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Distorção

O Labirinto de Vidro e o Vício do Toque

O refeitório da Anakt High School fervilhava com o barulho metálico de bandejas, risadas estridentes e o burburinho constante de centenas de conversas cruzadas. Para Sua, no entanto, o som parecia abafado, como se ela estivesse submersa em águas profundas. Ela caminhava um passo atrás de Hyuna, sentindo cada centímetro de sua pele ainda sensível, a memória do corpo de Mizi gravada em seus músculos como uma marca de ferro quente.

Hyuna, sempre radiante e agitada, gesticulava enquanto falava sobre algum teste de química, mas parou abruptamente quando notou o silêncio sepulcral de Sua. Ela puxou a amiga para um canto, perto de uma fileira de armários antes da entrada principal da cantina.

— Sua, você está no mundo da lua desde que chegou. O que aconteceu naquele quarto na festa? E não me venha com a história do mosquito, porque eu sei muito bem o que é um chupão — Hyuna disse, baixando a voz e estreitando os olhos azuis em uma mistura de preocupação e curiosidade.

Sua olhou ao redor, certificando-se de que Ivan ou Till não estavam por perto. Suas mãos tremiam levemente quando ela segurou a alça da mochila.

— Eu... eu fiz — sussurrou Sua, a voz quase inaudível.

— Fez o quê? — Hyuna inclinou-se para frente.

— Eu transei com a Mizi, Hyuna. No andar de cima, enquanto vocês estavam lá embaixo.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som distante de um sinal batendo. Hyuna arregalou os olhos de uma forma que Sua pensou que eles fossem saltar da órbita. Ela abriu a boca para gritar, mas Sua rapidamente tapou sua boca com a mão, o pânico brilhando em seus olhos roxos.

— Pelo amor de Deus, Hyuna! Não grita! — implorou Sua.

Hyuna tirou a mão de Sua, respirando fundo, o rosto ficando vermelho de excitação reprimida.

— Com a Mizi? A nossa Mizi? A Mizi de cabelo rosa que parece um marshmallow? — Hyuna sussurrou, agitando as mãos. — Sua, isso é... isso é insano! Ela é... ela é incrível, mas eu nunca imaginei que vocês duas...

— Por favor, guarde segredo. Ninguém pode saber, especialmente o Ivan. Ele já está desconfiado e eu não sei do que ele é capaz se descobrir que a "propriedade" dele foi tocada por alguém que ele não controla.

Hyuna recompôs-se, embora ainda parecesse prestes a explodir. Ela colocou a mão no ombro de Sua e assentiu com seriedade.

— Meu lábio está selado, Sua. Eu juro. Mas você vai ter que me contar os detalhes depois, porque eu ainda estou tentando processar como você sobreviveu àquela garota. Ela tem cara de ser... intensa.

— Você não faz ideia — murmurou Sua, sentindo um calafrio.

As duas caminharam em direção à mesa habitual. Ivan já estava lá, sentado com uma postura impecável, comendo uma barra de chocolate com uma calma que Sua sabia ser falsa. Till estava do outro lado, com os fones de ouvido no pescoço, parecendo irritado com a própria existência. Luka lia um livro de física, ignorando o mundo.

Mizi chegou logo depois, deslizando para o banco ao lado de Sua. O perfume de morango atingiu as narinas de Sua como um gatilho.

— Oi, pessoal! — Mizi exclamou, a voz doce e vibrante, a máscara perfeita.

Ivan levantou os olhos do chocolate. O olhar que ele lançou para Mizi foi como uma lâmina de gelo. Mizi não recuou; ela sustentou o olhar, um sorriso de deboche brincando nos cantos de seus lábios dourados. O ar na mesa ficou tão pesado que até Till parou de mexer no celular.

— Algum problema, Ivan? — perguntou Mizi, inclinando a cabeça de forma inocente. — Você parece tenso. Talvez precise de um doce... ah, espere, você já está comendo um.

— Estou apenas observando como as pessoas mudam de ambiente tão rápido — respondeu Ivan, a voz suave e perigosa. — Ontem você era a alma da festa, hoje parece estar... faminta por algo mais.

Mizi riu, um som cristalino que escondia dentes afiados.

— A fome é uma coisa curiosa, não é? Algumas pessoas se satisfazem com migalhas de controle. Outras preferem o banquete completo.

Sua sentia que poderia desmaiar a qualquer momento. Hyuna, percebendo a guerra silenciosa, tentou intervir falando sobre o jogo de basquete da semana, mas Mizi já estava entediada com o jogo de olhares com Ivan. Ela se levantou subitamente.

— Ah, que cabeça a minha! — Mizi deu um tapinha na própria testa. — Eu perdi meu fone de ouvido sem fio. Acho que deixei cair no corredor da diretoria quando fui entregar aqueles papéis mais cedo. Sua, você se importa de me ajudar a procurar? Meus olhos não estão muito bons hoje.

Hyuna lançou um olhar rápido para Sua. Ela sabia que era uma desculpa esfarrapada — a diretoria ficava em uma ala quase deserta no horário do almoço. Sua, no entanto, sentiu o coração disparar. Ela queria ir. Ela precisava do toque de Mizi como um viciado precisa de uma dose.

— Claro — disse Sua, levantando-se com as pernas bambas.

— Não demorem — disse Ivan, sem tirar os olhos de Mizi. — O sinal bate em vinte minutos.

— Seremos rápidas como um raio — prometeu Mizi, piscando para ele antes de puxar Sua pelo pulso.

Elas caminharam rapidamente pelos corredores vazios. Assim que viraram o corredor da diretoria, Mizi parou de procurar qualquer coisa. Ela empurrou a porta da sala da diretora, que, por sorte ou planejamento, estava destrancada e vazia, já que a diretora estava em uma reunião externa.

Mizi fechou a porta e girou a tranca. O silêncio da sala era absoluto.

— Mizi, nós não deveríamos estar aqui... — começou Sua, mas foi interrompida quando Mizi a prensou contra a porta.

— Eu não aguentava mais ver o seu irmão olhando para você como se você fosse um objeto dele — disse Mizi, a voz agora gélida, a máscara de doçura jogada no chão. — Eu precisava lembrar a ele, e a você, quem realmente manda aqui.

Mizi caminhou até a grande cadeira de couro da diretora e sentou-se, cruzando as pernas. Ela fez um sinal para que Sua se aproximasse. Com um movimento rápido, Mizi puxou Sua para o seu colo, forçando-a a sentar de frente para ela, as pernas de Sua cavalgando a cintura de Mizi.

— M-Mizi, alguém pode entrar... — sussurrou Sua, o rosto queimando.

— Ninguém entra aqui sem autorização, e a sra. Robinson só volta às duas — Mizi disse, enquanto suas mãos subiam pela coxa de Sua, levantando a saia do uniforme. — Agora, fique quieta.

Sem qualquer aviso, Mizi introduziu três dedos de uma vez na intimidade de Sua. O choque foi tão grande que Sua soltou um arquejo alto, a cabeça pendendo para trás enquanto suas mãos se agarravam aos ombros de Mizi.

— Quica para mim, Sua — ordenou Mizi, os olhos dourados fixos nos roxos de Sua. — Agora. No meu dedo. Mostre o quanto você sentiu minha falta hoje de manhã.

Sua obedeceu. Ela começou a se mover, o atrito dos dedos de Mizi criando uma sensação de preenchimento e prazer que a fazia perder a noção de onde estava. Ela estava transando com Mizi na cadeira da diretora, com o risco de ser expulsa, e tudo o que conseguia pensar era em como o toque de Mizi era a única coisa que a fazia sentir-se real.

— Você é tão responsiva — murmurou Mizi, enquanto Sua gemia baixo contra seu pescoço. — Sabia que se você continuar assim, eu nunca vou deixar você ir? Eu vou querer você para sempre. Eu procuraria você até em outro universo, se é que eles existem, só para ter esse som saindo da sua boca de novo.

— Mizi... eu não... eu vou... — Sua começou a soluçar, o prazer atingindo um ponto sem volta. O movimento de seus quadris tornou-se frenético, a umidade encharcando os dedos de Mizi. — Eu vou gozar!

Mizi parou abruptamente. Ela manteve os dedos dentro de Sua, mas travou o movimento, fazendo Sua choramingar de frustração.

— Não aqui — disse Mizi, a voz firme. — Sujar a cadeira da diretora daria muito trabalho para limpar, e nós temos um cronograma a seguir.

Mizi retirou os dedos, fazendo Sua soltar um gemido de perda. Com uma calma irritante, Mizi subiu a saia de Sua, ajeitando o uniforme dela. Ela então levou os próprios dedos à boca, lambendo a umidade de Sua enquanto mantinha contato visual direto. O gesto foi tão cru e possessivo que Sua sentiu as pernas fraquejarem.

Mizi levantou-se, puxando Sua para cima. Ela a prensou contra a mesa de carvalho, beijando-a com uma fome avassaladora. O beijo era profundo, técnico, cheio de língua e mordidas curtas que faziam Sua delirar. Enquanto a beijava, Mizi colava o joelho propositalmente na intimidade de Sua, pressionando o local que ainda pulsava de desejo insatisfeito.

— Isso é para você lembrar de mim durante as próximas aulas — sussurrou Mizi contra os lábios de Sua. — Para você ficar querendo mais, sentindo o vazio até que eu decida preenchê-lo de novo.

Sua estava em transe, o corpo tremendo, o desejo não resolvido queimando como brasa. Ela queria implorar para que Mizi terminasse o que começou, mas Mizi já estava ajeitando o cabelo rosa no espelho da sala, a máscara de "garota perfeita" retornando ao rosto como se nada tivesse acontecido.

— Vamos? O sinal vai bater — disse Mizi, abrindo a porta e saindo com uma leveza assustadora.

Sua a seguiu, tentando recompor sua dignidade e sua respiração. Quando elas voltaram ao refeitório, o grupo ainda estava na mesa, mas o clima tinha mudado drasticamente. Hyuna estava com as mãos no rosto, parecendo mortificada, enquanto Till e Luka olhavam para Sua com expressões que variavam entre o choque absoluto e o desconforto profundo.

Ivan estava parado, os braços cruzados, a mandíbula tão travada que parecia prestes a quebrar.

Sua franziu a testa, sentindo um frio gélido no estômago. Ela olhou para Hyuna.

— Hyuna? O que foi?

Hyuna levantou o rosto, os olhos cheios de culpa.

— Sua... me desculpa... eu... eu não aguentei. A fofoca era grande demais e a minha boca simplesmente... abriu.

Sua sentiu o chão sumir. Hyuna tinha contado tudo. Ela tinha contado sobre a festa, sobre o sexo, sobre Mizi. O segredo que deveria protegê-la agora era uma bomba que tinha acabado de explodir no meio do grupo.

Ivan deu um passo à frente, sua voz saindo como o sibilar de uma serpente.

— Então é verdade, Sua? — perguntou ele, os olhos fixos na irmã, ignorando completamente Mizi por um momento. — Você se entregou para ela? Para esse... esse lixo cor-de-rosa?

Mizi não se abalou. Ela caminhou até o lado de Sua e passou o braço pela cintura dela, puxando-a para perto com uma audácia que fez Till soltar um palavrão baixo.

— "Se entregou" é uma palavra muito forte, Ivan — disse Mizi, o tom de voz mudando para aquela frieza cortante que Sua agora conhecia tão bem. — Digamos apenas que ela finalmente encontrou alguém que sabe como cuidar do que é precioso. Algo que você, claramente, nunca soube fazer.

O refeitório pareceu ficar em silêncio absoluto. A guerra entre Ivan e Mizi tinha saído das sombras e, no centro dela, Sua percebeu que sua vida nunca mais seria a mesma. Ela estava marcada, exposta, e presa em uma teia onde o prazer e o perigo eram indistinguíveis.