Duas namoradas
O Labirinto de Cetim e a Fúria do Controle
O convite chegou em um envelope rosa perolado, exalando um perfume de flores que parecia ofender o minimalismo austero do apartamento de Emanuel. Eduarda segurava o papel com as mãos trêmulas de empolgação. Era uma festa a fantasia de uma antiga amiga da faculdade, uma comemoração de formatura que prometia reunir todo o seu antigo círculo social. Para ela, era uma chance de respirar fora daquela bolha de tensão constante entre a agressividade de Sara e a possessividade de Emanuel.
— Uma festa, Manu! — Eduarda disse, deslizando para o colo dele enquanto ele revisava relatórios no iPad. — A Bia me chamou. Todo mundo vai estar lá. Eu queria tanto ir...
Emanuel nem sequer tirou os olhos da tela. Sua mão subiu automaticamente para a nuca de Eduarda, acariciando o cabelo dela com uma possessividade casual.
— Você sabe que eu não gosto dessas festas, Duda. Muita gente, muita bebida, homens que não sabem se comportar.
— Mas eu vou estar com você! — ela insistiu, fazendo um biquinho manhoso e esfregando o rosto no pescoço dele.
— Eu tenho uma reunião em Curitiba no sábado, pequena. Não vou estar aqui. E você não vai sozinha.
Eduarda murchou, mas a semente da teimosia já havia sido plantada. Ela passou o dia seguinte em silêncio, planejando. No fundo do armário, escondida sob vestidos de linho e cardigãs comportados, estava a caixa que ela havia comprado escondida. Quando Emanuel chegou na quinta-feira à noite, ele a encontrou no quarto.
Eduarda estava de costas para a porta, terminando de ajustar as orelhas de veludo preto. A fantasia de coelhinha era de um cetim negro tão justo que parecia uma segunda pele, cavada nas coxas de forma a alongar suas pernas brancas e delicadas. O bustiê apertava seus seios médios, deixando-os saltados e convidativos, e um pequeno pompom branco adornava o final de sua coluna.
Emanuel parou no batente, a respiração travando na garganta. O desejo o atingiu como um soco, mas a raiva veio logo atrás, mais fria e cortante.
— O que é isso, Eduarda? — A voz dele era um trovão baixo.
Ela se virou, os olhos grandes e brilhantes, tentando manter a fachada de inocência, embora o tremor em seus lábios a denunciasse.
— É para a festa da Bia, Manu... eu achei que...
— Você achou que eu deixaria você sair de casa vestida como uma puta? — Ele caminhou até ela, a presença preenchendo o quarto de forma opressora. — Olha para você. Está quase nua. Você quer que todos os amigos da sua faculdade vejam o que é só meu?
— É só uma fantasia, Emanuel! Todo mundo vai estar assim! — Ela tentou recuar, mas ele a segurou pela cintura, os dedos enterrando-se no cetim.
— Você não vai. Eu estou proibindo. Tire isso agora ou eu mesmo rasgo essa porcaria do seu corpo.
Eduarda começou a chorar. Não era o choro manhoso de sempre, era um choro de frustração real. Ela se soltou dele e correu para o banheiro, trancando a porta. Emanuel bufou, saindo do quarto para encontrar Sara na sala, que assistia a tudo com um sorriso de escárnio, bebendo um martini.
— A coelhinha quer fugir da toca, Emanuel? — Sara soltou uma risada vulgar. — Ela é mais esperta do que você pensa. Aquela ali, por trás dessa cara de santa, quer é ser devorada por lobos.
— Cala a boca, Sara — Emanuel rosnou, pegando as chaves do carro. — Eu vou para o escritório. Não quero ver ninguém.
Sábado chegou. Emanuel saiu cedo para sua viagem, deixando um beijo gélido na testa de uma Eduarda que fingia dormir. Mas, assim que o som do elevador ecoou no corredor, ela se levantou.
A festa estava no auge quando Eduarda entrou. O som era ensurdecedor, o cheiro de álcool e fumaça impregnava o ar. Ela se sentia exposta, mas havia uma adrenalina nova correndo em suas veias. Homens a olhavam com cobiça, e ela, pela primeira vez, não desviou o olhar com medo. Ela era a coelhinha de Emanuel, mas naquela noite, ela era apenas Eduarda.
No entanto, a liberdade durou pouco.
Às onze da noite, o celular de Sara tocou. Era Emanuel.
— Ela está em casa? — perguntou ele, a voz carregada de uma desconfiança que ele não conseguiu aplacar durante toda a viagem.
Sara olhou para o quarto vazio de Eduarda e sorriu, as unhas pintadas de vermelho batendo no balcão da cozinha.
— Ah, Manu... você é tão ingênuo. A sua "menina" saiu daqui faz duas horas. E se você visse como ela estava... o batom vermelho, aquele bumbum balançando naquele pompom branco... ela parecia muito ansiosa para encontrar alguém.
O silêncio do outro lado da linha foi aterrorizante.
— Onde é a festa? — Emanuel perguntou, a voz tão calma que Sara sentiu um calafrio de excitação.
— Eu te mando a localização, querido. Mas se prepare, porque o lobo mau vai ter muito trabalho para trazer aquela coelhinha de volta.
Emanuel não foi para Curitiba. Ele havia cancelado a reunião no meio do caminho, corroído pela intuição. Ele chegou à festa como um vendaval negro. Ele não precisou procurar muito; Eduarda estava perto do bar, rindo com um antigo colega que mantinha a mão de forma possessiva em sua cintura.
Emanuel não gritou. Ele simplesmente caminhou até eles, afastou o rapaz com um empurrão que quase o derrubou e segurou o braço de Eduarda com uma força que a fez soltar um ganido.
— Nós vamos embora. Agora.
O trajeto até o apartamento foi um túmulo de silêncio. Eduarda tremia tanto que os dentes batiam. Quando entraram, Sara estava esperando, encostada na porta, usando apenas uma lingerie preta provocante, pronta para o espetáculo.
— Olha só quem voltou da floresta — Sara zombou. — E veio completa, com orelhas e tudo.
Emanuel jogou Eduarda no sofá. Ele estava possesso, a gravata frouxa, os olhos escuros de um desejo que beirava a violência.
— Você me desobedeceu — ele disse, a voz vibrando. — Você se exibiu para aqueles abutres. Você queria que eles te desejassem, Eduarda? Você queria que eles sentissem o que só eu sinto?
— Não, Manu... eu só queria sair um pouco... — Ela tentou se encolher, mas Sara se aproximou, pegando uma das orelhas de coelho de Eduarda e puxando-a para trás.
— Ela queria ser vadia por uma noite, Emanuel. Admite. Ela se cansou de ser a sua bonequinha de porcelana e quis ser como eu. Só que ela não tem classe para isso.
Emanuel olhou para as duas. A fúria se transformou em uma necessidade carnal de reafirmar seu domínio. Ele precisava marcar Eduarda, precisava apagar qualquer rastro de outros olhares sobre ela. E precisava calar a boca provocadora de Sara.
— No quarto. As duas — ele ordenou, a voz rouca.
Lá dentro, a luz era mínima. Emanuel não perdeu tempo com carinhos. Ele empurrou Sara contra a parede, rasgando a renda de sua calcinha com as mãos.
— Você gosta de provocar, não gosta, Sara? Gosta de ver o circo pegar fogo.
— Eu gosto de ver você perder o controle, Emanuel — ela respondeu, rindo enquanto ele a penetrava com uma força brutal, sem qualquer aviso.
O sexo com Sara era um campo de batalha. Emanuel estocava com uma crueza que fazia os silicones dela balançarem violentamente contra a parede. Sara gritava, gemidos vulgares e altos, arranhando os braços dele, alimentando-se daquela fúria. Ele a usava para expelir a raiva de ter sido desobedecido, tratando o corpo dela como um objeto de descarga.
— Isso... mais forte! Me trata como a vadia que você acha que eu sou! — Sara gritava, a cabeça jogada para trás.
Eduarda assistia de joelhos na cama, ainda com a fantasia de coelhinha, as lágrimas escorrendo. Ela sentia um ciúme dilacerante daquela agressividade, mas também um medo excitante. Ela sabia que sua vez seria diferente.
Quando Emanuel terminou com Sara, deixando-a ofegante no chão, ele se voltou para a cama. Ele caminhou até Eduarda e, com um movimento rápido, rasgou o cetim negro da fantasia, expondo sua pele branca e os seios que subiam e desciam rapidamente.
— Você acha que é uma mulher independente, Duda? — Ele a puxou pelos cabelos, forçando-a a olhar para ele. — Você acha que pode sair por aí e pertencer a qualquer um?
— Não, Manu... por favor...
— Você é minha. Cada centímetro dessa carne é meu. — Ele a deitou com uma firmeza que não permitia resistência.
Diferente de Sara, com Eduarda o ato era uma possessão de alma. Ele entrou nela devagar, sentindo a umidade gananciosa daquela buceta que parecia ter sentido sua falta o dia inteiro. Eduarda soltou um soluço que se transformou em um gemido de puro prazer. A buceta dela era gulosa, envolvendo o pau de Emanuel como se quisesse prendê-lo dentro de si para sempre.
— Você é uma coelhinha faminta, não é? — ele sussurrou no ouvido dela, enquanto se movia com uma profundidade que a fazia perder os sentidos.
— Sou sua... só sua... — ela implorava, as pernas envolvendo a cintura dele, puxando-o para cada vez mais fundo. — Esquece que eu fui na festa... apaga tudo com o seu pau... me preenche, Manu.
Emanuel sentia a diferença. Com Sara era descarga; com Eduarda era nutrição. Ele a beijava com uma doçura que contrastava com a força de seus quadris. Ele a tratava como algo precioso que havia sido quase roubado dele, e a necessidade de protegê-la se misturava à luxúria.
Sara, sentada no chão, observava a cena. Ela via como Emanuel olhava para Eduarda, como se ela fosse o ar que ele respirava. O ódio de Sara crescia, mas o desejo também. Ela se arrastou até a cama e começou a lamber o pescoço de Emanuel enquanto ele possuía Eduarda, criando um emaranhado de corpos e cheiros.
— Ela é tão apertada, não é? — Sara sussurrou, a mão descendo para o ponto onde os dois corpos se uniam. — Ela quer tudo para ela. Olha como ela te suga.
Eduarda ignorou Sara. Seus olhos estavam fixos nos de Emanuel. Ela queria a semente dele. Ela queria a prova definitiva de que, apesar da desobediência, ela era a preferida. A buceta de Eduarda pulsava em volta dele, uma fome insaciável que parecia drenar as forças de Emanuel.
— Agora, Manu... agora! — Eduarda gritou, arqueando as costas.
Emanuel sentiu o ápice. Com Sara, ele teria saído, teria terminado de forma fria no chão ou nas costas dela. Mas com Eduarda, ele precisava daquela união total. Ele se afundou nela, sentindo o calor apertado e úmido de sua menina manhosa, e gozou profundamente dentro dela.
Eduarda soltou um grito de triunfo e prazer, sentindo o jato quente preenchê-la, as paredes de sua buceta abraçando o sêmen como se fosse ouro líquido. Ela fechou os olhos, um sorriso possessivo surgindo em seus lábios enquanto Emanuel desabava sobre seu peito.
Sara bufou, levantando-se e limpando-se com um lenço de papel, a expressão de desgosto voltando ao rosto loiro.
— Pronto. A coelhinha ganhou o prêmio. Que patético.
Emanuel não respondeu. Ele permaneceu ali, dentro de Eduarda, sentindo os batimentos cardíacos dela se acalmarem. Ele a abraçou com força, o cheiro de sexo e suor misturando-se ao perfume de baunilha que ele tanto amava.
— Se você sair de novo sem a minha permissão, Eduarda... — ele começou, a voz ainda rouca.
— Eu não vou, Manu. Eu juro — ela sussurrou, aninhando-se nele. — Eu só queria que você sentisse falta de mim.
— Eu sempre sinto falta de você. Mesmo quando você está na minha frente.
Sara saiu do quarto, batendo a porta e resmungando sobre como precisava de um drink de verdade. No quarto, o silêncio voltou a reinar, quebrado apenas pela respiração pesada dos dois.
Eduarda olhou para os restos rasgados de sua fantasia de coelhinha no chão. Ela havia perdido o vestido, havia ganhado uma bronca monumental e a fúria de Emanuel. Mas, enquanto sentia o calor dele dentro de si, ela sabia que havia ganhado a única coisa que importava.
Sara tinha os gritos e a atenção momentânea. Mas Eduarda tinha o controle silencioso do coração e do corpo de Emanuel. E para uma menina manhosa e tímida, aquele era o maior poder do mundo.