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Duas

O Santuário de Leite e Mel

A noite em São Paulo tinha aquele peso úmido e barulhento que só os grandes centros possuem, mas, dentro da cobertura de Emanuel, o isolamento acústico criava uma bolha de serenidade artificial. Ele havia acabado de chegar do estúdio após uma sessão de dez horas tatuando as costas de um lutador de MMA — um trabalho exaustivo, cheio de detalhes anatômicos e sombras densas que exigiram cada gota de sua concentração.

Seu corpo doía, mas sua mente estava ainda mais desgastada. O conflito silencioso que se arrastava desde o episódio no parque ainda pairava no ar. Sara estava no quarto dela, provavelmente descontando sua frustração em compras online ou postando fotos provocantes para inflar o ego com comentários de desconhecidos. Emanuel, porém, não buscou a loira. Ele não queria o fogo dela naquela noite; ele precisava de cura.

Ele caminhou pelo corredor escuro e abriu a porta do quarto de Eduarda. O ambiente cheirava a baunilha e a um chá de ervas que ela costumava preparar antes de dormir. A luz do abajur de seda projetava sombras suaves nas paredes, e lá estava ela, sentada na cama, encostada em uma pilha de travesseiros, lendo um livro sobre a Renascença Italiana.

Ao ver Emanuel, Eduarda fechou o livro lentamente. Ela usava uma camisola de cetim pérola, com alças tão finas que pareciam fios de teia de aranha sobre seus ombros delicados. Seus olhos, sempre intuitivos, leram o cansaço nas linhas do rosto dele imediatamente.

— Você parece que carregou o mundo nas costas hoje, Manu — disse ela, a voz saindo como um sussurro melodioso.

Emanuel não disse nada. Ele apenas se aproximou, sentou-se na beirada da cama e começou a desabotoar a camisa preta, jogando-a no chão. Ele se sentia despido não apenas de roupas, mas de todas as defesas que ostentava lá fora. Ele se arrastou para mais perto dela, deitando a cabeça em seu colo, sentindo a maciez das coxas de Eduarda sob seu rosto.

— Eu só preciso de você, Duda — murmurou ele, fechando os olhos.

Eduarda sorriu, uma expressão de doçura possessiva cruzando seu rosto. Ela passou os dedos longos e finos pelos cabelos curtos de Emanuel, massageando seu couro cabeludo com uma pressão rítmica que o fez soltar um suspiro longo.

— Eu sei o que você quer — sussurrou ela, inclinando-se para beijar sua testa. — Meu menino grande...

Com um movimento gracioso e natural, Eduarda deslizou a alça da camisola para baixo. O cetim caiu, revelando o seio médio, de uma brancura quase lunar e uma maciez que Emanuel considerava o maior tesouro de sua vida. Não havia silicone ali, apenas a perfeição da natureza, as veias azuladas transparecendo sob a pele fina, o mamilo rosado reagindo ao ar fresco do quarto.

Emanuel se elevou um pouco, apoiando-se nos cotovelos. Seus olhos, que costumavam ser frios e observadores, agora estavam nublados por uma necessidade primitiva. Para qualquer outra pessoa, Emanuel era o homem rico, o tatuador renomado, o dono de um império. Mas ali, naquele santuário, ele retornava a um estado de vulnerabilidade total.

Ele envolveu a base do seio de Eduarda com as mãos grandes e calejadas, contrastando a tinta escura de suas tatuagens com a claridade da pele dela. Ele se aproximou devagar, sentindo o calor que emanava dela, e finalmente abocanhou o mamilo, começando a mamar com uma sucção lenta e profunda.

Eduarda soltou um suspiro baixo, jogando a cabeça para trás. Suas mãos voltaram para os cabelos dele, puxando-o para mais perto, pressionando o rosto de Emanuel contra sua carne macia.

— Isso... — murmurou ela, o corpo relaxando completamente. — Pode ficar o tempo que quiser, Manu. A Duda está aqui.

Esse era o segredo mais bem guardado deles. Sara jamais poderia imaginar que o homem que ela tentava dominar com sexo agressivo e jogos de poder passava horas assim, aninhado no peito de Eduarda como se sua vida dependesse daquele contato. Para Emanuel, o ato de mamar nos seios de Eduarda não era apenas sexual; era uma forma de nutrição espiritual. Era o único momento em que ele não precisava controlar nada, onde ele não era o mestre, mas o protegido.

O tempo parecia perder o sentido. Emanuel alternava entre os dois seios, movendo a língua com uma delicadeza que beirava a adoração. Ele sentia o gosto da pele dela, o cheiro de leite e loção corporal, e o som da respiração pausada de Eduarda acima dele. Era hipnótico. A tensão em seus ombros desapareceu, o latejar em suas mãos cessou e o ruído do mundo exterior silenciou-se completamente.

— Você está mais calmo? — perguntou ela após um longo tempo, a voz embargada por uma sonolência carinhosa.

Emanuel não respondeu imediatamente. Ele apenas soltou o mamilo dela, deixando-o úmido e brilhante sob a luz fraca, e descansou a bochecha contra o peito dela, ouvindo as batidas do coração de Eduarda.

— Sim — ele finalmente disse, a voz abafada. — Eu sinto que volto para o lugar certo quando faço isso.

— Você é meu, Manu — disse Eduarda, apertando-o contra si. — Ela pode ter suas festas, seus gritos e suas roupas curtas, mas ela nunca vai ter isso. Ela nunca vai saber como te desarmar de verdade.

— Ela não entenderia — comentou Emanuel, sentindo uma pontada de culpa por pensar na loira naquele momento, mas logo a sensação foi substituída pelo conforto que Eduarda provia. — Sara acha que força é sobre quem grita mais alto ou quem tem o corpo mais perfeito. Ela não entende a força do silêncio.

Eduarda sorriu, acariciando a orelha dele.

— Ela é vulgar, Manu. Ela não tem o que é necessário para sustentar um homem como você. Você precisa de paz, e a paz sou eu.

Emanuel voltou a se concentrar no seio dela, sentindo a necessidade de se perder novamente naquela sensação. Ele mamava com uma intensidade renovada, e Eduarda começou a se mover levemente sob ele, o prazer da amamentação simbólica misturando-se a uma excitação sutil e romântica.

De repente, o som de passos pesados no corredor quebrou o encanto. O barulho de saltos batendo contra a madeira era inconfundível. Sara estava se aproximando.

Emanuel congelou por um milésimo de segundo, mas Eduarda não se moveu. Ela manteve a mão firme na nuca dele, um brilho de desafio surgindo em seus olhos.

— Não pare — sussurrou ela. — Ela não vai entrar. Ela sabe que este é o meu território à noite.

A maçaneta da porta girou, mas a tranca estava no lugar. Do outro lado, a voz de Sara soou irritada e levemente embriagada.

— Emanuel? Eu sei que você está aí dentro com a sonsa. Você vai mesmo me dar um bolo para ficar ouvindo ela ler poesia? Eu abri um champanhe, Emanuel!

Emanuel sentiu um lampejo de irritação, mas a sucção no seio de Eduarda agia como um sedativo. Ele não queria sair. Ele não queria o champanhe, nem as luzes, nem a música de Sara.

— Vai embora, Sara! — gritou Eduarda, a voz surpreendentemente forte para alguém tão pequena. — O Emanuel está descansando. Ele não quer saber de barulho hoje.

— Ah, sua... — Sara bateu na porta. — Emanuel, você vai deixar ela falar assim comigo? Eu estou te esperando!

Emanuel suspirou, soltando o seio de Eduarda e sentando-se na cama. Ele olhou para a porta com um cansaço profundo.

— Sara, vá dormir — disse ele, a voz autoritária que costumava usar no estúdio. — Eu não vou sair daqui hoje. Amanhã a gente conversa.

Houve um silêncio tenso no corredor. Eles podiam ouvir a respiração pesada de Sara, a indignação vibrando através da madeira da porta.

— Você vai se arrepender disso, Emanuel! — gritou ela por fim. — Depois não venha atrás de mim quando estiver entediado com essa vida de convento!

Os passos se afastaram, seguidos pelo estrondo de uma porta batendo no fim do corredor. Emanuel soltou o ar que nem sabia que estava prendendo.

Eduarda puxou-o de volta para seus braços, cobrindo-os com o lençol de seda.

— Viu? Ela é barulho, Manu. Só barulho. Esqueça ela.

Emanuel voltou para o seu refúgio. Ele se aninhou novamente entre os seios dela, sentindo o calor reconfortante. Ele passou mais uma hora ali, mamando e sendo acariciado, até que seus olhos ficaram pesados demais para permanecerem abertos.

Eduarda o observava com um olhar de triunfo absoluto. Ela sabia que Sara podia ganhar as batalhas públicas, as fotos no Instagram e os olhares de desejo na rua, mas era ela, a "timida e manhosa", que possuía a alma de Emanuel nos momentos de maior escuridão. Ela o conhecia em sua forma mais pura e infantil, e usava esse segredo como uma âncora que o prendia a ela muito mais do que qualquer contrato ou promessa.

— Durma, meu amor — sussurrou ela, beijando o topo da cabeça dele. — A Duda cuida de você.

Emanuel adormeceu com o rosto pressionado contra a pele macia de Eduarda, o gosto dela ainda em sua boca. Naquela noite, ele não sonhou com agulhas, tinta ou conflitos. Ele sonhou com um oceano de leite e mel, onde não havia necessidade de ser forte, apenas a eterna e doce obrigação de ser cuidado.

Na manhã seguinte, a luz do sol começou a filtrar pelas cortinas de seda, mas Emanuel não se moveu. Ele ainda estava ali, profundamente mergulhado no sono que só a entrega total proporciona. Eduarda, acordada há algum tempo, apenas o observava, sentindo o peso reconfortante do corpo dele sobre o seu.

Ela sabia que, em poucas horas, Emanuel voltaria a ser o homem de ferro, o tatuador rico e inacessível. Ela sabia que Sara apareceria na cozinha com um café forte e uma chuva de sarcasmo para tentar recuperar o terreno perdido. Mas nada disso importava.

Porque todas as noites, quando o mundo se tornava pesado demais, Emanuel voltava para o colo dela. Ele voltava para o seu santuário. E enquanto ele precisasse daquele leite simbólico, daquela cura que só o peito de Eduarda podia oferecer, ela seria a verdadeira rainha daquela cobertura, governando não com gritos, mas com a doçura letal de quem sabe exatamente onde reside a fraqueza de um homem forte.