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O Sacrilégio do Trono e o Delírio do Imperador
A luz púrpura de Helheim filtrava-se pelas janelas de cristal negro, banhando o quarto real em uma penumbra que cheirava a incenso de sândalo e à eletricidade que sempre pairava entre Hades e Qin Shi Huang. O silêncio que se seguiu ao jantar era denso, carregado com a promessa de algo que nenhum dos registros escandalosos de Hermes poderia ter previsto.
Qin estava deitado de bruços sobre o divã de veludo carmesim, vestindo apenas a camisa de seda negra de Hades, que subia perigosamente por suas coxas. Ele observava o marido pelo canto do olho, um sorriso de soslaio brincando em seus lábios. O imperador sentia-se revigorado, seu ego inflado pela atenção possessiva que recebera durante todo o dia.
— Sabe, Hades — começou Qin, a voz arrastada e provocante —, eu li em algum lugar que os deuses gregos são conhecidos por sua... exploração. Mas você sempre parece tão contido, tão... digno.
Hades, que estava terminando de desabotoar os punhos de sua própria túnica, parou e olhou para o homem no divã. Seus olhos brilharam com uma intensidade que faria um titã recuar.
— A dignidade é uma máscara que uso para o mundo, Qin — disse Hades, aproximando-se com a elegância de um predador. — Para você, eu reservo o que há de mais profundo no meu domínio.
— Palavras bonitas — desafiou Qin, rolando para ficar de lado e apoiando a cabeça na mão. — Mas eu me pergunto se o Rei dos Mortos tem coragem de descer às profundezas que nem mesmo os poetas da minha terra ousaram descrever.
Hades chegou à beira do divã. Ele não disse nada; apenas segurou o tornozelo de Qin e o puxou, fazendo o imperador deslizar pelo veludo até que seus quadris estivessem na borda. Com um movimento firme, Hades virou Qin de costas para ele novamente, mas desta vez, ele o empurrou para que ficasse de joelhos, com o peito pressionado contra as almofadas e a parte inferior do corpo elevada, oferecida.
— Você fala de coragem como se eu não governasse o Tártaro — sussurrou Hades, sua respiração quente atingindo a nuca de Qin. — Você quer que eu explore suas profundezas? Então prepare-se, Imperador. Porque eu não pretendo deixar um único centímetro do seu corpo sem a minha marca.
Qin sentiu um calafrio percorrer sua espinha. A sinestesia toque-espelho já começava a agir, amplificando a expectativa do toque de Hades antes mesmo dele acontecer. Ele sentiu as mãos grandes e frias do deus se posicionarem em suas nádegas, afastando-as com uma autoridade que não admitia resistência.
O ar frio do quarto atingiu a intimidade de Qin, mas o que veio a seguir foi um calor avassalador.
Hades inclinou-se. Ele não usou as mãos, nem o seu membro. Ele usou a língua.
O primeiro contato foi um choque elétrico. Qin soltou um grito abafado contra as almofadas, suas mãos agarrando os lençóis com força. Ele nunca, em todas as suas noites de excessos na China, em todas as suas explorações com concubinas ou amantes, havia experimentado algo tão direto, tão focado e tão... profano.
— Ha... Hades! — Qin arquejou, o corpo tremendo violentamente. — O que... o que é isso?
— É o meu culto a você — respondeu Hades, a voz abafada contra a pele de Qin, antes de retornar ao seu trabalho com uma dedicação quase religiosa.
Hades não tinha pressa. Ele explorava a entrada estreita e sensível de Qin com a ponta da língua, traçando círculos lentos, antes de pressionar com mais força, buscando o centro do prazer que Qin nem sabia que possuía de forma tão intensa naquela região. O deus usava a sucção e o calor de sua boca para desarmar qualquer defesa que o imperador ainda tivesse.
Para Qin, a sensação era indescritível. Através de sua sinestesia, ele sentia a própria língua de Hades como se fosse uma parte de si mesmo, mas ao mesmo tempo, sentia a dominação absoluta do deus. Era como se Hades estivesse bebendo a sua própria alma através do ponto mais vulnerável de seu corpo.
— Ah, deuses... — Qin soluçava, a cabeça jogada para trás, os olhos revirados. — Eu... eu não consigo... Hades, é demais!
— Aguente, Imperador — ordenou Hades, fazendo uma pausa apenas para olhar para o rosto transfigurado de Qin. — Você não disse que onde se senta é o seu trono? Pois eu estou reivindicando o meu lugar abaixo dele.
Hades voltou ao ataque, desta vez mais profundo, usando os dedos para abrir caminho enquanto sua língua continuava a devorar o prazer de Qin. O som do quarto era preenchido apenas pelos estalos úmidos do contato e pelos gemidos descontrolados de Qin, que agora não passavam de sons guturais de puro êxtase.
O imperador sentia que estava derretendo. O orgulho, a soberania, as memórias das seis pessoas em uma única noite... tudo isso foi reduzido a cinzas diante daquela única língua divina. Hades estava fazendo algo que nenhum mortal jamais ousaria; ele estava tratando o corpo de Qin não apenas como um objeto de desejo, mas como um altar de sacrifício.
— Eu... eu vou... — Qin não conseguia terminar a frase. Seus músculos pélvicos entraram em espasmo.
Hades sentiu a reação e intensificou o ritmo, sugando com uma força que fez Qin ver estrelas. O prazer atingiu um nível insuportável, uma nota tão alta que o cérebro de Qin simplesmente não conseguia processar. Ele sentiu um calor fluido percorrer seus membros e, com um grito que rasgou o silêncio de Helheim, ele atingiu o ápice sem que ninguém sequer tocasse em seu membro.
O corpo de Qin desabou sobre o divã, os soluços de prazer transformando-se em uma respiração pesada e errática. Ele estava exausto, sua pele brilhando de suor e do rastro deixado por Hades.
O deus levantou-se lentamente, limpando o canto da boca com o polegar. Ele observou a criatura magnífica e quebrada à sua frente com um orgulho sombrio.
— Então — disse Hades, sua voz voltando à sofisticação habitual, embora carregada de luxúria —, o que o Grande Eu tem a dizer sobre as profundezas de Helheim agora?
Qin demorou a responder. Ele rolou de costas, os olhos focando lentamente no rosto de Hades. Ele parecia atordoado, como se tivesse acabado de retornar de uma viagem por dimensões desconhecidas. Ele levou a mão ao rosto, cobrindo os olhos por um momento, antes de soltar uma risada fraca e rouca.
— Você... você é um sacrilégio vivo, Hades — disse Qin, estendendo a mão para que o deus o puxasse para cima. — Eu pensei que já tinha visto tudo. Pensei que ninguém poderia me surpreender.
Hades segurou a mão de Qin e o trouxe para perto, abraçando-o contra seu peito firme.
— Um imperador nunca deve subestimar o reino que não pode ver — sussurrou o deus.
— Eu amei — admitiu Qin, a voz falhando em uma honestidade rara. — Eu odiei o quanto eu amei. Você me fez sentir como se eu fosse... nada. E, ao mesmo tempo, como se eu fosse tudo para você.
— Você é tudo para mim — afirmou Hades, beijando a testa de Qin. — E é por isso que eu vou me certificar de que nenhuma daquelas memórias de seu passado mortal tenha o mesmo peso que um único toque meu.
Qin puxou Hades pelo colar de sua túnica, unindo seus lábios em um beijo que sabia a rendição e vitória ao mesmo tempo.
— Se é assim — disse Qin contra os lábios de Hades —, então você tem muito trabalho pela frente. Porque eu ainda consigo lembrar de um certo poeta que sabia usar as mãos... e eu adoraria ver como o Rei dos Mortos planeja apagar essa memória.
Hades sorriu, um brilho perigoso em seus olhos.
— Considere esse desafio aceito, Qin Shi Huang.
O deus pegou o imperador nos braços e o carregou em direção à cama de dossel reconstruída. A noite em Helheim estava apenas começando, e se o que acabara de acontecer no divã era um prelúdio, Qin sabia que, pela manhã, ele não seria apenas um imperador que unificou a China, mas o único homem que foi verdadeiramente conquistado pelo submundo.
Lá fora, as almas de Helheim lamentavam em sua eternidade, mas dentro daqueles aposentos, o Rei e o Imperador reescreviam a história do prazer, um toque profano de cada vez. Qin Shi Huang, o homem que nunca se curvava, havia encontrado o único lugar no universo onde se ajoelhar — ou ser forçado a isso — era a maior de todas as suas glórias.