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O Labirinto de Vidro e as Rosas de Campo

A mansão de Emanuel, apesar de todo o seu luxo e tecnologia médica, estava começando a sufocar a todos. O ar ali dentro parecia denso, carregado com o som metálico dos monitores e a tensão silenciosa entre o amor possessivo de Emanuel e a fragilidade de Eduarda. Foi Sara quem decidiu que eles precisavam de uma mudança de cenário. A irmã de Sara, Bianca, havia convidado a família para passar uma semana na casa de campo da família, um refúgio vasto e isolado, longe do barulho da cidade e da pressão dos estúdios de tatuagem.

Emanuel inicialmente recusou. A ideia de tirar Eduarda de um ambiente controlado por ele era quase insuportável. Mas Sara, com sua praticidade afiada e seu jeito de dobrar a vontade do marido sem que ele percebesse, venceu a resistência.

— Emanuel, olhe para ela — disse Sara, apontando para Eduarda, que observava o jardim através da janela do quarto. — Ela está murchando. Se você quer que o coração dela e o da Amélie aguentem, ela precisa respirar ar puro, não esse ar condicionado de hospital. Minha mãe estará lá, Bianca também. Teremos ajuda.

E assim, o comboio de carros de luxo partiu. Emanuel fez questão de que uma ambulância particular seguisse a uma distância discreta, equipada com tudo o que Arantes havia prescrito.

A casa de campo era uma construção colonial imponente, cercada por colinas verdes e roseiras que exalavam um perfume doce e inebriante. Quando chegaram, a família de Sara já os esperava na varanda. Dona Margareth, a matriarca, era a versão mais velha e ainda mais imponente de Sara: loira, coberta de joias de ouro maciço e com um olhar que julgava tudo em segundos.

— Finalmente! — exclamou Bianca, correndo para abraçar a irmã. — Sara, você está enorme! E olhe para você, Emanuel, cada vez mais parecido com um desses modelos de revista alternativa.

Emanuel sorriu de canto, mas seus olhos logo buscaram Eduarda, que saía do carro com a ajuda de Gabriel. A recepção para a bailarina foi mais contida. A família de Sara sabia da "configuração peculiar" do relacionamento de Emanuel, e embora fossem modernos e ricos o suficiente para não criarem escândalos, o julgamento estava lá, escondido sob sorrisos polidos.

— Então esta é a famosa Eduarda — disse Dona Margareth, aproximando-se com passos lentos. Ela avaliou a barriga de cinco meses da menina e depois olhou para o rosto pálido dela. — Tão miúda. Como você espera carregar um bebê desse tamanho sendo tão delicada, querida?

Eduarda encolheu-se, buscando instintivamente a proximidade de Emanuel. Ele, percebendo o desconforto, colocou a mão possessivamente na base do pescoço de Eduarda, puxando-a para perto de seu corpo.

— Ela vai ficar bem, Margareth — disse Emanuel, o tom de voz deixando claro que não aceitaria comentários negativos. — Ela está sob minha proteção absoluta.

— Claro que está — murmurou a sogra, com um sorriso irônico. — Você sempre gostou de colecionar coisas raras, Emanuel.

A primeira noite no campo foi marcada por um jantar suntuoso. A mesa estava posta com prataria e cristais. Sara brilhava, usando um vestido vermelho justo que contrastava com o ambiente bucólico, bebendo seu suco em uma taça de vinho como se fosse a rainha do lugar. Ela contava histórias sobre a nova coleção de sua loja, rindo alto e dominando a conversa.

Eduarda, por outro lado, mal tocava na comida. O ambiente era opressor de uma forma diferente da mansão. Aqui, ela se sentia uma intrusa em um mundo de mulheres fortes, loiras e barulhentas.

— Você precisa comer, Eduarda — disse Emanuel em voz baixa, cortando um pedaço de carne para ela. — O médico foi claro sobre a sua nutrição.

— Eu não estou com fome, Emanuel — sussurrou ela, sentindo o olhar de Bianca sobre si.

— Não é uma escolha — retrucou ele, a rigidez voltando à sua voz. — Abra a boca.

A cena chamou a atenção de todos. Um silêncio desconfortável caiu sobre a mesa. Gabriel tentou aliviar a tensão.

— Deixa a menina, Emanuel. O ar do campo às vezes tira o apetite no primeiro dia.

— Eu não pedi sua opinião, Gabriel — Emanuel respondeu sem desviar os olhos de Eduarda. — Coma. Agora.

Eduarda obedeceu, sentindo as lágrimas picarem seus olhos. Ela se sentia como uma criança sendo repreendida na frente de estranhos. Sara, percebendo que o marido estava cruzando a linha da irritação, interveio com sua vulgaridade charmosa.

— Deixe de ser carrasco, Emanuel! Se ela não quer carne, dê a ela aquele doce de abóbora que a mamãe mandou fazer. Açúcar ajuda no humor, e o humor dela está precisando de um upgrade.

Após o jantar, Emanuel foi levado pelo sogro para o escritório para discutir alguns investimentos em estúdios na Europa. Sara e Bianca ficaram na sala, enquanto Eduarda pediu licença para caminhar um pouco pela varanda, sob a promessa de não se afastar e não fazer esforço.

O ar da noite estava fresco. Eduarda sentou-se em um balanço de madeira, tocando sua barriga. Amélie estava agitada, pequenos chutes que pareciam protestos contra a tensão do jantar.

— É difícil, não é? — A voz de Dona Margareth veio das sombras da varanda. Ela segurava uma taça de conhaque.

— O quê, senhora? — perguntou Eduarda, assustada.

— Viver à sombra de uma mulher como a minha filha. E sob o controle de um homem como o Emanuel. — Margareth sentou-se na cadeira de vime ao lado do balanço. — Minha filha é um furacão. Ela não se importa em dividir, desde que ela continue sendo o centro. Mas você... você é feita de vidro, menina.

— Eu amo o Emanuel — disse Eduarda, com uma coragem que não sabia que tinha. — E ele me ama.

— Oh, ele ama — Margareth riu, um som seco. — Ele ama a forma como você depende dele. Ele ama o fato de que você é a única coisa no mundo que ele pode quebrar e consertar. Mas tome cuidado. Homens como o Emanuel não lidam bem com a fragilidade que não podem controlar. Se o seu coração falhar, ele não vai ficar triste, ele vai ficar furioso com você por ter "estragado" o plano dele.

Eduarda sentiu um calafrio que não vinha do vento. As palavras da mulher eram venenosas, mas carregavam uma verdade que ela já havia sentido na própria pele.

— Eu vou dar a ele a Amélie — disse Eduarda, a voz trêmula. — É tudo o que importa.

— Veremos — concluiu Margareth, levantando-se. — Vá para dentro. O orvalho faz mal para quem tem o sangue ralo.

Eduarda voltou para o quarto que dividia com Emanuel. Ele já estava lá, sem camisa, as tatuagens em seus braços e peito parecendo vivas sob a luz fraca dos abajures. Ele estava sentado na cama, examinando alguns papéis médicos que haviam sido enviados por e-mail.

— Onde você estava? — perguntou ele, a voz carregada de uma desconfiança instintiva.

— Na varanda, Emanuel. Apenas respirando.

— Você demorou dez minutos a mais do que o combinado — ele disse, levantando-se e caminhando até ela. Ele segurou o rosto dela com as duas mãos, examinando seus olhos. — Você está pálida. O que a Margareth disse para você? Eu a vi saindo da varanda.

— Nada, Emanuel. Ela só estava... conversando.

— Não minta para mim, Eduarda. Eu já te disse o que acontece quando você esconde as coisas.

Ele a puxou para a cama, obrigando-a a se deitar. Emanuel posicionou-se sobre ela, mantendo o peso nos cotovelos para não pressionar a barriga, mas sua presença era esmagadora.

— Eu não quero você perto daquela mulher. Ela é como a Sara, mas sem o filtro. Ela vai tentar entrar na sua cabeça.

— Ela disse que eu sou feita de vidro — sussurrou Eduarda, as lágrimas finalmente caindo. — E que você vai ficar com raiva se eu quebrar.

Emanuel endureceu. Ele beijou as lágrimas dela, um gesto que começou suave e tornou-se possessivo, quase agressivo.

— Você não vai quebrar. Eu não vou deixar. Você é minha, Eduarda. Cada batida desse seu coração fraco me pertence. Se eu tiver que te manter amarrada a mim para você continuar respirando, eu farei.

— Você me ama, Emanuel? Ou você só ama o controle que tem sobre mim? — A pergunta saiu antes que ela pudesse evitar.

O olhar de Emanuel tornou-se sombrio. Ele se afastou levemente, sentando-se nos calcanhares.

— Eu tirei a sua virgindade, Eduarda. Eu te dei uma filha. Eu te trouxe para dentro da minha casa, para viver com a minha esposa, desafiando qualquer lógica ou convenção social. Você acha que eu faria isso por "controle"?

— Eu não sei... — ela soluçou. — Às vezes eu sinto que sou apenas uma extensão da sua vontade.

Emanuel suspirou, uma expressão de cansaço cruzando seu rosto esculpido. Ele a puxou para seu peito, abraçando-a com uma força que quase doía.

— Eu te amo porque você é a única parte de mim que ainda é humana, Eduarda. A Sara... ela é minha parceira de guerra. Nós somos iguais. Mas você... você é o que eu protejo do mundo. E se eu sou violento, se eu sou rígido, é porque o mundo é um lugar de merda e você não sobreviveria um dia nele sem as minhas paredes ao seu redor.

Eles ficaram em silêncio por um longo tempo, o som dos grilos lá fora sendo a única trilha sonora. Mas a paz foi interrompida por um grito vindo do corredor.

Era Sara.

Emanuel saltou da cama e correu para a porta, com Eduarda logo atrás, apesar do cansaço. No corredor, Sara estava apoiada na parede, a mão pressionando a barriga, o rosto contorcido em uma careta de dor.

— Sara! O que houve? — Emanuel a segurou pelos ombros.

— Uma contração... uma muito forte — ofegou ela. — Não é como as outras, Emanuel. Algo está errado.

O pânico, algo que Emanuel raramente permitia que aparecesse, brilhou em seus olhos. Ele olhou para Sara e depois para Eduarda, que estava parada à porta, aterrorizada. As duas mulheres que ele amava, as duas vidas que ele tentava controlar, estavam agora sob a ameaça da natureza que nenhum dinheiro ou poder podia dominar completamente.

— Bianca! Margareth! — Emanuel gritou, sua voz ecoando por toda a casa de campo. — Chamem a ambulância! Agora!

Ele pegou Sara nos braços, a força de seus músculos saltando sob a pele tatuada. Ao passar por Eduarda, ele parou por um segundo.

— Vá para o quarto e não saia de lá. Gabriel! — O irmão apareceu correndo. — Fique com a Eduarda. Se ela se mover, se ela passar mal, me ligue no mesmo instante.

Emanuel desceu as escadas com Sara, deixando para trás um rastro de urgência e medo. Eduarda ficou parada no corredor, sentindo uma pontada aguda em seu próprio peito. O estresse da situação estava fazendo seu coração protestar.

— Ei, calma... — Gabriel se aproximou, tentando guiá-la de volta para o quarto. — A Sara é forte, Eduarda. Ela é feita de ferro. Ela vai ficar bem.

— E a Valentina? — perguntou Eduarda, a voz sumindo.

— Emanuel não vai deixar nada acontecer com elas. Você sabe disso.

Mas Eduarda sabia de algo que Gabriel não entendia. Ela sentia a conexão entre elas. Se o sol de Emanuel, a poderosa Sara, estava em perigo, o que restaria para a pequena lua de vidro?

Horas se passaram. A casa de campo, antes um refúgio, agora parecia um mausoléu de expectativas. Margareth e Bianca haviam ido para o hospital local com Emanuel. Gabriel tentava distrair Eduarda, mas ela mal o ouvia. Ela estava sentada na cama, monitorando cada batida de seu próprio coração, sentindo a arritmia aumentar conforme a incerteza crescia.

Perto do amanhecer, o telefone de Gabriel tocou.

— Emanuel? Sim... como elas estão? — Gabriel ouvia atentamente, o rosto ficando sério. — Entendo. E a bebê?

Eduarda segurou o lençol com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.

— Elas estão estáveis — disse Gabriel, desligando o telefone e olhando para Eduarda. — Foi um susto, um descolamento parcial da placenta. Sara vai ter que ficar em repouso absoluto no hospital por alguns dias. Valentina está bem, mas o risco aumentou.

Eduarda soltou o ar que nem sabia que estava segurando. Mas o alívio durou pouco.

— O Emanuel está vindo para cá — continuou Gabriel, hesitante. — Ele está... ele está fora de si, Eduarda. Ele disse que se a Sara está assim, ele não vai arriscar você nem mais um segundo aqui no campo. Ele está trazendo uma equipe para te levar de volta para a cidade. Ele quer você internada em uma ala privada, sob vigilância vinte e quatro horas.

— Internada? Mas eu não fiz nada! Eu estou bem!

— Não importa para ele — Gabriel suspirou. — Ele perdeu o controle com a Sara e agora vai apertar as correntes em você. Ele está furioso, Eduarda. Furioso com a vida, com a biologia... e você sabe como ele desconta isso.

O som do motor do carro de Emanuel rugiu no cascalho da entrada minutos depois. O som da porta batendo foi como um trovão. Eduarda ouviu os passos dele na escada, rápidos, pesados, implacáveis.

Quando a porta do quarto se abriu, Emanuel parecia um espectro de destruição. Suas roupas estavam amassadas, o cabelo desarrumado, e os olhos... os olhos estavam injetados de sangue e carregados de uma determinação maníaca.

Ele não disse "bom dia". Ele não perguntou como ela estava.

— Arrume suas coisas — disse ele, a voz rouca, quase um rosnado. — Nós vamos embora agora.

— Emanuel, a Sara... eu quero saber dela...

— A Sara está em uma cama de hospital porque o mundo decidiu que nada é fácil! — Ele gritou, chutando uma cadeira de madeira, que se estilhaçou contra a parede. Eduarda deu um grito curto e se encolheu. — E você, Eduarda... você é o meu elo mais fraco. Eu quase perdi a Valentina hoje. Eu não vou te dar a chance de falhar comigo também.

Ele caminhou até ela e a segurou pelos pulsos, levantando-a da cama com uma força desnecessária.

— Você vai para o hospital. Você vai ficar em um quarto ao lado do da Sara. Eu vou ter as duas sob meus olhos, a cada segundo. Se você reclamar, se você chorar, se você disser que quer ir para casa, eu juro que te mantenho sedada até o dia do parto.

— Você está me machucando, Emanuel! — Eduarda chorava, tentando se soltar.

— A dor passa, Eduarda. A perda não. — Ele a soltou e apontou para a mala. — Dez minutos. Se você não estiver lá embaixo, eu te levo no colo, do jeito que você está.

Gabriel tentou intervir, mas Emanuel apenas lançou um olhar tão carregado de violência que o irmão recuou.

— Não entre no meu caminho hoje, Gabriel. Eu não tenho paciência para a sua diplomacia.

A viagem de volta para a cidade foi um pesadelo de silêncio. Emanuel dirigia como se estivesse em uma corrida contra a própria morte. Eduarda, no banco de trás, sentia Amélie se contrair, como se o bebê também sentisse o terror da mãe.

Ao chegarem ao hospital de elite, a estrutura já estava pronta. Emanuel havia alugado uma ala inteira. Sara já estava acomodada em uma suíte de luxo, cercada de enfermeiras e aparelhos. Eduarda foi levada para o quarto vizinho.

Emanuel entrou no quarto de Eduarda após ela ser instalada. Ele parecia ter se acalmado um pouco, mas era uma calma perigosa, como o olho de um furacão.

— A Sara quer te ver — disse ele, de forma seca.

Ele a ajudou a caminhar até o quarto ao lado. Sara estava deitada, pálida, mas ainda com um brilho de desafio nos olhos. Ela usava um robe de seda preta e estava cheia de acessos venosos.

— Olhe para nós — disse Sara, com um riso fraco. — Duas prisioneiras de luxo.

— Sara, eu sinto muito... — começou Eduarda.

— Não sinta, querida. O Emanuel está apenas sendo o animal que ele é. Ele está com medo de ficar sozinho no topo do império dele. — Ela olhou para o marido, que estava parado ao pé da cama. — Você exagerou com a menina, Emanuel. Ela está tremendo.

— Ela está segura — respondeu ele, cruzando os braços. — Amélie e Valentina estão seguras. É tudo o que importa.

— E a felicidade delas? — perguntou Sara, arqueando uma sobrancelha. — Você acha que elas serão felizes em uma gaiola de ouro?

— Elas estarão vivas — retrucou ele. — A felicidade é um luxo que eu compro para elas depois que o perigo passar.

Emanuel saiu do quarto para falar com os médicos, deixando as duas mulheres sozinhas. O silêncio no quarto de hospital era quebrado apenas pelo bipe dos monitores de Sara.

— Eduarda — chamou Sara, a voz agora séria. — Ouça bem. O Emanuel vai ficar cada vez pior conforme o parto se aproxima. Ele vai tentar tirar cada grama de autonomia que você tem. Você precisa ser forte. Não por ele, mas pela Amélie. Se você se entregar totalmente ao medo dele, o seu coração não vai aguentar.

— Eu não sei se consigo, Sara. Eu não sou como você.

— Ninguém é — Sara deu um sorriso triste. — Mas você tem algo que eu não tenho. Você tem a alma dele. Eu tenho o respeito e a paixão, mas você... você tem a parte dele que ele teme. Use isso. Quando ele for violento, quando ele for bruto, lembre-o de que você é a única coisa que pode destruí-lo se você desistir.

Naquela noite, Emanuel dormiu em uma poltrona entre os dois quartos. Ele não fechou os olhos. Ele observava as luzes dos painéis de controle, as linhas que representavam a vida de suas duas mulheres e de suas duas filhas.

Ele sabia que estava sendo um monstro. Sabia que a fúria e o controle eram suas únicas defesas contra a possibilidade de perder o que amava. Mas, enquanto olhava para Eduarda dormindo sob o efeito de um leve sedativo, ele sentiu uma pontada de remorso. Ele tocou a mão dela, a pele macia e fria.

— Só mais alguns meses, pequena — sussurrou ele. — Só mais alguns meses e eu te devolvo o mundo. Mas por enquanto... o mundo sou eu.

A mansão de campo ficara para trás, junto com a ilusão de uma gravidez tranquila. Agora, a batalha era nos corredores estéreis e silenciosos do hospital, onde o amor de Emanuel se transformava em uma armadura que, embora protegesse, também começava a sufocar a vida que ele tanto queria salvar. E no centro de tudo, Valentina e Amélie continuavam a crescer, alheias ao labirinto de vidro e poder que seus pais haviam construído ao seu redor.