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Encontro?!!

O Cetim Azul e a Rendição do Lorde Vermelho

A luz pálida do Ártico filtrava-se pelas janelas de cristal, mas dentro dos aposentos privados de Guy Crimson, o ar estava carregado de uma tensão que não tinha nada a ver com o clima externo. Rimuru estava parado diante de um grande espelho de corpo inteiro, ajustando as dobras de um novo vestido que Shuna havia enviado por meio de uma conexão dimensional de emergência. Era uma peça de cetim azul-cobalto, com um decote generoso que realçava a pele leitosa de seus ombros e uma fenda lateral que subia perigosamente pela coxa.

— Rimuru, você está fazendo isso de propósito — a voz de Guy veio de trás, profunda e vibrante.

O Lorde Vermelho estava sentado em sua imensa cama de dossel, observando cada movimento do Slime com olhos que brilhavam como brasas em uma fornalha. Ele não estava usando sua armadura habitual, apenas uma calça de seda preta e uma camisa entreaberta, revelando os músculos definidos de seu peito.

— Fazendo o quê, Guy? — Rimuru perguntou, lançando um olhar inocente por cima do ombro, enquanto passava as mãos pelas curvas do próprio quadril para alisar o tecido. — Eu só estou me vestindo. Você disse que teríamos um jantar formal com seus generais hoje.

— Você sabe perfeitamente que esse vestido vai causar três ataques cardíacos e uma guerra civil entre os meus subordinados — Guy levantou-se, caminhando em direção a Rimuru com a elegância de um predador. — E você sabe o que ele faz comigo.

Guy envolveu a cintura de Rimuru, suas mãos grandes contrastando com a delicadeza do cetim azul. Ele inclinou a cabeça, deixando os lábios roçarem a orelha de Rimuru, mas, antes que pudesse aprofundar o contato, Rimuru segurou os pulsos dele e os afastou com firmeza.

— Mãos quietas, Guy — ordenou Rimuru, virando-se para encará-lo com uma expressão severa que não combinava com o brilho travesso em seus olhos amarelos. — Eu ainda não terminei de me arrumar. E você ainda não se desculpou por ter tentado "marcar" meu pescoço ontem à noite.

Guy soltou um suspiro dramático, algo que ele nunca faria na frente de qualquer outro ser vivo.

— Foi um impulso. Você estava... particularmente tentador.

— Não me importa — Rimuru apontou para uma cadeira próxima. — Sente-se ali. Agora.

Os demônios que patrulhavam o corredor do lado de fora provavelmente teriam caído de joelhos em choque se pudessem ver a cena: Guy Crimson, o governante absoluto do Norte, o mediador entre os mundos, hesitou por apenas um segundo antes de obedecer, sentando-se na cadeira com um sorriso torto e submisso.

— Você gosta de mandar, não é? — perguntou Guy, cruzando as pernas e apoiando o queixo na mão, sem tirar os olhos de Rimuru.

— Alguém tem que colocar ordem nesta masmorra — Rimuru pegou um frasco de perfume e borrifou levemente no pulso. — E já que você parece incapaz de se controlar, eu assumi a liderança da relação. Algum problema com isso, Lorde Vermelho?

— Nenhum — Guy admitiu, sua voz descendo um oitavo. — Na verdade, é a coisa mais excitante que me aconteceu em dois mil anos. Ver você ficar irritado... ver esse brilho de autoridade nos seus olhos... faz eu querer rastejar por você, Rimuru.

Rimuru sentiu o rosto esquentar, mas não recuou. Ele caminhou até Guy e, em um movimento audacioso, sentou-se de lado no colo dele, passando um braço pelo pescoço do ruivo enquanto a outra mão brincava com os fios escarlates de seu cabelo.

— Se você quer rastejar, Guy, vai ter que se esforçar mais — Rimuru inclinou-se para frente, deixando seus rostos a milímetros de distância. — Eu quero que você me mostre que pode ser um bom garoto durante o jantar. Sem mãos bobas por baixo da mesa, sem olhares ameaçadores para quem quer que fale comigo, e sem comentários possessivos. Consegue fazer isso?

Guy sentiu o peso suave de Rimuru em seu colo e o toque de suas coxas contra as dele. O desejo de simplesmente tomá-lo ali mesmo era quase insuportável, mas a vontade de agradar Rimuru — e de ver até onde aquela dinâmica de poder iria — era maior.

— É um desafio difícil — Guy sussurrou, sua mão subindo para repousar na coxa exposta de Rimuru, apertando levemente a carne macia. — Mas, se o prêmio for a sua atenção exclusiva mais tarde... eu posso tentar.

— Tentar não é o suficiente — Rimuru deu um tapinha audível na bochecha de Guy, fazendo o demônio arregalar os olhos. — Eu quero ouvir você dizer: "Sim, Rimuru".

Guy soltou uma risada baixa, uma vibração que Rimuru sentiu por todo o corpo.

— Sim, Rimuru — ele repetiu, a voz carregada de uma devoção perigosa.

O jantar foi, para dizer o mínimo, uma tortura psicológica para os servos de Guy. Misery e Rain serviam os pratos com uma eficiência robótica, tentando ignorar o fato de que Rimuru estava sentado na cabeceira da mesa — o lugar de Guy — enquanto o próprio Guy estava sentado ao lado dele, agindo como um consorte atento.

— Guy, este vinho está um pouco ácido — comentou Rimuru, fazendo uma careta leve.

Imediatamente, Guy pegou a taça da mão de Rimuru, provou o líquido e olhou para o sommelier demônio que estava no canto da sala. O demônio quase desintegrou-se sob o olhar de Guy, mas antes que o Lorde Vermelho pudesse proferir uma sentença de morte, Rimuru limpou a garganta ruidosamente.

— Guy. O que nós conversamos? — Rimuru perguntou, arqueando uma sobrancelha.

Guy fechou os olhos por um momento, respirando fundo para conter seus instintos assassinos.

— Traga outra garrafa, da reserva especial — disse Guy para o servo, sua voz estranhamente calma. — Por favor.

O "por favor" de Guy Crimson causou um silêncio tão absoluto no salão que se podia ouvir o gelo estalando nas fundações do castelo. Rain deixou cair um talher de prata, algo inédito em seus milênios de serviço.

Rimuru sorriu, satisfeito, e deu um tapinha na mão de Guy que estava sobre a mesa.

— Bom garoto. Viu como é fácil ser educado?

— Você está me destruindo, Rimuru — Guy murmurou, aproximando-se para que apenas o Slime ouvisse. — Meus generais vão pensar que eu amoleci.

— E você amoleceu? — Rimuru provocou, deslizando o pé descalço pela canela de Guy por baixo da mesa.

Guy quase engasgou com o próprio fôlego. O toque era leve, mas vindo de Rimuru, era como um comando elétrico.

— Para você? — Guy olhou para ele, e por um momento a máscara de arrogância caiu, revelando uma vulnerabilidade que só Rimuru tinha permissão de ver. — Eu faria qualquer coisa. Eu destruiria o mundo ou o salvaria, se você me pedisse com esse sorriso.

Rimuru sentiu um aperto no peito. Ele sabia que Guy falava a verdade. O que começou como uma curiosidade mútua e um jogo de provocações estava se transformando em algo muito mais profundo e assustador. Ele percebeu que, sob toda aquela fachada de Lorde Demônio intocável, Guy era alguém que ansiava por conexão, por alguém que não o visse como um deus ou um monstro, mas como uma pessoa.

— Então me peça — Rimuru desafiou, a voz suave mas firme. — Peça para eu não ir embora amanhã.

Os olhos de Guy escureceram. Ele ignorou os generais, ignorou as empregadas e ignorou o protocolo. Ele se inclinou, pegando a mão de Rimuru e beijando as pontas de seus dedos, um por um, com uma reverência que beirava o religioso.

— Fique, Rimuru — Guy pediu, sua voz rouca de desejo e algo que soava muito como súplica. — Fique e mande em mim, me provoque, me irrite... apenas não me deixe sozinho com o tédio deste lugar novamente.

Rimuru sentiu uma onda de triunfo misturada com um carinho imenso. Ele adorava ver Guy assim — rendido, exposto, totalmente focado nele.

— Talvez eu fique — Rimuru disse, inclinando-se para dar um beijo rápido no canto da boca de Guy, ignorando o suspiro coletivo de choque dos servos. — Mas só se você prometer que vai carregar todas as minhas malas quando eu decidir visitar as masmorras de gelo amanhã.

— Eu carregaria o próprio mundo nas costas se você estivesse sentado em cima dele — Guy respondeu, recuperando um pouco de sua arrogância, mas sem soltar a mão de Rimuru.

O resto do jantar passou em um borrão de etiquetas quebradas e olhares intensos. Quando finalmente voltaram para os aposentos privados, Guy fechou a porta com um chute e prensou Rimuru contra a madeira esculpida. O cetim azul do vestido amassou-se sob as mãos fortes do demônio.

— Agora — Guy rosnou, o rosto enterrado no pescoço de Rimuru — chega de público. Chega de jogos de poder na frente dos outros. Eu fui um bom garoto, Rimuru. Eu obedeci. Eu implorei.

Rimuru sentiu as mãos de Guy descendo, apertando suas nádegas com firmeza e puxando-o para cima, forçando o Slime a entrelaçar as pernas na cintura do ruivo.

— E o que você quer como recompensa? — Rimuru perguntou, ofegante, suas mãos se perdendo no cabelo de Guy.

— Tudo — Guy disse, antes de selar seus lábios em um beijo que exigia cada grama de atenção de Rimuru. — Eu quero que você me mostre exatamente quem é o dono deste castelo de gelo esta noite.

Rimuru sorriu entre o beijo, sentindo o poder e a paixão de Guy envolverem-no. Ele sabia que, por mais que provocasse e mandasse, eles eram dois lados da mesma moeda. Dois seres poderosos que encontraram um no outro o equilíbrio perfeito entre o caos e a ordem.

— Então é melhor começar a trabalhar, Guy — Rimuru sussurrou contra os lábios dele. — Porque eu tenho uma lista de exigências muito longa.

Guy riu, um som de pura felicidade predatória, e carregou seu Slime em direção à cama, onde o frio do Norte não tinha poder algum contra o fogo que queimava entre os dois. Naquela noite, o Lorde Vermelho não era um governante; ele era apenas um homem, completamente devoto ao pequeno ser azul que tinha virado seu mundo de cabeça para baixo.

E Rimuru, observando a aurora boreal dançar do lado de fora da janela, soube que, não importa para onde fosse, uma parte de seu coração sempre pertenceria àquele deserto de gelo e ao demônio que aprendeu a implorar por seu amor.