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O Peso da Doçura e o Fogo do Cuidado

O ar condicionado da suíte master trabalhava silenciosamente para combater o calor úmido da tarde, mas dentro do quarto, a atmosfera era densa, carregada de uma mistura de exaustão e expectativa. Oitavo mês. A reta final parecia uma maratona onde o chão era feito de chumbo. Emanuel, sentado na beira da cama king-size, observava suas duas mulheres com um olhar que oscilava entre a adoração e a preocupação constante que se tornara sua sombra.

Sara estava esparramada em uma poltrona de veludo, as pernas inchadas descansando sobre um puff de couro. Ela usava um robe de seda aberta, revelando a barriga monumental onde Ágata parecia praticar artes marciais. Mesmo na fase final da gestação, Sara não abria mão de sua essência: as unhas estavam impecáveis em um tom de rosa neon e os cabelos loiros, embora presos em um coque alto, mantinham o brilho de quem nunca perdia a pose.

— Emanuel, se essa menina não nascer logo, eu vou explodir e espalhar silicone e glitter por todo esse quarto — reclamou Sara, abanando-se com uma revista de moda. — Ela está chutando minha bexiga como se fosse um saco de pancadas. Venha aqui e dê um jeito na sua filha.

Emanuel sorriu, levantando-se e caminhando até ela. Ele se ajoelhou entre as pernas de Sara e começou a massagear os pés dela com uma pressão firme e experiente. Ele a mimava sem restrições; joias novas, desejos gastronômicos de madrugada e massagens intermináveis eram a sua forma de agradecer por ela ter mantido a estrutura daquela família tão peculiar.

— Ela só tem a sua personalidade, Sara — disse Emanuel, a voz grave e calma. — Ágata quer ser notada antes mesmo de sair para o mundo. Aguente firme, faltam poucas semanas.

— Você diz isso porque não é o seu útero que virou um condomínio de luxo — rebateu ela, mas fechou os olhos, relaxando sob o toque dele. — Vá ver a Duda. Ela está quieta demais no closet. E você sabe que quando ela fica quieta, é porque está sofrendo em silêncio para não incomodar a "realeza" aqui.

Emanuel assentiu, deixando um beijo na testa de Sara antes de se levantar. Ele caminhou em direção ao closet espaçoso, que mais parecia um cômodo adicional da casa. Ao entrar, encontrou Eduarda sentada em um banco estofado, cercada por prateleiras de sapatos que ela não conseguia mais calçar.

O coração de Emanuel deu um solavanco. Eduarda estava vestida apenas com uma calcinha de renda branca, pequena e delicada, que contrastava com a curva generosa de seu ventre de oito meses. Seus seios, que sempre foram médios e macios, estavam agora pesados, as veias azuladas visíveis sob a pele alva e translúcida. Ela segurava uma toalha morna contra o peito, os olhos castanhos marejados de dor.

— Duda? — chamou ele, aproximando-se com cuidado, como se temesse que ela pudesse quebrar.

— Manu... — a voz dela saiu em um sussurro embargado. — Dói tanto. Eu não sabia que ia ser assim antes mesmo da Maya nascer.

Emanuel se aproximou e sentou-se no chão, ficando entre as pernas dela, da mesma forma que fizera com Sara, mas o toque aqui era diferente. Ele retirou a toalha morna e viu que os mamilos de Eduarda estavam tensos, e pequenas gotas de colostro já começavam a vazar, manchando sua pele. O corpo dela, em sua sabedoria biológica, estava se preparando com uma intensidade que a fragilidade de Eduarda tinha dificuldade em suportar.

— Está muito cheio, não está? — perguntou ele, levando a mão para sustentar o peso de um dos seios. A pele estava quente, febril.

— Parece que vai rasgar, Manu — disse ela, inclinando a cabeça para trás, as lágrimas finalmente escorrendo. — Eu tentei massagear no banho, mas está tão sensível que eu mal consigo encostar.

Emanuel sentiu uma onda de proteção avassaladora. Eduarda era sua prima, sua protegida, e agora a mulher que carregava sua filha de coração. Ele a via como uma criatura de luz e seda, e ver aquela expressão de dor física o atingia profundamente. Ele olhou para o peito dela, para a abundância de vida que transbordava, e uma ideia prática, porém carregada de intimidade, cruzou sua mente.

— Eu posso ajudar a aliviar a pressão, pequena — disse ele, os olhos fixos nos dela, buscando permissão.

Eduarda piscou, confusa pela dor.

— Como? A bombinha de tirar leite que a Sara comprou dói demais, eu tentei usar e...

— Não com a máquina — interrompeu Emanuel, a voz tornando-se mais densa. — Deixa eu fazer isso. Deixa eu mamar, Duda. Vai aliviar na hora.

O silêncio caiu sobre o closet, quebrado apenas pelo som distante da TV que Sara assistia no quarto. Eduarda sentiu o rosto arder, uma mistura de timidez e um alívio súbito pela oferta. Não havia segredos entre eles, e a sexualidade naquele trio era algo fluido e resolvido, mas aquele momento tinha uma pureza e uma necessidade que transcendiam o desejo comum.

— Você... você faria isso por mim? — perguntou ela, a voz trêmula.

— Eu faço qualquer coisa por você — respondeu ele, firme. — E eu sei que você está sofrendo.

Emanuel não esperou por mais palavras. Ele se ergueu levemente, apoiando as mãos nas coxas macias de Eduarda, e aproximou o rosto de seu peito. O cheiro dela era doce, leitoso e quente. Com uma delicadeza que poucos acreditariam que aquele homem de mãos tatuadas e expressão rígida possuía, ele envolveu o mamilo dela com os lábios.

Eduarda soltou um suspiro longo, uma mistura de gemido e arfar de alívio. No início, a sucção foi estranha, mas à medida que Emanuel começou a sugar com um ritmo constante e suave, a pressão insuportável começou a ceder. O leite, rico e doce, preencheu a boca dele, e Emanuel o aceitou como um sacrifício e um presente.

— Oh, Manu... — sussurrou ela, as mãos enterrando-se nos cabelos curtos dele, puxando-o para mais perto. — Está melhorando... a dor está sumindo.

Emanuel continuou, alternando entre os seios, massageando a base de cada um com as mãos enquanto sugava. Ele estava focado, quase clínico em sua determinação de curá-la, mas era impossível ignorar a beleza da cena. Eduarda, seminua, entregue a ele em uma vulnerabilidade total, confiando-lhe a dor de seu próprio corpo.

Do quarto, Sara chamou, a voz alta e despreocupada:

— Emanuel! Onde você se meteu? Se você caiu dentro do vaso sanitário, me avise para eu chamar o encanador!

Emanuel parou por um segundo, limpando o canto da boca com o polegar. Ele olhou para Eduarda, que agora sorria através das lágrimas, o rosto relaxado pela primeira vez em horas.

— Vá lá — disse ela baixinho, dando um beijo casto na testa dele. — A Sara está ficando impaciente. E eu... eu estou muito melhor. Obrigada, meu amor.

Emanuel se levantou, ajudando-a a se vestir com uma camisola leve de algodão que ele buscou em uma das gavetas. Ele a beijou nos lábios, um beijo demorado que selava o pacto de cuidado entre eles.

Ao voltar para o quarto, encontrou Sara sentada na beira da cama, tentando alcançar os próprios pés para colocar uma sandália, sem sucesso.

— Demorou, hein? — disse ela, estreitando os olhos de forma provocadora. — O que vocês estavam fazendo lá? A Duda estava tendo um parto silencioso ou você estava dando aulas particulares de história da arte?

Emanuel caminhou até ela, pegou a sandália de suas mãos e começou a calçá-la com calma.

— Ela estava com dor, Sara. O peito estava empedrado. Eu ajudei a aliviar.

Sara parou o movimento de abanar-se. Ela olhou para o closet e depois para o marido. Um sorriso malicioso e compreensivo surgiu em seus lábios pintados.

— Você mamou nela, não foi? — perguntou ela, sem qualquer julgamento, apenas com aquela curiosidade direta que lhe era peculiar.

Emanuel não desviou o olhar.

— Sim. Ela precisava.

Sara soltou uma risada curta e balançou a cabeça, os brincos de argola balançando.

— Você é um homem incrível, Emanuel. Sério. Algumas mulheres teriam um ataque de nervos, mas eu só consigo pensar que você é o homem mais prático do planeta. E, claro, um safado com instinto de enfermeiro.

Ela se inclinou para frente, a barriga de Ágata tocando o peito dele, e puxou-o pelo colarinho da camiseta.

— Mas agora que a "santinha" está medicada — disse ela, a voz baixando para um tom rouco e sensual —, o que você vai fazer pela sua esposa vulgar que está morrendo de calor e tédio?

Emanuel sorriu, o estresse do dia finalmente se dissipando na dinâmica que ele tanto amava.

— O que você quiser, Sara.

— Ótimo. Quero que você me leve para jantar naquele restaurante italiano que abriu no centro. Quero comer massa, quero usar um vestido justo que faça as pessoas atravessarem a rua de choque e quero que você segure a minha mão o tempo todo para ninguém achar que eu sou uma mãe solteira desamparada.

— E a Eduarda? — perguntou ele, olhando para trás.

Eduarda apareceu na porta do closet, já vestida e com o semblante leve.

— Eu vou ficar bem, Manu. Vou aproveitar o silêncio para ler um pouco e sentir a Maya se mexer sem dor. Podem ir. A Sara precisa sair de casa antes que ela comece a morder os móveis.

Sara piscou para Eduarda.

— Viu só? Ela me entende. Duda, se precisar de qualquer coisa, ligue. E se o leite voltar a subir, guarde um pouco para o Emanuel, ele parece ter gostado da dieta.

Eduarda corou violentamente, escondendo o rosto entre as mãos enquanto ria. Emanuel apenas revirou os olhos, mas havia um brilho de satisfação em sua expressão.

Ele ajudou Sara a se levantar, oferecendo o braço como apoio firme. Antes de sair, ele parou diante de Eduarda e tocou sua barriga, sentindo o movimento suave de Maya.

— Voltamos em duas horas. Tente descansar.

— Eu vou — prometeu ela.

Enquanto Emanuel e Sara caminhavam pelo corredor luxuoso da cobertura, o som dos saltos dela ecoando no mármore, ele sentia o peso da responsabilidade, mas também a leveza de um homem que encontrara a harmonia no caos. Ele tinha Sara, a força da natureza que o desafiava e o mantinha vivo; e tinha Eduarda, a doçura que o acalmava e o lembrava da pureza do cuidado.

No restaurante, Sara foi exatamente o que prometera: o centro das atenções. O vestido dourado realçava cada curva de sua gravidez de oito meses, e ela exibia sua barriga com uma insolência que Emanuel achava fascinante. Ele sentou-se à frente dela, ouvindo-a reclamar da lista de vinhos que não podia beber e planejar a festa de um ano de Ágata, que ainda nem nascera.

— Você está distraído — notou Sara, cortando um pedaço de lasanha. — Está pensando nela?

— Estou pensando em como eu tenho sorte — respondeu ele, sinceramente. — As pessoas olham para nós e veem algo errado, Sara. Mas eu olho para vocês duas e vejo a única coisa que faz sentido na minha vida.

Sara estendeu a mão sobre a mesa, cobrindo a mão tatuada de Emanuel.

— As pessoas são limitadas, Manu. Elas acham que o amor é um bolo que, se você divide, acaba. Elas não entendem que o amor é como... bem, como o leite da Eduarda. Quanto mais você consome, mais ele produz.

Emanuel soltou uma gargalhada alta, atraindo olhares de mesas vizinhas.

— Só você para fazer uma analogia dessas em um restaurante fino, Sara.

— É por isso que você me ama — disse ela, piscando. — Agora, coma. Precisamos voltar logo. Eu prometi para a Duda que ia ajudar ela a escolher as cores das sapatilhas da Maya, e você sabe que se eu deixar por conta dela, vai ser tudo bege ou rosa pálido. Aquela menina precisa de um pouco de brilho na vida.

Ao voltarem para casa, a cena que encontraram foi de uma paz absoluta. Eduarda havia adormecido no sofá da sala, um livro de História da Arte aberto sobre o peito. A luz do abajur criava sombras suaves em seu rosto sereno.

Emanuel aproximou-se e a pegou no colo com cuidado, sentindo o peso da gravidez dela como se fosse parte de seu próprio corpo. Ele a levou para o quarto, deitando-a na cama macia. Sara veio logo atrás, cobrindo a outra com uma manta leve.

Por um momento, os três ficaram ali, naquele espaço sagrado. Emanuel no centro, com Sara de um lado e Eduarda do outro. Ágata e Maya, separadas por apenas alguns centímetros de pele e tecido, pareciam se comunicar no silêncio da noite.

Emanuel deitou-se entre elas, o braço servindo de travesseiro para Sara, enquanto sua outra mão buscava a de Eduarda no escuro. Ele era o porto seguro, o provedor, o amante e o pai. E naquela noite, enquanto a cidade rugia lá fora, ele soube que não importava o quão vulgar Sara pudesse parecer para o mundo, ou o quão frágil Eduarda se sentisse; para ele, elas eram a perfeição em sua forma mais complexa e absoluta.

O leite que aliviara a dor, o riso que dissipara o tédio e o silêncio que unia seus corações eram as tintas com as quais Emanuel tatuava sua história. Uma história que ninguém mais precisava entender, desde que elas estivessem ali, seguras, sob o seu comando e o seu amor.

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