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Duas namoradas

O Castigo da Doçura

A noite estava gelada, mas o asfalto da avenida principal parecia queimar sob os pneus do carro de Emanuel. Ele dirigia sem destino, as mãos apertando o volante com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. A imagem de Rodrigo no corredor, com aquele sorriso de superioridade, e a visão de Eduarda e Sara unidas em uma provocação barata, rodavam em sua mente como um filme de terror em looping. Ele precisava de espaço. Precisava de silêncio.

No entanto, o silêncio durou pouco. O celular no console central vibrava incessantemente. Eram mensagens de Sara, alternando entre insultos e exigências para que ele voltasse e "resolvesse as coisas como um homem". Mas eram as chamadas de Eduarda que o faziam hesitar. Ela ligava a cada dois minutos, e as notificações de mensagens mostravam apenas frases curtas: "Por favor", "Eu estou passando mal", "Não me deixa sozinha".

Emanuel estacionou em um mirante afastado, onde as luzes da cidade pareciam pequenas e insignificantes. Ele suspirou, fechando os olhos. Ele não tinha a intenção de deixá-las para sempre. Ele sabia disso. O apartamento era dele, a vida era dele, e, de uma forma distorcida e possessiva, aquelas duas mulheres também eram dele. Mas o limite fora ultrapassado. Ele precisava que elas entendessem que o equilíbrio daquela casa dependia da vontade dele, e não dos caprichos delas.

Foi quando o telefone tocou novamente. Desta vez, ele atendeu.

— O que foi, Eduarda? — A voz dele saiu fria, cortante.

Do outro lado da linha, o som era de um choro convulsivo, quase desumano.

— Emanuel... — Ela mal conseguia articular as palavras entre os soluços. — Por favor... volta. Eu saí de casa... eu estou na rua, eu não sei onde estou... está escuro e eu estou com medo...

Emanuel sentiu o estômago revirar. O instinto de proteção, aquele mecanismo que Eduarda sabia ativar com a precisão de um relógio suíço, gritou mais alto que sua raiva.

— Onde você está? — perguntou ele, já ligando o motor.

— Perto daquela praça... onde a gente tomou sorvete na semana passada... por favor, vem me buscar... a Sara disse coisas horríveis, ela me expulsou...

Ele não esperou mais. Dirigiu de volta para o centro da cidade, o coração batendo em um ritmo desigual. Ele a encontrou sentada em um banco de pedra, encolhida, usando apenas o vestidinho leve de flores que não oferecia proteção nenhuma contra o vento da noite. Ela parecia uma criança abandonada, a personificação da fragilidade que ele tanto cobiçava e, ao mesmo tempo, desprezava por ser tão manipulável.

Assim que ele parou o carro, ela correu em sua direção, jogando-se em seus braços antes mesmo que ele pudesse sair do veículo.

— Você voltou... você voltou... — Ela repetia, o rosto enterrado em seu pescoço, molhando sua camisa com lágrimas quentes.

— Entra no carro, Eduarda — disse ele, a voz ainda rígida, mas as mãos já circulando a cintura dela de forma automática.

O trajeto de volta para o apartamento foi feito em silêncio absoluto, interrompido apenas pelos fungados baixinhos dela. Quando entraram, Sara estava na sala, uma taça de vinho na mão e uma expressão de tédio forçado.

— Ah, a fugitiva voltou — debochou Sara, embora houvesse um alívio escondido no fundo de seus olhos. — E trouxe o salvador da pátria.

Emanuel não olhou para Sara. Ele segurou o pulso de Eduarda com firmeza.

— Sara, vá para o seu quarto. Agora. E não saia de lá até eu mandar.

Sara abriu a boca para retrucar, mas o olhar de Emanuel era algo que ela raramente via: não era apenas raiva, era uma promessa de autoridade absoluta. Ela engoliu em seco, deixou a taça sobre a mesa e saiu da sala sem dizer uma palavra.

Emanuel arrastou Eduarda para o quarto principal. Ele fechou a porta com um estrondo e a trancou. Eduarda recuou até a beira da cama, os olhos arregalados, a respiração ofegante.

— Emanuel... você está me assustando...

— Você queria atenção, não queria, Duda? — Ele começou a tirar o paletó, jogando-o no chão. — Você queria que eu sentisse ciúmes. Queria brincar com o vizinho, dar o seu número, aceitar mimos de outro homem para ver até onde a minha paciência ia.

— Eu só queria que você me notasse! — Ela soluçou, as mãos cobrindo o rosto.

— Pois agora você tem toda a minha atenção — disse ele, aproximando-se dela com passos lentos. — Mas você precisa entender que tudo nesta casa tem um preço. E o preço da sua "brincadeira" vai ser pago agora.

Ele a segurou pelos ombros e a forçou a se sentar na cama. Eduarda tremia, mas não tentou fugir. Havia uma eletricidade no ar, uma mistura de medo e expectativa que sempre permeava os momentos mais intensos entre eles. Emanuel ajoelhou-se entre as pernas dela, puxando a barra do vestido de flores para cima, revelando as coxas brancas que ele havia possuído horas antes no escritório.

— Você se lembra do que fizemos hoje? — perguntou ele, a voz baixa e rouca. — Eu cuidei de você. Eu tratei a sua ferida. E como você me agradeceu? Provocando um estranho no corredor.

— Me desculpa... — sussurrou ela, as mãos dele agora subindo por sua pele.

— Desculpas não bastam, Duda. Você precisa de um lembrete. Um lembrete de quem você é e a quem você pertence.

Emanuel não foi gentil. Ele a deitou de costas na cama, prendendo seus pulsos acima da cabeça com apenas uma das mãos. Com a outra, ele explorou a intimidade dela, encontrando-a ainda sensível, ainda marcada pela irritação da cera e pelo sexo anterior.

— Dói aqui? — perguntou ele, pressionando o ponto exato da queimadura com o polegar.

Eduarda soltou um gemido agudo, arqueando as costas.

— Dói... Emanuel, por favor...

— Ótimo. Que doa — disse ele, sem piedade. — Porque cada pontada de dor vai te lembrar que você não deve brincar com a minha paciência.

Ele se livrou das roupas com pressa, a necessidade de dominá-la sobrepujando qualquer outra emoção. Quando ele entrou nela, foi de forma brusca, preenchendo-a com uma força que a fez perder o fôlego. Eduarda agarrou-se aos lençóis, os olhos revirando enquanto o prazer e o desconforto da pele irritada se misturavam em uma sensação avassaladora.

— Você é minha, Eduarda — rosnou ele contra o ouvido dela, enquanto o ritmo se tornava frenético. — O Rodrigo pode mandar as flores que quiser, mas ele nunca vai saber o som que você faz quando eu te toco assim. Ele nunca vai ter isso.

— Só você... — ela gemia, as lágrimas agora de puro êxtase escorrendo pelas têmporas. — Só você, Emanuel... por favor, não para...

Emanuel não parou. Ele a usou como forma de descarregar toda a frustração, todo o estresse do acidente, do trabalho e da convivência tóxica. Ele castigou aquele corpo dócil, fazendo-a sentir cada centímetro de sua autoridade. A região íntima de Eduarda, já sensibilizada, ardia a cada estocada, mas a dor parecia apenas alimentar a entrega dela. Ela se perdia naquele tratamento ríspido, encontrando na punição de Emanuel a validação que sua insegurança tanto buscava.

— Você vai apagar o número dele — ordenou ele, sem diminuir o ritmo.

— Vou... eu vou... — respondeu ela, a voz entrecortada.

— Você vai devolver qualquer coisa que ele mandar.

— Vou... ah, Emanuel...

— E você nunca mais vai dar risadinha para outro homem na minha frente.

— Nunca... eu prometo...

O clímax veio como uma explosão de silêncio. Emanuel desabou sobre ela, o suor misturando-se às lágrimas dela. Ele permaneceu ali por um longo tempo, sentindo o coração de Eduarda bater freneticamente contra o seu peito. A raiva havia evaporado, substituída por uma satisfação sombria e possessiva.

Ele se afastou lentamente e olhou para ela. Eduarda estava desfeita, os cabelos espalhados pelo travesseiro, o rosto inchado e os lábios trêmulos. Entre suas pernas, a vermelhidão da queimadura agora estava acompanhada pelo rastro do sexo intenso, uma marca visual do castigo que ele acabara de aplicar.

— Vá se lavar — disse ele, a voz voltando ao tom calmo e pragmático. — E depois volte para cá. Você vai dormir nesta cama hoje. Nada de quarto de hóspedes.

Eduarda assentiu, levantando-se com dificuldade, sentindo o ardor entre as coxas a cada passo. Ela caminhou até o banheiro como se estivesse em transe, mas antes de fechar a porta, olhou para trás.

— Você ainda me ama? — perguntou ela, a voz minúscula, buscando a última gota de reafirmação.

Emanuel estava sentado na beira da cama, observando as próprias mãos.

— Eu estou aqui, não estou? — respondeu ele, sem olhar para ela. — Agora vá logo.

Eduarda sorriu, um sorriso fraco e vitorioso, e fechou a porta.

Emanuel deitou-se, olhando para o teto. Ele sabia que o "castigo" havia sido, na verdade, um prêmio para ela. Eduarda prosperava no drama, na intensidade do conflito seguido pela reconciliação física. Ele havia dado a ela exatamente o que ela queria: a prova de que ele ficaria louco de ciúmes por ela.

Minutos depois, ele ouviu a porta do quarto se abrir suavemente. Não era Eduarda.

Sara entrou, ainda usando a roupa de ginástica, mas seu olhar estava diferente. Não havia deboche, apenas uma curiosidade faminta. Ela caminhou até a beira da cama e olhou para os lençóis bagunçados.

— Você a quebrou? — perguntou Sara, a voz baixa.

— Ela precisava de um limite, Sara.

— E eu? — Sara sentou-se na beira da cama, a mão subindo pela perna de Emanuel. — Eu também fui má, Emanuel. Eu também provoquei. Eu também mereço um limite?

Emanuel olhou para a loira. A vulgaridade dela, a forma como ela pedia pela atenção dele mesmo depois de uma cena daquelas, era o que mantinha o motor daquela casa funcionando. Ele sentiu o cansaço pesar, mas também a centelha de um novo desejo.

— Você nunca se cansa, não é? — perguntou ele, puxando-a pelo pescoço.

— Nunca para você — respondeu ela, beijando-o com uma agressividade que contrastava totalmente com a passividade de Eduarda.

Eduarda saiu do banheiro, enrolada em uma toalha branca, e parou ao ver Sara na cama com Emanuel. Por um segundo, a mágoa brilhou em seus olhos, mas ela logo a escondeu. Ela caminhou até o outro lado da cama e deitou-se, fechando os olhos e fingindo que a presença da outra não a incomodava.

Emanuel estava no centro. De um lado, a doçura castigada e manhosa de Eduarda, que se aninhava em seu braço como se ele fosse seu único oxigênio. Do outro, a intensidade voraz de Sara, que reivindicava seu espaço com unhas e dentes.

Ele sabia que as brigas voltariam. Sabia que Rodrigo seria apenas o primeiro de muitos problemas que elas criariam para testar seu controle. Mas, naquela noite, enquanto sentia o peso das duas sobre ele, Emanuel permitiu-se a ilusão de que era o mestre daquele pequeno e caótico universo.

— Durmam — ordenou ele, fechando os olhos. — Amanhã, nós vamos ter regras novas nesta casa.

— Regras foram feitas para serem quebradas, querido — sussurrou Sara no ouvido dele.

Eduarda apenas apertou a mão dele com mais força, um gesto silencioso de posse.

Emanuel não respondeu. Ele apenas mergulhou no sono, sabendo que, no dia seguinte, a guerra recomeçaria, e ele estaria lá, mais uma vez, tentando equilibrar o fogo e a água, sem perceber que, no processo, ele era o único que estava sendo consumido.