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É só chegar nela

O Gosto Amargo da Embriaguez e o Toque do Proibido

A quarta-feira em Anakt começou com um peso estranho no ar. Mizi não havia aparecido na segunda, nem na terça, o que deixou o lado esquerdo da sala em um estado de alerta silencioso. Ivan parecia mais irritante do que o normal, mascando chicletes com fúria e evitando os olhares de Till. Sua, por outro lado, sentia um vazio incômodo. Sem o olhar dourado a perseguindo, a biblioteca e os livros de poesia pareciam ter perdido o brilho. Ela se sentia pequena, mas não daquela forma protegida que o moletom de Mizi proporcionava; sentia-se apenas invisível novamente.

Até que a porta da sala de aula se abriu no meio do segundo período.

Mizi não entrou caminhando; ela quase tropeçou no batente. O cabelo rosa estava uma bagunça gloriosa, as pontas azuis desbotadas, e o cheiro de álcool barato e energético a precedia como uma nuvem tóxica. Ela ria de algo que só ela ouvia, os olhos dourados nublados e as bochechas tingidas de um rubor febril.

— Você está atrasada, senhorita Mizi — resmungou o professor, sem tirar os olhos do quadro.

— O tempo é relativo, "fessor"... — Mizi respondeu com aquela voz sedutora, agora arrastada e rouca. — Eu só cheguei na hora certa para o meu próprio show.

Ela se jogou na cadeira ao lado de Ivan, que arregalou os olhos e tentou esconder o rosto com as mãos.

— Mizi, você está bêbada? — sussurrou Ivan, horrorizado. — São nove da manhã!

— Eu estou... inspirada, Ivanzinho — ela deu um tapa sonoro nas costas dele, rindo alto.

Durante o intervalo, a notícia se espalhou. Mizi estava "altos", e isso atraía os abutres de sempre. No corredor perto dos armários, uma garota do segundo ano, conhecida por ser oportunista, viu Mizi encostada na parede, tentando manter o equilíbrio. A garota se aproximou, deslizando as mãos pelos ombros de Mizi, tentando se aproveitar da vulnerabilidade da "rainha" da escola.

— Oi, Mizi... você parece precisar de companhia — a garota murmurou, inclinando-se para tentar roubar um beijo.

Mizi, que parecia estar em transe, subitamente arregalou os olhos. Com uma força inesperada, ela empurrou a garota com as duas mãos. A menina cambaleou para trás, quase caindo no chão.

— Sai de perto! — Mizi rosnou, a voz carregada de um desprezo ébrio. — Você não é ela. Você não é a minha Sua.

O corredor ficou em silêncio. Sua, que passava por ali com Hyuna e Till, estancou. O nome dela tinha saído da boca de Mizi com uma possessividade que a fez estremecer. Mizi a viu. O olhar dourado, embora embaçado, focou na figura pálida e pequena.

— Sua... — Mizi sorriu, um sorriso torto e perigoso.

— Vamos embora daqui, Sua — Till disse, segurando o braço da amiga, os olhos verdes faiscando de ódio para Ivan, que tentava conter Mizi.

O dia arrastou-se com Mizi causando pequenos caos pelos corredores. Ela entrou em salas erradas, cantou músicas de rock alto demais e mandou beijos para o nada. Mas, no final do dia, na saída da escola, a tensão atingiu o ápice.

O portão principal estava lotado. Alunos de todos os anos se aglomeravam para ir embora. Sua estava parada perto do muro, esperando Luka terminar de organizar suas anotações, quando sentiu um calor súbito atrás de si. Antes que pudesse se virar, braços fortes a envolveram pela cintura, puxando-a contra um corpo quente e trêmulo.

— Achei você... — a voz de Mizi sussurrou no ouvido de Sua, carregada de hálito de álcool e desejo.

— Mizi, para! Tá todo mundo olhando! — Sua implorou, o rosto explodindo em vermelho.

Mizi não ouviu. Ou não se importou. Ela enterrou o rosto no pescoço de Sua, aspirando o cheiro de sabonete neutro e melancolia. Com uma audácia que fez a multidão soltar um arquejo coletivo, Mizi pressionou os lábios contra a pele pálida do pescoço de Sua, sugando e dando uma mordida leve, mas firme, bem na curva da jugular.

— Você é minha — Mizi murmurou contra a pele dela, as mãos descendo perigosamente para as coxas de Sua, começando a levantar a saia cinza sob os olhares chocados de todos.

— MIZI! JÁ CHEGA! — Ivan apareceu como um raio, segurando Mizi pelos ombros e a arrancando de cima de Sua. — Você vai ser expulsa se continuar com isso!

Ivan a arrastou, praticamente carregando-a enquanto Mizi tentava se soltar, esticando a mão em direção a uma Sua paralisada e trêmula.

— Amanhã... — Mizi gritou, rindo como uma louca enquanto Ivan a enfiava em um táxi. — Amanhã eu termino o que comecei!

***

A quinta-feira amanheceu fria. Sua não conseguiu dormir. A marca no seu pescoço, agora um roxo discreto, estava escondida sob a gola da camisa social. Ela chegou cedo, esperando evitar o tumulto, e se refugiou no único lugar onde se sentia segura: a biblioteca.

O silêncio entre as estantes altas era o seu santuário. Ela caminhou até o fundo, na seção de poesia clássica, tentando se perder em versos para esquecer o calor das mãos de Mizi. Mas o destino, ou talvez a obsessão de Mizi, tinha outros planos.

O som de passos decididos ecoou pelo carpete. Sua se virou, mas foi prensada contra a estante antes que pudesse reagir.

Mizi estava lá. Ela parecia perfeitamente sóbria, o cabelo penteado, o uniforme impecável. Não havia vestígios da garota bêbada do dia anterior, exceto pelo brilho predatório nos olhos dourados.

— Bom dia, nuvenzinha — Mizi disse, a voz sedutora e clara.

— Mizi... o que você está fazendo aqui? As aulas vão começar...

— Eu não me importo com as aulas — Mizi deu um passo à frente, eliminando qualquer espaço. — Eu me lembro de tudo o que eu fiz ontem, Sua. Cada pedaço. Mas eu não gosto de fazer as coisas pela metade.

Antes que Sua pudesse protestar, Mizi a beijou. Não era o beijo bêbado ou provocado de antes. Era um beijo com fome, uma reivindicação. Mizi segurou o rosto de Sua com uma mão, enquanto a outra desceu rapidamente, apertando a coxa de Sua com uma força que a fez soltar um gemido abafado contra a boca da outra.

— M-Mizi... aqui não... — Sua tentou dizer, mas sua resistência estava derretendo.

— Ninguém vem aqui a esta hora — Mizi murmurou, descendo os beijos para o pescoço de Sua, exatamente sobre a marca que ela mesma deixara no dia anterior.

Mizi ajoelhou-se lentamente diante de Sua. O coração da garota pálida parecia que ia saltar pela boca. Com movimentos ágeis, Mizi levantou a saia plissada de Sua. A visão das coxas brancas e da calcinha de renda simples pareceu incendiar os olhos dourados.

— Você é tão perfeita... — Mizi sussurrou, começando a beijar a parte interna das coxas de Sua, subindo cada vez mais, as mãos subindo para apertar as nádegas da garota menor.

Sua enterrou os dedos no cabelo rosa de Mizi, a cabeça jogada para trás, os olhos roxos revirando de prazer e medo. Mizi levou a mão ao elástico da calcinha de Sua, pronta para baixá-la, quando o som de vozes e risadas ecoou na entrada da biblioteca.

— ...então o professor disse que o trabalho é pra sexta! — A voz de uma aluna qualquer soou, aproximando-se das estantes.

Mizi reagiu com a velocidade de um raio. Ela levantou-se, ajeitando a saia de Sua com um movimento brusco e puxando-a para o lado. Em um segundo, ela pegou um livro pesado de capa dura da estante — "A Divina Comédia" — e o abriu entre as duas.

Quando dois alunos dobraram o corredor, viram apenas a popular Mizi, com uma expressão intelectual e calma, apontando para uma página enquanto Sua, com o rosto vermelho e a respiração visivelmente alterada, fingia ler.

— Veja bem, Sua — Mizi disse, a voz alta e clara, com um tom de superioridade acadêmica —, a estrutura do Inferno de Dante é baseada na progressão do pecado. É fascinante, não acha?

Os alunos passaram, lançando olhares curiosos, mas não desconfiaram de nada. Assim que o som dos passos desapareceu, Mizi fechou o livro com um estalo sonoro e o devolveu à estante.

Ela se aproximou do ouvido de Sua, que ainda tentava recuperar o fôlego e a dignidade.

— Por pouco, nuvenzinha — Mizi sussurrou, a voz carregada de uma promessa perigosa. — Mas não se preocupe. O dia é longo. E eu ainda estou com muita fome.

Mizi piscou para ela, deu um tapinha leve em sua bochecha e saiu da biblioteca caminhando como se fosse a pessoa mais inocente do mundo. Sua ficou ali, encostada nos livros, sentindo o calor entre suas pernas e o peso do segredo que agora as unia de forma irremediável. O terceiro ano nunca mais seria o mesmo.