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Duas namoradas

A Visita da Matriarca: Entre o Vinho e o Veneno

O som da campainha às dez da manhã de um sábado soou como um gongo de início de round. Emanuel, que ainda tentava despertar com uma xícara de café forte, sentiu um calafrio percorrer a espinha. Ele conhecia aquele toque: três badaladas curtas e precisas. Dona Margarida não esperava ser atendida; ela anunciava sua chegada.

— Emanuel, meu filho! — exclamou a mulher elegante, de cabelos grisalhos impecáveis, assim que a porta se abriu. Ela entrou espalhando um perfume de lavanda clássica que, instantaneamente, duelou com o rastro de cigarro de Sara e o doce de baunilha de Eduarda.

— Oi, mãe. Você não disse que vinha tão cedo — disse Emanuel, recebendo o beijo estalado no rosto.

— Mãe não avisa, mãe aparece para garantir que o filho não morreu de inanição ou de desgosto — Margarida respondeu, os olhos perspicazes já varrendo a sala.

Nesse momento, as duas mulheres da vida de Emanuel surgiram no corredor. Sara estava em um baby-doll de cetim vermelho, curto demais para uma manhã de sábado com a sogra, os cabelos loiros propositalmente bagunçados. Eduarda vestia um robe de algodão azul-claro, fechado até o pescoço, com o rosto lavado e aquele ar de quem acabara de sair de uma prece.

— Dona Margarida! Que surpresa maravilhosa — Sara disse, forçando um sorriso vibrante. Ela gostava da sogra porque via em Margarida uma mulher de pulso firme, alguém que não se deixava levar por bobagens. — Estávamos agora mesmo falando que a senhora precisava vir tomar um espumante conosco.

— Olá, Sara. Sempre muito... exuberante — Margarida comentou, dando-lhe um abraço protocolar. A mãe de Emanuel respeitava a força de Sara; achava-a uma mulher prática, útil para manter os negócios do filho em ordem, mas a vulgaridade da loira sempre a fazia erguer uma sobrancelha.

Então, os olhos de Margarida brilharam ao pousar em Eduarda.

— Ah, minha pequena Duda... venha cá, querida. — Margarida abriu os braços de verdade. Eduarda quase correu para o abraço, aninhando-se como se tivesse encontrado um porto seguro.

— Senti tanta saudade, Dona Margarida — sussurrou Eduarda, a voz embargada. — O clima aqui tem sido tão... pesado.

Sara revirou os olhos tão alto que quase deu a volta.

— Começou o teatro dramático — murmurou a loira, indo em direção à cozinha para acender um cigarro, sendo interrompida pelo olhar severo de Emanuel.

— Nada de fumaça com a minha mãe aqui, Sara — ele ordenou.

O almoço foi um exercício de equilibrismo. Margarida sentou-se à cabeceira, observando a dinâmica. Sara falava sobre investimentos e sobre como tinha ajudado Emanuel a escolher o novo carro, tentando validar sua utilidade na vida dele. Eduarda, por sua vez, mal comia, limitando-se a servir a sogra com uma delicadeza quase angelical, garantindo que o copo de Margarida nunca estivesse vazio.

— Emanuel, meu filho — disse Margarida, enquanto saboreava o risoto que Eduarda fizera questão de preparar —, você tem sorte. Sara cuida do seu patrimônio, mas a Duda... a Duda cuida da sua alma. Olhe para essa menina, está tão pálida. Você tem dado a atenção que ela merece?

— Eu faço o que posso, mãe — Emanuel respondeu, sentindo a tensão subir.

— Ele gasta todo o tempo livre dele tentando apagar os incêndios que essa daí cria, Dona Margarida — Sara interveio, apontando o garfo para Eduarda. — Se a "santinha" não fosse tão dependente, ele teria paz.

— Dependência é uma forma de amor, Sara — rebateu a matriarca, com um tom que não admitia réplicas. — Coisa que mulheres muito... independentes... às vezes esquecem como demonstrar.

Eduarda deu um sorriso tímido e vitorioso por trás do guardanapo.

Após o café, Margarida anunciou que tiraria um cochilo no quarto de hóspedes. O silêncio que se seguiu à sua retirada durou exatamente dez segundos.

— "Dependência é amor"? Sério, Emanuel? — Sara explodiu em um sussurro furioso na cozinha. — Sua mãe me tolera porque eu sou útil, mas ela trata essa sonsa como se fosse uma relíquia sagrada!

— Ela é doce, Sara. Coisa que você não sabe ser — Eduarda provocou, a voz mansa, mas as palavras afiadas como navalhas.

— Doce? Você é um veneno açucarado, Eduarda! Você usa a velha para se proteger de mim porque sabe que, no mano a mano, eu te janto viva!

Emanuel segurou Sara pelo braço, puxando-a para perto. O estresse da visita da mãe, somado à rivalidade das duas, estava atingindo o ponto de ebulição.

— Calem a boca. As duas — ele rosnou. — Minha mãe está no quarto ao lado. Se ela ouvir um pio dessa briga, eu juro que o castigo vai ser longo.

Ele olhou para as duas. O contraste era, como sempre, o que o desarmava. Sara, com o peito subindo e descendo de raiva, o silicone marcado sob o cetim, exalando um desejo agressivo. Eduarda, com os olhos úmidos, a mão no peito, fingindo uma fragilidade que ele sabia ser sua maior arma de manipulação.

— Pro quarto. Agora — ordenou Emanuel.

— Mas a sua mãe... — Eduarda começou, manhosa.

— Ela tem o sono pesado. E se ela acordar, vai pensar que estamos apenas... nos amando.

O quarto principal tornou-se novamente o palco daquela trindade profana. Emanuel não tinha tempo para preliminares românticas. Ele precisava de silêncio e de descarga. Ele empurrou Sara contra a porta fechada, prendendo-a com o peso do corpo.

— Você quer atenção, Sara? Quer mostrar quem manda? — Ele puxou o cabelo loiro dela, forçando-a a olhar para ele.

— Eu sempre mando, Emanuel — ela desafiou, mesmo ofegante.

Ele a virou de costas com um movimento brusco, levantando o cetim vermelho e revelando a bunda farta. Sem avisar, ele entrou nela por trás, uma estocada seca e potente que arrancou um grito sufocado da loira. Sara mordeu o próprio braço para não gritar e acordar a sogra, o que tornava a cena ainda mais intensa. Emanuel a possuía com uma crueza absoluta, os silicones dela batendo contra a madeira da porta a cada impacto bruto. Era um sexo de punição e posse, exatamente como Sara gostava.

Eduarda observava da beira da cama, as mãos entre as coxas, sentindo a umidade crescer. Ela odiava ver Sara recebendo aquela força, mas amava saber que Emanuel guardava o melhor para o final.

Quando Emanuel terminou com Sara, deixando-a trêmula e com as pernas bambas, ele se voltou para Eduarda. O olhar dele mudou. A rigidez nos ombros suavizou-se minimamente.

— Vem aqui, Duda — ele chamou, a voz baixa e rouca.

Ela se aproximou como um animalzinho carente, despindo-se devagar. O corpo esguio, os seios macios e naturais, a pele que parecia seda. Emanuel a deitou na cama com uma reverência que Sara nunca conheceria.

— Ela foi má com você hoje, não foi? — ele sussurrou, entrando nela com uma lentidão que era quase uma tortura prazerosa.

— Foi, Manu... ela e a sua mãe... eu me sinto tão pequena — mentiu Eduarda, envolvendo-o com as pernas, a buceta gulosa já pulsando, pronta para devorá-lo.

— Eu estou aqui. Eu cuido de você.

O ritmo com Eduarda era uma dança de entrega. Emanuel se perdia naquele calor apertado, naquela umidade que parecia ter vida própria. Eduarda não gritava como Sara; ela soltava suspiros melódicos, chamando pelo nome dele como se fosse uma oração. Ela era insaciável. Quanto mais ele entrava, mais ela pedia, sugando-o, querendo que ele se dissolvesse dentro dela.

— Só meu... — ela murmurava, as unhas leves arranhando o peito dele. — Deixa tudo em mim, Manu. Deixa a sua mãe saber que eu sou a única que você realmente preenche.

Sara, recuperada, sentou-se em uma poltrona no canto do quarto, observando-os. Ela cruzou as pernas, um sorriso cínico nos lábios vermelhos. Ela sabia que Emanuel amava a paz de Eduarda, mas sabia que ele era viciado no caos que ela, Sara, proporcionava.

— Ela é tão gulosa, não é, Emanuel? — provocou Sara, a voz baixa. — Olha como ela te aperta. Parece que nunca viu um pau na vida.

— Cala a boca, Sara — Emanuel disse, mas o comentário da loira só o fez bombear com mais força dentro de Eduarda.

Eduarda fechou os olhos, ignorando a rival, focando apenas no ápice que subia por sua espinha. Ela sentia o momento chegando. A buceta gananciosa contraía-se em espasmos violentos, implorando pelo sêmen dele.

Emanuel sentiu a pressão final. Com Sara, ele teria saído, teria terminado de forma estéril. Mas com Eduarda, o controle era uma ilusão. Ele se afundou nela, sentindo o colo do útero dela recebê-lo, e gozou fundo, uma torrente de vida que Eduarda recebeu com um arquejo de triunfo.

— Meu... — ela sussurrou, vitoriosa.

Alguns minutos depois, o silêncio foi quebrado por batidas suaves na porta do quarto.

— Emanuel? Duda? Já acordei do meu descanso. Vou preparar um chá para nós — a voz de Margarida soou do corredor.

O pânico momentâneo tomou conta. Sara vestiu o roupão às pressas, limpando o batom borrado com as costas da mão. Eduarda, com um sorriso angelical, vestiu seu robe azul, parecendo a criatura mais pura da Terra, apesar de ainda sentir o sêmen de Emanuel escorrendo por suas coxas.

Emanuel vestiu uma calça e abriu a porta, encontrando a mãe com um sorriso sereno.

— Vocês demoraram no quarto. Estavam descansando também? — perguntou Margarida, os olhos descendo para o robe de Eduarda e notando o brilho diferente no olhar da nora favorita.

— Estávamos... conversando, Dona Margarida — disse Eduarda, aproximando-se e abraçando o braço da sogra. — O Manu estava me consolando.

— Imagino que sim, querida. Você parece muito mais... corada agora — comentou a velha senhora, lançando um olhar de soslaio para Sara, que passava por elas em direção à cozinha com seu andar de pantera.

Na cozinha, enquanto o chá era servido, a dinâmica voltou ao normal. Sara tentava dominar a conversa sobre política, enquanto Eduarda sentava-se aos pés de Margarida, ganhando carinhos no cabelo.

— Sabe, Sara — disse Margarida, soprando a fumaça do chá —, você é uma mulher admirável. Forte. Mas um homem como o Emanuel precisa de um ninho para voltar. E o ninho é a Duda.

— Um ninho pode ser muito sufocante, Dona Margarida — Sara rebateu, servindo-se de uma dose de conhaque em vez de chá. — Às vezes, um homem precisa de uma pista de decolagem.

— E de um lugar onde ele possa plantar suas raízes — Eduarda interveio, olhando fixamente para Sara. — E ele plantou as dele hoje. Bem fundo.

Margarida sorriu, talvez entendendo mais do que deixava transparecer. Ela amava a energia de Sara, pois sabia que ela protegia seu filho do mundo exterior, mas adorava a doçura de Eduarda, pois sabia que ela o mantinha preso ao lar.

Emanuel observava as três mulheres, sentindo-se o homem mais exausto e, ao mesmo tempo, o mais poderoso do mundo. Ele tinha o apoio da mãe, a força da amante loira e a devoção absoluta da sua pequena Duda.

Quando a noite caiu e Margarida finalmente foi embora, deixando um rastro de conselhos e bênçãos, o apartamento voltou a ser o campo de batalha privado deles.

Sara jogou-se no sofá, acendendo o cigarro que segurara o dia todo.

— Enfim, a velha foi embora. Não aguentava mais aquele cheiro de lavanda e lição de moral.

Eduarda sentou-se no chão, encostando a cabeça nos joelhos de Emanuel.

— Ela me ama, Sara. Aceite. Ela sabe quem é a mulher certa para o filho dela.

— Ela ama uma ilusão, querida. Se ela visse como você implora pelo pau dele, ela teria um enfarto — Sara soltou uma fumaça densa.

Emanuel fechou os olhos, ouvindo a briga recomeçar. Ele sabia que, em menos de uma hora, estaria levando as duas para o quarto novamente. Sara provocaria, Eduarda choraria, e ele teria que resolver tudo com a pele.

A visita da mãe apenas confirmara o que ele já sabia: ele estava preso em um ciclo de sangue, açúcar e possessão. E, enquanto Eduarda tivesse sua semente e Sara tivesse sua fúria, ele seria o centro de um universo caótico que ele não trocaria por nenhuma paz no mundo.

— Manu... — Eduarda chamou, manhosa, subindo a mão pela perna dele. — Vamos dormir? Estou com sono.

— Dormir, porra nenhuma — Sara levantou-se, caminhando até eles e puxando Emanuel pela gola da camisa. — A mamãe já foi. Agora o show é meu.

Emanuel sorriu, deixando-se levar pelas duas forças opostas, rumo ao quarto onde as leis da lógica e da família não tinham poder algum.