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Eddsworld outher space

Garras, Lasers e Outras Delícias Noturnas

A atmosfera em Durdam Lane estava tão espessa que poderia ser cortada com uma das facas de combate de Tord. O prazo para os exames de sangue obrigatórios pairava sobre a cabeça de Liam como uma guilhotina invisível. Ele precisava de ar. Precisava escapar dos olhares desconfiados de Tord, da preocupação sufocante de Edd e, acima de tudo, do carinho genuíno de Tom, que só fazia a culpa em seu peito esmagar seus pulmões.

Aproveitando que os meninos estavam distraídos discutindo sobre quem havia acabado com o leite, PK pegou seu casaco preto com estampa de esqueleto neon, assobiou baixinho e esgueirou-se pela porta dos fundos. Ao seu lado, trotando com uma agilidade surpreendente para o seu tamanho, estava Ofélia.

Eles caminharam por quase uma hora até alcançarem os limites da cidade, onde uma antiga pedreira abandonada se escondia atrás de uma cerca de arame farpado retorcida. Era o lugar perfeito. Isolado, escuro e cercado por paredões de pedra que abafariam qualquer som.

PK jogou-se contra uma rocha, cobrindo o rosto com as mãos.

— Eu não aguento mais, garota — desabafou ele, olhando para a gambá gigante que se sentava calmamente ao seu lado, farejando o chão. — O governo está caçando aliens. Eu sou o alien. E o pior? Eu nem sabia disso até duas semanas atrás! Eu achava que era só um DJ canadense meio esquisito com problemas de humor!

Ofélia soltou um estalido com os dentes, inclinando a cabeça peluda.

— Você não liga, né? — PK sorriu amargamente, sentindo a energia em suas veias começar a ferver. — Claro que não. Você é um gambá.

Ele fechou os olhos e, pela primeira vez por livre e espontânea vontade, permitiu que a barreira humana desmoronasse. A transformação foi dolorosa, mas estranhamente libertadora. Seus ossos estalaram, sua estatura encolheu ligeiramente e sua pele pálida assumiu um tom verde-vibrante. Os olhos heterocromáticos derreteram em duas fendas de escuridão absoluta, profundas como o vácuo. O cabelo scene ganhou um brilho azul-neon bioluminescente, e duas antenas finas brotaram de sua testa, captando as frequências magnéticas do ambiente.

De repente, a mente de PK foi inundada por um pensamento que não era seu. *“A comida aqui é ruim, mas você fica mais bonito assim.”*

PK piscou, olhando para a gambá.

— Ofélia? Você... falou na minha cabeça? — perguntou ele, sua voz ecoando em uma frequência dupla e metálica.

A gambá apenas piscou os olhos brilhantes. Telepatia. Ele estava descobrindo seus poderes de ARKOPS.

Animado pelo surto de adrenalina, Ymir — seu verdadeiro nome estelar — estendeu a mão em direção a uma pedra do tamanho de uma geladeira. Concentrando a energia em sua mente, ele sentiu a gravidade ceder. A rocha flutuou a dois metros do chão antes de ele a arremessar contra o paredão, estilhaçando-a com pura telecinese. Em seguida, testou sua superforça, socando um bloco de granito e reduzindo-o a pó.

Por fim, focou na manipulação biológica. De suas costas e braços, tentáculos escuros e viscosos emergiram, chicoteando o ar com precisão milimétrica. Ele sorriu, fascinado. Então, sentiu uma dormência estranha na boca. Com um comando mental, sua própria língua se dividiu e se esticou, transformando-se em um tentáculo ágil e incrivelmente sensível.

Ymir recolheu a língua-tentáculo rapidamente, as bochechas verdes esquentando ligeiramente enquanto um pensamento puramente humano e caótico cruzava sua mente.

— Hmm... se eu usar isso no Tom na próxima vez que estivermos sozinhos... acho que ele vai ter uma pane no sistema — murmurou para si mesmo, balançando a cabeça para afastar as ideias pecaminosas. — Não, não! Voltar ao treinamento! Foco, Ymir!

— Você sempre foi péssimo em manter o foco, capitão.

A voz ecoou das sombras da pedreira, fria, cortante e terrivelmente familiar.

PK retesou o corpo instantaneamente. Os tentáculos em suas costas se ergueram como lanças. Das sombras, uma figura alta e imponente emergiu. A pele era de um verde mais escuro, coberta por cicatrizes de batalha, e os olhos negros brilhavam com um desprezo antigo.

— Galaczor — sibilou PK, as antenas tremendo violentamente.

Lapsos de memória atingiram a mente de PK como estilhaços de vidro. Ele se lembrou da academia militar de ARKOPS. Lembrou-se de como eles treinavam juntos na elite da frota. Ymir sempre fora o prodígio, o capitão condecorado por sua força bruta e imprevisibilidade caótica, enquanto Galaczor sempre ficava em segundo lugar, roendo-se de inveja sob a sombra do companheiro.

— Olhe para você — Galaczor zombou, caminhando em círculos ao redor de PK, as garras afiadas arranhando as rochas. — O grande Capitão Ymir, a vanguarda da nossa frota, reduzido a um animal de estimação de humanos patéticos. Este planeta já deveria ter sido limpo e preparado para a nossa reprodução acelerada há ciclos! Mas você caiu, perdeu a memória e começou a brincar de casinha!

— Eu não sabia quem eu era! — PK gritou, a voz distorcida pela raiva. — E agora que sei, eu não quero fazer parte disso! Eu gosto da Terra! Gosto das pessoas daqui!

— Então você é um traidor — Galaczor rosnou, o corpo assumindo uma postura de ataque. — O Imperador está perdendo a paciência. Se você não vai cumprir a missão, eu vou. Vou matar você, tomar o seu posto de capitão e liderar a invasão. E vou começar arrancando essa sua cabeça colorida!

Galaczor avançou como um meteoro. O impacto jogou PK contra a parede de pedra, abrindo uma rachadura no granito. A luta que se seguiu foi brutal, sangrenta e desprovida de qualquer piedade. Era a força de dois guerreiros de elite colidindo.

Tentáculos se entrelaçavam e se despedaçavam no ar. PK usou sua superforça para desferir um soco que quebrou a mandíbula de Galaczor, mas o guerreiro mal pareceu sentir, revidando com as garras que rasgaram o peito de PK, derramando um sangue escuro e brilhante.

PK estava em desvantagem emocional; ele ainda lutava contra a confusão de suas memórias. Galaczor o derrubou, prendendo-o contra o chão com um pé em seu pescoço.

— Acabou, Ymir. Você amoleceu.

De repente, um rugido furioso ecoou. Ofélia, vendo seu dono em perigo, correu em direção a Galaczor, cravando os dentes afiados na panturrilha do alienígena.

— Saia de cima dele, seu projeto de Shrek! — a voz da gambá ecoou telepaticamente, cheia de fúria.

— Criatura insolente! — Galaczor rugiu.

Com um movimento rápido e cruel, ele agarrou Ofélia pelo pescoço e a arremessou com força total contra um dos paredões de pedra. O som do impacto dos ossos do animal contra a rocha ecoou pela pedreira, seguido por um ganido de dor agonizante. Ofélia caiu no chão, imóvel, uma poça de sangue se formando ao redor de seu corpo peludo.

Dentro de PK, algo quebrou. Não era o capitão ARKOPS que estava acordando; era o Liam. O garoto que amava aquela gambá esquisita mais do que a própria vida.

— NÃO! — o grito de PK rasgou o ar, uma onda de choque telecinética que arremessou Galaczor a metros de distância.

PK levantou-se, a energia dentro de seu peito expandindo-se a níveis catastróficos. Suas antenas brilhavam tanto que cegavam a escuridão. Ele sentiu um calor insuportável subir por sua garganta, uma queimação de plasma puro.

Galaczor levantou-se, rindo, preparando-se para o golpe final.

— É só isso que você tem, Ym...

Ele não conseguiu terminar a frase. PK abriu a boca e disparou um feixe de laser azul-neon massivo e destruidor. O som era como o de um trovão contínuo. O laser atingiu Galaczor em cheio, desintegrando instantaneamente a rocha atrás dele e arrancando toda a metade superior do corpo do guerreiro, deixando apenas as pernas carbonizadas caírem no chão antes que o resto virasse cinzas.

Ofegante, PK caiu de joelhos. Sua pele voltou à forma humana de forma abrupta e dolorosa devido ao esgotamento físico. Ele ignorou seus próprios ferimentos e rastejou até Ofélia. A gambá ainda respirava, mas de forma fraca e superficial.

— Calma, garota... eu tô aqui. Eu vou te salvar — chorou PK, pegando o animal pesado nos braços com dificuldade e correndo em direção a Durdam Lane, sem olhar para trás.

Ele achou que Galaczor estava morto. Mas, nas sombras da pedreira deserta, as cinzas e o sangue escuro no chão começaram a borbulhar. Fios de tecido biológico começaram a se entrelaçar novamente, regenerando-se lentamente a partir das células sobreviventes. A voz de Galaczor ecoou em um sussurro fraco, mas carregado de uma nova e doentia obsessão:

— Que poder... magnífico, capitão... Eu preciso... desse poder para mim...

***

Na casa de Edd, Tom andava de um lado para o outro na sala, o cenho franzido de preocupação.

— Ele já sumiu faz duas horas. E levou a Ofélia — disse Tom, cruzando os braços. — Isso não é normal, mesmo para o PK.

— Ele deve estar pichando algum muro ou comprando mais daquelas presilhas de cabelo coloridas, Tom — Tord comentou do sofá, embora estivesse secretamente atento à porta.

De repente, a porta da frente foi escancarada com um estrondo. PK tropeçou para dentro da sala. Suas roupas estavam rasgadas, cobertas de poeira e sangue escuro. Seus braços tremiam enquanto ele segurava Ofélia, que estava ensanguentada e inconsciente.

— Pelo amor de Deus, PK! — Edd gritou, levantando-se de um salto.

— O que aconteceu?! — Tom correu em direção a ele, amparando o corpo do menor antes que ele desabasse no chão. O coração de Tom disparou ao ver o estado do namorado.

— Um... um assaltante — mentiu PK, a voz fraca, lágrimas limpando caminhos na poeira de seu rosto. — No beco perto da pedreira... ele tentou me roubar. A Ofélia tentou me defender e... e ele bateu muito nela. Por favor... me ajudem a salvar ela.

— Você está sangrando, cara! — Matt exclamou, os olhos arregalados de horror. — Precisamos te levar para o hospital agora!

Ao ouvir a palavra "hospital", o pânico nos olhos de PK foi tão visceral que fez até Tord se endireitar no sofá. Os exames de sangue do governo. Se ele pisasse em um hospital, eles colheriam seu sangue e descobririam o que ele era em questão de minutos.

— NÃO! — PK gritou, a voz subindo uma oitava em puro desespero, agarrando a jaqueta de Tom com força quase sobre-humana. — Hospital não! Eu estou bem! São só arranhões, eu juro por tudo o que é mais sagrado! Eu não vou para a porra de um hospital! Só... levem a Ofélia para um veterinário! Por favor!

Os quatro meninos se entreolharam. O desespero de PK era desproporcional para alguém que dizia ter apenas arranhões. Havia algo de muito errado e muito oculto ali. Tom semicerrou os olhos pretos, sentindo que o namorado estava escondendo algo enorme, mas o estado deplorável de PK e o sofrimento da gambá falaram mais alto.

— Tudo bem, tudo bem! Nada de hospital para você — Tom acalmou, pegando Ofélia dos braços trêmulos de PK. — Edd, pega as chaves do carro. Vamos para a clínica veterinária 24 horas.

— Eu vou junto — Tord disse, levantando-se, os olhos fixos nos ferimentos de PK que pareciam estranhamente profundos para um assalto comum.

— Não, Tord — Tom cortou, a voz fria como gelo. — Você e o Matt ficam aqui. Eu e o Edd cuidamos disso. E quando eu voltar... — Tom cerrou os punhos, uma fúria assassina brilhando em suas órbitas escuras — ...eu vou caçar o arrombado que fez isso com o meu namorado e com a Ofélia. Vou quebrar cada osso do corpo dele.

— Tom, não! — PK interrompeu, segurando o braço dele. — Não vai atrás de ninguém. Por favor. Só... fica comigo.

Tom olhou para o rosto implorante de PK, engoliu a raiva que ameaçava transbordar e assentiu.

A viagem até o veterinário foi tensa. Felizmente, o médico que os atendeu era um conhecido de Edd e aceitou tratar a "gamba de estimação exótica" sem fazer muitas perguntas. Ofélia foi internada às pressas. Após uma hora de agonia na sala de espera, o veterinário voltou com boas notícias: ela tinha algumas costelas quebradas e hemorragia interna, mas a anatomia dela era surpreendentemente resistente — mal sabia ele o quanto — e ela sobreviveria após uma cirurgia e alguns dias de repouso.

Quando voltaram para Durdam Lane, já passava das três da manhã. PK estava limpo, usando um moletom enorme de Tom, mas ainda visivelmente abalado. Edd, Matt, Tom e Tord o encurralaram na sala de estar.

— PK — Edd começou, a voz séria e protetora de sempre. — Nós ficamos preocupados de verdade. Durdam Lane está ficando perigosa com toda essa história do governo e exames de sangue. Você não pode mais sair sozinho. Promete para a gente.

— É — Matt concordou, abraçando as próprias pernas. — Se alguém encostar no seu rosto lindo de novo, eu mesmo bato no cara com o meu espelho.

PK olhou para cada um deles. O calor daquela família disfuncional quase o fez chorar novamente.

— Eu prometo — disse PK, baixando a cabeça. — Não saio mais sem vocês.

***

Mais tarde, no silêncio do quarto de Tom, a atmosfera mudou drasticamente. Tom estava sentado na borda da cama, observando PK, que aplicava alguns curativos em si mesmo.

— Você sabe que eu sei que você mentiu, não sabe? — Tom disse baixinho, a voz sem julgamento, apenas preocupada. — Um assaltante comum não faria isso. E você não ficaria com tanto medo de um hospital por nada.

PK parou o que estava fazendo. Ele olhou para Tom, sentindo o peso do segredo, mas decidiu usar a melhor distração que tinha em mãos para evitar aquela conversa. Ele caminhou lentamente até Tom, sentando-se no colo do namorado e entrelaçando os braços ao redor de seu pescoço.

— Thomas... obrigado por não me forçar a falar — sussurrou PK, aproximando os lábios dos dele. — E obrigado por salvar a Ofélia. Você foi meu herói hoje.

Tom sentiu o corpo relaxar sob o toque do menor, um sorriso de canto surgindo em seus lábios.

— Eu faria de novo. Qualquer coisa por você, estrela.

— Sabe... — PK continuou, um brilho caótico e puramente provocativo surgindo em seus olhos bicolores. — Eu acho que você merece uma recompensa por todo esse estresse. Que tal experimentarmos algo... totalmente novo esta noite?

Tom arqueou uma sobrancelha, as mãos descendo para a cintura de PK.

— Novo? Tipo o quê?

PK deu um sorriso malicioso. Ele fechou os olhos por um breve segundo, concentrando-se apenas o suficiente para não mudar de forma completa. De repente, por baixo do moletom largo, quatro tentáculos escuros, macios e levemente brilhantes emergiram de suas costas, serpenteando pelo ar antes de se enrolarem suavemente ao redor dos braços e das coxas de Tom, prendendo-o na cama com uma firmeza delicada.

Para completar, PK abriu a boca e colocou para fora a língua-tentáculo, bifurcada e ágil, roçando-a de leve no queixo de Tom.

Tom estacou. Suas órbitas escuras se arregalaram ao máximo. Ele olhou para os tentáculos que o prendiam, sentindo a textura exótica e o calor que emanava deles, e depois para a língua modificada de PK. O choque durou exatamente três segundos antes de ser completamente substituído por uma onda de excitação pura que fez seu rosto queimar.

— Mas que caralho... — Tom ofegou, a voz falhando completamente enquanto sentia um dos tentáculos subir por baixo de sua camiseta, acariciando suas costelas de um jeito que o fez arrepiar dos pés à cabeça. — PK... o que... o que é isso?

— Considera isso um bônus interestelar, Tommy — PK sussurrou, a língua-tentáculo traçando uma linha úmida e lenta pelo pescoço de Tom, fazendo o de azul soltar um gemido baixo e rouco que ele tentou abafar em vão. — Você disse que gostava da minha loucura. Então... aguenta firme.

Tom, completamente entregue ao domínio daqueles apêndices exóticos e ao toque incrivelmente prazeroso e preciso de PK, afundou nos travesseiros, com a mente virando geleia. Naquela noite, trancados no quarto, a guerra fria com Tord e a ameaça do governo mundial pareceram desaparecer no espaço sideral, deixando apenas o som de respirações arfantes e a descoberta de que o vizinho caótico tinha muito mais a oferecer do que apenas cupcakes e música alta.