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Diária de outro mundo

O Despertar da Rival e o Brilho do Novo Jeans

A semana que se seguiu foi um borrão de adrenalina, cheiro de baunilha e batidas de hip-hop que ecoavam pelas paredes de pedra da Academia Itachiyama. Izabelle sentia que o tempo estava escorrendo por seus dedos, mas a motivação era maior do que o cansaço. Elas haviam transformado a cozinha do clube em um verdadeiro estúdio de ensaio. A cada intervalo, a cada hora vaga, os aventais eram substituídos por moletons largos, e o som de New Jeans preenchia o ambiente.

— Um, dois, três e desliza! — comandava Izabelle, suando sob as luzes de LED. — Hannah, mantenha o braço firme! Stay, sorria, você está se divertindo, lembra?

— Eu estou tentando — ofegou Hannah, limpando o suor do rosto —, mas meus pés parecem que têm vontade própria!

— Você está ótima — incentivou Íris, que exibia uma agilidade sobrenatural na dança, fruto de sua natureza mágica. — Só precisa sentir a batida.

Elas estavam quase perfeitas. A coreografia de "How Sweet" estava sincronizada, e as roupas que Izabelle desenhara — um estilo hip-hop retrô com calças cargo largas, tops sobrepostos e bonés — já estavam sendo confeccionadas por uma costureira local que Izabelle "convencera" a trabalhar rápido. A degustação também estava encaminhada: mini-doces coloridos, torteletes de frutas cítricas e bebidas que brilhavam sob a luz, tudo com uma estética impecável. Elas mal dormiam, passando as madrugadas no clube, mas o brilho nos olhos de cada uma mostrava que valia a pena.

No entanto, a bolha de empolgação estourou na manhã de segunda-feira, faltando apenas uma semana para o festival.

Izabelle e Íris caminhavam pelo corredor principal quando avistaram Stay correndo em direção a elas, o rosto pálido e os olhos arregalados.

— Hannah! Hannah! — gritou Stay, ignorando as normas de silêncio do corredor.

Hannah, que vinha logo atrás de Izabelle, parou bruscamente.

— O que foi, Stay? Aconteceu alguma coisa com os figurinos?

— Não é isso! — Stay parou para recuperar o fôlego, apontando para o pátio central. — Você não sabe quem voltou para a escola hoje.

— Quem? — perguntou Hannah, a voz vacilando.

— Aurora.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Hannah ficou sem reação, seu rosto tornando-se uma folha em branco, desprovido de qualquer expressão. Izabelle e Íris trocaram um olhar confuso.

— Quem é Aurora? — perguntou Izabelle, cruzando os braços. — Alguma assombração nova?

— Pior — sussurrou Stay. — Ela é do conselho estudantil. Ficou de licença por um mês para resolver problemas da "família real" dela na Europa, ou algo assim. Ela é insuportável, Iza. Ela sempre pegou no nosso pé, dizendo que o Clube de Culinária era uma perda de espaço e que devia ser fechado para dar lugar a algo "mais digno".

— Ela é o tipo de pessoa que faz bullying por esporte — acrescentou Hannah, recuperando a fala. — Se ela descobrir que o clube está voltando com força... ela vai tentar destruir tudo.

— Se essa menina vier mexer com a gente — disse Íris, fechando os punhos com uma determinação que surpreendeu Izabelle —, eu juro que dou um mata-leão nela.

— Calma, Íris — riu Izabelle, embora seus olhos brilhassem com um desafio. — Vamos ver quem é essa rainha da sucata primeiro.

No dia seguinte, após o lanche, o quarteto estava organizando os armários da cozinha quando uma barulheira de conversas e risadas preencheu o corredor externo. Izabelle olhou pela fresta da porta e viu a cena: uma garota de cabelos perfeitamente alinhados, pele de porcelana e um uniforme que parecia ter sido feito sob medida por um estilista francês, caminhava como se fosse a dona do mundo.

Era Aurora. E, para a surpresa de Izabelle, ela estava cercada pelo conselho estudantil. Oikawa Tooru caminhava ao seu lado esquerdo, trocando piadas, enquanto Kageyama Tobio vinha logo atrás, com sua expressão séria de sempre, mas claramente fazendo parte da comitiva de boas-vindas.

Aurora parou subitamente em frente à porta da cozinha. Ela olhou para a placa nova que Izabelle havia pendurado e soltou uma risadinha anasalada.

— Ora, ora... o que temos aqui? — Aurora entrou na cozinha sem ser convidada, seguida por duas amigas que pareciam sombras fiéis. — Hannah? Stay? Eu pensei que esse depósito de gordura já estivesse desativado.

— O clube ainda existe, Aurora — disse Hannah, tentando manter a voz firme, embora suas mãos tremessem levemente.

— "Existe" é uma palavra muito forte, não acha? — Aurora passou o dedo por uma bancada de aço inoxidável, procurando poeira, mas encontrou apenas o brilho impecável que Izabelle deixara. Ela franziu o cenho. — Quem permitiu que vocês gastassem o orçamento da escola com essas luzes de LED cafonas?

Izabelle e Íris, que estavam nos fundos, deram um passo à frente.

— Licença — disse Izabelle, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Quem você pensa que é para entrar aqui e criticar o nosso trabalho?

Aurora mediu Izabelle de cima a baixo, seus olhos parando nos acessórios modernos que Iza usava.

— Desculpe, mas... quem é você? Alguma funcionária nova da limpeza?

— Meu nome é Izabelle Celeste — respondeu ela, dando um passo à frente até ficar a poucos centímetros de Aurora. — Sou a nova líder deste clube. E você deve ser a Aurora, a menina que estava de licença porque não aguentava o ritmo da Itachiyama, certo?

Oikawa, que observava da porta, soltou um "uou" abafado, enquanto Kageyama apenas arqueou uma sobrancelha, parecendo levemente impressionado com a audácia de Izabelle.

— Como ousa? — Aurora sibilou, os olhos faiscando. — Eu sou do conselho estudantil. Eu decido o que é relevante nesta escola. E garanto a você, Izabelle... esse seu clubinho de culinária não vai durar até o final do festival.

— É o que vamos ver, minha querida — retrucou Izabelle. — Quem ri por último, ri melhor. E eu pretendo dar gargalhadas.

Aurora deu as costas, saindo com suas amigas e o conselho logo atrás. Oikawa lançou um olhar divertido para Izabelle antes de sumir pelo corredor.

Mais tarde, naquele mesmo dia, Izabelle saiu para levar o lixo para as grandes caçambas nos fundos da ala oeste. O sol estava se pondo, tingindo o céu de laranja. Ao voltar, ela deu de cara com Aurora e suas duas seguidoras, que pareciam estar esperando por ela.

— Sabe, Izabelle — começou Aurora, bloqueando o caminho —, eu andei pesquisando. Você é nova, não tem raízes aqui. O meu clube, o de Teatro, é o coração desta academia. Oikawa-senpai é o nosso protagonista. O que você tem? Uma cozinha cheia de açúcar e música barulhenta?

— Eu tenho talento e amigas de verdade — respondeu Izabelle, largando os sacos de lixo vazios. — Coisas que parecem faltar no seu currículo.

— Aproveite sua semaninha de glória — provocou Aurora, aproximando-se. — No festival, o Teatro vai ofuscar qualquer coisa que você tente fazer. Eu vou pessoalmente garantir que ninguém visite a sua barraca.

— Você fala demais para quem ainda não mostrou nada — rebateu Izabelle. — Eu não tenho medo de você, Aurora. Se o seu clube é tão bom, por que você está aqui tentando me intimidar? Está com medo de perder para uma "garota da limpeza"?

Aurora ficou vermelha de raiva, mas recuperou a compostura com um sorriso gélido.

— Vamos ver quem vai chorar no final, Celeste.

Ela passou por Izabelle, esbarrando propositalmente em seu ombro. Izabelle ficou parada por um momento, sentindo o sangue ferver.

— Gente, essa menina é louca — murmurou ela para si mesma. — Primeiro dia que a vejo e ela já quer guerra? Pois ela vai ter uma guerra de glacê e hip-hop que nunca vai esquecer.

Ao voltar para o clube, Izabelle contou tudo para as meninas. A raiva inicial transformou-se em um combustível poderoso.

— Agora sim! — exclamou Stay, batendo com a mão na mesa. — Agora a gente tem que ganhar delas só para ver a cara da Aurora no chão!

— Vamos ensaiar até os nossos pés sangrarem — declarou Hannah, com uma coragem que Izabelle ainda não vira nela.

A última semana foi uma maratona de dedicação absoluta. Elas prepararam as bases das comidas, deixando as massas descansarem e os recheios apurarem o sabor. Faltando dois dias para o festival, a costureira entregou os figurinos.

Izabelle foi a primeira a experimentar. Ela vestiu uma calça cargo bege extremamente larga, com correntes prateadas penduradas, um top lilás e um casaco de beisebol por cima. Colocou o boné virado para trás e olhou-se no espelho.

— Meu Deus, Iza! Você está linda! — gritou Íris, que usava um short largo com meias altas e um moletom oversized.

Hannah e Stay também estavam radiantes em suas roupas urbanas. Elas ligaram o som e ensaiaram a coreografia com os figurinos pela primeira vez. O movimento das calças largas dava um efeito visual incrível aos passos de dança. Elas estavam sincronizadas, fortes e cheias de atitude.

— Se a Aurora acha que o teatro dela é o único show da escola, ela vai ter uma surpresa épica — disse Izabelle, ofegante após o ensaio final.

O grande dia do Festival da Primavera finalmente chegou.

A Academia Itachiyama estava transformada. Lanternas coloridas pendiam das árvores, barracas de todos os tipos ocupavam o pátio central e o cheiro de comida de rua misturava-se ao perfume das flores de cerejeira. O clima era de pura euforia.

Izabelle e suas amigas chegaram cedo para montar a barraca "New Jeans & Old Flavors". Elas decoraram tudo com vinis antigos pintados de azul, luzes de neon e fotos estéticas dos doces. No balcão, os mini-doces coloridos pareciam joias comestíveis.

— Tudo pronto? — perguntou Izabelle, ajustando o boné e olhando para suas três companheiras.

— Tudo pronto — responderam elas, unindo as mãos no centro.

A música começou a tocar nos alto-falantes da escola, sinalizando o início oficial das festividades. Izabelle viu, ao longe, a barraca luxuosa do Clube de Teatro, onde Aurora exibia um vestido de época pomposo, tentando atrair a atenção de todos. Oikawa e Kageyama estavam por perto, observando o movimento.

Izabelle respirou fundo, sentindo a energia violeta vibrar levemente em suas veias, apenas o suficiente para lhe dar confiança.

— Meninas — disse ela, aumentando o volume da sua própria caixa de som, que começou a tocar a batida viciante de New Jeans —, vamos mostrar para eles como se faz uma revolução.

O público começou a se aglomerar, atraído pelo ritmo diferente e pelo visual moderno da barraca de culinária. Izabelle deu o sinal. Elas se posicionaram na frente da barraca, e quando a batida caiu, a performance começou.

Não era apenas dança; era um manifesto. Cada passo, cada giro e cada movimento sincronizado dizia à Itachiyama que o Clube de Culinária não era mais um refugo de poeira, mas o centro das atenções. Izabelle liderava com uma presença de palco que deixava até os atletas de elite boquiabertos.

Pelo canto do olho, ela viu Aurora observar a cena com uma expressão de puro horror e inveja. Viu Oikawa sorrir abertamente, batendo palmas no ritmo, e viu Kageyama, parado entre a multidão, com os olhos fixos nela, um leve sorriso de canto de boca que dizia mais do que mil palavras.

Aquele era o dia delas. E Izabelle Celeste estava apenas começando a mostrar o que uma garota transmigrada, armada com magia, doces e hip-hop, era capaz de fazer.