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Duas namoradas

Sangue e Açúcar

O ar dentro do apartamento parecia carregar uma carga elétrica invisível, daquelas que fazem os pelos do braço se arrepiarem antes de um trovão. Não era apenas a tensão habitual entre Sara e Eduarda; era algo biológico, cíclico e implacável. O destino, em sua ironia mais cruel, havia alinhado os ciclos das duas. Emanuel sentiu o peso do desastre assim que girou a chave na fechadura.

O cheiro de chocolate derretido lutava contra o aroma metálico de sangue e o perfume forte que Sara usava para esconder qualquer rastro de vulnerabilidade. Na sala, o cenário era de guerra fria. Sara estava jogada no sofá, usando um pijama de seda minúsculo que mal cobria suas curvas, com uma bolsa de água quente pressionada contra o abdômen e uma expressão que poderia derreter aço. Eduarda, por outro lado, estava encolhida em uma poltrona, envolta em um cobertor felpudo, com os olhos vermelhos e o nariz entupido, segurando uma caneca de chá como se fosse sua única âncora no mundo.

— Finalmente! — Sara disparou, a voz mais rouca que o normal. — Eu estou morrendo de cólica, Emanuel. Essa casa está um gelo e eu quero que você vá buscar aquele remédio manipulado agora. E tira essa guria da minha frente antes que eu jogue esse controle remoto na cabeça dela. Ela não para de fungar!

— Eu não estou fazendo por mal... — Eduarda soluçou, a voz abafada pelo cobertor. — Eu só me sinto mal. Minhas costas doem, Manu. Ela é tão grossa... ela não entende que eu também estou sofrendo.

Emanuel fechou a porta e encostou a testa na madeira por cinco segundos. Ele precisava de paciência. Muita paciência. Ele jogou a pasta no canto e caminhou até o centro da sala, desabotoando os punhos da camisa social.

— Sara, eu vou buscar o remédio. Duda, eu vou te dar um analgésico — disse ele, a voz firme, tentando manter o controle da situação. — Mas eu quero silêncio. Se eu ouvir mais um grito quando eu voltar, eu tranco as duas no quarto e deixo vocês se resolverem sozinhas.

— Você não teria coragem — Sara provocou, embora tenha se encolhido um pouco quando uma pontada de dor a atingiu.

Emanuel não respondeu. Ele foi até a cozinha, preparou uma bolsa de água quente nova para Eduarda, trocou a de Sara, serviu água para ambas e saiu para a farmácia. No caminho, comprou barras de chocolate amargo para Sara e bombons de morango para Eduarda. Ele conhecia os vícios de cada uma.

Quando voltou, o apartamento estava num silêncio tenso. Sara havia se dopado com um relaxante muscular e cochilava, mas Eduarda estava acordada, sentada na beira da cama dele, esperando.

— Ela dormiu? — Eduarda perguntou num sussurro, quando ele entrou no quarto.

— Sim. E você deveria estar descansando também, Duda.

— Eu não consigo — ela disse, deixando o cobertor escorregar, revelando que estava apenas de camisola, sem calcinha. — Eu me sinto... cheia. Pesada. Eu preciso de você, Manu.

Emanuel suspirou, aproximando-se. Ele sentou na cama e puxou-a para o seu colo. Eduarda era manhosa por natureza, mas naqueles dias do mês, sua carência se tornava uma fome física quase insuportável. Ela se esfregou no peito dele, buscando o calor da pele.

— Você está menstruada, pequena. Está sensível. Não é uma boa ideia.

— Eu não me importo com o sangue — ela murmurou, a mão pequena descendo para a braguilha dele com uma urgência que o surpreendeu. — Eu quero sentir você. Eu quero que você me limpe por dentro. Por favor... dói tanto aqui embaixo, e só você faz parar.

A buceta de Eduarda, sempre descrita por ele como gananciosa, parecia estar em um estado de hiperestesia. Ela precisava ser preenchida. Emanuel olhou para a porta, sabendo que Sara poderia acordar a qualquer momento e o inferno recomeçaria, mas o olhar de adoração e súplica de Eduarda era impossível de ignorar.

— Tudo bem — ele cedeu, a voz baixando de tom. — Mas vamos com calma. Você está delicada.

Ele a deitou suavemente sobre uma toalha escura que buscou no armário, um ritual que já conheciam. Eduarda abriu as pernas, revelando a umidade mista de excitação e o ciclo natural. Para Emanuel, aquilo não era repulsivo; era cru, era real. Ele se despiu rapidamente, sentindo o pau latejar sob o olhar faminto dela.

— Eu quero tudo, Manu — ela sussurrou, a voz trêmula. — Esquece que eu sou frágil hoje. Me usa.

Emanuel entrou nela com uma lentidão torturante. O calor interno de Eduarda estava ainda mais alto, as paredes de sua vagina pareciam mais inchadas e sensíveis, apertando-o com uma força extraordinária. Ela soltou um gemido longo, fechando os olhos enquanto as lágrimas de prazer se misturavam às de dor física que sentia antes.

— Isso... — ela arqueou as costas, as mãos cravando-se nos travesseiros.

O ritmo era constante, profundo e carregado de uma ternura que só ele dedicava a ela. Emanuel beijava seu rosto, limpava o suor de sua testa, enquanto embaixo, a conexão era intensa. A buceta gulosa de Eduarda parecia querer sugá-lo para além do possível, uma sucção rítmica que o deixava zonzo.

Enquanto isso, no corredor, o estalar de passos anunciou que a paz não duraria.

A porta do quarto se abriu com um estrondo. Sara estava lá, descabelada, o rosto pálido pela cólica, mas os olhos injetados de fúria.

— Eu não acredito! — ela gritou, a voz rouca falhando. — Eu estou morrendo na sala e você está aqui, fofocando com essa... essa nojenta? Sangrando na cama? Você é um pervertido, Emanuel! E você, Eduarda, você é uma porca!

Eduarda se encolheu sob o corpo de Emanuel, escondendo o rosto no pescoço dele, o choro voltando instantaneamente.

— Sai daqui, Sara! — Emanuel rugiu, sem sair de dentro de Eduarda. — Eu cuidei de você primeiro. Eu te dei o remédio, a bolsa, o chocolate. Deixa ela em paz!

— Deixar em paz? — Sara entrou no quarto, ignorando a própria dor, movida pelo ciúme puríssimo. — Você está tratando ela como uma rainha enquanto eu estou jogada naquele sofá como um trapo. Eu também quero! Se ela pode, eu também posso!

— Você disse que estava morrendo de dor, Sara — Emanuel disse, tentando manter a sanidade.

— A dor passou! — ela mentiu descaradamente, embora uma fisgada no ventre a fizesse morder o lábio. — Eu quero que você me foda agora. Na frente dela. Para ela ver que, mesmo com essa carinha de santa, você prefere a loira aqui.

Sara avançou para a cama, arrancando o roupão. Ela não tinha a delicadeza de Eduarda. Ela era vulgar, direta, uma força da natureza. Ela se ajoelhou ao lado dos dois, pegando a mão de Emanuel e colocando-a em seu seio siliconado, apertando com força.

— Olha para mim, Emanuel. Esquece essa sonsa chorona por um minuto.

O quarto tornou-se um campo de batalha de fluidos e emoções. Emanuel, pressionado pelas duas, sentiu o estresse se transformar em uma luxúria sombria. Ele não saiu de Eduarda; em vez disso, puxou Sara para perto, forçando-a a se deitar ao lado de Eduarda.

— Vocês querem atenção? — ele perguntou, a voz carregada de autoridade. — Vocês vão ter. Mas do meu jeito.

Ele começou a alternar. Com Sara, ele era o animal que ela exigia. Ele a virou de quatro, saindo de Eduarda por um momento apenas para penetrar Sara com uma força bruta, sem lubrificação além da natural, ignorando as reclamações de dor dela que logo se transformavam em gemidos de submissão. Ele puxava o cabelo loiro de Sara, batendo contra seu corpo com uma agressividade que a fazia delirar.

— Isso... me quebra, Emanuel! — Sara gritava, a vulgaridade transbordando.

Mas, enquanto possuía Sara com essa violência, ele mantinha uma mão no rosto de Eduarda, que observava tudo com olhos arregalados e úmidos. Eduarda não se sentia excluída; ela sentia que estava ganhando, pois via a diferença no tratamento.

Depois de alguns minutos de brutalidade com Sara, ele voltava para Eduarda. O contraste era quase esquizofrênico. Ele a penetrava com uma doçura que fazia o coração dela disparar, movendo-se com cuidado, sussurrando palavras de carinho, tratando-a como a joia preciosa que ela acreditava ser.

— Você é minha vida, Duda — ele soprava em seu ouvido, enquanto Sara, ao lado, tentava recuperar o fôlego e a dignidade.

— Só sua... — Eduarda respondia, a buceta gulosa trabalhando freneticamente para mantê-lo ali, para não deixá-lo voltar para a outra.

Sara, vendo a conexão emocional, tentava interferir, puxando Emanuel para beijos sujos, tentando trazer a vulgaridade de volta para o centro do palco. Ela queria o controle, queria o caos. Eduarda queria a união, o silêncio, o pertencimento.

Emanuel estava no limite. O estresse do dia, a TPM das duas, o cheiro de sexo e sangue no quarto... tudo culminou em uma necessidade absoluta de descarga.

Ele empurrou Sara para o lado, deixando-a ofegante e insatisfeita por um momento, e focou toda a sua energia em Eduarda. Ele a levantou, colocando as pernas dela sobre seus ombros, expondo-a completamente.

— Eu vou gozar, Duda — ele avisou, a voz falhando.

— Dentro... por favor, dentro de mim! — ela implorou, as mãos segurando os lençóis com força. — Não deixa nada para ela. Tudo em mim.

Sara assistia, os olhos brilhando de ódio e desejo, vendo Emanuel se entregar àquela fragilidade manipuladora de Eduarda. Ela sabia o que viria a seguir. Emanuel nunca gozava dentro dela. Ele sempre tinha o cuidado, a barreira, o controle. Com ela, era apenas carne. Com Eduarda, era semente.

Emanuel afundou-se em Eduarda uma última vez, sentindo as paredes dela o abraçarem em um espasmo final e desesperado. Ele rugiu, descarregando tudo o que tinha dentro do ventre dela, sentindo a plenitude que só aquela menina manhosa conseguia proporcionar. Eduarda chorou de verdade então, um choro de alívio e triunfo, abraçando o pescoço de Emanuel enquanto ele desabava sobre ela.

Sara bufou, sentando-se na cama e limpando o suor da testa.

— Grande coisa — ela disse, embora sua voz estivesse carregada de inveja. — Agora eu estou toda suja e com fome. Emanuel, você vai fazer o jantar.

Emanuel não se moveu. Ele permaneceu ali, dentro de Eduarda, sentindo o pulsar da vida e do ciclo dela.

— Agora não, Sara — ele disse, a voz abafada pelo cabelo de Eduarda. — Agora eu vou cuidar da Duda. Se você quiser comer, a cozinha é logo ali.

Sara soltou um palavrão vulgar, levantou-se e saiu do quarto, batendo a porta. Ela sabia que tinha perdido aquela rodada.

No silêncio que se seguiu, Eduarda acariciou o rosto de Emanuel.

— Você me ama mais, não ama? — ela sussurrou, a voz manhosa voltando com força total agora que a rival não estava presente.

— Eu cuido de você, Duda. Isso é o que importa.

— Ela é tão feia falando aquelas coisas... — Eduarda continuou, aproveitando o momento de vulnerabilidade dele. — Ela não te merece. Só eu entendo o seu cansaço.

Emanuel fechou os olhos. Ele sabia que Eduarda era tão manipuladora quanto Sara era agressiva. Ele sabia que aquela fragilidade era, muitas vezes, uma arma. Mas, naquele momento, envolto pelo cheiro dela e pelo calor da entrega, ele não se importava.

Ele se levantou, limpou Eduarda com a toalha com uma delicadeza de pai, vestiu-a com uma camiseta limpa dele e a cobriu. Depois, foi até a sala, onde Sara estava sentada na cozinha, comendo o chocolate amargo direto da embalagem, com uma expressão de poucos amigos.

Ele caminhou até ela, parou atrás de sua cadeira e começou a massagear seus ombros tensos. Sara relaxou o pescoço, soltando um suspiro pesado.

— Você é um idiota, sabia? — ela murmurou.

— Eu sei.

— Ela é uma sonsa.

— Eu sei também.

— Mas você não consegue viver sem esse circo, não é?

Emanuel deu um beijo no topo da cabeça loira de Sara.

— Eu não conseguiria viver no silêncio, Sara. E você sabe que, sem você para me desafiar, eu ficaria entediado em uma semana.

Sara sorriu, um sorriso de lado, vitorioso à sua maneira. Ela se virou e o puxou para um beijo rápido, com gosto de chocolate e posse.

— Vai lá fazer meu jantar, escravo. E depois volta aqui, porque eu ainda não terminei com você.

Emanuel sorriu pela primeira vez naquela noite. O apartamento era um campo de minas, um labirinto de egos e hormônios, mas era o seu labirinto. Ele caminhou até o fogão, ouvindo o som de Eduarda chamando seu nome do quarto e os comentários ácidos de Sara na cozinha.

Era o caos perfeito. E ele era o único mestre capaz de reger aquela sinfonia de sangue e açúcar.