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O Feitiço da Lua de Sangue
A estrada de terra que serpenteava as montanhas parecia não ter fim, e a chuva fina que começara a cair transformava o caminho em um sabão perigoso. Emanuel mantinha as mãos firmes no volante de sua caminhonete blindada, os nós dos dedos brancos pela força que aplicava. No banco do carona, Sara retocava o batom vermelho enquanto bufava de tédio, e no banco de trás, Eduarda estava encolhida entre almofadas, com um livro de história da arte no colo que ela já não conseguia ler devido à falta de luz.
— Emanuel, esse barulho no motor não está me agradando nem um pouco — Sara comentou, fechando o estojo de maquiagem com um estalo seco. — Se a gente ficar parado nesse fim de mundo, eu juro que mato você.
— O carro é revisado toda semana, Sara. Deve ser apenas o barro — Emanuel respondeu, a voz carregada de uma tensão que ele tentava mascarar.
Eduarda inclinou-se para frente, tocando o ombro de Emanuel com as pontas dos dedos frios.
— Manu, está ficando muito escuro... e se a gente parar em algum lugar? Meus pais disseram que essa região tem neblina pesada.
— Eu vou tirar a gente daqui, Duda. Fica calma — ele disse, lançando um olhar pelo retrovisor que era puro instinto de proteção.
Mas o destino tinha outros planos. Um estalo metálico seguido de uma fumaça branca saindo do capô forçou Emanuel a encostar o veículo bruscamente. O motor morreu com um suspiro final. O silêncio que se seguiu foi absoluto, interrompido apenas pelo som da chuva batendo no teto.
— Ótimo! Simplesmente maravilhoso! — Sara gritou, jogando as mãos para o alto. — Estamos no meio do nada, sujos e sem sinal de celular!
Emanuel desceu do carro, ignorando a chuva. Ele abriu o capô, mas a escuridão e o vapor impediam qualquer conserto imediato. Ao longe, uma luz pálida e amarelada brilhou entre as árvores retorcidas. Uma placa de madeira, balançando com o vento, indicava: "Pousada da Colina – Viajantes Bem-vindos".
— Vamos andando. Tem uma pousada logo ali — Emanuel ordenou, voltando para pegar as malas.
Eduarda saiu do carro tremendo, abraçando o próprio corpo. Emanuel a puxou para perto, protegendo-a sob seu braço maciço, enquanto Sara caminhava logo atrás, equilibrando-se nos saltos e praguejando contra a lama que arruinava sua sandália de grife.
A pousada era uma construção antiga, coberta por trepadeiras secas que pareciam garras. Ao entrarem, o cheiro de ervas secas e incenso de mirra os atingiu. Atrás do balcão de carvalho, uma mulher de idade indefinida, com longos cabelos grisalhos e olhos que pareciam enxergar através da alma, os observava com um sorriso enigmático. Na região, sussurrava-se que ela era uma bruxa, uma guardiã de segredos antigos.
— Sejam bem-vindos — a mulher disse, sua voz soando como folhas secas sendo esmagadas. — O senhor parece carregar o peso do mundo nos ombros, jovem guerreiro. E suas damas... uma de fogo, outra de orvalho.
Sara arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços sobre os seios siliconados.
— A gente só quer um quarto, senhora. E um mecânico, se é que existe um neste século.
— O destino trouxe vocês aqui por uma razão — a mulher ignorou Sara, fixando os olhos em Emanuel. — Vocês parecem cansados. Vou preparar um chá especial da casa. Cortesia para acalmar os nervos e aquecer o sangue.
Emanuel, movido por uma exaustão que ia além do físico, apenas assentiu. Ele acomodou as duas em um sofá de veludo puído enquanto a mulher sumia nos fundos. Eduarda encostou a cabeça no peito de Emanuel, buscando conforto.
— Eu estou com um pressentimento estranho, Manu... — ela sussurrou.
— É só o cansaço, pequena. Amanhã cedo resolvemos isso — ele beijou o topo da cabeça dela.
A mulher voltou com uma bandeja de prata. Serviu três xícaras. Para as mulheres, um chá de camomila e mel puro. Para Emanuel, ela serviu uma infusão de cor âmbar profunda, exalando um aroma terroso e picante.
— Beba tudo, meu filho — a anciã disse, os olhos brilhando. — Isso vai lhe dar a força que você precisa para cuidar do que é seu.
Emanuel bebeu. O líquido desceu queimando, como se fosse lava derretida. Quase instantaneamente, ele sentiu um estalo em sua mente. O cansaço desapareceu, substituído por uma onda de calor avassaladora que se concentrou em seu baixo ventre. Seus sentidos se aguçaram de forma sobrenatural. O cheiro de Sara tornou-se um convite carnal agressivo, e a doçura de Eduarda parecia um banquete que ele precisava devorar.
A bruxa sorriu, vendo as pupilas de Emanuel se dilatarem até quase cobrirem a íris. Ela viu o que eles não viam: a linhagem dele precisava de frutos, e aquela noite sob a lua de sangue era o momento perfeito.
— O quarto de vocês é o último do corredor. Aproveitem a noite — ela disse, sumindo nas sombras.
Emanuel levantou-se bruscamente. Sua postura estava diferente, mais ereta, mais predatória. Ele pegou as malas com uma mão só, e com a outra, agarrou o braço de Sara com uma força que a fez arquejar.
— Vamos. Agora.
— Ei, Emanuel! Calma, você está me apertando — Sara reclamou, mas parou ao ver o olhar dele. Não era o olhar do seu namorado controlador; era o olhar de um macho alfa reivindicando território.
Eduarda seguiu os dois, sentindo o ar pesado de eletricidade. Ao entrarem no quarto, Emanuel trancou a porta e jogou a chave em cima de uma cômoda. O quarto tinha uma cama king-size de madeira pesada, iluminada por velas que já estavam acesas.
Emanuel tirou a camisa, revelando as tatuagens que pareciam ganhar vida sob a luz trêmula. Seus músculos estavam retesados, a pele quente ao toque.
— Emanuel? Você está bem? — Eduarda perguntou, aproximando-se timidamente. — Você está suando...
Em um movimento rápido, ele a puxou pela cintura, colando o corpo esguio dela ao seu. Eduarda soltou um gemido de surpresa quando sentiu a ereção rígida e pulsante dele contra sua barriga.
— Eu nunca estive tão bem, Duda — ele rosnou, a voz várias oitavas mais grave. — Eu quero vocês duas. Agora. De pernas abertas para mim.
Sara, que costumava ser a provocadora, sentiu um calafrio de excitação misturado com um medo primitivo. Ela nunca o vira assim, tão sem filtros, tão puramente instintivo.
— Ora, se é assim que você quer... — Sara começou a descer o zíper do vestido, mas Emanuel não esperou.
Ele a jogou na cama com uma força bruta, mas precisa. Antes que ela pudesse se acomodar, ele se voltou para Eduarda, que observava a cena com os olhos arregalados de desejo e susto. Emanuel a pegou pelo pescoço, não para machucar, mas para dominá-la, forçando-a a olhar em seus olhos.
— Você disse que queria ser minha, não disse? — Ele perguntou, a respiração quente contra os lábios dela. — Hoje você não tem escolha. Eu vou marcar vocês duas de um jeito que ninguém nunca mais vai esquecer a quem pertencem.
Emanuel despiu as duas com uma urgência febril. Ele não estava para preliminares românticas. O chá da bruxa havia despertado um vigor animal. Ele se posicionou entre as pernas de Sara primeiro, que estava deitada de costas, os seios siliconados subindo e descendo com a respiração curta.
— Me fode, Emanuel... — ela implorou, mas ele não respondeu com palavras.
Ele entrou nela com uma estocada poderosa, preenchendo-a completamente. Sara soltou um grito que ecoou pelo quarto, as unhas cravando-se nos ombros largos dele. Emanuel a possuía com uma cadência violenta, seus olhos fixos em Eduarda, que estava sentada na beira da cama, assistindo a tudo com a mão na boca, o corpo trêmulo.
— Não desvie o olhar, Duda — ele comandou, a voz ríspida enquanto gozava dentro de Sara com um rugido.
Sem dar tempo para descanso, ele puxou Eduarda para o centro da cama. Sara, ainda ofegante e trêmula, afastou-se para o lado, observando a cena com uma mistura de choque e fascínio. Emanuel virou Eduarda de costas, empinando o quadril dela.
— Manu... por favor... — ela manhou, a voz doce e submissa.
— Você é minha, pequena. Só minha — ele disse, entrando nela sem aviso.
Eduarda soltou um soluço de prazer. Ele era grande demais, forte demais, mas a forma como ele a segurava, como se ela fosse sua posse mais preciosa, a fazia se entregar totalmente. Emanuel a fodia com uma intensidade que fazia a cama de madeira ranger contra o chão. Ele não parava. Cada vez que chegava ao ápice, o calor em seu sangue parecia renovar sua energia.
A noite transformou-se em um borrão de suor, gemidos e o som de corpos se chocando. Emanuel alternava entre as duas com uma insaciabilidade sobrenatural. Ele as queria de todas as formas: de quatro, de costas, por cima dele. Ele as dominava, reclamando cada centímetro de pele. Sara e Eduarda, em um pacto silencioso de sobrevivência ao prazer, não se tocavam, mas ambas estavam entregues ao mesmo mestre.
— Abram as pernas para mim — ele ordenava repetidamente. — Eu quero ver vocês abertas, esperando por mim.
Ele gozou dentro de ambas, repetidas vezes, sem preservativos, sem barreiras. O chá da bruxa não era apenas um estimulante; era um catalisador de vida. No auge da madrugada, sob a influência daquela magia terrosa, sementes foram plantadas em solos férteis.
Quando a primeira luz do sol começou a filtrar pelas frestas das cortinas, Emanuel finalmente desabou entre as duas, o corpo exausto, mas a mente finalmente em paz. O efeito do chá estava passando, deixando apenas uma lembrança vívida e visceral do que ocorrera.
Sara estava deitada de lado, o cabelo loiro bagunçado, sentindo uma estranha plenitude que nunca sentira antes. Eduarda estava encolhida sob o braço de Emanuel, a expressão doce e serena, apesar do cansaço extremo.
— O que foi isso...? — Sara sussurrou, a voz rouca. — Você estava... diferente, Emanuel.
— Eu só... eu precisava de vocês — ele respondeu, a voz voltando ao normal, mas mantendo a firmeza possessiva. Ele puxou as duas para mais perto. — Agora vocês estão marcadas. Não há mais volta.
Eduarda bocejou, sentindo um calor estranho em seu ventre, uma sensação de que algo havia mudado permanentemente dentro de si.
— Eu me sinto... diferente — Eduarda murmurou, fechando os olhos. — Parece que eu finalmente estou onde deveria estar.
Emanuel as abraçou com força. Ele não sabia, mas a bruxa, lá embaixo, apagava as velas com um sopro satisfeito. Ela vira o futuro: dois berços, duas vidas novas que cresceriam sob a proteção daquele homem que, naquela noite, aceitara seu destino de patriarca.
A caminhonete, milagrosamente, pegou na primeira tentativa naquela manhã. Eles deixaram a pousada sem olhar para trás, levando consigo o segredo daquela noite e a vida que, silenciosamente, começava a florescer no ventre de cada uma das namoradas de Emanuel. O controle dele agora seria absoluto, pois ele não cuidaria apenas de duas mulheres, mas de uma linhagem inteira.