos impulsos para cima, curtos, mas incrivelmente intensos. A fricção era torturante e deliciosa.

— Não... não é vergonhoso — Eduarda conseguiu dizer, a voz embargada, as mãos agarradas ao pescoço de Emanuel como se sua vida dependesse disso. — O corpo humano... é a forma mais pura de expressão. Os artistas... eles buscam a verdade... nas formas.

Emanuel sorriu contra a pele dela. Ele adorava a inteligência dela, especialmente quando ela a usava para mascarar o prazer pecaminoso que ele a obrigava a sentir. Ele aumentou o ritmo, sentindo as paredes internas de Eduarda o apertarem em espasmos desesperados.

— Você fala com tanta paixão, Duda! — exclamou Camila. — Emanuel, você tirou a sorte grande. Além de linda, ela é inteligente.

— Eu sei exatamente o que eu tenho, Camila — Emanuel respondeu, sua voz firme, embora sua respiração estivesse começando a ficar pesada. — Eu valorizo cada detalhe da Eduarda. Especialmente a capacidade dela de manter a calma sob pressão.

Ele deu uma estocada mais forte, atingindo o colo do útero dela. Eduarda soltou um gemido agudo que ela rapidamente transformou em um pigarro.

— Minha garganta... está seca — ela justificou, os olhos lacrimejando.

— Tome mais água, querida — disse uma das tias que passava pela sala, parando para alisar o cabelo de Eduarda. — Você parece exausta. Emanuel, leve essa menina para descansar um pouco mais tarde.

— Eu pretendo fazer exatamente isso, tia — Emanuel disse, mantendo o movimento constante, sentindo Eduarda chegar perigosamente perto do limite.

O suor começou a brotar na testa de Eduarda. Ela sentia que ia explodir. O contraste entre a conversa banal sobre o tempero do cordeiro e o que estava acontecendo entre suas pernas era surreal. Emanuel era um demônio, ela pensou, um demônio que ela amava e temia na mesma proporção.

Ele sabia exatamente o que estava fazendo. Ele queria que ela soubesse que, em qualquer lugar, sob qualquer circunstância, ela pertencia a ele. Não importava se havia dez ou cem pessoas ao redor; no mundo de Emanuel, só existiam as vontades dele.

— Duda, você concorda que o cordeiro deveria ter mais hortelã? — Letícia perguntou, olhando diretamente para ela.

Eduarda sentiu o ápice chegar. Uma onda de calor avassaladora percorreu seu corpo. Ela apertou os lábios, os olhos se fechando com força. Emanuel sentiu a pulsação dela ao redor dele, o aperto final que indicava que ela havia se entregado totalmente.

— Eu... eu acho que... — ela começou, a voz falhando enquanto seu corpo tinha pequenos espasmos que ela tentava disfarçar como calafrios. — Hortelã... é sempre uma boa ideia. Dá um frescor... necessário.

Ela desabou contra o peito dele, o coração batendo como o de um pássaro assustado. Emanuel a segurou firme, sentindo seu próprio prazer atingir o topo, mas ele era um mestre em se conter. Ele apenas expirou longamente, fechando os olhos por um segundo, saboreando a vitória.

— Bom — Emanuel disse, sua voz voltando ao tom normal, embora um pouco mais grave. — Acho que a Duda realmente precisa de um pouco de ar puro. Vou levá-la para ver os cavalos antes que o sol se ponha.

— Ah, mas já? — Beatriz reclamou. — Estávamos no meio da conversa.

— O dever me chama — Emanuel respondeu, levantando-se com Eduarda ainda em seus braços, a saia do vestido dela caindo perfeitamente para esconder qualquer evidência do que acabara de ocorrer.

Ele caminhou para fora da sala sob os olhares carinhosos da família, que via naquilo apenas um gesto de um namorado extremamente apaixonado e protetor.

Assim que cruzaram o limiar da varanda e entraram no corredor sombrio que levava aos quartos, Emanuel a colocou no chão, mas a manteve prensada contra a parede de madeira. Eduarda estava ofegante, o rosto vermelho, o vestido ligeiramente desalinhado.

— Você é louco — ela sussurrou, batendo no peito dele com pouca força. — Minhas irmãs... sua tia... elas estavam ali, Manu!

Emanuel segurou os pulsos dela acima da cabeça, olhando-a com uma intensidade que a fez estremecer.

— Elas não viram nada, Duda. Elas só viram o que eu permiti que vissem.

— E se alguém percebesse? — ela insistiu, embora sua voz estivesse voltando ao tom manhoso que ele tanto amava.

— Ninguém percebe o que não consegue imaginar — ele respondeu, inclinando-se para beijar a ponta do nariz dela. — E agora, como você mesma disse, o cordeiro precisa de hortelã e você precisa de um banho. E depois, eu vou terminar o que comecei na sala, mas desta vez, eu quero ouvir você gritando meu nome sem precisar se preocupar com a iluminação zenital do museu.

Eduarda escondeu o rosto no peito dele, rindo baixinho, uma mistura de alívio e antecipação. Ela sabia que Sara estaria em algum lugar da fazenda, pronta para reivindicar seu espaço e sua cota de atenção, e que Emanuel teria que gerenciar esse equilíbrio precário novamente. Mas, por aquele momento, no corredor silencioso da fazenda, ela se sentia a única mulher no mundo dele.

Emanuel a pegou pela mão e a guiou para o quarto, o mestre do controle finalmente relaxando a guarda, sabendo que, no Vale do Silêncio, seus segredos estavam seguros, e seus desejos, plenamente satisfeitos.