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O Cisne Negro de Obsidiana
A atmosfera na cobertura de Emanuel havia mudado drasticamente após o episódio da joalheria. O ar, antes carregado de uma eletricidade estática e punitiva, agora parecia envolto em uma névoa de expectativa. Emanuel, um homem que lia o mundo através de formas, sombras e contrastes, percebeu que não conseguiria dobrar Eduarda através da força bruta ou da ostentação vulgar que tanto funcionava com Sara. Eduarda era feita de outra matéria; ela era a bailarina que se movia entre as notas musicais, e para alcançá-la, ele precisava falar a língua dela.
Emanuel passou dias em seu estúdio principal, mas não tatuando. Ele chamou um dos ourives mais talentosos e discretos do mercado, um homem que trabalhava exclusivamente com materiais raros. Emanuel desenhou o projeto pessoalmente, com a mesma precisão com que traçava o contorno de uma fênix nas costas de um cliente. Ele não queria diamantes brutos ou ouro amarelo gritante. Ele queria algo que capturasse a alma de Eduarda: a força oculta sob a fragilidade.
Naquela noite, o jantar foi silencioso. Sara estava distraída, admirando seus novos rubis enquanto folheava uma revista de moda gestante, enquanto Eduarda comia pouco, mantendo aquela aura de passividade melancólica que tanto irritava e fascinava Emanuel.
— Eduarda, vá para o nosso quarto — disse Emanuel, sua voz soando como um comando, mas sem a aspereza dos dias anteriores. — Tenho algo para você.
Eduarda olhou para Sara, buscando algum sinal, mas a loira apenas piscou e deu um sorriso enigmático.
— Vai lá, bonequinha. O Manu está com aquela cara de quem fez arte.
Eduarda levantou-se devagar, sentindo o peso de Amélie e Benício em seu ventre de cinco meses. Ela caminhou até a suíte master e encontrou Emanuel em pé junto à janela, observando as luzes da cidade. Sobre a cama de lençóis de fios egípcios, havia uma caixa de madeira escura, entalhada à mão.
— O que é isso, Emanuel? Outro colar de diamantes que eu não pedi? — perguntou ela, a voz carregada de uma manha defensiva.
Emanuel virou-se, caminhando até ela. Ele pegou a caixa e a abriu.
Eduarda sentiu o ar escapar de seus pulmões. Não era uma joia comum. Era uma obra de arte. O colar apresentava dois cisnes negros esculpidos em obsidiana pura, cujos pescoços se entrelaçavam formando um coração sutil e sombrio. Os olhos dos cisnes eram minúsculas safiras negras que brilhavam sob a luz do abajur. Mas o que mais a tocou foi a "corrente": em vez de metal frio, os cisnes estavam presos a uma fita de cetim negro, macia e delicada, exatamente como as fitas das sapatilhas de ballet que ela tanto amava.
— Eu mandei fazer para você — disse Emanuel, sua voz rouca, quase um sussurro. — Dois cisnes negros. Um para a Amélie, outro para o Benício. E a fita... para que você nunca se esqueça de quem é, mesmo quando estiver presa a mim.
Eduarda estendeu a mão, tocando a obsidiana. O material estava morno, como se tivesse vida própria. As lágrimas que ela vinha segurando há dias finalmente transbordaram, lavando seu rosto doce.
— É... é a coisa mais linda que já vi — sussurrou ela. — Você entendeu, Emanuel. Você realmente entendeu.
— Eu sempre entendo você, Duda — disse ele, aproximando-se e pegando o colar. — Vire-se. Deixe-me colocar em você.
Eduarda obedeceu, sentindo os dedos grandes e calejados dele roçarem a pele sensível de sua nuca enquanto ele amarrava a fita de cetim com um laço perfeito. O contraste da fita negra contra a pele alva de Eduarda era erótico e poético.
— Você é meu cisne negro, Eduarda — murmurou Emanuel, beijando o topo de sua cabeça. — E eu sou o lago onde você sempre vai nadar.
Eduarda virou-se para ele. A raiva pela safira jogada fora, o medo do controle excessivo e a angústia dos meses de segredo pareceram se dissolver diante daquele gesto de compreensão. Emanuel não tinha apenas comprado uma joia; ele tinha enxergado a essência dela.
Ela olhou nos olhos dele, vendo a chama de desejo e possessão que nunca se apagava, mas que agora estava temperada com uma adoração quase religiosa. Eduarda sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo, um desejo súbito de se entregar totalmente ao homem que, apesar de toda a sua brutalidade, sabia como tocar sua alma.
— Emanuel... — ela sussurrou, aproximando-se e passando as mãos pelo peito dele, sentindo a textura das tatuagens sob a camisa fina. — Obrigada. Por isso. Por me ver.
Emanuel segurou a cintura dela, puxando-a para o seu corpo.
— Eu vejo tudo em você, Duda. Até o que você tenta esconder.
Eduarda sorriu, uma expressão manhosa e sedutora que raramente mostrava. Ela sabia o que ele queria. E, pela primeira vez em muito tempo, ela queria dar a ele não por obrigação, mas por uma gratidão que se transformava em luxúria.
— Eu quero te agradecer, Manu — disse ela, a voz carregada de segundas intenções. — De um jeito que você gosta.
Emanuel arqueou uma sobrancelha, o corpo ficando tenso sob o toque dela.
— É mesmo? E como seria isso?
Eduarda não respondeu com palavras. Ela se afastou levemente e começou a desabotoar o vestido de seda clara que usava. O tecido escorregou por seus ombros, revelando a curva suave de seus seios, agora mais fartos pela gravidez, e o volume arredondado de sua barriga de cinco meses. Ela não usava sutiã, apenas uma calcinha de renda branca, minúscula, que contrastava com a pele morena clara.
Emanuel engoliu em seco, seus olhos devorando cada detalhe daquela visão. Eduarda caminhou até a cama e sentou-se na beira, abrindo levemente as pernas, revelando a delicadeza de sua intimidade, protegida apenas pela renda fina.
— Eu sou sua, Emanuel — disse ela, a voz baixa e provocante. — Inteira. E hoje... eu quero que você sinta o quanto eu sou grata.
Emanuel não esperou mais. Ele arrancou a camisa e os sapatos, ajoelhando-se entre as pernas dela. Suas mãos grandes seguraram as coxas de Eduarda, abrindo-as mais, enquanto ele observava a pequena fenda que se desenhava sob a renda.
— Você tem certeza, Duda? — perguntou ele, a voz trêmula de desejo. — Os bebês...
— Eles estão bem, Manu. Eles querem sentir o pai deles tanto quanto eu.
Emanuel puxou a calcinha de Eduarda com os dentes, um gesto de pura possessividade animal, revelando a bucetinha rosada, macia e já úmida pela antecipação. O cheiro dela, uma mistura de baunilha e desejo, atingiu os sentidos de Emanuel como um soco.
— Você é tão perfeita — rosnou ele, passando a língua levemente pela entrada dela, fazendo Eduarda arquear as costas e soltar um gemido longo. — Tão pequena, tão apertada... e toda minha.
Eduarda enterrou as mãos nos cabelos curtos de Emanuel, puxando-o para mais perto. Ela sentia a vibração da voz dele contra sua pele, o calor de sua respiração. A sensação de ser adorada daquela forma, com aquela mistura de violência e devoção, era o que a mantinha presa a ele.
— Me toma, Manu — implorou ela. — Agora.
Emanuel levantou-se e livrou-se do resto de suas roupas. Seu membro estava pulsante, pronto para reivindicar o território que ele considerava sagrado. Ele se posicionou e, com uma lentidão torturante, começou a penetrá-la.
Eduarda soltou um suspiro de preenchimento. Ela era estreita, e a gravidez a deixara ainda mais sensível. Cada centímetro dele parecia ocupar um espaço vasto dentro dela. Emanuel parou por um momento, observando o rosto de Eduarda, as bochechas coradas, o colar de cisnes negros balançando entre os seios.
— Você sente isso? — perguntou ele, começando a se mover em estocadas curtas e profundas. — Sente que eu estou em cada parte de você?
— Sinto... — ela ofegou, envolvendo a cintura dele com as pernas, as panturrilhas de bailarina firmes contra as costas dele. — É tão bom, Manu... mais... por favor.
O ritmo aumentou. Emanuel segurava a nuca dela, beijando-a com uma fome desesperada, enquanto suas bochechas roçavam a obsidiana dos cisnes. O som da carne batendo contra a carne, os gemidos de Eduarda e a respiração pesada de Emanuel preenchiam o quarto, criando uma sinfonia de prazer e domínio.
Eduarda sentia-se flutuar. Era como se ela estivesse no palco, executando o Grand Pas de Deux mais intenso de sua vida. Emanuel era o parceiro perfeito, aquele que a segurava para que ela não caísse, mas que também a apertava com uma força que a lembrava de sua total submissão.
— Minha bailarina — rosnou Emanuel no ouvido dela, enquanto atingia o ápice, derramando-se dentro dela com uma intensidade que o deixou sem fôlego. — Minha Duda.
Eduarda atingiu o orgasmo logo em seguida, seu corpo tremendo em espasmos rítmicos, as mãos cravadas nos ombros tatuados de Emanuel. Ela sentiu uma conexão profunda, algo que transcendia a carne. Naquele momento, sob o brilho dos cisnes negros, ela pertencia a ele de uma forma que nenhuma mentira ou segredo poderia mudar.
Eles ficaram ali, abraçados, o suor colando seus corpos, os batimentos cardíacos voltando lentamente ao normal. Emanuel acariciava a barriga de Eduarda, sentindo um chute suave de Benício.
— Ele é forte — comentou Emanuel, com um orgulho paternal.
— Ele sabe quem manda aqui — Eduarda brincou, a voz ainda rouca, aninhando-se no peito dele.
A porta do quarto se abriu levemente, e a silhueta de Sara apareceu na penumbra. Ela não parecia surpresa ou irritada; havia um sorriso de satisfação em seu rosto.
— Vejo que o presente foi bem aceito — disse Sara, entrando e sentando-se na poltrona próxima à cama, observando o casal nu. — O colar ficou divino em você, Duda. O Manu tem bom gosto quando quer.
Emanuel não se cobriu. Ele olhou para Sara e estendeu a mão para ela.
— Venha aqui, Sara.
Sara aproximou-se, sentando-se ao lado deles. Emanuel a puxou para um beijo demorado, enquanto sua outra mão permanecia possessiva sobre a coxa de Eduarda.
— Nós somos uma família agora — disse Emanuel, olhando para as duas mulheres que preenchiam sua vida. — E eu vou garantir que nada falte a nenhuma de vocês. Nem joias, nem prazer, nem proteção.
Eduarda olhou para Sara e depois para Emanuel. A dinâmica era estranha para o mundo exterior, mas ali, dentro daquela cobertura, fazia sentido. Ela tinha o seu cisne negro, símbolo de sua arte e de sua dor, e tinha o homem que, apesar de controlador, era o seu porto seguro.
— Eu te amo, Manu — sussurrou Eduarda, fechando os olhos.
— Eu sei, Duda — ele respondeu. — E é por isso que você nunca vai embora.
A noite continuou calma, mas Eduarda sabia que a paz era um intervalo entre os atos. Ela ainda tinha a safira escondida na sapatilha, um segredo que agora parecia menor, mas ainda perigoso. No entanto, enquanto sentia o calor de Emanuel de um lado e a presença vibrante de Sara do outro, ela decidiu que, por aquela noite, o palco era seu. Ela era a bailarina, a mãe, a amante e a prisioneira. E, sob o brilho da obsidiana, ela dançaria conforme a música dele, contanto que o final do espetáculo fosse sempre nos braços do homem que a amava com a fúria de mil tempestades.