Destiny
O Batismo da Estepa e o Gosto do Pecado
A vastidão das estepes não tinha fim, e para Mulan, o horizonte parecia uma promessa e uma maldição simultaneamente. Fazia semanas que o gelo das montanhas ficara para trás, substituído por uma terra de grama alta, ventos uivantes e o cheiro onipresente de fumaça de turfa e carne assada. Ela não era mais a prisioneira que tremia de frio; agora, Mulan era um enigma que a horda observava de longe, entre o medo e o desprezo.
Shan Yu, fiel à sua palavra, não a trancafiara. Pelo contrário, ele a jogara na brutalidade do cotidiano huno. Ele a levava para as caçadas matinais, forçando-a a rastrear cervos através de terrenos rochosos onde qualquer erro significaria uma perna quebrada. Ele a ensinava a ler as estrelas de um céu que não era o dela e a identificar o som de um cavalo inimigo a quilômetros de distância apenas encostando o ouvido no chão.
Mulan, porém, não era uma aluna dócil. Sua mente, sempre estratégica, via em cada lição uma oportunidade de fuga.
Naquela manhã, o sol ainda era uma ferida alaranjada no horizonte quando ela viu sua chance. Shan Yu a deixara momentaneamente para conferir uma armadilha de lobos. Mulan, montada no cavalo que ele lhe dera, não hesitou. Ela cravou os calcanhares nos flancos do animal e disparou em direção ao leste, onde o sol nascia. Por dez minutos, ela sentiu o gosto da liberdade — o vento chicoteando seu rosto, o coração martelando contra as costelas como um pássaro engaiolado.
Mas a liberdade nas terras de Shan Yu era uma ilusão controlada.
O som de cascos pesados surgiu atrás dela, rápido e implacável como a própria morte. Antes que ela pudesse mudar de direção, o garanhão negro de Shan Yu emparelhou-se com o dela. Com um movimento que parecia coreografado, ele saltou de sua sela para a dela, envolvendo-a com seus braços massivos e puxando as rédeas com uma força bruta.
— O leste é o caminho para a muralha, Mulan — sussurrou ele contra o pescoço dela, enquanto o cavalo parava abruptamente, levantando uma nuvem de poeira. — E a muralha agora é apenas um túmulo para a garota que você costumava ser.
Mulan ofegava, o peito subindo e descendo, a raiva brilhando nos olhos castanhos.
— Deixe-me ir, Shan Yu! — ela gritou, debatendo-se contra o aperto dele. — Você disse que eu era livre aqui!
— Livre para ser o que você é, não para cometer suicídio voltando para aqueles que a desprezam — ele a virou na sela, forçando-a a encará-lo. — Você gosta desse jogo, não gosta? Da adrenalina da perseguição?
Ele sorriu, e era um sorriso que sempre a desarmava — cruel, mas carregado de uma admiração genuína. Shan Yu gostava daquele fogo. Ele gostava que ela não se rendesse.
— Eu odeio você — ela sibilou, embora o calor do corpo dele contra o seu estivesse começando a embotar sua fúria.
— Você odeia o fato de que eu sou o único que a vê de verdade — ele rebateu, descendo da sela e puxando-a consigo.
Ele a prensou contra o flanco do cavalo, as mãos grandes segurando seus pulsos acima da cabeça. Mulan tentou chutá-lo, mas ele apenas riu, usando o peso do próprio corpo para imobilizá-la. O contato era elétrico. A pele de Mulan, agora bronzeada pelo sol da estepe e sedosa apesar das cicatrizes, parecia queimar sob o toque dele.
Shan Yu inclinou a cabeça e enterrou o rosto na curva do pescoço dela, aspirando o cheiro de suor, terra e algo que era puramente Mulan. Ele começou a beijar a pele sensível ali, mordiscando levemente, sentindo o estremecimento que percorria o corpo dela.
— Hoje você rastreou bem — murmurou ele, a voz vibrando contra a garganta dela. — Mas ainda tenta fugir como uma presa. Quando vai começar a agir como a caçadora que eu sei que você é?
Mulan fechou os olhos, a cabeça caindo para trás. O humor dela era volúvel; às vezes ela o repelia com unhas e dentes, outras vezes, como agora, a solidão e a intensidade do homem à sua frente a venciam. Ela permitiu que ele a beijasse, permitiu que as mãos dele explorassem as curvas de seu corpo por cima da túnica de couro.
— Eu não sou sua, Shan Yu — ela disse, a voz trêmula.
— Ainda não — ele concordou, soltando os pulsos dela para acariciar seu rosto com uma delicadeza que parecia impossível para mãos que já haviam esmagado crânios. — Mas a noite está chegando. E as noites nas estepes são longas para aqueles que dormem sozinhos.
***
O interior da tenda principal estava mergulhado em uma penumbra avermelhada. O fogo no centro crepitava baixo, lançando sombras dançantes nas paredes de couro. O cheiro de ervas secas e o calor das peles de animais criavam uma atmosfera de intimidade claustrofóbica.
Mulan estava sentada sobre um tapete de pele de urso, limpando sua adaga. Ela estava inquieta. Shan Yu estava sentado à mesa, bebendo um vinho forte de leite de égua, observando-a com uma intensidade que a fazia querer se esconder e, ao mesmo tempo, se exibir.
Ele se levantou e caminhou até ela com a graça predatória de um lobo. Sem dizer nada, ele tirou a adaga da mão dela e a colocou de lado.
— Já chega de aço por hoje — disse ele.
Ele se ajoelhou entre as pernas dela, as mãos subindo pelas coxas de Mulan, afastando o tecido da túnica. Mulan tentou fechar as pernas, mas ele as manteve abertas com uma firmeza inquestionável.
— Shan Yu... — ela começou, um aviso e um apelo misturados em sua voz.
— Silêncio, pequena loba — sussurrou ele. — Você passou o dia tentando fugir de mim. Agora, eu quero que você tente fugir de si mesma.
Ele começou a beijar a parte interna de suas coxas, subindo lentamente. O toque da barba rala dele contra a pele sensível de Mulan a fazia arquear as costas, os dedos enterrando-se nas peles sob ela. Era uma tortura deliciosa. Shan Yu não tinha pressa. Ele