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Destiny

O Reflexo na Água e a Sombra do Desejo

A lua sobre as estepes não era como a lua sobre os jardins de sua casa. Em sua aldeia, o brilho prateado parecia uma bênção dos ancestrais, filtrada pelas pétalas das cerejeiras e pelo aroma do incenso. Aqui, a lua era uma sentinela fria e indiferente, iluminando uma terra que não conhecia perdão. O lago onde haviam acampado era um espelho negro, quebrado apenas pelas pequenas ondas que Mulan criava ao balançar os pés na água gélida.

Ela estava sentada em uma rocha baixa, a túnica huno — pesada e cheia de cheiro de couro — subida até o meio das coxas para evitar que se molhasse. Mulan observava sua própria pele pálida contrastando com a escuridão da água. Suas pernas eram fortes, marcadas por cicatrizes recentes de treinos e pela brutalidade da montanha, mas ainda mantinham uma delicadeza que ela passara meses tentando esconder sob as camadas de bandagens de Ping.

Seus dedos subiram mecanicamente até o cabelo curto. Ela sentia falta do peso da longa cabeleira negra, mas ao mesmo tempo, o vento frio em seu pescoço era um lembrete constante de sua liberdade — uma liberdade amarga, mas real. Ela estava tensa; os ombros rígidos, os sentidos alertas. Mesmo no silêncio, ela sentia o peso da presença dele.

Shan Yu não dormia como os outros homens. Ele não se entregava à vulnerabilidade do sono; ele apenas descansava, mantendo-se em um estado de vigília predatória. Ele a observava das sombras da tenda há algum tempo. Seus olhos amarelos, acostumados à escuridão, traçaram a linha das costas dela, a curvatura do pescoço e, finalmente, a pele exposta de suas coxas.

Havia algo de hipnótico na forma como ela se movia, uma mistura de força de guerreira e uma vulnerabilidade que ela se recusava a admitir. Shan Yu sentiu um impulso que nada tinha a ver com estratégia ou conquista territorial. Ele queria quebrar aquela tensão, mas não com o aço de sua espada. Ele queria sentir a vida pulsando sob aquela pele que ele mesmo havia ajudado a salvar do gelo.

Ele se moveu silenciosamente. A grama seca mal sussurrou sob suas botas de pele. Mulan não se virou, mas seus ombros subiram um milímetro. Ela sabia que ele estava lá. O ar ao redor dela pareceu ficar mais pesado, carregado com a eletricidade da presença dele.

Shan Yu aproximou-se e, sem dizer uma palavra, sentou-se na rocha logo atrás dela. Ele era tão grande que sua sombra engoliu a dela quase completamente. Mulan sentiu o calor que emanava dele, um contraste violento com a brisa noturna.

— A água está fria — disse ele, a voz baixa e vibrante, reverberando nas costas de Mulan.

— O frio ajuda a pensar — ela respondeu, sem olhar para trás. — E a esquecer.

— Você pensa demais, Mulan. O pensamento é o inimigo do instinto. — Ele estendeu a mão, e Mulan sentiu os dedos ásperos e calejados tocarem a curva de sua cintura, por cima do tecido grosso.

Ela estremeceu, um arrepio que não era de frio percorrendo sua espinha.

— O que está fazendo? — perguntou ela, a voz saindo um pouco mais fraca do que pretendia.

— Aliviando o peso que você carrega — sussurrou Shan Yu.

Suas mãos, grandes e marcadas por décadas de batalhas, desceram lentamente da cintura para as coxas expostas. O toque era possessivo, mas estranhamente cuidadoso. Ele sentiu a musculatura dela se contrair sob seus dedos. Mulan segurou o fôlego. Ela deveria se afastar, deveria pegar a adaga que ele a deixara manter, mas havia algo naquela audácia que a paralisava.

— Você é virgem de toque, não é? — Shan Yu inclinou-se, seus lábios quase roçando a orelha de Mulan. — Os homens do seu império são fracos. Eles olham para o fogo e têm medo de se queimar. Eles veem uma arma e tentam guardá-la em uma bainha de seda.

— Eles têm honra — Mulan tentou dizer, mas a palavra soou vazia enquanto as mãos dele subiam pela parte interna de suas coxas.

— Eles têm medo — corrigiu ele.

Shan Yu moveu-se para mais perto, suas pernas cercando as dela, prendendo-a em um casulo de calor e dominância. Ele deslizou os dedos por baixo da borda de suas roupas íntimas improvisadas, tocando a pele sensível que nunca fora exposta a ninguém. Mulan soltou um suspiro entrecortado, as mãos agarrando a borda da rocha com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

— Pare... — ela murmurou, mas não se moveu. Sua mente gritava sobre traição, sobre o inimigo, sobre a decência que lhe fora ensinada desde o berço. Mas seu corpo, privado de carinho e exausto de lutar, respondia ao toque dele com uma intensidade assustadora.

— Seus olhos dizem "não", mas sua pele clama por isso — Shan Yu disse, sua voz um rosnado sedutor. — Você passou a vida servindo aos outros, Mulan. Sendo a filha perfeita, o soldado perfeito. Por uma noite, seja apenas você.

Ele começou a acariciá-la com uma perícia que ela nunca poderia ter imaginado. Shan Yu conhecia o corpo humano; ele sabia onde a dor se transformava em prazer, onde a tensão precisava ser quebrada. Seus dedos moviam-se com uma confiança absoluta, explorando-a, reivindicando territórios que ela mesma desconhecia.

Mulan inclinou a cabeça para trás, encontrando o ombro sólido de Shan Yu. Ela fechou os olhos, as lágrimas de confusão e prazer escorrendo por suas bochechas. O toque dele era bruto, como tudo nele, mas trazia uma honestidade que ela nunca encontrara na China. Ele não pedia que ela fosse nada além do que era naquele momento: uma mulher faminta por reconhecimento.

— Abra as pernas para mim, loba — comandou ele, a mão aplicando uma pressão firme.

Mulan obedeceu, um soluço escapando de seus lábios. O mundo ao redor deles desapareceu. Não havia mais Imperador, não havia mais exército, não havia mais desonra. Havia apenas o som da água batendo na margem, o calor do hálito de Shan Yu em seu pescoço e a sensação avassaladora de ser descoberta.

Ele a tocou de uma forma que a fez arquear as costas, um grito mudo morrendo em sua garganta. Era uma invasão, sim, mas era também uma libertação. Ele estava arrancando dela as últimas amarras daquela garota que temia a casamenteira. Sob o toque do líder huno, Mulan sentia que estava sendo forjada novamente, transformada em algo que pertencia apenas às estepes.

— Veja o que eles jogaram fora — sussurrou Shan Yu, sentindo a umidade e o calor dela contra seus dedos. — Eles queriam que você fosse um fantasma. Eu quero que você queime.

— Por que... por que você faz isso? — Mulan conseguiu perguntar, sua voz embargada pela excitação que subia em ondas por seu corpo.

— Porque eu sou o único que pode suportar o seu fogo, Mulan. E porque eu quero que você saiba, toda vez que olhar para o sul, que o homem que eles chamam de monstro foi o único que a fez se sentir viva.

Ele continuou, levando-a a um ápice que a deixou sem fôlego, o corpo tremendo violentamente nos braços dele. Quando o prazer finalmente explodiu, Mulan agarrou os antebraços de Shan Yu, as unhas cravando-se na pele dele, deixando marcas que ele carregaria com orgulho. Ela desabou contra o peito dele, o coração martelando como um tambor de guerra.

Shan Yu a segurou, seus braços envolvendo-a com uma força que era quase protetora. Ele descansou o queixo no topo da cabeça dela, respirando o cheiro de neve e aço que parecia emanar dela.

— Agora você entende — disse ele, o tom de voz suavizando-se em uma satisfação sombria. — Eles lhe deram uma vida de sombras. Eu lhe dou a verdade da carne e do sangue.

Mulan permaneceu em silêncio por um longo tempo, sentindo o suor esfriar em sua pele. A tensão que a habitava desde que saíra de casa havia sumido, substituída por uma exaustão profunda e uma clareza aterrorizante. Ela olhou para a lua, que ainda brilhava indiferente no céu.

— Eu ainda odeio você — ela disse, embora a convicção em sua voz tivesse sido substituída por algo muito mais complexo.

— Eu espero que sim — respondeu Shan Yu, soltando-a lentamente e levantando-se. — O ódio é um excelente combustível. Mas agora, você dormirá. Sem pesadelos com ancestrais ou generais mortos.

Ele caminhou de volta para a fogueira, deixando-a sozinha na rocha. Mulan baixou sua túnica, cobrindo as coxas que ainda formigavam com o toque dele. Ela olhou para o lago e não viu mais a filha de Fa Zhou. Viu uma mulher que cruzara uma fronteira da qual não havia retorno.

Ela se levantou e caminhou em direção à tenda, seus passos mais firmes, seu olhar mais frio. A China podia ter sua muralha e suas leis, mas Mulan agora tinha o deserto e a sombra de um lobo. E, pela primeira vez, ela não sentia medo do que o amanhã traria. Ela estava pronta para queimar.