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D

Feitiço de Outono e Desejos Reprimidos

O vento gélido de Massachusetts uivava contra as janelas de vidro duplo da histórica mansão vitoriana que Emanuel havia alugado para a temporada. Do lado de fora, as ruas de Salem estavam cobertas por folhas secas em tons de cobre e um nevoeiro denso, quase místico, que conferia à cidade das bruxas uma atmosfera teatral e melancólica. Dentro do imóvel restaurado a peso de ouro, a lenha estalava na imensa lareira de pedra da suíte principal, inundando o ambiente com o cheiro rústico de cedro queimado e uma luz âmbar oscilante.

Emanuel estava de pé junto à janela, com uma calça de moletom cinza folgada e o peito largo completamente nu, revelando as tatuagens que desciam pelos ombros e cobriam o abdômen trincado. Ele segurava um copo de uísque com duas pedras de gelo, mas nem o álcool caro conseguia apagar a queimação que subia por sua espinha.

Ele estava à beira de um colapso de puro tesão.

Fazia quase cinco dias que haviam desembarcado nos Estados Unidos em seu jato particular. A intenção de Emanuel era simples: tirar dez dias de folga dos estúdios, mimar suas duas mulheres sem a interferência de parentes, amigos ou negócios, e trancar as duas na cama king-size até que nenhuma delas conseguisse andar direito no dia seguinte. Ele queria foder Sara com a brutalidade voraz que ela exigia e adorava; queria tomar Eduarda com a lentidão protetora e profunda que fazia a prima choramingar baixinho de prazer. Ele queria as duas sob seu domínio.

Mas havia um detalhe de dois anos incompletos dividido em dois corpos miúdos: Maya e Ágata.

A mudança de fuso horário, o frio cortante do outono americano e o nascimento de dentes haviam transformado as duas bebês em carrapatos emocionais. Nenhuma das meninas aceitava ficar no berço, nenhuma tolerava a babá temporária que ele contratara por uma pequena fortuna e, pior de tudo, nenhuma delas queria saber dele por muito tempo quando as mães estavam por perto.

Maya queria única e exclusivamente Eduarda.

Ágata não largava a saia de Sara nem por decreto.

— Se eu ouvir mais um resmungo de dente nascendo, eu juro que vou no centro dessa cidade comprar uma vassoura e sair voando — a voz rouca e debochada de Sara quebrou o silêncio do quarto.

A loira estava jogada em uma chaise-longue de veludo vermelho perto do fogo. Usava uma camisola preta transparente, de renda vazada, que deixava os seios turbinados pelo silicone com os mamilos escuros quase inteiramente à mostra. As pernas grossas estavam abertas de maneira deliberadamente vulgar, e uma das mãos com unhas postiças compridas e afiadas batia ritmicamente nas costas de Ágata. A menininha, com um pijama peludo de ursinho, estava montada em seu colo, babando em seu decote caríssimo e emitindo pequenos gemidos manhosos sempre que Sara tentava mexer um milímetro.

— Ela não dorme, Manu — Sara bufou, jogando a franja platinada para trás com um sopro irritado. — Já cantei, já balancei, já enfiei aquele mordedor gelado na boca dela e essa criatura continua com os olhos arregalados me encarando como se eu fosse fugir pela chaminé. Meu silicone vai ficar torto de tanto ela apertar essa merda.

Do outro lado do quarto, sentada na beirada da cama macia, Eduarda soltou um suspiro exausto e dengoso. Ela vestia uma camisola de seda rosa-chá, com alças finas que escorregavam pelos ombros delicados, revelando o colo alvo e o volume suave de seus seios médios. Os cabelos castanhos estavam soltos, caindo em ondas desarrumadas pelas costas. Em seus braços, Maya estava aninhada com a bochecha colada à sua pele, chupando o polegar com força enquanto lutava bravamente contra o sono.

— Fala baixo, Sara... por favor — murmurou Duda, com a voz tão suave que parecia um fio de seda. — A Maya quase fechou o olho agora. Se ela acordar de vez, vai abrir o berreiro de novo. Ela tá com a gengiva muito inchada, tadinha.

Emanuel virou-se para encará-las. O maxilar dele travou com força. Seus olhos escuros faiscaram ao analisar o contraste brutal entre a devassidão escancarada de Sara e a inocência vulnerável de Eduarda. As duas ali, deslumbrantes, seminuas, exalando um calor feminino que impregnava o quarto inteiro... e duas crianças de um ano agindo como o mais eficiente cinto de castidade já criado pela humanidade.

— Isso é castigo — rosnou Emanuel, dando um gole longo no uísque, sentindo a bebida queimar a garganta sem aliviar em nada o peso entre suas pernas. — Eu gastei quase cem mil dólares nessa viagem para a gente relaxar. Eu aluguei essa mansão inteira no meio do nada para ter paz. E eu não consigo nem encostar em vocês duas sem que uma comece a berrar como se estivesse sendo assassinada.

Sara soltou uma gargalhada anasalada, jogando a cabeça para trás, sem a menor piedade da frustração do homem.

— Olha a cara dele, Duda! Parece um touro bufando na cerca. Coitadinho do nosso milionário... tá com as bolas azuis de tanto desespero.

— Sara! — Eduarda corou violentamente, arregalando os olhos doces em reprovação envergonhada. — Não fala assim, que vergonha! A Ágata tá no seu colo!

— A Ágata tem doze meses, Duda, ela não sabe o que é bola azul — rebateu Sara com puro desdém divertido. — E o pai dela tá quase furando a calça de moletom só de olhar para as suas coxas. Se você não der um jeito de apagar essa menina aí, ele vai ter um troço antes da meia-noite.

Emanuel caminhou com passos pesados até a cama, largando o copo de cristal sobre o criado-mudo com um estalo seco. Ele parou bem na frente de Eduarda, a presença imponente fazendo a jovem bailarina erguer o queixo devagar, com a respiração entrecortada pela intensidade crua do olhar dele.

A mão grande e tatuada de Emanuel desceu até a nuca de Duda, afundando os dedos nos fios castanhos macios, puxando o rosto dela delicadamente para cima.

— Quanto tempo essa menina vai demorar para capotar, Eduarda? — a voz dele saiu baixa, rouca, carregada de uma urgência perigosa.

Eduarda engoliu em seco, sentindo o calor das pontas dos dedos dele enviar arrepios por toda a sua pele. Ela fez um biquinho manhoso, esfregando a ponta do nariz na mão dele.

— Ela já tá quase, Manu... olha como a respiração tá pesadinha — sussurrou ela, tentando justificar a demora. — Eu passei a pomadinha na boquinha dela. Só mais dez minutinhos, tá? Não fica bravo comigo. Você sabe que quando ela fica dengosa assim, só quer o colinho da mamãe.

Emanuel fechou os olhos, respirando fundo pelo nariz para conter o ímpeto de arrancar a camisola de Eduarda ali mesmo. Ele inclinou a cabeça e beijou a testa dela com possessividade, descendo a boca até os lábios rosados, tomando-os em um beijo curto, mas profundo, com a língua invadindo a boca doce da prima em um aviso implícito de tudo o que faria mais tarde.

Duda soltou um gemidinho abafado contra a boca dele, estremecendo.

— Papai! — um grito fino e irritado soou da chaise-longue.

Emanuel se afastou do beijo e olhou para o lado. Ágata havia empurrado o corpo para fora do colo de Sara e apontava com o dedo gordinho para ele, batendo o pezinho gordo no estofado.

— Qué colo! Papai, qué colo!

Sara deu um tapinha na bunda da filha e empurrou a menina na direção de Emanuel.

— Toma, herói. A sua cópia quer você. Quem mandou mimar essa garota desde que ela saiu da minha barriga? Agora aguenta.

Emanuel pegou Ágata nos braços com um suspiro pesado, aninhando a filha contra o peito tatuado. A menininha imediatamente esfregou os olhinhos miúdos na pele quente do pai, soltando um bocejo gigantesco que quase deslocou sua mandíbula.

— Vocês duas estão me testando — murmurou Emanuel para as duas bebês, caminhando de um lado para o outro em frente à lareira com passos firmes e ritmados. — Eu amo vocês mais que a minha própria vida, mas hoje vocês vão dormir. Por bem ou por mal.

Dez minutos se passaram sob o crepitar da lenha e o balanço monótono dos passos de Emanuel.

O calor do corpo do pai, somado à exaustão acumulada do dia de passeios pelas lojas temáticas de Salem, finalmente cobrou o preço. Ágata amoleceu nos braços dele, os dedinhos soltando a corrente de prata que pendia no pescoço de Emanuel, a respiração tornando-se funda e regular.

Na cama, Maya também havia se rendido. A menininha tombara para o lado, com a mãozinha repousada sobre o peito de Eduarda, completamente apagada em um sono pesado.

Com um cuidado cirúrgico de quem manuseia dinamite, Emanuel levou Ágata até o berço duplo portátil montado na ante-sala da suíte, forrado com cobertores térmicos de pluma. Em seguida, voltou para a cama, pegou Maya dos braços de Eduarda sem fazer um único ruído e a deitou ao lado da irmã. Ele cobriu as duas, ligou a babá eletrônica de última geração no volume mínimo com sensor de movimento e fechou a porta de madeira maciça que dividia os cômodos.

Quando ele se virou de volta para o quarto, a chave deu duas voltas completas na fechadura com um clique definitivo.

O silêncio que se instalou foi elétrico.

Sara ainda estava na chaise-longue, mas agora seu olhar não tinha nada de materno. Seus lábios bem delineados se curvaram em um sorriso lascivo, predador e sem vergonha. Ela cruzou as pernas, empinando ainda mais o peito avantajado sob a renda transparente.

— Trancou a porta, foi? — zombou ela, a voz descendo para um tom aveludado e provocador. — Achou que elas iam arrombar a madeira?

— Tranquei para garantir que ninguém vai sair desse quarto até amanhã de manhã — a voz de Emanuel ressoou como um trovão contido. Ele caminhou até o centro do tapete felpudo diante da lareira, os olhos negros fixos nas duas mulheres. — Acabou a palhaçada. Para a cama. As duas.

Eduarda sentiu o coração disparar contra as costelas. Mesmo já estando envolvida naquela dinâmica há semanas, a timidez inata de bailarina ainda a fazia ruborizar com a intensidade pura da masculinidade de Emanuel. Ela levantou-se devagar da beirada do colchão, descalça, movendo-se com a leveza graciosa que o ballet lhe dera. A camisola de seda balançava suavemente ao redor de suas coxas delgadas.

Sara, por sua vez, não tinha um pingo de timidez. Ela se levantou com uma rebolada descarada, estalando o salto imaginário no chão, caminhando até a cama espaçosa e jogando-se de bruços sobre os lençóis de fios egípcios, empinando a bunda redonda na direção de Emanuel.

— Anda logo, tatuador — provocou Sara, virando o rosto por cima do ombro para encará-lo com deboche. — Fala muito e faz pouco. Quero ver se você tem disposição mesmo para dar conta de duas depois de bancar a babá a noite inteira.

Emanuel não respondeu com palavras. Em dois passos rápidos, ele subiu no colchão, agarrou os cabelos platinados de Sara com força suficiente para puxar sua cabeça para trás e desferiu um tapa estalado e sonoro na nádega direita da loira. A pele dela ficou vermelha instantaneamente, e um gemido rouco e sôfrego escapou da garganta de Sara, que cravou as unhas compridas nos lençóis, excitada pela aspereza que adorava arrancar dele.

— Você fala demais, Sara — rosnou ele contra a orelha dela, mordendo o lóbulo com força antes de descer a boca pela curva do pescoço.

— Manu... — a voz manhosa de Eduarda chamou da ponta da cama.

Ela estava de joelhos sobre o edredom, os olhos castanhos brilhando na penumbra, assistindo à cena com aquele misto irresistível de submissão e desejo. Duda sabia o seu lugar ali, assim como Sara sabia o dela. Elas não se tocavam; não havia atração lésbica, não havia toques íntimos entre as duas mulheres. O laço que as unia naquele colchão era Emanuel. Ele era o centro, o eixo gravitacional daquele desejo compartilhado.

Emanuel soltou Sara por um instante e estendeu o braço forte, agarrando o tornozelo delicado de Eduarda e puxando-a para junto de si. A bailarina soltou uma exclamação suave ao deslizar pelo tecido macio, caindo de lado contra o corpo largo e quente dele.

— Chega de esperar, Duda — murmurou ele, a voz falhando pelo tesão acumulado.

As mãos calejadas de Emanuel subiram pelas pernas torneadas de Eduarda, erguendo a barra da camisola de seda rosa até a cintura. Seus dedos deslizaram pela pele macia da prima, encontrando a calcinha de algodão fino já encharcada pelo calor da espera. Eduarda arfou, fechando os olhos e jogando a cabeça para trás, enterrando os dedinhos nos músculos tensos do ombro dele.

— Manu... tá doendo de tanta vontade... — confessou ela num sussurro infantil e manhoso, os seios médios subindo e descendo com força, os bicos rígidos implorando por contato.

— Deixa eu cuidar de você, minha menina — Emanuel murmurou com uma ternura feroz, rasgando o tecido fino da calcinha dela de uma vez só, sem paciência para despir com calma.

Ele se posicionou entre as pernas abertas de Eduarda, sentindo o perfume doce de alfazema que emanava de sua pele intocada. Emanuel desceu a boca pesada sobre os seios macios dela, sug

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