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Encontro?!!

O Alvoroço das Flores Brancas e a Devoção do Primordial

O espelho de cristal no quarto de Guy refletia uma imagem que beirava o sacrilégio para os padrões demoníacos. Rimuru Tempest não estava apenas usando uma forma feminina; ele estava abraçando-a com uma delicadeza que contrastava violentamente com a brutalidade do ambiente. O vestido de seda branca, adornado com minúsculas flores azuis bordadas à mão, abraçava suas curvas de forma suave, enquanto o decote em "V" revelava a pele leitosa de seu colo. Seu cabelo azul-prateado estava preso em uma trança folgada, com alguns fios escapando para moldar o rosto, e uma maquiagem leve destacava seus olhos amarelos, que agora brilhavam com uma malícia travessa.

— Guy, você ainda não terminou de se desculpar — disse Rimuru, cruzando os braços e batendo o pé direito, calçado em um salto agulha prateado, contra o chão de mármore.

Guy Crimson, o ser que fazia exércitos inteiros cometerem suicídio apenas com sua presença, estava sentado na beira da cama, observando Rimuru com uma mistura de adoração e desespero contido. Ele ainda tinha vestígios de sangue seco nos punhos da camisa — o que restara do demônio de alta classe que cometera o erro fatal de flertar com Rimuru no corredor, e do outro que, em um momento de loucura, ousara tocar a nádega do Slime durante o banquete.

— Eu já disse que sinto muito, Rimuru — disse Guy, sua voz rouca vibrando com uma sinceridade que faria Misery desmaiar. — Mas eles tocaram em você. Minha natureza não permite que tais insultos passem impunes.

— Você explodiu a cabeça deles no meio do salão principal, Guy! — Rimuru bufou, aproximando-se e apontando o dedo para o nariz do ruivo. — Eu tinha acabado de começar uma conversa interessante sobre a economia do submundo. Agora, ninguém mais quer falar comigo porque acham que você vai incinerar a alma deles se eles olharem para o meu vestido por mais de dois segundos.

Guy abaixou a cabeça. O Lorde Vermelho, o Primordial, o mediador do mundo, soltou um suspiro pesado. Sob o olhar severo de Rimuru, ele sentiu uma necessidade avassaladora de redenção. Sem dizer uma palavra, Guy deslizou da cama e ajoelhou-se no chão de gelo, bem aos pés de Rimuru.

— Perdoe-me — disse Guy, olhando para cima com olhos vermelhos que brilhavam com uma submissão genuína. — Eu perdi o controle. Sua beleza hoje... é irritante de tão perfeita. Eu não suporto a ideia de outros olhos cobiçando o que é meu. Por favor, Rimuru. Diga-me o que fazer para que você não fique mais bravo.

Rimuru piscou, pego de surpresa pela visão de Guy Crimson ajoelhado diante dele. O Slime sentiu um calor subir pelo rosto, mas decidiu que não facilitaria as coisas. Se Guy queria ser um namorado possessivo, ele teria que aprender as regras de Rimuru.

— Levante-se, Guy — disse Rimuru com um tom de comando. — Para começar, você vai me carregar. Esses saltos são lindos, mas meus pés estão me matando depois de andar por metade do seu castelo.

Guy levantou-se em um movimento fluido, um sorriso predatório começando a surgir em seus lábios.

— Com o maior prazer.

Ele deslizou um braço por baixo dos joelhos de Rimuru e o outro pelas suas costas, levantando-o como se ele fosse feito de penas. Rimuru instintivamente entrelaçou os braços ao redor do pescoço de Guy, acomodando-se no peito largo e quente do demônio.

— E agora? — perguntou Guy, saindo do quarto e caminhando pelos corredores onde os servos estavam escondidos atrás de colunas, tremendo de pavor.

— Agora — disse Rimuru, encostando a cabeça no ombro de Guy —, nós vamos até a ala dos jardins de inverno. E você vai pedir desculpas aos servos que sobraram. Você os deixou apavorados com aquele show de sangue.

— Pedir desculpas aos meus subordinados? — Guy hesitou, parando no meio do corredor. — Rimuru, isso é...

— É uma ordem, Guy — interrompeu Rimuru, brincando com uma mecha do cabelo vermelho de Guy. — Ou você prefere que eu peça para o Veldora vir me buscar e eu volte para Tempest agora mesmo?

Guy apertou o abraço, rosnando baixo. O pensamento de Rimuru partindo era pior do que qualquer humilhação pública.

— Não. Eu farei isso — disse ele, voltando a caminhar.

À medida que passavam, o caos social se instalava. Misery e Rain, que seguiam à distância, trocavam olhares de puro terror. Elas viram seu mestre absoluto, o ser mais orgulhoso da existência, carregar Rimuru como uma rainha e, ao chegar ao salão de chá, parar diante dos servos sobreviventes.

— Escutem — disse Guy, sua voz ecoando com uma autoridade que ainda dava calafrios, mas com um tom estranhamente controlado. — O Lorde Rimuru ficou... descontente com minhas ações anteriores. Eu não deveria ter causado tamanha desordem no salão. Continuem suas tarefas.

Os demônios presentes ficaram estátuas. Guy Crimson tinha acabado de reconhecer um erro na frente deles. O mundo estava, de fato, chegando ao fim.

— Viu? Não foi tão difícil — sussurrou Rimuru, dando um beijo casto na bochecha de Guy. — Agora, leve-me para aquele sofá de veludo. Eu quero que você massageie meus pés.

Guy obedeceu sem questionar. No salão de inverno, cercado por flores de cristal que nunca murchavam, ele colocou Rimuru suavemente no sofá e ajoelhou-se novamente, retirando os saltos prateados com uma delicadeza que ninguém acreditaria que aquelas mãos eram as mesmas que arrancavam corações.

— Você é muito mandão para alguém tão pequeno — comentou Guy, começando a pressionar os polegares na planta do pé de Rimuru.

— E você é muito obediente para alguém tão assustador — rebateu Rimuru, soltando um gemido de satisfação quando a tensão em seus pés começou a desaparecer sob o toque quente de Guy. — Continue. Exatamente assim.

Guy olhou para cima, observando como o vestido branco subira um pouco, revelando as coxas de Rimuru. A trança folgada estava começando a se desfazer, e o Slime tinha os olhos entreabertos, parecendo completamente relaxado. A visão era demais para o autocontrole de Guy.

— Rimuru — disse Guy, sua voz agora carregada de um desejo sombrio —, eu fiz tudo o que você pediu. Eu me ajoelhei, eu pedi desculpas, eu carreguei você... Agora, eu quero minha recompensa.

Rimuru abriu os olhos, encontrando o olhar intenso de Guy. Ele sorriu, uma expressão que era metade inocência e metade convite.

— E o que você quer, Lorde Vermelho?

Guy não respondeu com palavras. Ele se levantou, puxando Rimuru para cima com ele, e o prensou contra a parede de cristal do jardim de inverno. O contraste entre o vestido branco virginal e a aura vermelha e pecaminosa de Guy era impressionante. Ele mergulhou o rosto no pescoço de Rimuru, mordiscando a pele sensível logo abaixo da orelha, enquanto suas mãos deslizavam para baixo, apertando a bunda de Rimuru com firmeza por cima do cetim.

— Eu quero sentir cada parte de você — sussurrou Guy contra a pele de Rimuru. — Eu quero que você esqueça que é um rei, que é um Slime... eu quero que você seja apenas meu.

Rimuru soltou um suspiro trêmulo, suas mãos puxando Guy para mais perto.

— Então pare de falar e prove que você merece — disse Rimuru, desafiador.

Guy soltou um rosnado baixo e selou seus lábios nos de Rimuru em um beijo faminto. Não havia mais espaço para jogos ou provocações. Ele levantou Rimuru novamente, suas mãos deslizando para baixo do vestido branco, sentindo a pele sedosa e quente das coxas do Slime. Rimuru entrelaçou as pernas na cintura de Guy, sentindo a dureza do desejo do demônio contra si.

Guy caminhou com ele de volta para os aposentos privados, chutando as portas para fechá-las com uma força que fez o castelo tremer. Ele jogou Rimuru na cama de dossel, seguindo-o imediatamente. Suas mãos eram ágeis, desfazendo os laços do vestido branco com uma urgência que beirava o desespero.

— Você é tão lindo — murmurou Guy, enquanto o vestido deslizava para fora, revelando o corpo perfeito de Rimuru sob a luz da lua ártica. — Eu vou devorar você, Rimuru.

— Menos conversa, Guy — disse Rimuru, puxando o ruivo pelo pescoço para outro beijo profundo.

O que se seguiu foi uma dança de poder e entrega. Guy era impiedoso em seu prazer, explorando cada centímetro do corpo de Rimuru com a boca e as mãos, fazendo o Slime arquear as costas e clamar por seu nome. Rimuru, por sua vez, não era passivo; ele arranhava as costas de Guy, devolvendo cada toque com a mesma intensidade, deliciando-se com o fato de que o ser mais poderoso do mundo estava tremendo sob seus dedos.

— Guy... — Rimuru arquejou, quando Guy o penetrou com uma estocada profunda e possessiva. — Mais...

— Você é meu — rosnou Guy, acelerando o ritmo, seus olhos brilhando com uma loucura de amor e luxúria. — Diga. Diga que você pertence a mim.

— Eu... eu pertenço... a quem eu quiser — disse Rimuru, soltando uma risada entrecortada antes de ser silenciado por um beijo esmagador. — Mas hoje... hoje eu escolho você.

Eles atingiram o ápice juntos, em uma explosão de mana e sensações que iluminou o quarto. Guy desabou sobre Rimuru, ofegante, enterrando o rosto em seus cabelos azuis desfeitos. O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som de suas respirações pesadas.

Horas depois, Rimuru estava deitado no peito de Guy, observando a aurora boreal pela janela. Guy acariciava suas costas distraidamente, seus dedos traçando padrões invisíveis na pele de Rimuru.

— Sabe — começou Rimuru, a voz sonolenta —, seus servos nunca mais vão conseguir me olhar nos olhos depois de hoje.

— Eles não precisam olhar para você — disse Guy, beijando o topo da cabeça de Rimuru. — Eles só precisam saber que, se você estiver feliz, o mundo continua girando. Se você ficar triste... bem, eu terei que destruir algo.

— Você é um caso perdido — Rimuru riu, fechando os olhos.

— Sou — admitiu Guy, apertando o abraço. — Mas sou o seu caso perdido.

Naquela noite, o castelo de gelo não parecia mais uma fortaleza de medo. Com Rimuru Tempest em seus braços, Guy Crimson finalmente entendeu que o verdadeiro poder não vinha da dominação, mas da rendição total a alguém que era seu igual em todos os sentidos. E enquanto o Slime dormia, o Lorde Vermelho velava seu sono, pronto para matar qualquer um que ousasse perturbar a paz daquele que agora era o dono de sua alma imortal.