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Distorção

O Altar de Carne e Silêncio

Sua estava exausta, a respiração voltando ao normal aos poucos. Ela olhou para Mizi e, pela primeira vez, não viu apenas a manipuladora ou a garota popular. Ela viu alguém que, embora perigoso, a enxergava de verdade.

— Você não vai me deixar, vai? — perguntou Sua, a voz pequena, vulnerável.

Mizi acariciou o rosto dela, limpando as lágrimas com o polegar. O sorriso que surgiu nos lábios da garota de cabelos rosa não era reconfortante. Era o sorriso de quem ainda não tinha terminado de abrir o seu presente.

— Você achou mesmo que tinha acabado, Sua? — Mizi inclinou a cabeça, os olhos dourados brilhando com uma malícia que beirava a crueldade. — Achou que eu era tão calma assim? Tão... contida?

Sua sentiu um calafrio percorrer sua espinha. A atmosfera no quarto, que parecia ter suavizado após o primeiro ápice, tornou-se subitamente elétrica novamente.

— Mizi... eu não... — Sua tentou balbuciar, mas foi interrompida.

— Eu só estava preparando você — disse Mizi, a voz agora um sussurro rouco e carregado de autoridade. — Eu queria ver até onde você aguentava o básico antes de eu mostrar quem eu sou de verdade.

Sem dar tempo para Sua processar, Mizi voltou a se posicionar entre suas pernas. Desta vez, não houve hesitação ou delicadeza. Ela introduziu dois dedos de uma vez, com um movimento forte e profundo que fez Sua arquear as costas violentamente contra o colchão.

— Ah! — o grito de Sua foi abafado pelo som da música que vinha do andar de baixo, mas o prazer que a atingiu foi como uma descarga elétrica.

Mizi não parou. Ela logo adicionou o terceiro dedo, movendo-os com uma velocidade e uma força que Sua nunca imaginou ser possível. Era um ritmo implacável, agressivo, projetado para desorientar e dominar. Sua sentia que suas entranhas estavam sendo incendiadas. Ela se contorcia freneticamente, as mãos descendo instintivamente para agarrar o pulso de Mizi — a mão que trabalhava nela com tanta ferocidade.

Sua apertava o pulso de Mizi, suas unhas cravando-se na pele da outra, enquanto sua cabeça balançava de um lado para o outro.

— Para... Mizi, por favor... é demais... — Sua pedia, mas sua voz não tinha força. Não havia vontade real de interromper aquele caos sensorial. Seus lábios diziam "pare", mas seu corpo clamava por cada centímetro daquela invasão.

— Você não quer que eu pare — rebateu Mizi, os olhos fixos na expressão de agonia e êxtase de Sua. — Você quer que eu preencha cada espaço vazio que o seu irmão deixou.

Mizi então avançou sobre o busto de Sua. Enquanto sua mão trabalhava lá embaixo em um ritmo frenético — o som dos dedos encontrando a umidade de Sua era audível mesmo com a música abafada —, Mizi começou a beijar, morder e sugar os seios de Sua com uma fome predatória.

Os gemidos de Sua tornaram-se mais altos, mais desesperados. A combinação da dor das mordidas de Mizi com o prazer avassalador entre suas pernas criou um curto-circuito em sua mente. Ela não era mais a garota fria e fechada da escola; ela era apenas um amontoado de reações nervosas sob o comando de Mizi.

— Mizi! Mizi, eu... eu vou... — Sua soluçava, as coxas tremendo incontrolavelmente.

— Vá, Sua. Perca-se para mim — ordenou Mizi, intensificando o movimento dos três dedos, fazendo-os deslizar com uma força que beirava o limite do suportável.

O segundo orgasmo de Sua foi devastador. Ela sentiu como se sua consciência estivesse sendo arrancada de seu corpo. Ela apertou as coxas contra a cabeça de Mizi, os dedos ainda cravados no pulso da garota de rosa, enquanto o mundo ao seu redor desaparecia em uma névoa de prazer branco e absoluto.

Mizi, no entanto, não se deu por satisfeita. Quando sentiu que Sua estava começando a relaxar, ela desceu.

Sua, em um estado de quase transe, sentiu o calor da boca de Mizi. Mizi não apenas a limpou; ela usou a língua com uma precisão cirúrgica, lambendo cada gota, enfiando a língua profundamente e, em seguida, mordendo o clitóris de Sua com uma firmeza que a fez soltar um grito que rasgou sua garganta.

— Oh, Deus... Mizi! — Sua agarrou os cabelos rosa de Mizi, puxando-os, não para afastá-la, mas para mantê-la ali. — Eu quero você... eu quero isso todo dia... não me deixa voltar para lá... por favor...

Sua estava em outro mundo, um lugar onde apenas o toque de Mizi existia. Ela apertava a cabeça de Mizi com as coxas, sentindo-se finalmente poderosa em sua própria vulnerabilidade, enquanto Mizi a consumia por completo.

Depois de alguns minutos, Mizi se afastou. Ela estava ofegante, o rosto corado e os lábios brilhando. Ela olhou para Sua, que estava jogada na cama, os olhos desfocados e o corpo ainda sofrendo espasmos ocasionais.

— Agora — disse Mizi, a voz voltando àquela calma assustadora —, nós vamos descer. E você vai agir como se nada tivesse acontecido.

Com uma eficiência fria, Mizi ajudou Sua a se vestir. Ela ajeitou a saia da outra, limpou o rastro de base que havia saído com o suor e vestiu sua própria blusa, ajustando o colarinho. Mizi pegou um batom de sua bolsa e aplicou suavemente nos lábios de Sua.

— Sorria, Sua. A máscara precisa estar no lugar — instruiu Mizi.

Sua assentiu mecanicamente, ainda sentindo o formigamento intenso entre as pernas e o calor onde Mizi a havia mordido. Elas desceram as escadas juntas, Mizi exibindo seu habitual sorriso radiante de "garota boba", enquanto Sua mantinha sua expressão fria e cansada, embora seus olhos estivessem ligeiramente mais brilhantes do que o normal.

Ao chegarem à sala, o grupo ainda estava lá. Ivan parecia ter se recuperado da briga com Till e agora conversava calmamente com outros alunos, embora seus olhos tenham escaneado a irmã assim que ela entrou no recinto. Till estava jogado em um sofá, parecendo ter passado da conta na bebida, e Hyuna estava encostada na parede, conversando com Luka, que havia chegado tarde à festa.

— Finalmente as desaparecidas voltaram! — exclamou Hyuna, aproximando-se delas com um sorriso. — Onde vocês se enfiaram? Eu estava quase chamando a polícia ou o Ivan para te procurar, Sua.

— A Sua não estava se sentindo bem, o barulho estava dando dor de cabeça nela — Mizi explicou, a voz doce e inocente. — Eu só levei ela para um lugar mais calmo para ela descansar um pouquinho. Não foi, Sua?

Sua apenas acenou com a cabeça, evitando olhar diretamente para Hyuna. Ela sentia o olhar de Ivan queimando em suas costas, uma pressão familiar que geralmente a faria encolher-se, mas o toque de Mizi ainda estava presente em sua pele, servindo como um escudo invisível.

— Puxa, que bom que você cuidou dela, Mizi — disse Hyuna, mas então ela parou. Seus olhos se arregalaram levemente e ela se aproximou mais de Sua, inclinando a cabeça. — Mas o que é isso no seu pescoço, Sua?

O coração de Sua parou. Mizi permaneceu imóvel, mantendo o sorriso.

— O que foi, Hyuna? — perguntou Sua, tentando manter a voz estável.

— Isso aqui — Hyuna estendeu a mão e afastou levemente o cabelo de Sua, revelando uma marca vívida. — Caramba, Sua! Que chupão é esse? Está MUITO roxo. Quem fez isso? Eu não vi você com ninguém a noite toda!

O silêncio caiu sobre o pequeno círculo. Ivan, que estava a poucos metros, parou de falar e virou a cabeça na direção delas. Seus olhos pretos fixaram-se na marca no pescoço da irmã. Era uma marca de posse, clara e violenta, impossível de ser ignorada ou confundida com qualquer outra coisa.

Sua sentiu o pânico começar a subir pela garganta. Ela olhou para Mizi, mas Mizi apenas piscou, um brilho de diversão pura dançando em seus olhos dourados. Mizi queria que a marca fosse vista. Ela queria que Ivan soubesse que alguém havia tocado no que ele considerava sua propriedade.

— Ah, isso? — Mizi interveio, rindo como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. — Deve ter sido um mosquito gigante lá no andar de cima! Aquele quarto estava cheio de bichos, não era, Sua?

Hyuna arqueou uma sobrancelha, claramente não acreditando em uma palavra, mas antes que pudesse questionar, Ivan se aproximou. O ar ao redor dele parecia ter congelado dez graus.

— Um mosquito? — Ivan perguntou, a voz suave demais, desprovida de qualquer emoção. Ele parou diante de Sua e estendeu a mão, tocando a borda da marca roxa com o polegar. Sua estremeceu, mas não de medo desta vez; era uma reação de nojo. — Realmente, parece ter sido algo bem... voraz.

— Deixa ela em paz, Ivan — disse Hyuna, percebendo a tensão. — Se a Sua conheceu alguém e não quis contar, o problema é dela.

— Claro — disse Ivan, retirando a mão e olhando diretamente para Mizi. O sorriso dele era um espelho do dela: falso, perigoso e carregado de intenções ocultas. — Eu só fico surpreso que minha irmãzinha tenha encontrado alguém tão... intenso... em tão pouco tempo.

Mizi sustentou o olhar de Ivan sem vacilar. O jogo de poder entre os dois manipuladores do grupo estava oficialmente declarado.

— Às vezes as coisas acontecem rápido quando a gente encontra o que estava procurando, não é, Ivan? — Mizi disse, passando o braço pelo ombro de Sua de forma possessiva. — Vamos, Sua. Acho que já deu de festa por hoje. Eu te levo em casa.

— Eu levo minha irmã para casa, Mizi. Obrigado — disse Ivan, o tom de voz tornando-se cortante.

— Ah, não se preocupe! — Mizi sorriu ainda mais, uma expressão de pura inocência que Sua agora sabia ser a coisa mais perigosa do mundo. — Eu e a Sua temos muito o que conversar sobre... mosquitos. Não queremos te incomodar.

Sua olhou para o irmão. Pela primeira vez na vida, ela não desviou o olhar com medo. Ela sentia o calor da mão de Mizi em seu ombro e a marca em seu pescoço latejava, um lembrete constante de que ela não pertencia mais apenas ao ciclo de abuso de sua família.

— Eu vou com a Mizi — disse Sua, a voz firme o suficiente para surpreender a todos, inclusive a si mesma.

Ivan estreitou os olhos, a máscara de bom garoto trincando por um milésimo de segundo, revelando a fúria negra que habitava seu interior. Mas ele não podia fazer nada ali, na frente de Hyuna e dos outros.

— Tudo bem — disse Ivan, voltando ao seu tom educado. — Nos vemos em casa, Sua. Tente não se perder de novo.

Mizi conduziu Sua para fora da casa, deixando para trás um rastro de perguntas não respondidas e uma tensão que prometia explodir a qualquer momento. No carro de Mizi, o silêncio era diferente. Não era o silêncio de medo da casa de Sua, mas um silêncio de antecipação.

— Você viu a cara dele? — Mizi perguntou, ligando o motor. Ela não estava mais sorrindo. Sua expressão era de um triunfo gélido.

— Ele vai me matar quando eu chegar em casa — sussurrou Sua.

— Ele não vai tocar em você — afirmou Mizi, olhando para Sua com uma intensidade que a fez estremecer. — Porque agora ele sabe que se ele te tocar, ele vai ter que lidar comigo. E eu garanto, Sua... o Ivan não faz ideia do que eu sou capaz de fazer para manter o que é meu.

Sua encostou a cabeça no banco e fechou os olhos. Ela sabia que sua vida tinha acabado de entrar em uma espiral ainda mais profunda de caos, mas enquanto sentia o cheiro de morango de Mizi preenchendo o carro, ela não conseguia se importar. Pela primeira vez, a escuridão parecia um lugar onde ela poderia, finalmente, respirar.

***

**Opções de continuação:**

1. **Retaliação de Ivan:** Ivan não aceita a insubordinação de Sua e decide investigar a vida de Mizi, descobrindo segredos que ela preferia manter escondidos, iniciando um leilão de chantagens.

2. **O Interrogatório de Hyuna:** No dia seguinte, Hyuna coloca Sua contra a parede na escola, exigindo saber a verdade sobre a marca e sobre sua relação com Mizi, temendo que a amiga esteja se metendo em algo perigoso.

3. **A Proteção de Mizi:** Mizi decide que Sua não deve mais passar tanto tempo em casa e "convence" os pais de Sua a deixarem a garota passar uns dias na casa dela, onde o jogo psicológico entre as duas se intensifica sem a interferência de Ivan.

4. **Till e Ivan:** Ivan, frustrado por perder o controle sobre Sua, decide descontar toda a sua raiva em Till, levando a agressão física a um nível que obriga a escola a tomar medidas drásticas.