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De risadinha em risadinha

O Peso da Saudade e o Ritmo da Pele

O silêncio do quarto 402 era absoluto, quebrado apenas pelo zumbido baixo do ar-condicionado e pela respiração pesada de Afonso, que ainda processava o fato de Ana estar ali, ao alcance de suas mãos, depois de uma semana que pareceu durar um ano. O brilho da luz do abajur, em um tom âmbar suave, refletia na seda pérola da camisola dela, fazendo-a parecer uma escultura de ouro e marfim.

Afonso não era um homem de meias palavras no palco, mas ali, diante da mulher que dominava seus pensamentos e organizava sua vida, ele se sentia um amador. No entanto, a saudade que apertara seu peito a cada quilômetro que a van percorria sem ela tinha se transformado em uma urgência que não cabia mais em piadas ou olhares discretos.

— Você não faz ideia — ele murmurou, a voz vibrando contra o pescoço dela enquanto a prensava suavemente contra a porta fechada — do quanto eu odiei cada minuto que passei longe desse cheiro.

Ana sentiu os joelhos fraquejarem. A mão de Afonso, grande e quente, subiu pela sua cintura, subindo por baixo da seda fina, encontrando a pele nua e firme do seu quadril. O contato elétrico a fez soltar um gemido baixo, uma nota de entrega que ele capturou imediatamente com os lábios.

— Eu também senti falta, Afonso — ela confessou entre beijos que se tornavam cada vez mais profundos e famintos. — Mas eu não sabia que era... assim.

— É muito pior — ele respondeu, a voz rouca de desejo. — Eu tentei ser profissional. Tentei focar no roteiro. Mas em cada piada que eu escrevia, eu me pegava pensando se você ia rir dela ou se ia apenas revirar os olhos com aquele seu jeitinho de "administradora de caos".

Ele a pegou no colo com uma facilidade que a deixou sem fôlego. Ana envolveu as pernas na cintura dele, sentindo o volume da ereção dele contra sua intimidade protegida apenas pela seda fina. Afonso a levou para a cama, deitando-a no centro do lençol branco impecável, mas não se afastou. Ele se posicionou entre as pernas dela, as mãos espalmadas ao lado da cabeça de Ana, observando-a como se estivesse diante de um tesouro recém-descoberto.

— O sol de Fortaleza fez um estrago na minha sanidade, Ana — ele disse, os olhos escuros fixos na marquinha do biquíni que se destacava na pele dourada. — Eu passei sete noites imaginando onde essa marca terminava.

Com uma lentidão torturante, ele baixou uma das alças da camisola. O tecido deslizou, revelando a curva do seio dela, ainda mais claro que o restante do corpo. Afonso seguiu o caminho da marca branca com a ponta da língua, um toque úmido e quente que fez Ana arquear as costas, os dedos enterrando-se nos cabelos dele, puxando-o para mais perto.

— Afonso... por favor — ela pediu, a voz entrecortada.

— Por favor, o quê? — ele sussurrou contra a pele dela, subindo os beijos até o lóbulo da orelha. — Quer que eu pare? Quer que eu seja o comediante educado que te dá boa noite e volta para o quarto dele?

— Você sabe que não — ela respondeu, virando o rosto para encontrar os lábios dele novamente.

O beijo que se seguiu foi uma colisão. Não havia mais espaço para delicadezas. Era a urgência de dois corpos que se desejavam há meses, contidos pelas regras do profissionalismo e pela zoeira dos amigos. Afonso puxou a camisola dela para cima, livrando-a da peça em um movimento ágil, e por um momento ele parou, admirando a visão dela nua sob a luz âmbar.

— Linda — ele disse, a voz falhando. — Você é a coisa mais linda que eu já vi, e olha que eu já vi muita plateia lotada.

Ele se livrou da própria camiseta e dos sapatos, os olhos nunca deixando os dela. Quando ele se livrou da calça e voltou para os braços dela, o contato pele com pele foi como uma explosão. Ana sentiu o peso dele sobre si, um peso bem-vindo, sólido e real.

As mãos de Afonso eram exploradoras vorazes. Ele parecia querer decorar cada centímetro daquele bronzeado, cada curva que ele apenas imaginara enquanto ela conferia planilhas nos bastidores. Seus beijos desceram pelo ventre dela, demorando-se na linha do quadril, onde a pele era mais sensível.

— Eu vou te compensar por cada dia que você passou longe — ele prometeu, a voz abafada contra a pele dela. — Vou te fazer esquecer que existe aeroporto, teatro ou qualquer coisa que não seja este quarto.

Ana sentiu uma onda de prazer percorrer seu corpo quando os dedos dele a encontraram, úmida e pronta. Ela soltou um grito contido, escondendo o rosto no ombro dele, sentindo o cheiro de pele e desejo. Afonso não tinha pressa, apesar da urgência que pulsava nele. Ele a preparou com uma dedicação quase religiosa, ouvindo cada suspiro, cada mudança no ritmo da respiração dela, até que Ana estivesse implorando por ele.

Quando ele finalmente se uniu a ela, o mundo lá fora — a turnê, as piadas de Thiago, as agendas lotadas — deixou de existir. Havia apenas o ritmo frenético e sincronizado de dois corações que tinham encontrado seu lugar. Afonso a possuía com uma intensidade que beirava o desespero, descontando cada segundo de solidão, cada mensagem não enviada, cada saudade reprimida.

— Olha para mim — ele pediu, a voz embargada pela emoção e pelo esforço físico.

Ana abriu os olhos, encontrando os de Afonso. Não havia mais o humorista carismático ali; havia apenas o homem, vulnerável e completamente entregue.

— Eu te amo, loira — ele soltou, a confissão escapando no auge do prazer, enquanto ambos atingiam o limite juntos, em uma explosão de sensações que os deixou exaustos e trêmulos.

O silêncio voltou ao quarto, mas agora era um silêncio preenchido pelo som de duas respirações que tentavam voltar ao normal. Afonso se deixou cair ao lado dela, puxando-a para o seu peito, os braços envolvendo-a como se temesse que ela desaparecesse se ele a soltasse.

— Isso não estava na planilha de hoje — Ana brincou baixinho, a voz rouca, enquanto desenhava círculos imaginários no peito suado dele.

Afonso soltou uma risada curta, beijando o topo da cabeça dela.

— É a única coisa que eu não deixaria você organizar, Ana. Imprevistos são a minha especialidade, lembra?

— Foi um belo imprevisto — ela admitiu, aconchegando-se mais a ele.

— Não foi imprevisto — ele corrigiu, o tom ficando sério novamente. — Foi o que eu deveria ter feito no momento em que te vi pela primeira vez naquele teatro em Curitiba. Eu só precisei de um pouco de coragem e de uma semana de saudade para perceber que eu não funciono sem a minha administradora.

Ana levantou o rosto, olhando para ele com um sorriso doce.

— Você percebe que amanhã o Thiago vai notar que nós dois estamos com a mesma cara de sono, não percebe?

— Deixa ele notar — Afonso deu de ombros, um brilho travesso voltando aos olhos. — Ele vai fazer piada, o Dihh vai criar uma teoria da conspiração e o Márcio vai querer saber os detalhes. Mas quer saber? Vale cada segundo de zoeira.

— Vale mesmo? — ela perguntou, desafiando-o.

Afonso a puxou para cima de si, os olhos brilhando com uma nova centelha de desejo.

— Vale tanto que eu estou pensando seriamente em te sequestrar e te levar para uma turnê só nossa. Sem plateia, sem microfone... só eu e você.

— E quem ia organizar a logística disso? — ela riu, sentindo o corpo dele reagir novamente ao seu toque.

— A gente improvisa, Ana — ele disse, selando os lábios dela com um beijo possessivo. — A gente improvisa.

E ali, entre os lençóis bagunçados de um hotel em Goiânia, a mente por trás da organização dos 4 Amigos percebeu que, às vezes, a melhor administração é aquela que permite que a vida saia completamente do controle. A saudade fora o combustível, mas o amor — intenso, ruidoso e real — era agora o único roteiro que eles pretendiam seguir.

A noite ainda era longa, e Afonso tinha muita saudade para descontar. Ele a beijou novamente, com a certeza de que, nos bastidores daquela vida louca, ele finalmente tinha encontrado a sua melhor performance.