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D7

O Crepúsculo da Carne e a Redenção do Rei

O silêncio nos corredores de Helheim era enganoso. No escritório privado de Hades, a atmosfera não era de paz, mas de uma irritação latente que fazia as chamas das tochas azuis oscilarem violentamente. Hades havia acabado de incinerar os últimos registros que Hermes trouxera; as cinzas da juventude escandalosa de Qin agora não passavam de poeira negra no chão de mármore. O Deus dos Mortos sentia uma satisfação sombria ao ver aqueles relatos de generais e poetas sumirem, mas a energia possessiva ainda vibrava em seus nervos.

Hades caminhou em direção aos aposentos reais. Seus passos eram pesados, imponentes, o som das botas ecoando como um veredito. Ele precisava ver Qin. Precisava reafirmar que, independentemente do que a história dizia, o presente pertencia apenas ao Trono de Helheim.

Ao se aproximar da porta dupla esculpida em ébano, Hades parou. Seus sentidos divinos, aguçados por milênios de domínio sobre as almas, captaram algo que o fez congelar. Não era o som de passos, nem o tilintar de joias de metal. Era um som abafado, rítmico, entrecortado por respirações curtas e agudas.

Ele abriu a porta sem bater, sua presença inundando o quarto como uma sombra colossal. O que viu fez seu sangue ferver e seu coração, normalmente gélido, martelar contra as costelas.

Qin Shi Huang estava deitado no centro da imensa cama, o corpo arqueado de uma forma que desafiava a gravidade. Ele estava sem a venda, os olhos claros nublados por uma névoa de luxúria absoluta. Uma de suas mãos estava enterrada entre as próprias pernas, movendo-se com uma urgência frenética, enquanto a outra apertava o lençol com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos.

— Ha... Hades... — O nome do deus escapou dos lábios de Qin como uma prece desesperada, um gemido rouco que carregava todo o peso da saudade e do desejo. — Ah... Hades... por favor...

O imperador não percebeu a entrada do marido. Ele estava perdido em seu próprio mundo de sensações, sua sinestesia toque-espelho provavelmente projetando o toque de Hades em cada centímetro de sua pele. Ele chamava pelo deus como se sua vida dependesse daquela invocação.

Hades não disse uma palavra. Ele atravessou o quarto em três passos largos. Qin finalmente sentiu a mudança na pressão do ar e abriu os olhos, focando na figura dominante que agora pairava sobre ele. O choque percorreu o corpo do humano, mas ele não parou; em vez disso, ele acelerou o movimento, olhando fixamente para Hades com um desafio faminto.

— Você está... atrasado... meu Rei — ofegou Qin, o rosto banhado em suor.

Hades não respondeu com insultos ou provocações. Ele simplesmente o reivindicou.

O encontro foi uma explosão de força bruta. Hades não teve paciência para preliminares ou gentilezas. Ele virou Qin com um movimento brusco, prendendo-o contra o colchão e possuindo-o com uma ferocidade que fez a estrutura da cama ranger perigosamente. Era uma foda punitiva e, ao mesmo tempo, adoradora. Hades queria apagar cada pensamento de Qin que não fosse sobre ele.

— Diga meu nome novamente — ordenou Hades, sua voz vibrando contra a nuca de Qin.

— Hades! — Qin gritou, a voz falhando enquanto era levado ao limite. — Sim... assim... mais... tome tudo!

O imperador estava em êxtase. A intensidade era tamanha que seus sentidos começaram a falhar. A dor e o prazer se fundiram em uma única nota alta e constante. Ele sentia o peso de um deus sobre si, a força que governava os mortos agora focada inteiramente em fazê-lo desmoronar. E Qin desmoronou.

No ápice do encontro, Qin soltou um grito que ecoou pelo palácio, seu corpo tremendo em espasmos tão violentos que ele perdeu a consciência. O excesso de tesão, a sobrecarga sensorial de sua sinestesia e a força de Hades foram demais para o invólucro mortal. Ele apagou, a cabeça pendendo para o lado, os olhos revirados em um branco leitoso de puro prazer.

Hades, atingindo seu próprio limite segundos depois, não parou. Ele segurou o corpo inerte de Qin e, em um gesto final de domínio e marcação, gozou diretamente no rosto do imperador. O sêmen divino manchou a pele clara de Qin, um contraste gritante de branco contra o rubor do esforço.

O deus permaneceu sobre ele por alguns minutos, recuperando o fôlego, observando o rosto sereno e exausto de seu marido. Hades sentiu uma ternura imensa substituir a fúria. Ele se levantou, limpou-se e caminhou até a sala de banho, deixando Qin descansar por um breve momento.

Quando Hades voltou, envolto em um roupão de seda negra, Qin estava despertando. O imperador estava sentado na beira da cama, tentando processar o que havia acontecido. Ele parecia atordoado, as pernas bambas e o olhar perdido.

Hades aproximou-se e, sem dizer nada, pegou Qin no colo. O humano não protestou; ele apenas encostou a testa no ombro do deus, fechando os olhos. Hades o levou para o chuveiro, onde a água quente começou a lavar os restos daquela tarde turbulenta. Ele lavou o rosto de Qin com uma delicadeza infinita, removendo as marcas de sua própria semente com as mãos que poderiam esmagar montanhas.

— Você está muito silencioso, Qin — comentou Hades, enquanto passava o sabonete perfumado pelas costas do imperador.

— Eu estou... tentando lembrar como se fala — murmurou Qin, soltando uma risadinha fraca. — Você é um monstro, Hades. Mas é o meu monstro.

Após o banho, Hades secou Qin com uma toalha felpuda e foi até o seu próprio guarda-roupa. Ele escolheu uma de suas camisas formais, uma peça de linho negro tão grande que, quando Qin a vestiu, ela batia no meio de suas coxas, deixando suas pernas nuas e marcadas. Qin parecia pequeno e protegido dentro das roupas do marido.

— Venha. Você precisa comer — disse Hades, estendendo a mão.

Eles caminharam até a sala de jantar privada. O ambiente era acolhedor, com uma lareira acesa e uma mesa farta com o que havia de melhor em Helheim e algumas iguarias humanas que Hades mandava trazer especialmente para Qin. No centro da sala, um grande projetor — uma tecnologia que Hades permitira apenas para agradar o marido — estava preparado.

Eles se sentaram lado a lado em um sofá imenso e confortável, cercados por almofadas. O jantar foi calmo. Eles dividiram uvas, vinhos caros e risadas baixas, enquanto um filme clássico rodava na tela à frente. Era um contraste bizarro e adorável: dois dos seres mais poderosos da existência, que horas antes estavam se destruindo de prazer, agora dividindo uma manta e discutindo o enredo de uma comédia romântica humana.

— Sabe — disse Qin, encostando a cabeça no ombro de Hades enquanto mastigava um pedaço de queijo —, eu não trocaria isso por nenhum daqueles generais. Nem pelos poetas. Nem pelo tigre.

Hades sorriu, passando o braço pelos ombros de Qin e puxando-o para mais perto.

— Eu sei. Porque nenhum deles poderia te dar o que eu te dou.

— E o que seria isso? — perguntou Qin, olhando para ele com um brilho travesso.

— A paz de saber que, não importa o quão alto você voe ou o quanto você tente ser o centro do universo, você sempre terá um lugar para cair. E esse lugar sou eu.

Qin Shi Huang sorriu, um sorriso genuíno e desprovido de qualquer máscara imperial. Ele se aconchegou contra o peito de Hades, sentindo o calor do deus e a segurança de Helheim.

— Você é muito convencido, Rei do Submundo — sussurrou Qin, fechando os olhos enquanto o filme continuava a rodar.

— Aprendi com o melhor — respondeu Hades, beijando o topo da cabeça de Qin.

Ali, no silêncio do palácio, longe das batalhas do Ragnarok e das sombras do passado, eles eram apenas dois corações que se encontraram no meio do caos. E enquanto o filme terminava e as chamas da lareira diminuíam, a única certeza que restava era que o amor deles era a única coisa em Helheim que nunca morreria. Além de toda a luxúria e do poder, eles se pertenciam. E isso era mais do que qualquer registro histórico poderia jamais capturar.