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Descendentes

O Pânico do Gigante e a Fúria das Madrigal

O sol da tarde em Auradon Prep costumava ser o cenário perfeito para a rotina meticulosa de Max Hatter. Ele gostava da previsibilidade do campo de R.O.U.B.O., do som das chuteiras na grama e, principalmente, da visão de Luis Madrigal dominando o espaço com sua presença física imponente. O jogo que haviam planejado estava chegando ao fim, e Max, sentado casualmente no banco de reservas com as pernas cruzadas, observava seu namorado com um orgulho possessivo que mal tentava esconder.

Perto dali, Chloe e Hazel estavam jogadas na grama, exaustas pelo treino, enquanto Felix Facilier gesticulava animadamente, explicando alguma teoria mirabolante sobre as sombras da Ilha que as garotas fingiam ouvir. Tudo parecia em perfeita harmonia no caos controlado de Max. Até que o som de passos apressados e vozes familiares cortou o ar.

Duas garotas se aproximaram correndo. Eram as primas de Luis: a filha mais velha de Mirabel e a primogênita de Isabela. Elas pareciam ter acabado de atravessar uma maratona de fofocas e notícias urgentes.

— Luis! Luis Madrigal! — gritou a filha de Mirabel, parando arfante à beira do campo.

Luis parou imediatamente, a bola ainda sob o pé, e olhou para as primas com uma expressão de confusão gentil.

— O que houve? Alguém se machucou? — perguntou ele, sua voz grave carregada de preocupação genuína.

— Pior que isso! — a filha de Isabela exclamou, ajeitando uma flor no cabelo que parecia murchar com o estresse. — A diretora ligou para o Encanto. Ela ligou para a tia Luisa!

O silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. Max franziu o cenho, levantando-se do banco com a elegância de um gato pronto para o bote.

— A diretora ligou para a Luisa? Por que motivo, exatamente? — Max perguntou, sua voz cortante como uma navalha.

— Aparentemente — começou a prima, olhando para Luis com pena —, uma aluna foi até a diretoria chorando. Disse que o Luis foi extremamente rude, que a machucou fisicamente e que ela está se sentindo "profundamente assustada" com o comportamento dele. A diretora disse que era melhor os pais virem tratar disso pessoalmente antes que se torne um incidente diplomático.

Max soltou uma risada seca e sem humor.

— Red. Aquela princesinha de copas não sabe quando parar de jogar croquet com a cabeça dos outros.

Mas Luis não riu. Pelo contrário. Max observou, horrorizado, enquanto a cor fugia completamente do rosto de seu namorado. O rapaz, que podia carregar pianos e derrubar paredes, parecia estar prestes a desmaiar. Seus olhos arregalaram-se e ele começou a tremer levemente.

— Minha mãe... está vindo? — Luis sussurrou, a voz falhando. — Ela acha que eu bati em uma garota?

— Ela está a caminho — confirmou a filha de Mirabel. — E como as três estão naquela fase de "fazemos tudo juntas", a minha mãe e a tia Isabela estão vindo com ela. Elas devem atravessar os portões a qualquer minuto.

O pânico que se instalou em Luis Madrigal foi algo que Max nunca tinha visto. O gigante começou a andar de um lado para o outro, as mãos grandes puxando os próprios cabelos.

— Eu estou morto. Eu sou um homem morto — balbuciava Luis. — Ela vai me dar um puxão de orelha na frente de toda a escola. Ou pior, ela vai me olhar com aquela expressão de "estou decepcionada" e eu vou simplesmente virar pó. Max, você não entende! Minha mãe tolera muita coisa, mas falta de educação? Violência gratuita?

— Luis, respira! — Max tentou intervir, aproximando-se e segurando os braços do namorado para pará-lo. — Todos aqui sabem que você não machucaria uma mosca. Red está mentindo. É óbvio que ela está tentando se vingar porque eu a coloquei no lugar dela mais cedo.

— Não importa! — Luis exclamou, os olhos brilhando com um terror quase cômico. — Se a diretora disse que eu fui rude, minha mãe vai acreditar que eu falhei com os valores da família. Max, pelo amor de tudo que é louco, me esconde! Me leva para o País das Maravilhas! Me tranca em um bule de chá! Eu prefiro enfrentar o seu pai e dez exércitos de cartas do que enfrentar a tia Isabela quando ela está defendendo a honra da família.

— Luis, controle-se — Max ordenou, embora estivesse achando a reação do namorado fascinante. — Você é um Madrigal.

— Exatamente! — Luis parou e segurou os ombros de Max com força. — Eu sou um Madrigal! Se a minha mãe não me matar, a tia Isabela vai me sufocar com cactos e a tia Mirabel vai me dar um sermão de quatro horas sobre empatia! Max, eu não sou homem o suficiente para lidar com as três ao mesmo tempo! Ninguém é!

Nesse momento, Chloe e Hazel se aproximaram, observando a cena com sobrancelhas erguidas.

— O grandão está tendo um colapso? — perguntou Hazel, limpando a poeira das calças.

— A mãe dele está vindo — explicou Max, sem desviar os olhos de Luis.

— Ah... — Hazel fez uma careta. — Eu ouvi dizer que a Luisa Madrigal consegue erguer uma igreja. Eu também estaria pálida.

— Não é a força física! — Luis quase gritou, voltando a andar em círculos. — É a autoridade! É a moral! Eu nunca desobedeci minha mãe, Max. Nunca!

— Pois hoje será a primeira vez que você vai enfrentá-la, mas com a verdade — Max disse, tentando injetar alguma coragem no namorado. — Eu vou estar lá. Eu vou dizer a ela exatamente o que aconteceu.

— Você não conhece as Madrigal quando estão em modo "proteção" — murmurou Luis, olhando para os portões da escola como se esperasse que um furacão surgisse a qualquer momento.

E o furacão surgiu.

Não era um fenômeno meteorológico, mas parecia. Três mulheres atravessaram o arco de entrada de Auradon Prep com uma determinação que fez os outros alunos se afastarem como o Mar Vermelho. À frente estava Luisa, com sua expressão estoica e ombros largos, vestida com uma simplicidade elegante que exalava poder. Ao seu lado esquerdo, Isabela caminhava com uma graça letal, flores brotando involuntariamente a cada passo que dava no gramado perfeito da escola. À direita, Mirabel ajustava os óculos verdes, com uma expressão que misturava preocupação e uma severidade que raramente mostrava.

Luis parou de andar. Ele parecia uma estátua de sal.

— Ali está ele — disse Isabela, sua voz carregando uma doçura perigosa que fez os pelos da nuca de Max se arrepiarem.

As três mulheres marcharam em direção ao grupo. A tensão no ar era tão espessa que Max sentiu que poderia cortá-la com uma das tesouras de seu pai.

— Luis Madrigal — a voz de Luisa ecoou pelo campo. Não era alta, mas tinha a ressonância de um trovão.

Luis deu um passo trêmulo à frente, as mãos escondidas nas costas.

— Oi, mamãe. Oi, tias. Que surpresa... agradável?

— Não tente ser charmoso agora, Luis — Mirabel disse, cruzando os braços. — Recebemos uma ligação muito perturbadora. Uma tal de Red? Ela parecia muito abalada ao telefone com a diretora.

— Ela disse que você a empurrou e usou sua força para intimidá-la — Isabela acrescentou, e um pequeno cacto brotou aos pés de Luis. — Nós não criamos você para ser um bruto, sobrinho.

Luis abriu a boca, mas nenhum som saiu. Ele olhou desesperadamente para Max.

Max Hatter deu um passo à frente, colocando-se entre Luis e as três mulheres. Ele ajeitou o chapéu, abriu um sorriso que era metade charme e metade veneno, e fez uma reverência exagerada.

— Senhoras Madrigal. Que prazer imenso recebê-las. Eu sou Max Hatter, filho do Chapeleiro e, mais importante, o namorado do Luis.

Luisa estreitou os olhos, avaliando o garoto magro e elegante à sua frente.

— O filho do Chapeleiro — ela repetiu. — Eu ouvi falar de você. Luis mencionou que você era... persistente.

— Sou um entusiasta da verdade, senhora Madrigal — Max respondeu, mantendo o tom firme. — E a verdade é que o seu filho é incapaz de ser rude com qualquer pessoa, o que às vezes é um defeito irritante. A garota de quem vocês ouviram falar, Red, é filha da Rainha de Copas. Ela tem uma inclinação genética para o drama e uma vingança pessoal contra nós porque Luis se recusou a dar atenção a ela.

Isabela arqueou uma sobrancelha perfeitamente desenhada.

— Uma vingança?

— Exatamente — continuou Max, aproximando-se um pouco mais, usando todo o seu carisma. — Ela tentou dar em cima do Luis. Ele, sendo o cavalheiro que vocês criaram, a rejeitou educadamente. Ela não aceitou bem. O "incidente" de que a diretora falou foi nada mais do que o Luis saindo de perto dela enquanto ela tentava agarrar o braço dele. Se houve algum trauma, foi no ego da princesa, não no corpo.

As três irmãs se entreolharam. O silêncio durou uma eternidade para Luis, que ainda parecia pronto para desmaiar.

— Luis? — Luisa chamou, sua expressão suavizando-se apenas um milímetro. — Isso é verdade?

Luis engoliu em seco, sentindo o apoio de Max ao seu lado.

— Sim, mãe. Eu juro. Eu nunca encostaria a mão nela para machucar. Eu só queria vir treinar com o Max. Ela ficou brava porque eu disse que já tinha compromisso.

Mirabel suspirou, o semblante severo desaparecendo para dar lugar à preocupação maternal.

— Eu disse a você, Luisa. O Luis é um doce. Ele herdou o seu coração, não apenas a sua força.

— Mas a diretora foi muito específica — insistiu Isabela, embora já estivesse fazendo as flores ao seu redor voltarem ao normal. — Ela disse que a menina estava "aterrorizada".

— Aterrorizada com a ideia de perder o poder de manipulação, talvez — Max interveio com um sorriso sarcástico. — Se me permitem sugerir, por que não vamos todos até a diretoria agora? Eu adoraria ver a cara da Red quando ela tiver que repetir essas mentiras na frente de vocês três. E na minha frente, é claro. Eu tenho uma memória fotográfica para detalhes... e uma língua muito afiada para inconsistências.

Luisa olhou para Max por um longo tempo. Havia um respeito relutante em seus olhos. Ela viu como o filho relaxou sob a proteção do garoto do chapéu, e como Max, apesar de ser muito menor, estava disposto a enfrentar três das mulheres mais poderosas que já pisaram em Auradon para defender o namorado.

— Você é muito protetor, jovem Hatter — comentou Luisa.

— Eu não divido o que é meu, senhora Madrigal — Max respondeu com sinceridade absoluta. — E Luis é a única coisa que eu realmente valorizo neste reino de aparências.

Luisa finalmente sorriu, um sorriso pequeno, mas real. Ela caminhou até o filho e colocou uma mão pesada e carinhosa em seu ombro.

— Tudo bem, Luis. Vamos resolver isso. Mas se eu descobrir que você omitiu qualquer detalhe...

— Eu não omiti, mãe! — Luis exclamou, finalmente recuperando a cor e a voz. — Max está dizendo a verdade. Ele sempre diz, mesmo quando a verdade é irritante.

— Ótimo — disse Isabela, ajeitando o vestido. — Eu adoraria conhecer essa tal de Red. Eu sempre achei que rosas vermelhas eram superestimadas. Vamos ver como ela lida com uma Madrigal.

Enquanto o grupo começava a caminhar em direção ao prédio principal, Luis se inclinou para Max e sussurrou:

— Você salvou a minha vida. Eu achei que ia morrer hoje.

Max deu uma piscadela para ele, segurando sua mão com firmeza.

— Você não vai morrer, Amore. Eu tenho planos para você hoje à noite que não envolvem funerais. Mas prepare-se, porque depois que acabarmos com a Red, eu vou ter que aguentar um chá com as suas tias. E eu tenho a sensação de que a Isabela vai criticar a decoração da minha mesa.

Luis riu, o som profundo e vibrante voltando a encher o ar.

— Ela com certeza vai. Mas não se preocupe, eu te protejo dela.

— Ah, Luis — Max ronronou, olhando para a figura imponente da sogra à frente. — Contra a Red, eu sou o seu escudo. Mas contra a sua mãe? Eu sou apenas um Chapeleiro muito, muito esperto.

Eles seguiram em frente, uma frente unida de loucura e força, prontos para mostrar a Auradon que mexer com um Madrigal era um erro, mas mexer com o namorado de um Hatter era um convite para o desastre absoluto. Red não sabia o que a esperava, mas Max estava ansioso para ver o castelo de cartas da princesa desmoronar, peça por peça.