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Distorção

O Altar de Carne e Silêncio

O quarto de hóspedes da casa onde a festa ocorria parecia um universo à parte, isolado pelo isolamento acústico precário e pelo peso da atmosfera que Mizi criara. O ar era espesso, carregado com o cheiro de perfume barato, poeira e a eletricidade estática entre as duas garotas. Mizi ainda mantinha os dedos enroscados nos cabelos de Sua, forçando-a a olhar diretamente para os seus olhos dourados, que agora brilhavam com uma lucidez predatória.

— O Ivan quer que você seja uma sombra, Sua — sussurrou Mizi, a voz deslizando como seda sobre a pele arrepiada da outra. — Ele quer que você se sinta pequena para que ele possa parecer um gigante. Mas olhe para mim. Eu vejo você. Eu vejo cada pedaço que ele tentou quebrar.

Sua tentou desviar o olhar, mas Mizi segurou seu queixo com firmeza, não permitindo a fuga.

— Você sofreu tanto tempo, não foi? — Mizi continuou, encurralando Sua contra a cabeceira da cama de casal que dominava o quarto. — Tanto silêncio, tanto medo. Por que você não aceita uma recompensa por ter aguentado tudo isso sozinha?

Sua sentiu as costas baterem no colchão macio enquanto Mizi se inclinava sobre ela, o peso do corpo da garota de cabelos rosa sendo uma âncora que a impedia de flutuar para longe em sua própria dissociação. O coração de Sua batia contra as costelas, um ritmo frenético de pavor e um desejo proibido que ela mal conseguia nomear.

— Mizi... — a voz de Sua falhou, um som quebrado.

— Shh. Não pense no Ivan agora. Não pense no seu pai. Pense no que você quer — Mizi disse, e então seus lábios desceram para o pescoço pálido de Sua.

O primeiro contato foi um beijo suave, mas logo se transformou em uma mordida deliberada. Mizi cravou os dentes na pele sensível, marcando o território, reivindicando o que o mundo tentara destruir. Sua soltou um arquejo agudo, as mãos subindo instintivamente para os ombros de Mizi, as unhas cravando-se no tecido da blusa dela.

— Devagar... — murmurou Sua, a respiração entrecortada. — Por favor, tome cuidado onde toca... eu... eu apanhei deles antes de vir.

Mizi parou por um segundo, seus olhos escurecendo ainda mais. A revelação de que Sua tinha sido agredida pelo irmão e pelo pai naquela mesma noite não despertou pena em Mizi, mas sim uma fúria possessiva. Ela queria apagar aquelas marcas com as suas próprias.

— Onde dói? — perguntou Mizi, a voz baixa e perigosa.

— Nas costelas... e na coxa esquerda — confessou Sua, as lágrimas ameaçando transbordar.

Mizi não disse nada. Em vez disso, começou a despir Sua com uma lentidão torturante. Seus dedos traçavam o contorno das marcas roxas que começavam a florescer na pele alva de Sua, como se estivesse mapeando um campo de batalha. Quando as roupas foram descartadas, Mizi subiu novamente, posicionando-se entre as pernas de Sua.

— Eu vou fazer você esquecer a dor deles, Sua. Vou substituir cada golpe por algo que você nunca mais vai conseguir tirar da cabeça.

Mizi envolveu o pescoço de Sua com uma das mãos, apertando levemente. Não era para sufocar, mas para ancorar Sua no presente, para fazê-la sentir a pressão da vida retornando ao seu corpo. A outra mão de Mizi desceu, encontrando a intimidade de Sua já úmida e trêmula.

— Peça para mim — ordenou Mizi, os olhos fixos nos de Sua enquanto deslizava o primeiro dedo para dentro dela.

— Por favor... Mizi... mais — Sua gemeu, o rosto enterrado no travesseiro para abafar o som.

Mizi começou um movimento rítmico, constante. Ela não tinha pressa. Queria ver cada reação, cada espasmo de prazer que cruzava o rosto de Sua. Logo, um segundo dedo se juntou ao primeiro, expandindo a sensação, preenchendo o vazio que Sua carregava no peito há anos.

— Isso... assim — Mizi sussurrava palavras de incentivo enquanto aumentava a pressão no pescoço de Sua. — Você é tão linda quando está assim, totalmente entregue. Sem máscaras. Sem medo de mim.

Sua sentia que estava perdendo o controle. O prazer era uma onda violenta que ameaçava afogá-la. Ela arranhou os braços de Mizi, deixando trilhas vermelhas na pele impecável da outra, uma troca de dor por êxtase.

— Mais... eu quero mais — Sua implorou, as pernas envolvendo a cintura de Mizi, puxando-a para mais perto.

Mizi sorriu, um sorriso sombrio e vitorioso. Ela adicionou o terceiro dedo, movendo-os com uma destreza que fazia Sua arquear as costas, os gemidos agora impossíveis de esconder. O som da música lá embaixo era apenas um ruído branco, algo que pertencia a um mundo que não as alcançava mais.

— Diga o meu nome — Mizi exigiu, aumentando a velocidade, os dedos encontrando o ponto exato que fazia Sua delirar. — Diga quem é a dona deste momento.

— Mizi... é você... — Sua soluçava de prazer, a cabeça jogada para trás. — Só você... por favor, não para!

A intensidade aumentou quando Mizi introduziu o quarto dedo, esticando Sua ao limite, forçando-a a enfrentar a plenitude de sua própria existência física. Era uma comunhão de sombras. Mizi mordia o ombro de Sua, abafando seus próprios sons, enquanto sentia as contrações das paredes internas de Sua ao redor de seus dedos.

Sua atingiu o ápice com um grito sufocado contra o pescoço de Mizi, o corpo inteiro tremendo violentamente. Ela sentia como se estivesse se desintegrando e sendo reconstruída ao mesmo tempo. As lágrimas finalmente caíram, mas não eram de tristeza; eram de uma libertação catártica que ela nunca imaginou ser possível.

Mizi não se afastou imediatamente. Ela continuou ali, mantendo a pressão, deixando que as ondas do orgasmo de Sua diminuíssem lentamente. Ela beijou a testa suada de Sua, um gesto de uma ternura distorcida.

— Viu? — Mizi sussurrou, a voz ainda carregada de autoridade. — Isso é o que você merece. Não o que o Ivan te dá.

Sua estava exausta, a respiração voltando ao normal aos poucos. Ela olhou para Mizi e, pela primeira vez, não viu apenas a manipuladora ou a garota popular. Ela viu alguém que, embora perigoso, a enxergava de verdade.

— Você não vai me deixar, vai? — perguntou Sua, a voz pequena, vulnerável.

Mizi acariciou o rosto dela, limpando as lágrimas com o polegar.

— Eu nunca deixo o que é meu, Sua. E a partir de hoje, você pertence a este quarto, a este momento... e a mim.

Sua fechou os olhos, aceitando a sentença. No jogo cruel de sua vida, ela acabara de trocar um mestre por outro, mas, pela primeira vez, a coleira parecia feita de seda em vez de ferro.

***

**Opções de continuação:**

1. **O confronto silencioso:** No dia seguinte, na escola, Ivan percebe uma mudança no olhar de Sua e começa a confrontar Mizi, percebendo que ela "roubou" seu brinquedo favorito.

2. **A marca de Mizi:** Sua começa a usar roupas que escondem as marcas deixadas por Mizi, mas a cumplicidade entre as duas torna-se óbvia para Hyuna, que exige explicações.

3. **Vingança de Ivan:** Sentindo que está perdendo o controle sobre Sua, Ivan decide descontar sua raiva em Till de maneira ainda mais brutal, forçando Sua a escolher entre proteger o amigo ou manter seu segredo com Mizi.

4. **O despertar de Sua:** Motivada pelo que viveu com Mizi, Sua começa a enfrentar as manipulações de Ivan, usando os mesmos jogos psicológicos que aprendeu com a garota de rosa.